Watashi no Tenshi
7 O Último Ato Memorável
Notas iniciais
~Sunagakure, Terça-feira — 28 de novembro de 2017~
A noite passada foi palco de emoções distintas, primeiro veio a tristeza com o vídeo de Sakura e em seguida um momento de amor fraternal entre as três amigas no quarto da garota de madeixas rosas, o desabafo e a tristeza de seu anjo Sasuke, o esclarecimento tão almejado por ele junto com o medo por ela e o alívio de certa forma por saber que não estava indo totalmente contra a natureza estabelecida entre anjos e mortais.
As mortais ficaram assustadas com o evento da noite passada. O barulho no quarto de Sakura fez até chamarem a polícia, a marca do soco dado na porta do armário não havia qualquer rastro humano naquele quarto o que fez as garotas perderem a noite de sono com medo do tal "invasor" retornar a casa.
Pela manhã a Yamanaka fazia o "super reboco" na cara para não aparentar o cansaço para a apresentação e fez o mesmo em sua amiga "modelo" por um dia. Tenten já estava na segunda xícara de café com o notebook na mesa.
— Passamos a noite em claro por causa de uma assombração — exclamou a loira — Shiro!- chamou a assistente pessoal do seu celular — Lembrete: Chamar um padre pra fazer exorcismo e jogar água benta nas paredes amanhã após a apresentação da Tenten.
— Não acha isso um tanto exagerado Ino? — questionou a morena.
— A polícia não achou nada! Sem sinais de arrombamento, digitais, rastro de sapatos ou fios de cabelo — usava o seu raciocínio pouco lógico para o momento — Isso daí é fantasma!
— Então vai fazer o que? Colocar sal em todas as portas e janelas e dormir com uma barra de ferro? — riu Haruno e ela percebeu que sua amiga já cogitava a opção — Não viaja! — mordeu sua maçã — Temos coisas realmente importantes para nós preocuparmos. Preciso ensaiar minhas falas, temos que estar no auditório em uma hora.
— Você venceu dessa vez Sakura, mas, eu ainda irei chamar o padre.
— Que seja! — responderam as duas amigas.
Mesmo em meio a tensão os anjos não conseguiram deixar de rir daquela situação e Sasuke estava constrangido em ser comparado com um criminoso e depois com uma assombração. Os outros anjos da guarda presentes já estavam a par da situação e mais atentos para um possível ataque. Não demorou muito e todos se dirigiram à universidade, a ansiedade entre as estudantes era clara. Sakura repetia mentalmente o discurso que faria dentro de poucos minutos, ela já estava certa do que falaria, pois preparou sua pesquisa com afinco.
~Cinco horas antes~
Enquanto as garotas recebiam o inspetor da polícia, Sasuke recebia, finalmente, as explicações que necessitava sobre suas vidas anteriores e as de Sakura, afinal ele merecia saber. Hinata tentava organizar aquele bolo de informações que recebera há poucas horas, o assunto era delicado e precisava dizer as palavras certas para que seu amigo anjo não se revoltasse e perdesse o foco de sua missão.
— Sasuke... – era a primeira vez que pronunciava o nome dele sem jeito – Acho que agora que Naruto partiu eu preciso lhe pôr a par do que aconteceu.
— Eu estou pronto – apertou forte o próprio punho – É o que eu quero saber desde aquela noite que você me levou de minha vida humana e o que tento descobri desde que me vi nessa missão tão difícil.
— Eu entendo o quanto queira saber – tocou a mão dele – Mas, você precisa se acalmar. Esqueceu que por sua causa essas meninas provavelmente não conseguirão dormir.
— Ok – meditou por alguns minutos sentado no chão – Sente-se também e me diga, acho que teremos uma conversa bem longa.
— Indra foi sua primeira vida e Naruto foi Ashura seu irmão – revelou – Vamos dizer que essa foi sua primeira e pior versão sua até hoje.
— Agora entendo o porquê de Naruto tentar estar ao meu lado e estranhamente gosto dele como um bom amigo – um pequeno e discreto sorriso se formou em seu rosto por poucos segundos – Eu fui tão terrível assim como Indra?
— Há mil anos atrás você foi um príncipe guerreiro muito habilidoso, porém tantos encontros no campo de batalha fizeram seu coração ficar frio e o pai de vocês queria uma pessoa que conduzisse seu império com justiça, bondade e sabedoria para que futuros confrontos desnecessários fossem evitados – ela observava o olhar atento a cada palavra que pronunciava – Então o senhor Ōtsutsuki deixou uma tarefa para os dois irmãos para que finalmente tomasse uma decisão. Eles foram enviados para pequenos vilarejos pertencentes ao império para solucionar as questões utilizando os três requisitos que o imperador desejava.
— E quem conseguiu afinal?
— Ambos solucionaram os problemas dos vilarejos, Indra foi o que retornou mais rápido e seu irmão levou alguns meses a mais para retornar. O mais velho estava certo de que conseguiria devido sua eficiência, mas, a decisão de seu pai surpreendeu a todos, pois Ashura foi o vencedor do desafio – Sasuke estava surpreso com a informação então Hinata se pôs a continuar sua explicação — Indra pôde ter sido o mais rápido, porém não foi o que deu a melhor solução. Sua Primeira versão dizimou metade do vilarejo para resolver o problema de produção de alimentos, já Ashura enfrentou um problema de abastecimento de água, o que afetava a alimentação do povo do outro vilarejo. Seu irmão conseguiu mobilizar a população e encontraram um poço e conseguiram criar um bom sistema de irrigação na época que conseguiu quase triplicar a produção de alimentos, levaram alguns meses, mas, ele conseguiu resolver sem ceifar nenhuma vida.
— Então eu fui um monstro em minha primeira vida – o anjo estava de cabeça baixa com raiva de si mesmo – Como posso ter me tornado um anjo? Como encontrei Sakura nessa vida?
— A parte de se tornar um anjo eu pensei que tivesse entendido pelas nossas últimas conversas – Hinata tentava amenizar a situação – Quando uma alma precisa cumprir um ciclo cármico, ela pode passar por diversas etapas. Quando morreste como Indra antes de reencarnar novamente sua alma foi despida no Umbral.
— Eu me recordo quando você me explicou a mecânica das almas – ainda de cabeça abaixada – Por favor, me explique sobre Sakura, quem ela foi?
