Watch Dogs: Ghosts of London
2 Um Simples Delivery
Notas iniciais
-Merda de cidade!
Era sexta-feira e o trânsito em Westminster estava pesadíssimo. Isso era um reflexo da semana, na verdade. Havia uma obra no Parlamento Inglês que se arrastava já por semanas, e graças a esse entrave da máquina pública a cidade se tornava caótica. Mas não havia outro jeito, sabia Schmitz, senão continuar dentro de seu pequeno caminhão de entregas e enfrentar esse trânsito. Morador de Londres por todos os seus sessenta e seis anos de vida, Schmitz conhecia a cidade como a palma de sua mão e sempre sabia um caminho alternativo para escapar do trânsito, mas naquele caso não havia jeito. A última encomenda do dia ficava justamente no bairro de Westminster. Era a mudança de uma jovem de profissão estranha, muito provavelmente relacionada a alguma coisa de tecnologia. Era 2026 e o mundo estava agora cheio de profissões estranhas. Quase não havia mais padeiro, açougueiro, peixeiro, jornaleiro... Mesmo ele, que trabalhou a vida toda como caminhoneiro, parecia estar com os dias contados, pois bastava olhar para o céu tomado de drones cada vez mais robustos, a carregar coisas cada vez mais pesadas, para compreender que muito em breve o mundo não precisaria mais de caminhões, e por consequência, de caminhoneiros. Schmitz só esperava que sua aposentadoria saísse logo, antes que esse dia chegasse.
Acendendo um maço de cigarros, Schmitz voltou-se para seu ajudante. Estava há quase um mês na função e mesmo assim Schmitz praticamente nada sabia a seu respeito. Ele não era muito de falar, sabia. Tinha um forte sotaque americano e tinha um ar um tanto misterioso. Não falava muito sobre si mesmo, sobre família, sobre nada. Ficava, entretanto, no celular sempre que conseguia uma brecha no expediente, tal como naquele momento. Deveria estar perto dos cinquenta anos de idade a julgar pela barba quase grisalha e marcas de expressão no rosto, mas parecia ter muito mais desenvoltura com celulares e computadores do que ele, que usava um celular básico que no máximo fazia ligações.
-Espero que sua namorada não fique brava por você estar preso no trabalho até mais tarde. – comentou Schmitz.
-Eu não tenho namorada, Sr. Schmitz.
-Não precisa me chamar de “Senhor”, rapaz! Já disse! Pode me chamar de Schmitz. – disse, enquanto fazia o caminhão se mover mais uma vez. Recebeu apenas um grunhido em resposta, com o homem voltando sua atenção ao seu celular. Mas isso não durou muito tempo, pois sem qualquer explicação ele o guardou no bolso. Deixou escapar um suspiro cansado. Parecia estar impaciente por estar ali, na cabine do caminhão, esperando o trânsito melhorar para fazer aquela que era a última entrega do dia – na verdade, da noite, pois já estava escurecendo.
-O que acha de bebermos uma gelada hoje, Aiden?
Aiden Pearce, que olhava com interesse para um grupo de policiais da Scotland Yard a interrogar um pedestre a alguns metros do caminhão, voltou seus olhos verdes a Schmitz.
-Infelizmente não, Sr.... Digo, Schmitz.
-Mas você nunca pode! Impressionante! Não bebe, não fuma, não tem namorada... Acho que você é o ajudante de entregas com a vida mais entediante que já arranjei!
Aiden riu. Até dois meses atrás, levava uma vida que poderia ser classificada por muitos adjetivos, menos “entediante”. Mas estar dentro de uma cabine de caminhão, agarrado em um trânsito infernal na cinzenta cidade de Londres foi única e exclusivamente escolha dele. Prometeu a si mesmo que seria agora um homem diferente. Demorou um tempo até se acostumar com a pacata vida de um ajudante de entregas, emprego que conseguiu, por incrível que pareça, porque um cara tão suspeito quanto ele e que mal o conhecia bancou o altruísta e o apresentou a Schmitz, que parecia achar conveniente um entregador ilegal para o pouco que pagava. Um hacker trabalhar carregando caixas parecia ser estúpido, mas foi algo que Aiden acabou por achar bastante apropriado. Sim, ainda tinha a tecnologia como sua maior habilidade, mas sabia que trabalhar com ela seria muito tentador a voltar à vida nem um pouco normal que levava como Vigilante. Ficar afastado dela até que tinha lá seu lado bom.
