Watck - We Are The Cool Kids
6 LIAM E ANA
Notas iniciais
(Trilha sonora — Abertura ♪ Fun ft Janelle Monáe — We Are Young)
Liam olhou pro celular, sem nenhuma mensagem ou ligação não atendida.
Não que ele pudesse ter perdido alguma mensagem ou ligação, já que o celular ficou na sua frente o tempo todo, mas aquilo o estava deixando louco de qualquer maneira.
Dani não tinha entrado em contato com ele ainda e agora faria uma semana desde a última vez que eles tinham se falado por Skype. Depois disso, nenhuma ligação, nenhuma mensagem, nenhum e-mail. Nadinha. E Liam precisava falar com ela.
Ela tinha dito que viria para Bristol naquele final de semana, e Liam precisava avisa-la que estava de castigo. Não era o melhor final de semana para ir visitá-lo.
Tentou argumentar com os pais, mas eles foram duros. Se Dani viesse, ele não poderia sair com ela. Que graça ia ter? Como eles iam ficar juntos e ter um tempo sozinhos? Liam não queria ter que ficar com ela ali, trancada no quarto, com os pais na casa.
–Droga! –Ele afundou os dedos nos cabelos, sem conseguir se concentrar na tarefa de matemática que tentava fazer. Deixou os livros de lado e pegou o celular, mandando mais uma mensagem pra Dani.
“Estou realmente começando a me preocupar. Me mande um sinal de vida, preciso muito falar com você sobre esse final de semana”
Anne olhou pro filho quando o telefone tremeu pela terceira vez enquanto os dois jantavam.
–Vou ter que proibir o celular na mesa Harry? –Ela deu um daqueles olhares reprovadores para ele.
–Desculpa –Ele sussurrou, vendo a mensagem de Vitoria no telefone, e a apagando sem nem ler direito. Anne ficou em silêncio, observando Harry voltar a comer.
–É uma garota?
–É – Ele resmungou, mastigando sua comida.
–Essa parece bem insistente.
Anne ficou olhando pro filho, mas ele não disse nada.
–Você não parece muito empolgado.
Ele deu de ombros, como se aquilo não significasse muita coisa.
–Você devia parar de gastar seu tempo com garotas que não gosta e achar uma que você goste de verdade.
Harry permaneceu em silêncio, mexendo em sua comida, mas pensando no que a mãe tinha falado, por que como sempre, ela tinha razão.
Liam olhou pra porta do quarto quando a campainha tocou no sábado de tarde.
Tinha passado o dia de pijama em casa, terminando sua lição e mexendo na internet, esperando Dani dar um sinal de vida ou entrar online.
–Bom dia Senhora Payne. –Harry deu seu melhor sorriso.
Os outros cinco também cumprimentaram a mãe de Liam, que ficou olhando estranho pra todos eles ali, amontoados na porta de sua casa.
–Olá Harry.
–Viemos visitar o Liam. Ele está?
Ela continuou ali parada em silêncio, meio em dúvida. Liam estava de castigo e não podia sair de casa, mas e quanto as pessoas irem até sua casa pra ver ele?
–Ah, olá Harry, quanto tempo –O pai de Liam apareceu na porta. –Olá a todos.
–Bom dia Senhor Payne –Todos responderam juntos, fazendo um tremendo esforço para parecerem comportados e santos.
–Senhor Payne, viemos visitar o Liam. Sabemos que ele está de castigo, mas sabe, somos amigos, não queremos deixar ele sozinho no sábado. –Louis usou sua voz doce.
–Trouxemos vídeos! –Niall mostrou uma pilha de DVDs em sua mão –Todos muito educativos. Todas temporadas de Friends. Pegou? Friends, amigos –Sorriu, apontando pra todos eles.
O Sr. Payne não pode evitar um sorriso. Ele olhou pra esposa, que também olhava pra ele em dúvida. Quer dizer, Liam tinha feito algo muito ruim, e merecia seu castigo. Mas eles não queriam ser mal educados com os amigos de Liam.
–Garotos, eu vou deixar, com uma condição –O Sr. Payne respondeu em sua voz severa. –Sem bagunças, e sem ficar até tarde. As seis horas acabou, ok?
–Ah sim! –Todos pareceram muito satisfeitos, e foram entrando um por um.