— Sakuya Sutā, uma belíssima princesa – a morena recordava do que leu no registro – Vocês se encontraram após Indra sair furioso das terras de seu pai, como um hábil cavaleiro conseguiu conquistar a confiança do rei e logo o pequeno reino o pertencia. Sakuya serviu apenas como uma moeda de troca para conseguir o objetivo de Indra, ele se casara com ela para ter o reino – Sasuke se encolhia como se estivesse preso numa bolha que diminuía de tamanho cada vez mais – Sakuya se apaixonou por Indra assim que o vira pela primeira vez e a corte que ele fez a ela deixou a princesa ainda mais encantada.
— Ele a enganou? Não sentia nada por ela? – essa era a preocupação dele, se o seu eu do passado chegou a sentir o mesmo que sente por Sakura hoje.
— Ele sentia alguma coisa a moda dele, como eu disse Sakuya era linda e agradável, era impossível ter alguma pessoa que não gostasse um pouco dela – ele sorriu pela primeira vez abertamente, então era uma característica que Sakura carregava desde sua primeira vida — O rei Indra era muito ciumento, após assumir o reino Sakuya só deixou o quarto na única visita ao império de Ashura.
— Ele a encarcerou por ciúmes? – o anjo se sentia pior a cada frase dita pelo anjo da morte.
— Sim. E cada vez os olhos dela perdiam o brilho, sua pele ficava mais pálida pela falta da luz solar, o pai dela fora encontrado morto após o retorno deles no reino. A única coisa que a encheu de esperança foi quando soube que esperava um filho de Indra, o futuro herdeiro do reino – a ex- Hyuuga estava com receio de continuar – Ela morreu após o parto da criança, a rainha se encontrava fraca e a falta de carinho que recebia a deixou melancólica, ainda mais depois de saber que seu reino antes tão pacífico travara uma guerra contra o império de seu gentil cunhado – ela observava o moreno de cabeça abaixada e o abraçou – Ela vagou como um fantasma por algum tempo e depois seguiu seu ciclo cármico. Acho que precisa saber que depois dessa vida você foi se tornando uma pessoa melhor a cada retorno.
— Quantas vezes mais eu a machuquei? – o anjo chorava – Me diga...
— Nenhuma – respondeu prontamente – Você reencarnou antes dela e pagou grande parte de seu carma. Em outra vida foram amigos, mas, faleceram muito jovens devido a uma praga da época, nessa vida você foi Izuna um jovem guerreiro e irmão de Madara, o anjo que você conheceu. Haru era um doce de menina, seu pai era ferreiro e produzia armas para sua família.
— E como é que chegamos ao ponto que estamos hoje? – questionava agora de cabeça erguida.
— Eu e Naruto descobrimos que você e Sayuri foram levados na mesma noite, mas, suas mortes foram agendadas de última hora. Era para o pai dela ter morrido naquela noite, apenas.
— Acho que não foi uma coincidência – viu sua protegida entrar no quarto para dormir – Os demônios podem manipular as circunstâncias, correto?
— Eles podem e eu desconfio deles – ela se levantou e começou a velar o sono da rosada –Naruto me contou que era para vocês terem se acertado nessa última vida sua, ela nem precisaria ter reencarnado- apoiou-se na cabeceira da cama — Acho que os seus algozes estavam possuídos por demônios. Sayuri foi morta pela negligência da mãe, ela tentou se salvar antes de colocar a vida da filha primeiro.
— Mebuki voltou para ser a mãe de Sakura novamente? – ele perguntou e o outro anjo assentiu – Então o problema que minha protegida nasceu foi de certa forma para punir os pais dela?
— A doença autoimune que a deixou fragilizada na infância e o irmão que nasceu morto foram formas de carma para a família pelo o que soube – pontuou – Mas, acredito que era para ter melhorado conforme crescia. O beijo da morte que ela possui significa que a missão dela era para ser curta, não que ela teria que sofrer tanto assim.
— Então precisamos ganhar tempo – mexia nos fios róseos de sua alma gêmea – Queria ter a oportunidade de fazê-la feliz – confessou baixinho.
— Vocês ainda têm essa chance durante a eternidade e suas visitas nos sonhos a deixam feliz – sorriu – Acho melhor passar energias positivas para ela, pois vai precisar pela manhã, não é?
— Ela trabalhou com tanto afinco nessa apresentação – sorria orgulhoso enquanto posicionava sua mão em direção a cabeça dela – Sakura é uma pessoa tão especial, sem a influência negativa daquele demônio maldito ela melhorou tanto e fez com que as vidas de outras pessoas ficassem melhor também.
— Só tenho a agradecer a vocês dois por eu ter me livrado de minha pendência – apertou a mão livre de Sasuke – Fostes o único amigo anjo da guarda que tive, mesmo temendo por sua protegida tornaste meu amigo e conversavas comigo, isso deixara meus dias menos pesados e interagir com a pequena Sakura era realmente algo encantador, eu a sinto como uma filha – sorria entre lágrimas – Obrigada. Agora eu preciso retribuir e fazer o melhor que eu puder, apenas me ensine a ser um anjo da guarda.
— Agradeço vossa ajuda – soltou a outra mão de Hinata para concentrá-la em Sakura — Tentarei te ajudar nisso.
~Universidade de Suna, Terça-feira~
Sakura respirava fundo tentando memorizar pela enésima vez sua apresentação. Ela tentava se manter calma, seria uma das últimas a apresentar o seminário. O tema que escolheu foi “Os desenhos infantis como manifestação da arte e os incentivos necessários para o crescimento nas artes”. A garota de olhos verdes seria a primeira de seu grupo de amigas a se apresentar, seu anjo já sabia a pesquisa de sua protegida –palavra por palavra- e não poderia se sentir mais orgulhoso. O espaço do auditório já estava preparado e aos poucos as apresentações aconteciam e a Haruno sentia suas mãos suando de nervosismo, seu anjo sussurrava palavras de encorajamento e tranquilidade a fim de que ela se acalmasse, pois considerava tudo aquilo que ela preparara maravilhoso.
Finalmente a vez da rosada chegara e ela via suas amigas sentadas nas cadeiras de cima a incentivando, Ino de maneira mais escandalosa, porém Sakura não poderia nunca reclamar das amigas que possui. Anko, sua professora, sabia do tema escolhido por cada aluno e estava curiosa quanto ao desenvolvimento de Haruno, pois era ali o menos óbvio e o mais desprendido da apostila básica do curso. A aluna caminhava com as muletas em direção ao palco.
