Watching

1 Capítulo Único


Hoje foi um dia especialmente cansativo, com certeza. Louis teve que visitar muitos lugares, negociar com alguns animais, ameaçar muitos outros, e ele estava absolutamente farto desse dia. Tudo o que ele queria era voltar para aquela mansão, fingir desfrutar do jantar como sempre, mas tentar obter pelo menos o mínimo de nutrientes e dormir um pouco como merecido. Muito simples. Mas, bem, seu corpo não parecia concordar com ele. Ele vomitou tão rápido depois de comer que duvidou que um pouco disso tivesse tempo de ser digerido em algo útil. E agora ele está deitado na cama totalmente desperto, olhos se recusando a fechar e cérebro se recusando a parar de trabalhar. Ótimo.

A porta do quarto está aberta, pois ele esqueceu de fechá-la depois que correu para o banheiro após o jantar, o que o teria incomodado há algum tempo, mas agora ele mal se importa. É uma ilusão de qualquer forma. Ele não está mais seguro por trás dela, ou esses leões o comerão ou não, e uma pequena porta de madeira não influencia nessa decisão.

Ele suspira e fica olhando fixamente para o teto, imaginando o que ele estaria fazendo se ainda estivesse na escola. Ele provavelmente teria essa insônia de qualquer maneira. Ele se levantava e começava a ensaiar alguma coisa, a estudar ou a tentar se aperfeiçoar de alguma forma. Tentando se aproximar do título de Beastar, tentando agradar seu pai. Agora, ele realmente não se daria ao trabalho de fazer nada. Ele está apenas cansado. A única coisa que ele pensa em fazer não é produtiva, mas talvez o ajude a ficar com um pouco de sono. Então ele se livra de suas calças e começa a se acariciar lentamente, acostumando seu pau mole ao toque.

Já faz um tempo desde que ele fez isso. Ele nem tem certeza do que pensar. Mas ele acha que a escolha óbvia seria Haru, então ele tenta. Tenta imaginar suas mãozinhas nele, tenta se lembrar de seus momentos juntos. De alguma forma, parece tão distante, como outra vida, que ele deixou para trás.

Ele também tem a sensação de que toda vez que tenta se lembrar dela, tudo é tão suave e inofensivo. Isso não é realmente o que ele quer agora, de alguma forma.

Então ele se lembra de Legosi. Recorda o cheiro, a altura, o peso do punho no rosto de Louis na última vez em que se viram. Ele queria isso. Ele estava esperando por isso por tanto tempo, e ele finalmente conseguiu. Depois de tocar suas presas, exigindo alguma atitude daquele lobo pateticamente bom, ele foi premiado com um soco.

E talvez seja isso. A violência. O perigo. O fato de que, se Legosi quisesse, poderia fazer muito mais do que isso. Com essa força, aquela boca, ele poderia reduzir Louis a absolutamente nada.

Ele percebe uma sombra na porta. Ele está fazendo tanto barulho? Ele realmente não faz ideia. Mas um dos leões está lá para checar se está tudo bem com ele. Ou talvez não seja exatamente isso, porque ele fica parado ali, apenas assistindo. E Louis percebe que é Ibuki, ele pode ver seus óculos refletindo um flash de luz.

Ele deveria dizer algo, talvez. Ou parar. Ele não o faz. Ele apenas o deixa assistir. Ele o deixa se aproximar o suficiente para que Louis possa ver sua expressão daqui enquanto ele acaricia seu pau.

Isso é um pouco triste. O fato do leão querer tanto vê-lo. Mas também como se ele tivesse vergonha de si mesmo por isso. Por desejá-lo. Tudo bem, Louis pensa. E então ele percebe que não se trata apenas de desejo. Ele pode ver, ou talvez ele apenas imagine, Ibuki babar, e ele sabe que é algo mais do que querer seu corpo de uma maneira sexual, querer transar com ele. Ele quer comê-lo. São os dois. Louis sabe que a carne de veado é realmente a favorita de Ibuki.

Finalmente, Louis não aguenta mais. Não é exatamente um problema estar exposto, ele não se importaria com isso; na verdade, alguém poderia dizer que estava realmente um pouco excitado com isso. Mas o que o incomoda é o pensamento daquele leão o encarando tanto, dilacerado pelo que ele quer. O quanto ele quer tocar, arrebatar, agradar, destruir, mas não faz nada. Isso incomoda Louis.

"Sente-se aqui, Ibuki, venha." O leão hesita um pouco, mas cede.

No momento em que ele senta na cama, Louis vai ao seu colo, seu subordinado completamente vestido com o típico terno Shishigumi e Louis sentado nele quase nu. Seu pelo tocando o tecido caro. Ibuki solta um suspiro que ele provavelmente está segurando há muito tempo e seus braços envolvem Louis.

"Você é tão pequeno, chefe." Ele não sabe se gosta disso. Ser chamado de pequeno.

É difícil admitir, mas ele meio que gosta da sensação de estar indefeso no colo deste carnívoro. Então ele continua a acariciar-se no colo de Ibuki, se movendo par baixo e sentindo os braços do leão segurando-o mais e mais forte a cada minuto.

Ele quer que seja forte. Mas ele sabe que Ibuki não fará isso. Ele é como Legosi de alguma forma. Tem muito medo de quebrá-lo, de acabar machucando-o, comendo-o. Mesmo sendo um membro orgulhoso dos Shishigumi, Louis sabe que é verdade. Não importa o quão urgentemente ele puxe a juba de Ibuki, não importa o quanto ele exija mais agressividade, tudo o que ele recebe é cuidado. Aquelas mãos, tão fortes que poderiam facilmente quebrar seu pescoço, garras tão afiadas que não deveriam ter problema em perfurar sua pele e fazê-lo sangrar, elas o acariciavam como algo precioso. E ele sabe que Ibuki está com medo de alguma forma. Com medo de que tudo acabe, com medo de que ele vá embora. Ele não o entende completamente, mas isso ele pode interpretar. Louis deseja poder dizer isso. Prometer que ele não vai. Mas ele sabe que seria mentira. Ele está tentando muito mentir para todos ao seu redor, mentir para si mesmo no espelho todos os dias, mas ainda assim ele não prometeria isso a ele.

Louis leva um dos dedos do leão à boca e ele pode sentir as garras de Ibuki, em sua outra mão, tentando não machucá-lo. Ele lambe o dígito, tentando não ser arranhado por sua garra afiada, mas ainda assim perdendo um pouco de sangue, e o pressiona de volta em sua entrada.

"Chefe, eu não vou enfiá-lo.” E Louis revira os olhos, mesmo que ele já soubesse que seria assim.

"Então toque por fora, caramba." Ele está impaciente. E ele quer ser tocado, ele quer que os animais façam o que querem sem tantas restrições. "Apenas... faça alguma coisa"

Ibuki tenta o seu melhor, Louis tem certeza, para não machucá-lo. Ele quase consegue isso, o que é um grande feito, considerando que ele não pode ver o que estava fazendo. A almofada de seu dedo acaricia a entrada de Louis, provocando, pressionando, mas nunca entrando.

Parece incrível, mas também como tortura. Como um prelúdio para algo que nunca virá. Mas Louis aceitará, ele fará o melhor possível com esse sentimento, deixará levá-lo até o limite e acariciar-se cada vez mais rápido e mais forte, já que ele não terá nem força nem rapidez com este leão.

Isso não está bem, ele pensa. Ele prefere ser desejado e arrebatado. Até comido vivo. Qualquer coisa real, qualquer coisa verdadeira. Algum dia ele talvez exija isso. Hoje, ele só quer gozar.

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