Achava que não era o bastante para tê-lo.

Tudo o que sentia agora era uma tremenda dor na alma, tão profunda quanto qualquer dor que já sentira. Tanto emocional quanto física.

Um vazio no coração, como se jamais tivesse amado alguém, nem mesmo Ronan.

Seus olhos agora inexpressivos pareciam algo assustador, uma expressão qual ninguém já havia visto Arme fazendo.

Ronan se paralisara na frente de Arme, observando os olhos assustadores, que o fazia se sentir desconfortável.

– Não fale de incertezas comigo, Ronan – disse Arme.

Uma das coisas quais Arme mais odiava, eram incertezas. E agora, Ronan, o garoto que mais amara em toda vida, tinha ela.

A incerteza parecia algo inevitável. Mas ela também visitava Arme muitas vezes. Ela a odiava mais que tudo, porém não podia evitá-la, tanto com ela como com outras pessoas ao seu redor.

O mundo era como um lugar podre, na opinião de Arme. Admitia que também fizesse parte do que o fazia podre.

Aquele clima tenso ainda rolava naquele canto onde Arme e Ronan permaneciam paralisados, até que alguém bateu na porta.

Podiam ver Amy descendo as escadas do quarto, chegando até a sala, onde ficava a porta. Abrira, e Arme ouviu uma voz suave. Algo que a acalmou, de um modo que nada, nem remédios já fizeram esse efeito a ela.

Seu estado emocional foi acalmado ao ouvir aquela voz, que lhe parecia familiar.

– O que está fazendo aqui? – Amy sussurrava na porta – já não a fez ficar deprimida demais?

– Mas Amy, por favor – a voz continuava – eu não sei o que eu fiz, eu juro!

– Tá bom... – Amy suspirou ao dizer – pode entrar, mas se ela chorar eu juro que arranco suas tripas.

– Por favor, Amy... – a voz dizia num tom irônico – você tão baixinha, acha mesmo que pode me ameaçar com tão pouco tamanho?

Amy deu um sorriso e deu um tapa na “visita”, deixando-a entrar.

Quando Arme percebera quem era, seus olhos se esbugalharam. Era o garoto de cabelos brancos acinzentados, dos bíceps perfeitos.

Ele entrara com passos leves, e parecia bem mais bonito com agora o cabelo bagunçado.

– L-lass? – Arme murmurou para si mesma, entrando em pânico sem mesmo saber o motivo.

Arme jogara Ronan pro lado, como se nem se importasse com ele, como se Ronan fosse só um inseto e que Lass era tudo o que importava agora.

Ronan estava caído no chão com o pequeno impulso que Arme fez em seus ombros. Ele a observava se olhar no reflexo do celular como estava seu cabelo e sair correndo pra ver Lass.

Lass estava sentado no sofá da sala, e mantinha um rosto despreocupado, o que não era o caso de Arme.

Ela estava totalmente corada, parecia desesperada, mas só até ver o sorriso que se formou no rosto de Lass ao vê-la.

Aquele sorriso despreocupado tirara toda a tensão que atingia seu corpo, deixando-a leve e calma.

Lass, após dar um sorriso, percebia o quanto Arme estava bem menos envergonhada desde a primeira vez que os viram.

– Arme-chan... – Lass dizia um pouco friamente, ou timidamente (era certamente difícil entender aquela expressão e modo de falar) – eu posso falar com você lá fora?

Arme balançou a cabeça fazendo um sinal de sim.

Ronan gemia no chão, parecia que queria atenção. Mas de Arme, ele não conseguiria. A garota estava completamente hipnotizada por Lass.

Arme e Lass saíram, e foram conversar na varanda da casa de Amy.

– Arme-chan... – Lass dizia sério, fitando os olhos de Arme – eu fiz algo que te deixou desconfortável, pra sair correndo repentinamente de mim?

– Não... – Arme mentiu, com a voz saindo fraca – Eu apenas... bem... eu não estava... correndo de você...

Lass a interrompeu colocando o dedo nos lábios da garota.

Arme ficara corada naquele instante. Não sabia o que fazer, apenas recuou, se sentindo estúpida pelo movimento, até que Lass sorriu para ela.

– Bom... acho que não precisa se explicar – ele dizia ainda sorrindo pra Arme.

– B-bem... – Arme dizia ainda mais pálida, gaguejando enquanto a voz saia totalmente fraca – se... você acha...

Arme sorriu gentilmente para Lass, que não devolvera o sorriso, mas também não parecia não ter gostado do sorriso da garota.

– Enfim... eu vim aqui para convidá-la para ir à um piquenique comigo, amanhã – Lass dizia fitando novamente o olhar da garota – bem... sei que nos conhecemos agora mas... seria bom nos conhecermos, não é? Tem uma paisagem linda no lugar aonde quero lhe levar. Lire me disse que você gosta, não é?

– Bem... – por algum motivo agora Arme não se sentia tão desconfortável, mas somente um pouco envergonhada, seu rosto não se corava mais e ela finalmente tomara coragem para falar normalmente com o garoto – sim, eu gosto... e adoraria ir!

Lass sorriu para Arme, que retribuiu o sorriso e passou a também fitar os olhos do garoto. Trocavam olhares perfeitos, quais faziam Arme se sentir bem, confortável e um pouco hipnotizada, até que Lass começou a falar novamente:

– Bem, senhorita – Arme reparou o seu jeito de falar, que parecia um pouco com o de Ronan – então até, amanhã as... prefere ir numa manhã, senhorita?

– Claro! – Arme respondeu entusiasmada, e se sentiu um pouco idiota por isso.

– Então, vamos matar aula né... – Lass dizia ainda sorrindo – Se a senhorita não se lembra, amanhã ainda é quarta-feira.

– Bem... é claro que... ahn...

– Até ás oito horas, Arme chan! – Lass disse acenando e indo embora.

Agora Arme se sentia envergonhada. Não sabia o motivo, mas se sentia.

Achava que tudo aconteceu rápido demais. Como é que do nada o garoto qual ela passa admirar, o garoto que estava supostamente interessado em Lire a convidou para sair? Que tipo de coisa poderia estar acontecendo agora?

Mas agora não se importava. Pelo menos um garoto por qual se interessara teve interesse nela também.

Não entendia o porquê, também não ligava. Sentia-se feliz, apesar de não entender.

Entrou sorridente de volta para casa de Amy.

Já não via mais Ronan agonizando no chão, nem Amy desprezando o garoto.

Subiu as escadas da cozinha que davam ao quarto da garota e pôde ouvir os gemidos de Ronan.

Não abriu a porta, resolveu apenas espiar pela fechadura.

Via Amy sentada na cama, enquanto Ronan estava sentado em seu colo, parecendo em prantos e lágrimas escorriam por sua face.

Amy parecia não se preocupar com aquilo, mas como conhecia a amiga, sabia que estava apenas dando consolo a um pobre garoto chorão.

Vendo Ronan chorar, aquilo lhe partia o coração. Mas, preferiu esquecer aquilo.

Tinha um encontro amanhã, e deveria se preocupar com aquilo e não com o bebê chorão do Ronan.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.