— Bom dia pessoal! – sorriu timidamente – Meu nome é Sakura Haruno e meu tema é sobre “Desenhos infantis como manifestação de arte e os incentivos necessários para o crescimento nas artes” – encarou rapidamente os olhares da plateia e prosseguiu – Escolhi esse tema ao acaso quando encontrei uma caixa de minha mudança para a cidade, nela eu encontrei um de meus desenhos da infância que meus pais tiveram o cuidado de preservar. Então vou falar um pouco sobre a importância e a necessidade de deixar a criança livre para se expressar através do desenho. Esse tipo de incentivo para as crianças é importante tanto do meio familiar quanto dos professores que lidam de perto com a parte da educação artísticas nas escolas...
Enquanto Sakura se apresentava, Sasuke mantinha seus olhos atentos, dificilmente encontraria demônios naquele ambiente, pois haviam muitas pessoas naquele ambiente e seus anjos estavam presentes e nenhum demônio seria suicida o suficiente para encarar uma centena de anjos da guarda. Hinata esperava do lado de fora e estava alerta as movimentações, ela notou dois homens circulando o perímetro sem seus anjos, o que poderia ser muito suspeito se não contasse com o detalhe de que nem todos os humanos possuem anjos designados e depois vira mais oito pessoas aleatórias passando também pelo campus.
— Cada vez vejo mais descrentes nesse mundo – suspirou – Ah se eles soubessem!
~ Em algum lugar do submundo, horas antes ~
Zaku conseguira a tão sonhada liberdade para voltar a exercer seu trabalho, o tempo que ficara preso apenas fez com que sua raiva sobre a encarregada de sua missão crescer. O demônio não conseguia enxergar Sasuke, o anjo rival a sua missão, como um possível aliado. De qualquer forma deveria continuar a seguir as ordens de seu General Orochimaru e pelo que soube precisava ser o mais rápido possível.
Toda vez que pensava em como seria o seu retorno ele se via torturando aquela pequena família de várias formas possíveis, afinal manipular situações é seu ponto forte, queria levar aquelas almas obviamente, mas, em sua mente doentia queria que o nível de sofrimento fosse a altura do que o fizeram passar durante seu “curso de reciclagem”. Todavia, por não dispor de tempo suficiente para executar suas ideias maquiavélicas pensou em um antigo ritual, mas precisava de ajuda para executá-lo. O primeiro colega de profissão que veio a sua mente era Dosu, um demônio experiente, ambos treinaram juntos e ele se especializou em rituais ocultos.
Não demorou muito e o designado para ceifar a vida da Haruno encontrou seu parceiro obscuro. Dosu a princípio não se sentia à vontade para ajudar seu colega nessa tarefa, principalmente pelo perigo da missão, o anjo de Sakura provavelmente estava fortalecido pela ausência de Zaku e não sabia se ele estava recebendo ajuda de outros anjos, pois eles são bem unidos quando se trata de seus protegidos humanos. No entanto, Dosu não poderia recusar esse pedido, não queria se encrencar com Orochimaru.
— Tenho um ritual rápido e prático para o tempo que temos – disse o demônio de rosto enfaixado – Ele basicamente é um sacrifício para o deus do inferno.
— Como funciona? – perguntou – Geralmente esse tipo de coisa é feita por aqueles malditos humanos, não?
— É um sacrifício feito por humanos sim – pegou seu livro de bolso – Precisamos possuir cascas humanas para executá-lo e na hora da execução do sacrifício devemos deixar os corpos.
— Quando ela tiver morrendo, não é? – o outro assentiu em confirmação – Esse sacrifício envolve alguma condição especial?
— Sabe se a maldita ainda é virgem? – apontava para o livro – Esse ritual exige isso.
— Inválida do jeito que é claro que sim – zombou – Ela é muito insegura quanto a seu corpo e com a notícia de que teria uma morte precoce devido a doença não deve querer que mais pessoas sofram por ela.
— Entendi, tudo que precisamos é uma adaga forjada no inferno, de um cálice forjado de prata e terra de cemitério amaldiçoado.
— Precisamos apenas do cálice e da terra para o ritual – disse Zaku impaciente – A adaga eu já tenho e temos pouco tempo para agir.
— Vou fazer um contato para conseguirmos o cálice – fechou o livro – Agora precisamos de dois idiotas para possuirmos os corpos. Também temos que estudar o terreno e a rotina nova da garota.
— Isso é fácil, eu tenho um informante que me atualizará das novidades – caminhava em direção aos portões – Vê se não demora – e partiu.
~Arredores da Universidade de Suna, atualmente.~
Zaku rondava o lugar esperando seu companheiro com os ingredientes que faltavam para o ritual. O demônio notou a quantidade de anjos que rondam aquele ambiente universitário e seria uma tarefa difícil chegar perto de Sakura. Mesmo tendo disfarçado sua aura maligna para realizar sua espionagem notou o quanto a “fedelha” que incomodava desde a infância cresceu e a quantidade de amigas havia feito e quanto mais anjos fortalecidos por perto pior seriam para ele e seu amigo executarem o plano. Não poderia possuir um corpo por enquanto, pois assim deixaria de ver os outros seres do mundo espiritual e enquanto seu informante e Dosu não apareciam seria difícil para identifica-lo.
— Zaku – chamou Mika, a informante do submundo – Soube que solicita meus serviços.
— Para o tempo que tenho disponível não haveria uma escolha melhor do que você Mika – apertou a mão da figura feminina – Preciso que encontre algum tipo de informação que eu possa utilizar contra Sakura Haruno. Ela está cercada de outros anjos que eu pude notar.
— Eu posso procurar saber da linha da vida das pessoas próximas a ela para que possa antecipar vossas ações – sorriu – Isso pode levar algumas horas terrenas.
— Sem problemas – Zaku passou as informações dos rostos que havia visto por perto da predestinada à morte por meio do toque nas mãos – Espero que isso que eu lhe enviei sirva – a loira assentiu – O general Orochimaru ficará muito satisfeito com seus serviços e saberá como recompensá-la.
— Certamente – pensava em sua recompensa do general do inferno — Onde devo encontra-lo para dar-lhe as informações?
— Eu possuirei uma casca humana e Dosu estará ao meu lado – pensou rapidamente – Pode deixar num envelope com uma fita vermelha dentro dessa árvore oca.
— Assim será feito. Adeus – partiu.