(Trilha sonora — Casa do Liam ♪ Rita Ora — How We Do)
Liam levantou os olhos e viu Harry aparecer na sua porta, seguido por Louis, Every, Ana, Zayn e Niall. Ele não pode deixar de dar um enorme sorriso, vendo todos se amontoando ali, olhando pra ele.
–Se você não pode sair, então viemos fazer companhia! –Every sorriu.
–E trouxemos uns amigos! –Niall abriu a mochila e tirou duas garrafas de vodca.
Liam virou os olhos.
–Niall, eu não posso beber, esqueceu?
–Nunca esqueço disso. –Niall sorriu e tirou um pacote com quatro Toddynhos, jogando para Liam que pegou no ar.
Os outros deram risada, enquanto entravam no quarto fechando a porta.
–Friends? Eu odeio Friends.
–Nós também – Ana respondeu, sentada no tapete do quarto de Liam. Harry estava sentado do seu lado, junto com Every. Os três estavam apoiados na cama vendo Louis e Zayn tentando fazer a pequena TV do quarto de Liam funcionar, enquanto Niall estava no computador mexendo em alguma coisa. Liam estava sentado no meio do tapete, ainda meio confuso, segurando as caixas de DVD.
–Só precisávamos de um álibi inocente para seus pais deixarem a gente entrar –Niall respondeu distraído. –E uma sessão de “Quem nunca” não parece inocente o suficiente.
–Ah não! Não vou jogar “Quem nunca”! –Liam reclamou.
–Isso sempre dá merda – Every comentou baixinho, fazendo Ana rir.
–Então vai ser Verdade ou Vodca. –Louis se sentou entre Ana e Harry, a empurrando de lado.
–Não, nada de jogos de discórdia – Every olhou feio pra Louis. –Se quiserem, podemos jogar um drink game inocente vendo Friends. Um gole cada vez que alguém falar “How you doin'?”
Louis olhou pra ela com uma cara de “Que infantil”
–Não vai dar, a TV está quebrada – Zayn resmungou, indo se sentar no tapete com os amigos.
–Lógico que não está – Liam se levantou, foi até a TV, apertou um botão e deu um soco certeiro bem em cima dela – Pronto. – A TV começou a funcionar na hora. Não era uma maravilha, mas dava pro gasto.
–Agora vamos começar – Ana engatinhou pelo tapete até a TV e colocou o primeiro DVD no aparelho.
–Não somos tão patetas como eles não é? – Niall murmurou depois de um tempo, olhando pra TV.
–Eu acho que eu seria a Rachel se nós fossemos iguais a eles. Quer dizer, ela tem o cabelo mais bonito – Harry sorriu, e levou um soquinho de Zayn.
–Se ele fosse a Rachel, você seria o Ross. –Every cochichou baixinho no ouvido de Ana, que deu um beliscão na amiga.
–Isso é muito chato! –Zayn fez uma careta, se jogando na cama de Liam – Ninguém está prestando atenção.
–Vamos começar a beber ou não? –Niall protestou, ainda sentado na mesa do computador.
Então eles escutaram alguém bater na porta.
–A bebida, a bebida, esconde a bebida! –Todos se desesperaram e as duas garrafas de vodca foram passando de mão em mão como batata quente. Uma, Zayn colocou em baixo do travesseiro e se deitou em cima. A outra Liam colocou dentro do armário.
–Pode entrar! –Liam gritou, e viu sua mãe aparecer na porta.
–Vim trazer alguns biscoitos e limonada. Vocês podem estar com sede.
–Ah, se estamos! – Niall cresceu o olho pro montinho de cookies.
–Obrigado Senhora Payne – Every disse educadamente, olhando de canto de olho pros outros. Ela ficou ali parada, sorrindo, vendo cada um pegar um biscoito.
–Ahn... mãe, acho que você já pode ir.
–Oh! Sim, sim. Eu... qualquer coisa estou lá em baixo.
Ela saiu pela porta parecendo meio perdida.
–Acho que ela nunca viu tanta gente num quarto tão pequeno – Zayn disse, colocando um cookie na boca.
–Cadê as garrafas? –Liam e Zayn tiraram as garrafas de seus esconderijos e deram pra Louis. – Quem vai querer batizar sua limonada?