O emprego não pagava lá grandes coisas, mas era o suficiente para arcar com o aluguel do apartamento em Brixton, e mais algumas despesas da casa. Não dado a muito luxo, o suficiente até que Aiden pudesse arranjar algo melhor, mas por enquanto ele não estava pensando muito nisso.
Londres parecia ser só algo passageiro, uma oportunidade de estar perto de Jackson e recuperar, talvez, o tempo perdido, mas pouco a pouco a cidade parecia ser o melhor lugar para recomeçar. Ele não queria retornar para Chicago, não mais. Era como se sua história por lá tivesse acabado. Já Londres nenhum lugar ocupava em suas lembranças, de modo que tudo que despertava no ex-vigilante era a sensação de recomeço. O lugar onde pôde, enfim, encerrar seus passos de vigilante e tentar levar uma vida normal, uma vida que nunca teve. A mera ideia de ligar para Jordi para conseguir uma balsa de volta ao Continente ficava cada dia mais remota.
E o emprego de entregador... Bem, não era o que ele esperava. Não mesmo. Lucas teve a melhor das intenções em conseguir essa vaga, e Aiden sentiu-se impedido de recusar. Estava, como diziam os americanos, em um verdadeiro mato sem cachorro, com nada a perder e sem qualquer perspectiva de conseguir um emprego, e só por isso aceitou o trabalho. Foi duro no começo. Trabalho braçal, realmente. Carregar caixas e mais caixas, rodar a cidade em um caminhão ao lado de um velhinho alto-astral demais para o seu gosto, mas poder fazer uma compra de supermercado decente com a primeira semana de pagamento e sem o menor risco de ser preso foi o que lhe fez continuar. E lá estava ele, terminando o primeiro mês de trabalho. Quem diria. Na primeira semana com as costas doendo, pensou que não suportaria nem mais um dia.
-Uma aposta, então. Se ganharmos gorjeta na nossa entrega, vamos beber com ela! Que tal?
-Gorjeta? Duvido muito que deem um centavo a mais para a gente! Olha como estamos atrasados!
-Então, se está tão certo assim de que não receberemos nada, não há por que temer uma aposta, há?
Aiden parecia refletir.
-Está bem, eu topo. Se ganharmos gorjeta, eu vou para o pub com o senhor.
-Perfeito! – animou-se o velhinho, prosseguindo pelas ruas. Finalmente o trânsito foi liberado e o caminhão de entregas do Sr. Schmitz conseguiu avançar pelo bairro de Westminster. O idoso seguia o GPS de seu caminhão, no que provavelmente era a coisa mais tecnológica que usava, pensou Aiden. Ele era um perfeito exemplar da “jovem guarda”, alguém que ia até uma agência bancária para falar pessoalmente com seu gerente, lia jornal impresso e fazia ligações ao invés de mandar uma mensagem pelo celular. Pessoas como ele estavam se tornando seres em extinção em um mundo cada vez mais conectado.
Chegaram, por fim, no endereço. Souberam pelo interfone que a Sra. Hampshire não estava ali. Na verdade, se Schmitz fosse só um pouquinho mais habilidoso com aparelhos celulares, saberia que ela inclusive estava tentando falar com eles. Há quase duas horas havia chegado em sua caixa de SMS uma mensagem dizendo que estava presa no trânsito.
-Diz o regulamento da prefeitura que se ela não estiver no local por dez minutos, a entrega precisa ser cancelada e teremos que fazer uma nova tentativa no dia seguinte.
-Maravilha... – resmungou Aiden, nada satisfeito com a possibilidade de ter de enfrentar o trânsito caótico de Westminster amanhã porque uma cliente resolveu quebrar a tradição da pontualidade britânica.