Alguns minutos se passaram e Dosu aparecera carregando duas sacolas de couro – uma pequena e outra média – a menor continha a terra amaldiçoada e a maior o cálice de prata necessária para o ritual. Os dois demônios trataram de possuir cascas humanas logo que se encontraram e colocaram os itens do ritual dentro da mochila de um deles. Eles andaram pelo campus e viram um dos anjos da morte por perto que observava a movimentação do lado de fora do prédio que estava encostada.
— Provavelmente buscará alguém hoje – sussurrou Dosu – Acredito que não seja quem buscamos.
— Estamos aguardando as informações que Mika está coletando – respondeu Zaku – Seria imprudente fazer o ataque hoje, mas, isso não nos impede de observar de longe a rotina da aleijada – riu em escárnio.
~Auditório da Universidade de Suna~
Sakura acabou sua apresentação e foi bastante aplaudida, a professora ficou surpresa com a pesquisa da aluna e havia feito o convite para ela estudar na graduação com bolsa integral (do programa de bolsa talento) e com uma ajuda de custo para a compra dos materiais necessários para que ela não desista no meio do caminho. A aluna disse para a Anko que precisava de um tempo para pensar no assunto, até por conta de suas questões de saúde e a docente entendeu dizendo que esperaria a resposta. Os anjos da guarda que convivem com a presença da rosada estavam felizes que a protegida de Sasuke exibia uma expressão tão radiante quanto sua aura estava e o moreno estava orgulhoso do que Sakura, sua alma gêmea, havia se tornado, uma grande e inteligente mulher.
Mal saíra do auditório em meio aos abraços de suas amigas, Sakura e as outras precisaram praticamente correr para o auditório do outro prédio, o desfile da graduação de moda era coberto pela graduação de jornalismo e pelo curso de fotografia e por causa disso precisava de um espaço maior para acontecer. Ino levou Sakura direto para o camarim e Tenten procurou um lugar para ela, já que as modelos e os alunos que apresentam possuem lugares reservados. A loira foi uma das primeiras a se apresentar e enquanto Sakura desfilava com suas muletas recém-personalizadas, Ino explicava o conceito de sua apresentação e o porquê da escolha de sua modelo.
— O vestido que minha modelo Sakura está vestindo foi inspirado década de 1980, ele sofreu uma remodelagem se comparar com o original – o projetor mostrava a foto da mãe de Ino – Essa na imagem é minha mãe e foi a foto que inspirou minha apresentação – sorria – O colorido da década foi mantido e a modelagem está mais moderna e funcional. Ele pode ser usado com acessórios bem coloridos como a modelo usa ou discretos – respirou fundo e prosseguiu mais confiante – Sakura está aqui para além de mostrar que a moda precisa mostrar que é para todos, a inclusão é importante e só dela estar aqui outras pessoas se sentem representadas por ela – via sua amiga emocionada já virando de costas mostrando melhor o vestido – Ela que fez olhar para as pequenas coisas que importam tanto em minha vida, ela sugeriu que eu olhasse meu passado e assim descobri essa foto maravilhosa de minha mãe podendo reproduzir um vestido diferente que consegue ter o brilho de sua versão original – se aproximou com o microfone do palco segurando a mão de sua amiga – Obrigada minha amiga e obrigada a todos pela atenção – as duas fizeram uma reverência e se retiraram para a coxia sendo parabenizadas pelos colegas de graduação de Ino.
~ Sunagakure — Casa das estudantes, horas depois~
Após as apresentações as garotas foram comemorar na pizzaria próxima do campus e seguiram para casa. Ino queria muito ter ido a um pub, mas, se lembrou da apresentação de Tenten que será no dia seguinte e nenhuma das três poderiam estar mal no dia. A morena ficou lá ao lado delas hoje e nada mais justo do que suas amigas a apoiarem em seu dia.
Já o clima entre os anjos era apreensivo. Cada hora que passava estavam mais próximos da morte de Sakura, para Sasuke estava mais para tentativa de assassinato. Durante sua saída ao campus Hinata não encontrou nada que levantasse suspeitas significativas. A energia demoníaca era camuflada quando eles se apossavam de corpos humanos e para diferenciá-los dos humanos que não possuem anjos da guarda é uma tarefa difícil, precisaria observar as atitudes e os desgraçados em suma eram ótimos em dissimular.
— Estamos ficando sem opções Sasuke – disse o protetor de Ino – Pelo o meu cálculo a morte está para acontecer algum tempo após a apresentação da Tenten.
— Qual era o local Hinata? – perguntou Harumi – Talvez não tenha relação com a apresentação da Tenten.
— Vai acontecer na área do campus – respondeu o anjo da morte – Quando recebemos a descrição do local ela pode ser um pouco imprecisa. Pode acontecer nos arredores, geralmente nós anjos da morte somos designados para o local e a energia da alma nos atrai para perto.
— Quer dizer que estamos numa partida perdida? – Sasuke apertou os punhos fortemente – Se a Sakura mudar de atitude a morte pode ser adiada, não é?
— Em teoria sim, é possível enganar a morte por algum tempo – a morena pensava – No caso ela está sendo perseguida por demônios e pela urgência no tempo é capaz deles tentarem um ataque direto.
— Se ela for assassinada a alma dela irá para o Céu – concluiu Harumi – Esse é o último ciclo cármico dela pelo o que eu soube.
— Eles não a matariam tão facilmente se esse fosse o objetivo – disse Shikamaru enquanto observava a interação das garotas – Se há alguma forma de levar a alma dela ao inferno eles farão.
— Como por um ritual! – Hinata matou a charada – Ela precisa ficar aqui trancada ou ir para outro lugar com alguém de confiança – olhou para Sasuke – Convença-a Sasuke!
— Você quer que eu invada os sonhos dela? – ela anuiu – Então preciso convencer a Sakura deixar de ir na apresentação da amiga, do jeito que ela é teimosa será impossível.
— Tente – pediu em súplica.
— Tudo bem.
~Algumas horas depois, Sonho de Sakura~
Sakura usava o mesmo vestido que usou horas antes quando foi modelo de Ino, sem as muletas em seus sonhos ela admirava a paisagem que se construía, ela havia pensado em um parque de diversões. A garota de cabelos róseos avistou um carrinho de pipoqueiro e tratou de pegar um saquinho para si logo sentando-se no banco do parque ao lado. Não demorou muito ao ver a figura de Sasuke (que ela o intitulou como parte de sua consciência) se aproximando.
— Olá! – sorriu e estendeu o seu saco de pipocas – Quer?