Eles sorriram e estenderam seus copos. Menos Liam.
–Hora de ir embora – Louis se levantou, ajudando Every a se levantar. Ela sentiu-se um pouco tontinha, mas não o suficiente para estar bêbada. Estava só alegrinha.
Todo mundo estava um pouco alegre. Lá fora já estava escuro e o pai de Liam tinha aparecido duas vezes no quarto lembrando da hora de partir.
–Bom cara, a gente se vê – Harry beijou Liam entre os cabelos, e Louis deu um soquinho no amigo.
–Não me empurra! –Niall gritou, com Ana atrás dele rindo.
–Shiii! –Todos fizeram ao mesmo tempo.
–Ana está me empurrando poxa!
–Você que está ocupando todo o espaço!
Liam ficou vendo os amigos deixarem seu quarto, e de repente, tudo ficou muito vazio e silencioso. Muito triste. Foi até a janela e afastou a cortina, vendo Harry sair pela rua seguido de Zayn, que ascendia um cigarro e dava as mãos pra Ana. Every vinha atrás discutindo alguma coisa com Louis. Niall surgiu do nada e correu até Zayn, pulando sobre suas costas e quase o derrubando.
Eles eram barulhentos, felizes e eram seus amigos.
Liam sorriu vendo eles se afastarem, até sumirem na rua deserta.
Recolheu os copos e a bandeja com o prato vazio de biscoitos e levou até a cozinha.
–Legal seus amigos virem te visitar – A mãe falou, quando o filho colocou as coisas dentro da pia. O pai estava do lado, ajudando a enxugar a louça. A mãe abriu a torneira de novo e começou a lavar os copos de limonada.
–Eles são mesmo os melhores.
Liam então virou-se pra subir as escadas e voltar pro quarto. Quando chegou lá, lembrou do telefone celular. Onde estava? Não o via desde que todos chegaram ali. Procurou pelo chão, na cama, e achou o aparelho jogado no meio dos livros.
Apertou o botão e viu que havia duas chamadas não atendidas de um telefone que não conhecia, mas que tinha o código de Londres. Então ligou pro número, que chamou uma, duas vezes, até a voz de um homem atender.
–Alô? Ahn... me desculpe, meu nome é Liam Payne. Eu vi que tenho duas chamadas não atendidas que vieram desse número, só queria checar...
–Liam Payne? –O homem disse, e Liam escutou um murmurinho. O telefone passou para outra pessoa.
–Liam?
Liam franziu a testa.
–Dani?
–Por que você não atendeu seu telefone?
Liam deu um suspiro nervoso.
–Eu? Eu estou tentando te ligar a semana toda e não consigo falar com você! Você que me responda por que você não está atendendo seu telefone.
–Ei, calma ai! Eu perdi meu celular. Só consegui comprar outro hoje!
Liam suspirou, tentando se acalmar. Não parecia legal descontar toda sua frustração assim, de uma vez na namorada, mesmo que ela fosse o motivo para ele estar tão frustrado.
–Quem atendeu o telefone? –Liam se lembrou da voz de homem.
–Ah, é só o namorado da minha colega de quarto. –Os dois ficaram em silêncio, até que a risada de Dani ecoou pela linha –O que? Está com ciúmes?
Ela disse aquilo como se ele fosse uma criança, e isso deixou Liam ainda mais impaciente.
–Não estou com ciúmes, eu só estou nervoso por que não tive nenhuma notícia sua essa semana! Eu estava mesmo preocupado!
–Desculpe –Ela disse com a voz macia –Mas tudo aconteceu essa semana. Estamos até sem internet aqui por que a CAROL ESQUECEU DE PAGAR A CONTA! –Ela disse bem alto, e Liam escutou uma garota no fundo reclamando sobre alguma coisa. –Não pude nem te mandar um email.
–Tudo bem –Liam suspirou, e de novo eles ficaram em silêncio.
–E eu não vou poder ir pra Bristol esse final de semana –Ela disse com uma voz doce e culpada –Acho que você já percebeu isso.
–Sim –Ele suspirou –Já percebi. Mas tudo bem, eu estou de castigo mesmo. –No instante que ele disse isso ele se arrependeu. Agora ia ter que explicar pra Dani sobre o castigo.
