Watck - We Are The Cool Kids
1 TODOS
Notas iniciais
Vamos ver o que as pessoas vão achar... deixe seu recado depois do bip!!!
BIIIIIIPPPPP!
(Trilha sonora — Abertura ♪ Fun ft Janelle Monáe — We Are Young)
Um sino tocava ao longe. Uma, duas, três, doze vezes.
E ele se misturava com o som de alguém conversando, um carro passando na rua e uma música eletrônica tocando baixo.
O sino parou, as conversa acabou, o carro se distanciou mas a música eletrônica ficou ali, tocando e tocando repetitivamente.
– Mas que porcaria...
Every abriu um dos olhos. Os cílios, pra variar, grudaram um no outro. Ela nunca se lembrava de tirar a maquiagem antes de dormir.
A música continuava tocando em algum lugar, abafada.
Ela se virou na cama e cobriu a cabeça, e então a música parou. Ela se ajeitou de novo no travesseiro se preparando pra dormir mais um pouco quando a música recomeçou a tocar.
– Argh! – Every grunhiu, levantando da cama aos tropeços. Onde estava aquele maldito celular que não parava de tocar? Ela tropeçou sobre os sapatos jogados pelo quarto, por uma pilha de revistas, e uma cadeira coberta por roupas. Para uma garota patricinha, aquele quarto estava uma zona.
E lá estava ele, sobre uma pilha de ursinhos de pelúcia revirados. Um deles tinha um tapa olho de piratas pintado com canetinha preta. E outro tinha um bigode.
– Alô! – Ela murmurou no telefone, passando a mão sobre o rosto tentando acordar. A mão voltou toda borrada de batom vermelho.
– Every? – Uma voz distante a chamou do outro lado.
– Alô? – Ela repetiu, não por que não tinha escutado, mas por que não reconhecia a voz.
– Every? Sou eu, o Louis. Tá me escutando?
Ela virou os olhos.
– Louis, eu estava dormindo...
– Eu preciso da sua ajuda! – Ele resmungou do outro lado, sem deixar ela terminar. Ela ficou em silêncio, esperando ver o que era tão importante assim pra ele a acordar num sábado de manhã sendo que ele sabia que ela tinha ido naquela festa gigante na outra noite e tinha voltado pra casa a tipo... três horas? Ele estava lá! – Eu fui preso.
Ela devia ficar assustada, mas aquele era Louis.
– Eu estou na cadeia e preciso que alguém venha me tirar daqui!
– Ligue pro Harry!
– É que bem... ele meio que está aqui também.
Por que sua cabeça estava tremendo?
Ana abriu um dos olhos, sem entender aquilo. A tremedeira parou.
Ela então fechou os olhos, mas em um segundo sua cabeça tremeu de novo.
Espera. Não era sua cabeça. Era o travesseiro.
Mas por que o travesseiro estava tremendo?
Ela levantou e afastou o travesseiro, que caiu no chão e lá estava seu celular vermelho, muito muito velho, que ela herdou da irmã mais velha (sempre com as sobras).
Ele tremeu mais uma vez.
– Ah droga... – Ela pegou o aparelho e abriu. – Alô?
– Não quero nem saber, se eu vou você vai.
Ela afastou o aparelho do ouvido e viu o nome “EVERY” na bina. Se deitou de novo no colchão, sem travesseiro mesmo, já que estava com preguiça de pegá-lo do chão.
– Every, eu estou dormindo!
– Eu também estava, até Louis me ligar! O maldito está na cadeia! Temos que tirar ele de lá.
– Não “temos” nada. Ele ligou pra você, não pra mim.
A coisa toda é que Louis era um encrenqueiro. Não era surpresa nenhuma ele ter ido parar na polícia, não era nem a primeira vez. Uma só era suficiente para tira-lo de lá, e nada mais justo que fosse Every, já que ela era a garota da grana e alguém ia ter que pagar a fiança.
– Vou dormir Every, boa sorte na polícia e mande um oi pro Louis.
– O Harry também está lá.
Ao escutar esse nome, Ana abriu os olhos de novo.
– Waliyah.
– Olá Wal! Aqui é a Ana, posso falar com o Zayn?
Waliyah olhou para as escadas, como se estivesse avaliando se devia ou não ir incomoda-lo no quarto.
– Eu acho que ele está dormindo – ela bufou.
– É mesmo importante. Por favor.
Waliyah bateu o pé, pensando que não gostaria de ir incomodar o irmão e levar uma bronca por isso. Mas também não queria ficar ali no telefone perdendo tempo.
– Tá bom. – Ela subiu as escadas correndo e foi para o quarto de Zayn. A porta não estava trancada, então ela entrou em silêncio. O quarto cheirava cigarro, cerveja e suor.
– Telefone!!! – Ela gritou bem perto da orelha dele, jogou o aparelho, saiu correndo e bateu a porta. Zayn abriu os olhos perdido, sem saber o que estava acontecendo.
Então escutou aquela voz baixinha e viu o telefone ali.
– Zayn! Zayn!