— Oi – estendeu o braço e pegou um punhado com a mão – Obrigado.
— Já não me dá o ar da graça há tempos – reclamou dando uma leve inflada nas bochechas e ele se permitiu rir ao lembrar dessa mesma expressão que fazia quando era criança – E olha que eu tentei muito para que aparecesse em meus sonhos.
— Imagino que sim – deu um afago na cabeça dela relembrando os velhos tempos – Hoje temos um parque de diversões?
— Sim! Queria muito ir a um por esses dias e eu vi a propaganda desse na internet recentemente.
— Qual brinquedo primeiro? – questionou.
— Quero ganhar um urso gigante naquela barraca! – apontou e logo ficou sem graça por sua infantilidade – Depois você pode escolher.
— Eu vou ganhar aquele urso gigante para você – disse animado e tocou a mão dela para irem juntos – Isso é um clássico, três bolas para derrubar todas as latas.
O ex-Uchiha não teve dificuldades para derrubar as latas, na verdade se quisesse ambos poderiam ter entrado na barraca e simplesmente terem pego o urso, mas, dessa forma não teria a menor graça. Em seguida foram para a autopista e Sasuke não demorou muito para concluir que Sakura é uma péssima motorista até em sonhos e riu do fato. Não demorou muito para sentir que seu tempo ali estava acabando e logo sugeriu a roda gigante para assim conversarem.
— Eu adoro rodas gigantes! – disse ainda abraçada no urso enorme que ganhou de Sasuke – A gente consegue ver melhor o horizonte e vemos o quão pequenos somos.
— Primeiro as damas – estendeu a mão para ajudá-la a entrar no brinquedo – Precisamos conversar.
— Eu senti isso – o seu olhar ficou mais sério – O que você é Sasuke? Meu amigo imáginario? Parte da minha consciência como o grilo falante do Pinóquio?
— É complicado de explicar, mas, hoje farei o papel do grilo falante – recordou-se da historinha infantil – Eu tenho um pedido para fazer a você.
— Qual tipo de pedido? – questionou apreensiva e isso se refletia nas nuvens que nublaram o céu enquanto a sua cabine da roda se direcionava para o alto – Que não seja nada impossível – murmurou a última parte.
— Eu quero que procure a sua mãe amanhã para sua segurança – falava enquanto segurava sua mão – Faça isso, por favor – suspirou olhando para os olhos em confusão dela.
— Amanhã não dá – soltou a mão dele – Estarei com minhas amigas e é um dia importante para a Tenten, não sairei de perto delas, eu prometo.
— O nosso tempo está acabando – observava a paisagem se desfazendo aos poucos e a roda descia devagar – Pense bem em meu pedido pequena – aproximou sua cabeça na dela colando suas testas uma na outra – Adeus – beijou o alto da cabeça de sua protegida e desaparecia.
— Adeus Sasuke – a jovem sorriu para ele mesmo em meio a tantos sentimentos conflituosos – Queria que você fosse real.
“Não queira” — pensou o anjo — “Isso seria a nossa ruína” – retornando ao mundo real.
~Sunagakure, Quarta-feira — 29 de novembro de 2017~
A tão esperada apresentação da turma de Tenten chegara! Era o último trabalho que a morena precisava apresentar naquele semestre e o mais trabalhoso em sua vida acadêmica até o momento. A ideia para seu estudo de caso foi muito boa, mas, pela data do ocorrido e as informações escassas que deram o caso encerrado com a condenação dos envolvidos, a estudante de direito precisou sair das páginas da web e dos arquivos policiais para entrevistar parentes dos condenados para conseguir montar os perfis dos criminosos. Ela conseguiu conduzir melhor seu projeto com as novas informações que conseguira.
As três jovens saíram de casa em direção a universidade, os equipamentos em cima do palco estavam recebendo os ajustes finais. A garota que abandonou seus tradicionais coques alinhava sua postura vestida em uma roupa mais formal para a ocasião, estava com o pendrive em mão pronta para sua vez. Suas amigas estavam na plateia da mesma forma que ela estivera no dia anterior prestigiando os trabalhos delas. Ela pode ver a cara de tédio de Ino ouvindo seus colegas e não poderia culpá-la por isso, a linguagem técnica do meio é demasiadamente confusa para quem não é do meio, e poderia comprovar isso pela expressão de confusão no rosto de Sakura. A Mitsashi prometeu para si que faria uma apresentação que fosse acessível para todos e não teria medo de utilizar a linguagem popular, por mais que alguns décimos pudessem ser descontados por tal.
— Agora teremos a apresentação de Tenten Mitsashi – anunciou o professor Assuma – Por favor! – deu um breve sorriso para encorajar sua aluna – Boa sorte – falou ao seu ouvido.
— Bom dia para todos – apertou levemente suas mãos e seguiu em frente – Hoje eu trago aqui um caso que ocorreu na década de 1940, o atentado contra a família Uchiha. Esse foi um caso bem popular e um tanto confuso para a época. A família Uchiha começou a ganhar relevância na década anterior ao atentado. Tentaram descobrir se o atentado teve alguma ligação com o outro atentado que ocorreu com outra família, os Harus, e algum tempo depois a hipótese foi descartada. As motivações de ambos os casos eram distintas, na época foi concluído que a família Haru fora morta em decorrência de dívidas por parte do patriarca que foi confirmado em depoimento pela esposa do homem e a família Uchiha foi concluído por uma disputa por suas influências – apareceu um slide de uma foto da perícia do carro atingido por inúmeros disparos — No carro haviam quatro pessoas e apenas uma vítima fatal – trocou para o slide com a foto da família Uchiha – Sasuke se pôs afrente de sua cunhada Izumi que estava grávida, os outros foram atingidos de raspão – pulou para o slide com a foto do anjo em sua humana — Com os dados coletados da época o caso chegou à conclusão que relatei anteriormente. No entanto, os depoimentos dos condenados foram dados como verdadeiros pelo polígrafo, eles disseram que iriam fazer outro serviço, se sentiram mal e quando foram pegar os jornais viram que se passaram uma semana desde esse mal-estar e não se recordaram do que aconteceu nesse espaço de tempo, logo concluíram que estiveram possuídos – Tenten viu sua amiga Sakura sair às pressas de lá, mas, não poderia abandonar sua apresentação, correria atrás dela assim que finalizasse – Eu conversei com as famílias dos condenados, já que os mesmos morreram há alguns anos atrás, as famílias confirmaram a versão dos criminosos, a esposa de um disse que o marido participava de negócios sujos, mas, naquela semana ele estava agindo esquisito e sumiu por três dias e quando voltou deu um escândalo quando leu o jornal. Alguns exames psicológicos foram feitos e comprovaram esse espaço em branco em suas memórias, mas, os exames de balística, outros depoimentos de testemunhas, dos próprios sobreviventes foram conclusivos para o processo terminar em prisão...