–Você está de castigo? –Dani perguntou, e Liam escutou uma explosão de gargalhadas do outro lado da linha. Não era Dani, que fez um barulho como quem manda as pessoas se calarem. E ela não parecia achar aquilo nem um pouco engraçado. –Como assim Liam?
–Eu fui dormir na casa do Louis e perdemos a hora. O diretor acabou ligando pro meu pai pra perguntar por que eu não tinha ido pro colégio e... estou de castigo. Quem está ai com você?
–Liam, você é um péssimo mentiroso – Ela respondeu, ignorando a pergunta dele. Agora tudo estava silencioso.
–Não estou mentindo – Ele disse com uma voz emburrada, que claramente dizia que ele estava sim mentindo. Droga, ele era mesmo um péssimo mentiroso. – Quando você vai vir pra cá então? –Ele mudou de assunto, já que aquela conversa do castigo não levaria eles a lugar nenhum.
–Não sei. Eu preciso mesmo trabalhar aqui Liam. Eu estou fazendo uma audição atrás da outra. Até o final do ano eu TENHO que arrumar uma vaga em algum musical importante. Estou cansada de ficar dando aulinhas ... –Ela resmungou. –Não sei mesmo quando vou poder ir pra Bristrol.
De repente ela parecia muito adulta, e Liam se sentiu muito infantil.
E eles pareciam mais distantes do que nunca estiveram.
–A noite é uma criança! Vamos aproveitar! –Louis gritou, enquanto eles corriam atravessando uma das ruas mais movimentadas do centro de Bristol.
–Acho que você já nos meteu em furadas suficientes por uma semana Sr. Tomlinson.
–Pela última vez, não fui eu quem inventou aquela festa maluca. Foi o Harry.
–Eu nem queria ir! Você que disse pra Vitoria que nós íamos.
–Ah sim, como se você não estivesse morrendo de vontade de ir e provar da culinária francesa.
–Não fale assim das mulheres Louis –Every o repreendeu.
–Me desculpe – Ele disse, com uma voz suave, a abraçando pelos ombros e beijando sua testa.
Os seis ficaram em silêncio, passando pelas vitrines iluminadas das lojas do centro, pelas pessoas que andavam por ali num sábado a noite. Um grupo de garotas barulhentas passou por eles, os separando.
–Podíamos ir para um pub –Niall sugeriu.
–Seria uma boa –Harry murmurou.
–Não tem planos pra hoje à noite Harry? –Louis aproveitou que os outros andavam mais a frente e diminuiu o passo, ficando pra trás com Harry.
–Não. Só estou com vocês.
–Eu quero dizer, com a Vitoria.
–Louis, eu não tenho nada com a Vitoria.
–Qual é cara? Ela vem atrás de você todo dia e não para de te ligar.
–Eu sei. Mas eu não quero nada. Eu só não sou muito bom em dizer isso.
–Eu entendo – Louis disse, olhando pra Ana mais a frente. – Mas você devia começar a dizer as coisas, ou pode acabar magoando as pessoas. E como diria o grande Jackson, “Não saia por aí quebrando corações de garotas jovens”.
Harry sorriu e abraçou Louis enquanto eles andavam.
–E você e a Emma? Achei que tinha pintado algo entre vocês.
Louis fechou a cara no mesmo momento, mas Harry não percebeu.
–Eu não gostei dela. E eu disse isso pra ela.
–Você é muito mau Lou.
–Não. Sou sincero, apenas isso. Não vou ficar perdendo meu tempo com uma garota que não faz nada meu tipo.
–Nenhuma garota faz seu tipo –Harry reclamou.
–E todas elas fazem o seu –Louis completou, fazendo Harry sorrir.
–Não é bem assim... eu, eu só... eu não sei. –Harry desistiu de tentar explicar. –Eu estou cansado. Eu estou estragando tudo. E eu não sei como resolver nada disso.
Louis olhou pra frente, Niall puxando a porta de madeira do pub e os amigos entrando, e olhando pros dois e gritando pra eles andarem depressa.
–Eu sei o que você pode fazer, pelo menos por hoje: tomar um grande porre.
Harry sorriu e os dois correram juntos para entrar no pub.
–Uma dose de tequila pra todo mundo.