-Não adianta ficar puto, Aiden. Essas são normas da prefeitura: em Londres, caminhões não podem ficar estacionados fora das áreas permitidas de modo ocioso por mais que dez minutos, do contrário serei multado. Não esquece, o caminhão é rastreado por um dispositivo CToS que só não faz um café expresso porque não está afim. Aposto que eles leem nossas mentes com essa... Coisa aqui. – disse o velho, apontando para o dispositivo Optik acoplado a sua cabeça. Mais uma imposição do governo que ele, assim como muita gente, odiava.
-Não é para tanto. Ainda. – ressaltou Aiden, de modo sombrio. Mal aguardaram um minuto e um carro de luxo estacionou ao lado do caminhão. Uma jovem de cabelo roxo, piercings e óculos extravagante saiu dele. Claramente era Mrs. Hampshire.
-Oh, me desculpem pelo atraso! O trânsito dessa cidade está uma loucura com aquela maldita obra no Parlamento! Políticos, como sempre, arranjando uma maneira de foder com a nossa vida! Aposto que ficaram horas esperando por mim!
-Na verdade... – Aiden estava prestes a explicar o contrário, mas Schmitz deu-lhe uma leve cotovelada, que o levou imediatamente a se silenciar. Já descarregando as coisas do caminhão, Aiden e Schmitz levaram, uma por uma, todas as caixas até o apartamento dela, que ficava no terceiro andar. Um alívio não ter sido um andar alto, pensou Aiden, enquanto carregava uma caixa que ele sabia pelo peso que se tratava de um computador.
-Ah, meu computador... Estava fazendo muita falta para os meus projetos! – comentou a jovem, enquanto Aiden colocava a caixa em um canto. O apartamento da Sra. Hampshire era tão descolado quanto a própria. Havia pôsteres de bandas coreanas, luzes de neon e cheiro de maconha misturado com incenso budista no ar. E é claro, plantas. Muitas plantas.
-Isso é tudo, senhora. – disse Schmitz, deixando a última caixa no chão, perto da casa do cachorro de nome Jax. Era um buldogue rabugento, que mais parecia preocupado em dormir do que proteger a casa daqueles estranhos, o que era ótimo. Última casa com cachorro que fizeram entrega quase acabou com uma tentativa de assassinato provocada por um mísero poodle.
-Vocês foram rápidos! Impressionante! – disse a jovem, mexendo no celular. – Pronto. Fiz o pagamento a vocês. Aproveitei para também deixar uma gorjeta, afinal vocês tiveram que me esperar por tanto tempo...
-Muito obrigado, minha senhora! Muito obrigado mesmo... – agradeceu Schmitz, olhando para Aiden com um olhar vitorioso. Derrotado, o veterano vigilante sabia que agora teria que ceder ao convite de Schmitz e acompanha-lo até um pub. Não era uma boa ideia, sabia Aiden. Quando bebia, costumava falar mais do que devia, e temia que acabasse revelando mais de sua vida do que gostaria, e que isso pudesse fazer com que ele perdesse o emprego. Schmitz estava curioso demais a seu respeito, e certamente aproveitaria a ocasião para sonda-lo mais quanto a sua vida pessoal. Era uma curiosidade inofensiva, provocada pelo ar misterioso que Aiden costumava exercer nas pessoas ao seu redor, mas que poderia custar muito caro para o vigilante, que não estava muito afim de procurar outro emprego no momento.
Para completar, o trânsito caótico de Westminster parecia ter finalmente acabado, com as pistas liberadas, o que facilitou ainda mais o deslocamento pela cidade.
-Para qual pub você vai me levar? – perguntou Aiden.
-The Fox Dungeon. Conhece?
-Nunca ouvi falar desse. – admitiu Aiden, ainda que o nome lhe soasse muito familiar. Na verdade, não o pub em si, mas seu passado. The Fox, era assim que os noticiários costumavam lhe chamar, uns dez anos trás.
-Vai gostar, tenho certeza. Fica em Lambeth, perto de minha casa. Eles têm uma cerveja irlandesa daquelas e em noites de sexta-feira a rodada costuma ser dupla.
Cerveja irlandesa, rodada dupla... Isso dificilmente vai acabar bem.