Ino não havia percebido a fuga de sua amiga do recinto, ainda mais por ela ter se sentado na ponta da fileira por causa de suas muletas. Hinata e Sasuke a seguiram apressadamente, ambos estavam com um mau pressentimento. Sakura se andava rapidamente com suas muletas pelo campus, ela precisava de ar fresco e um pouco de paz para tentar organizar seus pensamentos. O Sasuke que pensava ser invenção de sua imaginação foi uma pessoa de verdade e não conseguia entender como poderia sonhar com alguém que nunca havia visto na vida nem mesmo por fotografias. Os anjos a seguiram até o banco de praça quase saindo do campus.
— Hum.. Com licença moça – dois rapazes se aproximaram de Sakura, ambos não possuíam anjos por perto pelo que Hinata logo pôde notar – Poderia nos dar uma informação, somos novos na Universidade de Suna.
— Ah.. claro – disse ainda ofegante – Qual lugar vocês querem ir?
— Um pessoal pediu para que a gente encontrasse o grupo em frente ao prédio em reforma – disse o mais alto sentando-se ao lado da Haruno.
— Eu sei qual é – respondeu – Não fica longe daqui, naquela direção – apontou – Vocês vão dar de costas para o prédio e.... ai!- sentiu uma agulha perfurar seu pescoço – O que... pensam... que estão... fazendo...? – desfaleceu.
— Isso foi fácil até demais Dosu –disse o mais baixo – Sua ideia da droga para dormir foi brilhante.
— Mika foi bem demais ao levantar informações, ela sabia o que poderia deixar a humana vulnerável – colocou a garota nas costas – Jogue essas muletas naquele arbusto para darmos andamento ao ritual – a fala do demônio deixou os anjos apreensivos.
— Ok – Zaku tratou de livrar-se das muletas – Então anjo pateta, eu sei que está vendo isso – riu – Sua querida protegida está vulnerável e não pode nos atingir por estarmos usando cascas humanas – andavam em direção ao prédio que estava com as obras paralisadas naquele dia.
— Ele está certo Hinata, nós perdemos – apertou os punhos com força – Eu falhei...
— Ainda não Sasuke – ela apertou a mão do ex- Uchiha – Ainda podemos agir!
— Como? Eles a pegaram e vão fazer um ritual!
— Esqueceu-se do que fez no quarto a dois dias? – lembrou-se do soco.
— Mesmo que eu conseguisse atravessar a matéria temporariamente não seria o suficiente.
— Podemos usar para ganhar tempo – puxou o braço dele correndo – Eu conheço um último recurso.
— Último recurso? – viram Sakura ser jogada no chão – O que fazer?
— Você sabe fazer um exorcismo?
— Eu sei graças aquela série Supernatural* que ela adorava assistir em sua adolescência, mas, não são apenas humanos que podem fazer isso?
— Sim. Você precisa pedir a permissão dela para possuir o corpo temporariamente – respondeu – Porém não terá muito tempo, ela estará bem perto de morrer.
— Como ela me dará permissão? – viu um deles esvaziando a mochila com os pertences para o ritual – E as almas deles voltarão ao inferno e eles poderão voltar de novo!
— Não se os perfurarmos com nossas adagas celestiais – deu um sorriso de canto – Mas, temos muito a perder se não executarmos no momento certo.
Eles pegaram a adaga forjada no inferno para cortar a pele dela, porém para os demônios não teria a menor graça fazer o ritual com a vítima desacordada. Sakura foi agredida para que despertasse e eles conseguiram, a jovem se encontrava grogue e a dor era latente.
— Então mocinha está pronta para uma passagem só de ida para o inferno? – Zaku pegava a adaga e passava pelo corpo da Haruno – Não sabe quanto tempo eu espero por isso!
— Eu nem sei quem você é – respondeu – Deve ser um terrível engano!
— Te conheço desde fedelha, minha missão era desgraçar sua vida para que se matasse – fez um corte profundo no braço dela e despejou no cálice forjado de prata com terra de cemitério amaldiçoado – No entanto eu precisei mudar de planos.
— Que conversa de maluco! Os dois são loucos! – recebeu uma bofetada de Dosu.
— Quieta! – o homem mais alto falou – Agora precisamos entoar o canto do ritual.
— Sasuke soque-os agora! – gritou o ex- anjo da morte, e o anjo obedeceu.
— O que foi isso? – cambaleou com o cálice para trás – Não adianta tentar me impedir maldito!
Sakura continuava a perder sangue e estava prestes a atingir a inconsciência quando viu duas figuras atrás de si. Uma moça de cabelos escuros que parecia estranhamente familiar e ele, Sasuke, o tal fantasma estranho que estava presente em seus sonhos. Ela não conseguia acreditar no que via e Hinata percebeu que agora a protegida de Sasuke podia vê-los, pois estava se aproximando da morte.
— Oi Sakura – deu um breve sorriso – Sei que não é o momento mais adequado para uma conversa, vou me reapresentar, eu sou Hinata – apontou para si – E esse é o Sasuke. Nós somos anjos e viemos te ajudar.
— Eu sei que deve estar confusa, mas, preciso que acredite em nós e me permita tomar seu corpo por alguns minutos – pediu – Faremos o necessário para salvá-la – agachou-se e tocou em seu ombro – Apenas diga sim.
— Isso tudo é uma grande loucura — os demônios olhavam para a jovem mulher – O que eu tenho a perder agora? – tocou sobre seu ombro a mão dele – Sim –disse se entregando a própria sorte.
Sasuke conseguiu a permissão e finalmente poderia colocar o último recurso para funcionar. Ele sentia as dores fortes no corpo de sua protegida, mas, não poderia vacilar naquele momento. Então ele encarou os demônios e deu um sorriso e rapidamente os golpeou utilizando suas habilidades de luta.
