Notas iniciais
Bom, essa é uma história que já está há mais de dois anos esquecida aqui no PC e só agora resolvemos postar ^^'

Mais dois anos se passaram, e eu sigo minha busca. Longe dos que conheço tudo tem se tornado mais difícil. Nunca fui de sentir saudades, mas confesso que depois de dois anos sozinho, é praticamente inevitável. Algumas vezes sinto como se estivesse sendo observado. A sensação vai embora rapidamente na maioria das vezes, mas às vezes perdura por bastante tempo. Talvez eu só esteja ficando doido.

Não vejo sentido nenhum para continuar minha busca, já não tenho esperanças de reencontra meu pai. Queria que ele respondesse as perguntas que estão na minha garganta desde o dia em que ele partiu. Por que nos abandonou? Estava correndo perigo? Fugiu porque não gostava de estar conosco? São perguntas que sempre quis fazer a ele. Às vezes ficava imaginando o nosso reencontro, imaginando as respostas que quero tanto ouvir, só que também imaginava coisas que não quero ouvi-lo falar, sempre tive medo que ele dissesse que fugiu porque não queria ficar perto da gente, isso me deixava inseguro e aflito.

Também imaginava o que poderia ter acontecido caso ele não tivesse partido, provavelmente estaríamos felizes em casa, nós tocando violino, a mamãe tocando piano e a Utau cantando, igual quando éramos pequenos. Utau e eu sentimos tanta raiva quando a mamãe disse que iria se casar novamente — a Utau foi embora na primeira oportunidade que teve, enquanto eu tive que ficar atado ao meu padrasto e a Easter.

Por mais que eu me esforce não consigo lembrar-me claramente do que eu fiz enquanto procurava meu pai, para mim tudo não passa de um borrão.

Quando pensava em desistir, sempre escutava uma voz aguda e infantil que ficava me motivando a continuar e não desistir, mas já não a escuto mais. Não sei de onde vinha, e por mais que tentasse descobrir sua origem, parecia impossível. Por alguma razão, na manhã seguinte, me sentia mais motivado.

Quando a Utau liga pra saber noticias minhas, ela sempre me pede para voltar mesmo já sabendo a resposta. Soube que ela começou a sair com o Kukai, não consigo me lembrar como eles se conheceram, o Tadase criou coragem e pediu a Amu em namoro — ela aceitou e pelo que eu sei estão muito bem juntos. Não senti raiva nem inveja quando a Utau me contou, só me senti um pouco melancólico. Eu gosto muito da Amu, mas não ao ponto de querer monopolizá-la, acho que o que eu sinto por ela é uma espécie de admiração, ela é tudo o que eu gostaria de ser mas não posso. Espero que ela seja muito feliz.

Todas as pessoas que me importam estão felizes, não tenho mais nada com que me preocupar. Já não aguento mais sentir esse vazio que me consome, quero de uma vez por todas dar um fim a minha insignificante existência.

Só espero que não doa tanto morrer, quero acabar com tudo isso o mais rápido possível. E se Deus for tão bom como dizem, gostaria que me levasse para junto daquela voz infantil, que apesar de ser um pouco irritante preenchia o vazio que sinto.

Não queria fazer a Utau sofrer, mas a morte foi a única saída que achei para acabar com o meu sofrimento. Todas as pessoas tem alguém especial, mas eu não tenho esse alguém e não sou especial para ninguém, não tenho nenhum motivo que me faça viver, mas tenho vários que me façam morrer...

— NÃÃÃÃOOO!!! — escuto uma voz conhecida gritar, mas foi tarde demais.

Notas finais
O capítulo é minúsculo, nós sabemos! Por isso queremos saber se vocês gostariam que tivesse uma continuação, então... Reviews? :3