Era noite de sexta-feira e o pub estava lotado. Não havia mesas disponíveis, e para ser atendido, era necessário se acotovelar no balcão do pub e praticamente suplicar pela atenção de algum garçom, mas aquele era o tipo de caos que Aiden mais gostava de estar. Ainda que se sentisse mais americano do que irlandês, tudo naquele pub lhe soava tão familiar que o vigilante se sentia quase que como nos tempos de criança, quando ainda morava na Irlanda com seu pai.
“Aiden, venha aqui! Venha, menino! Não tenha medo! Olha aqui... Quer beber um pouco? O quê?! Que bobeira é essa, Aiden! Quantos anos você tem? Olha só, já é um homenzinho! Na sua idade eu acabava sozinho com um pint desses... Pode beber um golinho do meu... Isso... Só não contar nada para sua mãe, estamos combinados? Bom garoto! Agora, vamos assistir ao jogo...”
-Dois pints, por favor! – pediu Schmitz, animado, e de imediato tirando Aiden de sua lembrança. O próprio vigilante ficou aturdido. Há muito tempo não se lembrava da Irlanda. Talvez fosse a atmosfera daquele pub, que pelas cores laranja e verde, e o cheiro de tabaco e cerveja, o tivessem levado até a Belfast dos anos 70, quando ainda era um menino.
Na televisão, passava a reprise de alguma partida de futebol, o que não atraía a atenção de nenhum dos frequentadores, animados em conversa e também entretidos com um jogo de dardos. A competição entre gente bêbada tornava tudo suficientemente patético para quem assistia de fora, mas emocionante para eles.
As canecas quase transbordantes de cerveja foram colocadas sobre o balcão por uma jovem de cabelos castanhos, amarrados em um coque. Ao vê-la, Schmitz parecia exultante.
-Não acredito que vou ser atendido pela melhor garçonete de Londres!
Aiden, que ainda não conseguia resistir ao velho hábito de observar as pessoas ao seu redor em busca de ameaças que não mais existiam, só prestou atenção a chegada da cerveja com o comentário de Schmitz. Surpreendeu-se com o sorriso da mulher. Um belo sorriso.
-Há quanto tempo você não vem beber aqui, tio! Estou até surpresa! Dizem que você tem preferido ir no Dragon’s Cave...
-Mentira! Jamais escolheria aquele pub de cerveja aguada! É que ultimamente ando sem tempo, pegando uma entrega atrás da outra... Mas agora que voltei a ter um ajudante, com certeza arranjarei mais tempo para o pub. Não é mesmo, Aiden?
A jovem voltou-se para Aiden com um sorriso simpático.
-Oh, então você é o ajudante do meu tio? Espero que ele não esteja te explorando...
-Seu tio é um ótimo patrão. – disse Aiden, em retribuição à simpatia dela.
-Duvido que pense assim! Está falando essas coisas só para te agradar, Maddie. Aliás, Aiden. Essa é minha sobrinha, Maddie. Como você já deve ter percebido, ela trabalha nesse pub. Maddie, esse é meu mais novo ajudante de entregas, Aiden Pearce. Está há um mês me ajudando com o caminhão. Mas ao contrário dele, eu não minto para agradar ninguém. Ele é um bom ajudante, só precisa ser menos viciado em celular.
-Mas eu não sou viciado em celular! – retrucou Aiden, sendo compreendido por Maddie, que riu da situação.
-Não ligue para isso, eu sei que meu tio é tão antiquado que chama de “viciado” qualquer um que use rede social. Agora, com licença. Preciso atender outros clientes. – disse a jovem, se afastando para a outra extremidade do balcão. Ela era sempre sorridente e gentil, mesmo que atendesse a pessoa mais mal-humorada do mundo – como muito provavelmente deveria aparentar Aiden, sabia o vigilante. E mesmo que hora voltasse sua atenção para a bebida, para a conversa com Schmitz e mesmo a reprise de futebol que passava na TV, seus olhos acabavam sempre esbarrando ou até mesmo procurando por Maddie, que ficava a noite toda ocupada atendendo clientes, enchendo mais e mais canecas de cerveja, limpando o balcão ou o chão... Por toda a noite se tornou involuntário, e Aiden não compreendia o porquê. Ela não lhe era familiar, nem representava um risco, uma ameaça. Ainda assim, se encontrava atento a ela sempre que ela cruzava seu campo de visão.