— Esse será o fim de vocês – deu um sorriso largo – “Exorcizamus te, omnis immundus spiritus, omnis satanica potestas, omnis incuriso infernalis adversarii, omnis legio, omnis congredatio et secta diabolica… Ergo… Perditionis venenum propinare. Vade, satana, inventor et magister omnis fallaciae. Hostis humanae salutis. Humiliare sub potenti manu dei. Contremisce et effuge. Invocato a nobis sancto et terribile nomine. Quem inferi tremunt… Ab insidis diaboli, libera nos, domine. Ut ecclesiam tuam secura tibi facias, libertate servire, te rogamus, audi nos!” – as duas criaturas das trevas deixavam os corpos e Hinata precisava ser rápida.
— Nunca me senti tão feliz em levar uma alma, na verdade destruir – pegou a adaga celestial dela e de Sasuke – Adeus! – cortou as gargantas dos demônios com rapidez e fixou-as em seguida no peito deles.
— Acho que os desgraçados foram embora – Sasuke rasgou parte da roupa para conseguir estancar o sangue de Sakura, se levantou com dificuldade – Hinata, eu acho que não vou aguentar por muito tempo, preciso levar ela para um lugar seguro ou que alguém a encontre.
Sasuke não conseguia enxergar sua amiga enquanto estivesse no corpo de Sakura. Ela estava ferida e suas dificuldades motoras também não ajudavam o anjo que era inexperiente em possuir um corpo humano. A cada passo que dava sentia sua energia sendo drenada, conseguiu chegar perto do lugar onde Sakura estava inicialmente e teve a ideia de gritar.
— SOCORRO!!!! – tomou ar novamente – ME AJUDEM, POR FAVOR!!! – e gritou por mais alguns minutos até seus olhos encontrarem Ino e Tenten – Socorro... – o anjo saiu do corpo e ela havia desmaiado.
— SAKURA!!! – as amigas gritaram de volta correndo para socorrê-la – Tenten liga para a ambulância, eu aprendi um pouco de primeiros socorros – disse Ino deitando o corpo da amiga em uma posição segura e vendo os ferimentos – Vou ligar para a polícia também.
~Hospital Universitário de Suna, horas depois ~
Sakura estava ainda desacordada no hospital, suas amigas revezavam o tempo no quarto enquanto a mãe dela ainda não chegava de viagem. Ela havia perdido bastante sangue e por um milagre tinha o tipo de sangue dela no banco do hospital e com a transfusão conseguiram estabilizá-la. Sasuke ainda estava muito preocupado e surpreso com o que tinha conseguido fazer horas atrás, Zaku não seria mais um problema para eles de acordo com Hinata, mas, estava preocupado com o estado de saúde dela.
— A hora da morte passou – apontou a morena para o relógio na parede – Esse é um bom sinal.
— É verdade, a hora já passou, mas... – estava pensativo – Não acha que podemos ter algum problema depois do que fizemos?
— Foi uma emergência, nós fizemos o necessário – completou – A questão é como ela vai reagir a nós. Se ela cair para o estado de coma a alma dela vai começar a vagar por aí e acredito que sua protegida vai querer respostas.
— Tem razão, pela maneira que ela saiu do auditório e depois com o que presenciou...
— Precisamos fazer uma vigília aqui, outros demônios podem querer aparecer ou nossos colegas anjos que estão por fora da situação.
— Vocês foram muito corajosos – disse Shikamaru ao entrar no quarto com Ino – A salvaram afinal.
— Nós ganhamos tempo – respondeu a ex- Hyuuga – A morte dela ainda está para acontecer e precisamos nos certificar que essa transição será tranquila. Quase levaram a alma dela para o inferno por meio de um ritual.
— Então vamos ter que esperar ver como será daqui para frente – sentou e cruzou os braços o protetor de Ino.
~Á noite ~
A noite parecia tranquila, a mãe de Sakura estava ali velando o sono da filha em meio a orações e acariciando os cabelos de sua eterna criança. Iruka conversou um pouco com os anjos e disse-lhes que tomaram a decisão correta, já que os inimigos agiram de forma desleal. Com o passar da noite Mebuki adormeceu na poltrona dentro do quarto e os anjos conseguiram relaxar até ouvir uma voz, a voz dela.
— Nossa que sonho mais louco! – resmugngou a rosada – É estranho porque a dor parecia muito real e não levantei com a sensação de ter sido atropelada por um caminhão – coçava os olhos até notar o ambiente em que estava – Estou num hospital? – olhou as figuras familiares ao seu redor e desesperou-se – Eu morri?!
— Acalme-se Sakura – a morena andou em sua direção e ela se aproximava da parede – Você está ali – apontou para a cama – E está bem.
— Como posso estar em dois lugares ao mesmo tempo?
— Você entrou em coma – o ex- Uchiha a respondeu pela primeira vez – Ouvi os médicos comentarem no corredor sobre isso ser possível, seu corpo encontrou essa forma para tentar se recuperar de todo o dano.
— A explicação faz sentido, mas, não posso acreditar – tentou tocar na cabeceira da cama e sua mão transpassou o objeto – Então tudo aquilo foi real? – eles anuíram com a cabeça – Por quê?
— É uma história longa...
— Acho que terei tempo para isso.
Então os três conversaram sobre o universo, Deus e vidas passadas, também falaram sobre o mal e tudo o que descobriram a respeito sobre os planos inimigos. Sakura ouvia tudo atentamente tentando entender aquilo que sua vida havia se tornado, todo sofrimento de suas existências e era quase impossível não se revoltar com a situação.
— Então não adiantaria – apertou o punho – Nada do que eu fizesse seria bom o suficiente para os olhos de Deus. Queria entender o motivo de tanto sofrimento e injustiça – sua alma chorava – E o que nós temos afinal? – apontou para seu anjo – Eu estava apaixonada por alguém que nem existe mais.
— Eu ainda existo, de outra forma – Sasuke procurava ser paciente com os sentimentos de sua protegida, entendia que ela precisaria de tempo para digerir a informação, e uma parte de si estava feliz por ter seus sentimentos correspondidos de algum jeito – Nós somos um par de almas que passou por inúmeros percalços e que estão destinadas a se encontrar pela eternidade.
— Então por que não voltou novamente? Poderia ser meu crush da faculdade, um amigo virtual, agora meu anjo? Isso faz que eu esteja errada por gostar de você – confessou – Mais que droga!
— Era a última vida dele – intercedeu Hinata – Fui eu quem buscou a alma dele, não estava planejado assim como sua morte não estava agendada para hoje. No caso de Sasuke, os anjos não tiveram tempo de reagir como nós fizemos. Você não precisaria viver essa vida se ambos não tivessem sido assassinados na mesma noite.