Era Ana? Que horas eram?
– Ana? – Ele estava completamente perdido. Sua cabeça doía, a ressaca era um castigo pela noite passada. – Cacete, são seis horas da manhã.
– Zayn, já passa do meio dia e eu e Ana estamos de pé indo até a delegacia tirar seus dois amigos da cadeia. _Every puxou o telefone de Ana e respondeu.
– Boa sorte – Ele resmungou, voltando a se deitar e fechar os olhos, desligando o telefone. Em menos de um minuto ele começou a tocar novamente. Uma, duas, três vezes até parar. Zayn sorriu. Tinham desistido. Meninas malucas.
– Zayn! Telefone pra você meu filho – A mãe enfiou a cabeça pela porta do quarto – É a Every, ela disse que é urgente.
– Mas que raios! – Ele pegou o telefone que tinha deixado ali e ligou – Every! Não me importo com delegacia, nem com nada, eu só quero DOR-MIR. Você devia estar fazendo o mesmo!
– Eu e a Ana queremos saber o que foi que aconteceu para os dois estarem presos, ou não vamos tirar ninguém da cadeia.
– E eu lá sei? – Ele choramingou – Só quero dormir!
– Para de fazer manha senão nós vamos aí pessoalmente. E você sabe que sua mãe é muito educada e vai fazer você levantar e ir falar com a gente.
– Eu não sei de nada Every. Mesmo. Eu juro.
– Você não sabe por que o Louis e o Harry estão na cadeia?
– Não... – Ele resmungou baixinho, já com os olhos fechados. – Talvez o Liam saiba. Ele que voltou com eles pra casa.
A tática de passar o problema pro próximo. Sempre funcionava.
– Eu não sabia disso não. Eu saltei do ônibus no meu ponto e eles continuaram.
Liam estava correndo pela margem do rio, como fazia todos os dias, não importava se era sábado ou segunda, se estava chovendo ou se estava quente.
Naquele dia, estava um tempo horrível, como era normal em Bristol.
Ele usava seu iPhone preso no braço e falava através dos fones de ouvido.
– Não acredito que ninguém saiba de nada. – Every reclamou do outro lado da linha.
– Acho que o jeito vai ser ir lá e perguntar pra eles – Liam disse, bem na hora que seu relógio apitou e ele diminuiu o ritmo da corrida até uma caminhada leve. Parou perto de uns aparelhos e começou a se alongar.
– Quer ir com a gente?
Liam olhou pros lados.
Bom, não tinha nada pra fazer mesmo.
– Tenha um bom almoço senhor – Hanima sorriu, colocando o prato na frente do cliente. Ela então virou as costas e deixou a bandeja no balcão, indo em direção a outro cliente que a chamava do lado de fora. Pegou a caneta e o bloco de pedidos no bolso do avental e sorriu, com seus dentinhos tortos.
– Boa tarde, sejam bem vindos.
E então ela os viu, andando pela rua.
E não adiantava. Mesmo vendo eles todos os dias no colégio, e praticamente seguir eles pela cidade nos tempos livres, ela sempre sentia o mesmo nervosismo quando eles estavam perto. O que era ridículo. Era como se eles fossem rock stars e ela uma fã doida, mas eles eram apenas como ela, adolescentes, estudando no colégio e andando por Bristol.
Não. Eles não podiam ser mais diferentes dela.
Ela era tão normal, tão feia, tão esquisita, tão nerd, e eles... eles eram cheios de vida, sempre indo e vindo em roupas legais, sempre parecendo estar se divertindo como se aquele fosse o último dia de suas vidas.
Every estava de braços dados com Ana. Every, sempre tão linda, seus cabelos loiros e ondulados caindo em perfeição sobre seus ombros, uma saia florida e um casaco branco, sapatilhas que Hanima já queria ter igual, usando imensos óculos escuros. Ana ao seu lado, se vestindo tão normal mas parecendo tão especial. Seu cabelo nem curto nem comprido, tão liso e castanho, brilhando mesmo no tempo nublado e chuvoso que fazia.
E um dos meninos. Liam.
Ele era tão lindo, usando a bermuda vermelha de corrida e uma camiseta sem mangas cinza, com manchas de suor e tênis. Ele não era tão lindo quanto Zayn, mas ela não podia deixar de admirá-lo. Ele devia estar correndo, como sempre fazia todas manhãs. Ela e Kat, sua melhor amiga, sabiam tudo sobre os sete amigos, o que era meio esquisito, mas ela não ligava.
Os três passaram por ela, e como sempre o seu coração bateu mais rápido, imaginando se eles diriam um oi. Mas eles mal a enxergaram ali.
Só passaram reto, falando uns com os outros e seguiram seu caminho.
– HEI AMICOS!
Os três olharam para a frente e viram um Niall muito, muito bêbado andando em direção deles. Estava com outros três garotos, igualmente bêbados, todos sem camisa, suados e amassados.
– Niall? – Liam deu um sorriso como se não acreditasse na cena. Every olhou pro relógio de pulso dela, confirmando o horário.