-Parece que alguém tocou seu gélido coraçãozinho de pedra...
-Quê? – perguntou Aiden, voltando-se para Schmitz . Estava observando Maddie tentando se comunicar com um estrangeiro e explicando todos os tipos de cerveja da casa que nem sabia dizer há quantos minutos ficara assim, a prestar atenção nela.
-Minha sobrinha, Maddie. Você não tirou o olho dela a noite toda.
-Isso é apenas impressão sua. – disse Aiden, terminando com um gole rápido o pouco de cerveja que havia restado em seu pint. Já era a terceira caneca que terminava e sua visão começava a ficar turva. Hora de parar, sabia.
-Posso ser velho, mas não sou nem um pouco bobo, Aiden. E não precisa ter vergonha, eu sei que Maddie é uma jovem bastante bonita. É natural que fique interessado nela.
-Eu não... Quer saber? Deixa para lá. Você não vai desistir dessa ideia mesmo.
-Você é que precisa desistir dessa ideia de ser tão... Arcaico!
-Falou o cara que ainda paga pint com moedas ao invés de ETOs...
-Estou falando para o seu próprio bem, rapaz. Não é uma questão sobre tecnologia, sabe? Eu sinto que você não desfruta da vida como deveria. Você só trabalha, trabalha e trabalha. Não tem um divertimento que seja. E qual é o problema em paquerar uma garota?
Se Aiden alguma vez ficara mais ruborizado que naquele momento, ele não se recordava. Pigarreou, por fim, enquanto o garçom lhe trazia outra pint cheia.
-Eu tenho 55 anos. Já estou velho demais para essas coisas.
-Com 55 anos eu tinha duas namoradas, uma em cada bairro. E minha sobrinha Maddie não é tão jovenzinha assim quanto parece. Ela tem 32 anos.
-32 anos? – surpreendeu-se genuinamente Aiden. Voltou seus olhos outra vez a ela, recolhendo canecas vazias de cerveja em outra mesa. – Não parece... Mesmo assim, estou velho demais para pensar em “garotas”. Essa época da minha vida já passou.
Na verdade, nunca aconteceu. Nem quando mais jovem, Aiden pensou em garotas ou ter namoradas. No fundo, nunca teve tempo para isso. Gostava tanto da vida criminosa que levava que não queria arrastar ninguém para ela. E com a morte de sua sobrinha, os planos de formar uma família foram completamente sepultados. Quanto mais pessoas manter longe de si, melhor, esse foi seu mantra por muito tempo. Por isso atuou predominantemente sozinho. A única parceira a quem se permitiu uma aproximação acabou morta por culpa dele, uma dor que ele sempre iria carregar.
Mas agora, não havia mais riscos. The Fox estava acabado. Não levava mais uma vida perigosa de vigilante, e agora talvez fosse até bom montar uma família. Sim, ele tinha Jackson e Nicki, mas estava claro que cada um tinha sua própria vida, e os quinze anos de distância tornaram-no alguém sem espaço, deslocado, por mais que os dois quisessem genuinamente tê-lo por perto. A cada dia que se passava, Aiden Pearce sentia-se mais e mais solitário, e essa era uma sensação que ele já carregava há um tempo, mas que a vida de vigilante o deixava ocupado demais para perceber. E agora, que essa vida havia sido deixada definitivamente para trás, sua solidão havia se tornado gritante. Chegar do trabalho cansado, deitar no sofá, abrir uma cerveja enquanto assistia a um filme qualquer na TV e em seguida dormir. Não ter alguém em casa com quem compartilhar algo, nem que fosse uma coisa idiota que aconteceu no trabalho, apenas... Silêncio. Essa era a sua vida por muito tempo, mas agora ele queria mudanças.
-Bom, ela está solteira. E se quer saber, acho que ela também gostou de você.
Com uma piscadela de incentivo, Schmitz terminou de virar seu pint. Já era quase duas da manhã e eles já haviam bebido todo o dinheiro da gorjeta. Hora de ir para casa.
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