Os seis estavam debruçados no balcão, um do lado do outro. Niall, Zayn, Ana, Every, Harry e Louis. O barman olhou pra eles com um pouco de desconfiança, mas colocou os copos em sua frente e encheu um por um, e depois colocou o prato com sal e com limão.
–Vamos lá.
–Vamos brindar a nós! –Louis sorriu, erguendo o copo no ar.
–A nós! –Todos eles gritaram, e lamberam um punhado de sal, virando em seguida o copo na boca e mordendo o limão com uma careta.
Os seis viraram mais um copo, rindo feito retardados. Era o quarto copo da noite. Ou talvez o quinto. O pub agora estava lotado de todo tipo de gente, tinha até uns caras de terno que Louis foi atormentar perguntando se eles trabalhavam no sábado e eles responderam que sim, e Louis disse que sentia muito por aquilo e fez Every pagar uma rodada de cerveja para eles.
Tinha algumas garotas da escola francesa que eles conheciam de vista (elas estavam em todos lugares), um pessoal do colégio de outra sala, alguns caras com uma camiseta de um time local de futebol e outras pessoas ocupando cada espaço, conversando alto, rindo e aproveitando o sábado.
–Mais uma rodada em homenagem ao Liam?
–Sim! –Todos gritaram.
Ana estava se sentindo muito bem. Adorava tequila, podia se casar com uma garrafa. Era como se não existissem problemas ou sentimentos ruins. Tudo era lindo, tudo era perfeito. Estar ali no bar com os amigos que amava, com as únicas pessoas que se importava no mundo, e isso era tudo que ela queria.
Every segurou sua mão e começou a rir.
–Acho que estou ficando bêbada.
–Eu também! –E as duas começaram a rir sem parar.
O olhar de Ana se encontrou com o de Harry, parado atrás de Every, apoiado no balcão. Ele também sorria olhando Every, mas então olhou pra Ana e ficou sério. Ela também parou de sorrir e só olhou pra ele. Sentiu algo dentro de si roubando todo seu ar.
De repente não se sentia assim tão feliz. Se sentia vazia.
E de repente a verdade passou por sua cabeça tão clara como o fato que estava mesmo bêbada: amava tanto Harry que chegava a doer.
(Trilha sonora — Pub ♪ Alphaville — Forever Young (remix) ou One Direction (cover) — Forever Young)
–Oh meu Deus, olha essa música! –Niall gritou, chamando a atenção de todo mundo quando “Forever Young” começou a tocar nos alto falantes. Não era a versão original, era uma versão com um pouco mais de batida e ritmo. Para eles, era um hino. Eles cantariam até ficar roucos.
–Uhu! –Zayn gritou, pulando sobre eles. Louis sorriu e correu até o meio do pub. Aquilo não era uma pista, mas ia servir. Niall correu com Zayn, e Every foi atrás. Ana ficou vendo os amigos pularem ao som da música, cantando alto. Então olhou pro lado ao mesmo tempo que Harry olhou pra ela. Ele estendeu a mão e ela sorriu, dando a mão pra ele e deixando ele a arrastar pra perto dos amigos.
–Let us die young or let us live forever! –Louis gritou, erguendo as mãos pro alto.
–Forever young, I want to be forever young! –todos gritaram.
Zayn ajudou Every a subir numa cadeira, e Louis subiu no balcão. Logo, todo o bar estava cantando com eles, apesar do barman ficar puxando a barra da calça de Louis e mandando ele descer.
Ana não sabia se cantava ou dava risada.
Niall pulava entre as pessoas cantando com tanta vontade que estava com as bochechas vermelhas.
E Ana percebeu que as mãos de Harry ainda estavam nas suas. Ela olhou pra ele, mas ele olhava para Louis, rindo e cantando junto com o amigo. Mas a mão dele estava lá, firme, envolvendo a sua como se quisesse a manter do lado dele. Como se ela fosse sua.
E então ele olhou pra ela e ficou um pouco sério, apesar de continuar movendo os lábios e cantando a música. Ela sorriu, com os olhos brilhando. Seu corpo todo formigava querendo o dele. Era como se toda a bagunça a sua volta ficasse em slow motion e ela só pudesse ver ele ali a sua frente, e sentir sua mão na dela.
Então alguém a empurrou e o clima quebrou. Ela pareceu se dar conta de novo de todos a sua volta.