— Qual foi o motivo de eu voltar?
— Foi para que eu encontrasse você – segurou a mão dela e o olhar dele transbordava os sentimentos que sua fala limitada – Eu precisava saber qual era a minha pendência que deixei aqui ao morrer. Fiquei décadas refletindo até meu irmão da primeira vida me dar a tarefa de cuidar de ti e apenas nessa semana pude entender quais eram os planos de Deus sobre nós. Eu me sentia tão errado por te amar de uma forma que um anjo da guarda não deve amar seu protegido, nada parecia fazer sentido quando se relacionava a Sakura Haruno. Meu destino finalmente estava atado ao teu e iria para o lugar que fosse.
— Sasuke... eu... – abraçou seu amor – Obrigada por tudo!
— Eu que preciso lhe agradecer pequena – podia sentir o calor daquela alma maravilhosa na opinião do ser celestial – Poderei finalmente ser o que quiser de mim – confessou apaixonado.
— Acho melhor me retirar por hora – Hinata se aproximava da parede – Vou deixar vocês terem seu momento. Ainda quero conversar mais contigo em outro momento Sakura –atravessou a parede.
Os dois ficaram ali abraçados por mais alguns momentos e Sakura notou sua mãe dormindo no outro canto do quarto. Ela caminhava pelo ambiente ainda de mãos dadas com sua alma gêmea e não parecia perceber esse pequeno detalhe.
— A gente tem tanta coisa para conversar ainda mãe – tentou tocar a mão dela – E se eu não conseguir acordar para falar com eles Sasuke? – perguntava preocupada.
— Em vida você me ensinou demais sobre coragem, esperança e determinação – lembrou-se dos vídeos da também youtuber – Se está determinada a falar com sua mãe e seus amigos tu conseguirás.
— Obrigada – a fala do anjo a tranquilizava e isso era o que precisava no momento.
~Hospital Universitário de Sunagakure, Terça-feira – 30 de janeiro de 2018~
Dois meses haviam se passado desde a internação e o coma de Sakura. Ela teve mais tempo para conversar com os anjos sobre suas vidas passadas, pode entender melhor sua situação e sobre o que estava acontecendo no meio celestial e também teve uma grande aproximação com Sasuke. Também sofreu com a tensão da visita de alguns anjos da morte que foram rapidamente expulsos pela ex-Hyuuga que afirmou que cumpriria com a data original de sua agenda. A Haruno já estava ciente de que aquele seria seu último dia, não demorou muito para sentir sua alma ser atraída para o seu corpo como se fosse um ímã. A jovem de cabelos róseos despertava sentindo um estranho bem estar em seu corpo, moveu-se desajeitadamente na cama e conseguiu se por de pé sem as muletas, a movimentação que fizera acabou mexendo com os fios que monitoram suas atividades se descolarem e pouco tempo depois entraram dois enfermeiros no quarto.
— Ela acordou — passou a informação pelo interfone do quarto – Chamem a família.
— Está tudo bem Sakura? – perguntou a outra enfermeira.
— Sim – ainda aturdida – Estou me sentindo melhor do que nunca!
— Sua mãe e seus amigos serão chamados.
—Obrigada.
Não passou muito tempo e eles chegaram finalmente ela poderia fazer uma despedida digna. Ela olhava para o relógio e via seu tempo se esgotar, por mais que ela já tivesse se acostumado com a ideia, ela ainda sentia o nervosismo de não ser suficiente. A Haruno recebeu abraços apertados de sua mãe e de suas amigas que se esqueceram de pegar leve com a garota. Elas conversaram por algumas horas, Sakura já falava entre lágrimas, pois sabia que eram seus últimos minutos.
— Eu preciso agradecer tudo o que fizeram por mim, pela preocupação, pela paciência, por virem me visitar sempre – segurou a mão das amigas – Preciso que publiquem aquele vídeo hoje a noite.
— Como assim? Que doidera! Está aqui falando com a gente e quer postar aquele vídeo?! – indignou-se Ino.
— Realmente preciso concordar com a Ino – disse Tenten – Não faz sentido.
— Fará – respondeu – Mãe – chamou-a para mais próximo de si – Saiba que a senhora não tem culpa de nada do que aconteceu comigo –“nessa vida” completou mentalmente — A senhora foi maravilhosa comigo, a melhor mãe que eu poderia desejar. E eu quero que você fique bem.
— Você é a coisa mais preciosa que tenho – a matriarca Haruno entendeu que a filha havia se recuperado para se despedir – Eu ficarei bem – segurava a mão da filha.
— Eu desejo a vocês a vida longa e mais feliz do que pude ter – sorria – Sou feliz por ter tido pessoas fantásticas em meu caminho. Desde cedo eu sabia que não teria muito tempo, não deixei muita gente se aproximar de mim por isso, mas, vocês quebraram essas barreiras e fizeram mesmo assim por pura teimosia – olhou para as amigas – Obrigada – sua mão se desprendeu da de sua mãe.
— Ela está morta – disse a enfermeira após verificar o corpo – Muitos conseguem se recuperar brevemente para se despedir. Uma pena, tão jovem!
— Foi uma despedida adorável – disse Hinata a Sakura com sua alma presente – Está na hora de partir.
— Para onde vamos?
— Para o paraíso –respondeu Naruto que acabara de chegar ao ambiente – Minha cunhada-irmã eu queria vir recepcioná-la pessoalmente! – abraçou-a.
— Você é?
— Fui Ashura e cruzei meu caminho com o seu em nossa primeira passagem – sorriu – Quais são seus planos Sasuke?
— Quero estar onde ela estiver – respondeu com o olhar caloroso em direção a sua amada – Mas, sei da ameaça de guerra.
— Fiquem tranquilos, os planos de Orochimaru foram desarticulados por enquanto, acredito que demorará a que ele e os outros tentem alguma coisa.
— Eu quero poder ajudar – manifestou-se Haruno – Posso me tornar forte para ajudar a humanidade.
— Agora entendo porque a alma dela é tão diferente – disse Hinata – Agora precisamos partir.
— Claro – segurou-se em Sasuke – Teremos a eternidade pela frente – disse feliz.
— A eternidade – beijou-a antes de subirem – Vamos desfrutar um pouco essa calmaria antes de nos prepararmos.
“A eternidade ainda será pouco tempo para duas almas que se amam verdadeiramente” – Siozo, Indy.
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