– São uma hora. Vai dizer que está voltando da festa de ontem agora?
– Os últimos serão os primeiros babe – Ele disse em seu sotaque irlandês fofo e mais enrolado por causa do álcool.
– Você não precisa sempre fechar as baladas Niall – Liam tentou dar um tapinha nas costas dele, mas mudou de ideia. Ele parecia melecado demais.
– É uma superstição amico. – Ele disse em seu sotaque – O primeiro a chegar, o último a sair e todas histórias para contar.
Ana deu risada da cara que Niall fez ao dizer isso, mas Every bufou impaciente.
– Onde estão indo?
– Tirar Louis e Harry da … – Ana não conseguiu terminar de falar por que Every tampou sua boca.
– Tirar os dois da cama – Every sorriu. Liam e Ana se olharam meio sem entender aquilo, mas não falaram nada.
– Então boa sorte. Nos vemos mais tarde! – Niall gritou, subindo a rua em direção aos outros amigos, e pulou no ombro de um deles, gritando.
– Só me faltava ter que empurrar um bêbado até a delegacia. Ele acabaria preso também. – Every bufou quando Ana olhou pra ela perguntando por que ela não tinha contado pra Niall o que eles iam fazer.
– Senhores, visita.
Louis se virou e viu os amigos aparecerem do outro lado da grade. Harry também se levantou, parecendo muito aliviado em ver Every, Ana e Liam ali.
– Graças a Deus vocês vieram – Harry segurou duas barras da cela e apoiou o rosto entre elas. Parecia miserável. – Me tirem daqui.
– Não tão rápido senhor Styles. Primeiro quero saber por que vocês se meteram nessa. – Every disse com sua voz mais dura, cruzando os braços. – E então vou avaliar se vocês merecem mesmo sair.
Louis revirou os olhos.
– Qual é Every. Tira logo a gente dali. Estou com sono, quero ir pra minha casa.
– Eu também estava com sono Tomlinson, e também queria estar na minha casa, mas estou aqui, já que você mesmo me ligou.
Louis olhou pra Ana e Liam ali parados, como se pedisse ajuda.
– Eu não tenho nada a ver com isso! – Liam levantou as mãos.
– E eu não tenho dinheiro pra fiança. – Ana completou.
– Comecem a falar – Every fez uma cara séria – Ou passarão mais algum tempo aí.
– Tá bom! A culpa é minha! – Harry disse cansado, se rendendo.
Os três olharam pra ele.
– Eu... eu fui na casa dessa garota ontem...
Ana fechou o rosto. Harry sabia que ela ia ficar daquele jeito quando ele começasse a contar. Não que ela não soubesse do que Harry era capaz.
– Então nós ficamos conversando e você sabe... ela decidiu fazer aquilo, mas como os irmãos dela estavam em casa, nós pegamos a chave e entramos no carro da mãe dela. Ai os pais dela chegaram e pegaram a gente lá.
– E onde você entra nisso Louis?
– Eu... eu estava do lado de fora, esperando Harry acabar – Ele disse num suspiro, virando os olhos, como se aquilo fosse desnecessário.
– Vocês são inacreditáveis – Ana deu as costas pra eles, parecendo irritada.
– Alguém tinha que ficar de guarda! – Harry falou com uma voz desafinada, como se estivesse prestes a cair no choro. Ele estava cansado. Já tinha aprontado muito na vida, mas ir parar na cadeia não era uma boa experiência. Geralmente ele conseguia se safar de tudo muito bem, por isso se dar mal não era algo que ele estivesse muito acostumado.
Não agradava nada a idéia de estar naquele lugar cheirando xixi e suor só por que foi ficar com a garota errada na hora errada.
– Pronto, é isso, agora tire a gente daqui! – Harry choramingou.
Every suspirou abrindo a bolsa pra procurar sua carteira. Ia pagar logo aquela porcaria de fiança e voltar pra casa para dormir mais um pouco.
– E quem era a garota? – Liam perguntou inocentemente.
Every e Ana pararam e olharam de novo pra Louis e Harry. Como não tinham pensado naquele detalhe?
Louis fez uma careta do tipo “Liam, vou te matar assim que sair dessa cela”.
– Sabrina. – Harry disse num suspiro.
– SABRINA MORGAN? – Every e Anele falaram ao mesmo tempo.
– Sabrina tipo a filha do COMANDANTE DA POLÍCIA? – Every continuou a pergunta.
– Sabrina, a filha virgem do comandante da polícia? – Ana completou.
– Ela não era virgem. – Harry fechou o rosto.
– Não mais... – Every completou.
– Agora chega de palhaçada. Tirem a gente daqui. – Louis disse sério, com seu jeito mandão e controlador.
Every bufou virando os olhos, pegou a mão de Ana e a arrastou pra longe dali, pra procurar o delegado, pagar logo aquela fiança e poder voltar a dormir.
– E você meu amigo, quando eu sair daqui vamos conversar – Louis apontou ameaçadoramente pra Liam.
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