–Você está bem? –Ele soltou sua mão e a segurou pelo ombro delicadamente.
–Ah, sim... eu ...eu preciso de um ar, acho. Já volto!
Harry abriu a boca pra dizer algo, mas ela já tinha se afastado depressa.
–Você devia ir atrás dela! –Every gritou por cima da música.
Harry estava meio atordoado, vendo Ana sumir entre as pessoas, mas olhou pra Every. Ela ainda estava em cima da mesa e Zayn estava em baixo, também olhando pra ele.
–Que? –Ele gritou, por cima do barulho.
–Vai atrás dela! –Zayn aproximou o rosto perto de Harry para o amigo escutar.
Harry ficou olhando pros dois, meio abobado. Não era bom em decisões rápidas.
–Anda! –Os dois falaram ao mesmo tempo, e então Harry virou as costas, atravessando entre as pessoas e tentando achar Ana.
–Ana, você está bem?
Ana tinha se sentado na muretinha do lado de fora do bar e tentava respirar o mais profundo que podia. Sua cabeça girava e suas mãos formigavam. Sentia as pernas bambas. E então escutou a voz de Harry e o viu vindo em sua direção, tão lindo.
–Ah, estou. Muitas tequilas eu acho – Ela sorriu nervosa, passando a mão na nuca.
Ele se sentou do seu lado e passou a mão no cabelo de Ana, como se afastasse uma mecha, e depois colocou as mãos sobre as pernas, apenas olhando pra ela. –Pode voltar pra dentro, eu estou bem, não se preocupe. Não quero que você perca a diversão.
Ele fez uma caretinha, que tentava ser um sorriso mas parecia um sorriso indeciso.
–Estou bem aqui – Ele suspirou e olhou pra rua. Já passava de meia noite, então tudo estava relativamente deserto e tranquilo. Só o segurança estava ali parado, e algumas pessoas num grupo, fumando e esperando um taxi.
Os dois ficaram alguns momentos em silêncio, olhando pra rua.
Ana notou que Harry estava bem perto dela, podia sentir seu braço encostado no dele. Era bom ficar daquele jeito. Ela queria poder apoiar a cabeça no ombro dele, mas não podia continuar com aquilo.
Não podia se enganar de novo, quando tinha prometido pra si mesma que aquilo ia mudar, que aquele ano ela não continuaria sustentando aquele sentimento bobo por ele, afinal, eles se conheciam há anos e nada tinha mudado. Nada. Não era um dia qualquer, bêbados, uma mão na outra que mudaria aquilo. Era só pele, era só uma impressão, um desejo idiota.
Ela suspirou desanimada, olhando pro chão e desejando sumir.
–Uma libra pelos seus pensamentos?
Ela olhou pra ele e encolheu as pernas pra trás, um pouco nervosa.
–Eu acho que vou embora. Não estou muito bem.
Ele franziu o rosto sem entender bem.
–Tá bem, deixa só eu avisar o pessoal e eu vou com você.
–Não! Não! Eu... eu não quero atrapalhar. Eu vou de taxi, tá tudo bem.
–Por que você iria de taxi Ana? Me espera que eu já volto. –E sem deixar ela dizer mais nada ele lhe deu as costas e sumiu de novo dentro do pub.
–Droga... –ela xingou baixinho. Estava com vontade de chorar. Era uma imbecil, tudo aquilo era uma perda de tempo, e cada vez ficava pior.
Queria poder caminhar até sua casa no frio da noite, pensando e tentando se acalmar, mas parecia que quando mais tentava se afastar daquilo, mais aquilo a perseguia. Olhou pro taxi parado do outro lado da rua com vontade de correr até ele e sumir.
Podia fazer isso. Podia bem fazer isso.
Se levantou, mas viu Harry saindo e agradecendo o segurança.
–Pronto, vamos? –Ele estendeu o casaco pra ela, e ela enfiou os braços no casaco.
Então os dois começaram a andar pelas ruas em silêncio.
(Trilha sonora — Harry e Ana voltando pra casa ♪ Snow Patrol — Chasing Cars)
Ana não notou, mas adormeceu no ônibus. Harry a acordou delicadamente quando chegaram no ponto perto de suas casas. Eram os únicos no ônibus. Ele se levantou e deu a mão pra ela. Ela estava tão sonolenta que não notou aquele gesto, apenas deu a mão pra ele e deixou ele lhe ajudar.
Educado, ele disse boa noite para o motorista e a ajudou a descer.
E continuou de mãos dadas com ela andando pela rua escura.
Era estranho. De repente, era como se ele precisasse a tocar.
–Está frio – Ela usou essa desculpa para soltar a mão dele, agora um pouco mais consciente do que estava acontecendo.
–Eu que o diga. Te dei meu casaco. –Ele sorriu, esfregando os braços.
–Desculpa, você quer ele de volta?
–Por favor – Ele fez uma cara zangada, a impedindo de tirar o casaco.
Os dois caminharam em silêncio, o som de seus passos ecoando pelas paredes das casas, um cachorro latindo ao longe e mais nada. Era como se só houvesse os dois no mundo. Ana fechou os olhos desejando chegar logo na sua casa e se enfiar debaixo das cobertas.
–Ana...
O nome dela na voz dele era algo gostoso como calda de chocolate.
Ela o olhou, e ele olhava pra frente, parecendo meio indeciso.
–Você já quis algo que você não tem certeza se vai ser bom pra você?
Ela engoliu a seco. Ele estava falando dela?
–Quero dizer –Ele continuou – Algo que você sabe que vai ser bom, algo que você sabe que vai ser incrível na verdade –ele sorriu, olhando pro chão –Mas algo que pode mudar as coisas. Que pode estragar as coisas.
Ela se abraçou. O casaco tinha o cheiro dele e tudo aquilo estava deixando ela louca. Ela queria sair correndo pela rua.
–Não acho que algo que pode ser bom pra você pode estragar as coisas. –Ela tentou responder, a voz saindo meio falha.
–Eu posso estragar as coisas. Eu sempre estrago as coisas.
Ela não pode segurar uma risada meio engasgada.
–Eu também sempre estrago tudo.
De repente ela pensou em Vitoria e fechou o rosto.
“Algo que você sabe que vai ser bom pra você, mas algo que pode mudar as coisas”.
E se ele estivesse falando sobre ficar com Vitoria?
Seu estômago embrulhou. Ela tinha que chegar logo em casa, podia ver seu muro, mas parecia que a casa estava à milhas de distância. Ela fechou os olhos, tentando se concentrar. Sabia que ele estava falando algo, mas não conseguia mais escutar nada. Só queria estar sozinha. Harry a deixava sufocada, por que ela tinha que engolir aquelas coisas todas que ela queria falar para ele e todas as outras coisas que ela queria fazer com ele.
Finalmente chegaram na frente de sua casa.
Ela tirou o casaco e lhe entregou.
–Obrigado Harry, obrigado por me acompanhar.
–De nada. –Ele disse, vestindo o casaco. Ela olhava pro chão, esperando ele se despedir, mas ele ficou alguns minutos em silêncio, olhando pra ela, como se esperasse por algo. –Até amanhã então –Ele disse com a voz suave, e seu corpo foi em direção ao dela. Ela manteve a cabeça baixa, e sentiu os lábios dele em sua bochecha.
Um beijo suave.
Um beijo inocente.
Não o beijo que ela sonhava. Nunca era.
Uma lágrima teimava em cair, ela já sentia a vista embaçada. Então agarrou Harry e o puxou pra perto, enterrando seu rosto em seu pescoço num abraço apertado. A lágrima caiu direto no tecido escuro do casaco e foi absorvida na mesma hora.
–Eu só quero o que é melhor pra você Harry – Ela sussurrou perto da sua orelha, sentindo os cachos dele fazerem cócegas em seu nariz, tentando lutar contra a vontade de chorar – Mesmo que isso não inclua a mim.
E se virou depressa, correndo pra dentro de casa. Não podia ficar mais um segundo ali, nem olhar pra ele de novo.
Enquanto subia as escadas pensava que as coisas tinham que mudar.
Tinham que mudar, de algum jeito, pro bem ou pro mal, ou ela ficaria louca.
Notas finais
O próximo capítulo vai demorar um pouco pra sair, mas não se preocupem! Ele vem! Só estou com uns problemas e não vou poder escrever tão rápido quanto gostaria :P
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