Wasteland

1 Terra Desolada (Parte 1)


Notas iniciais
Primeiro capítulo de "Wasteland - Terra De Selvagens". Bons feedbacks me impulsionam a continuar minha história. Se gostou, não hesite em dar o seu apoio!

Capítulo 1 — Terra Desolada — Parte 1 (Temporada 1)

"Me chamo Lucas, e decidi escrever sobre aquele dia estranho pelo qual passei... Mal sabia eu que minha vida mudaria. E seria de um modo que eu nunca poderia imaginar..."

Mais um dia de trabalho em meu escritório e minha mente iria caminhar à completa exaustão. Estava em meu computador — assim como todos os outros -trabalhando, anestesiado pelo estresse do dia a dia, com um relatório em mãos. Estar preso em um escritório com toda aquela barulheira e correria dos funcionários era aprisionante e, como eu, todos desejavam por umas férias adiantadas. O intervalo de almoço me dava a sensação de poder respirar finalmente o ar puro, o não-fabricado por uma empresa de ar condicionados. Mesmo que este puro ar fosse acompanhado de uma leve dose de fumaças, provenientes de uma combustão interna do motor de carros.

Me sentia bem por poder escapar — nem que fosse um pouco — daquela prisão, e do meu chefe. Desci as escadas assim como todos para o restaurante mais próximo. Enquanto descíamos, um colega de trabalho perguntou se eu sabia das últimas notícias. Falei que não. Tudo que ele me respondeu foi para eu ter cuidado pelas ruas caso visse algo estranho, e concluiu que o que quer que estivesse acontecendo seria resolvido logo pelo governo. Fiquei meio confuso... Quando finalmente me dirigi para o lugar, uma notícia de última hora aparece na TV do local. Com um ofegante âncora balbuciando o acontecimento. Só consegui entender algumas palavras do que foi dito, já que o barulho no restaurante de uma série de aleatoriedades completamente fúteis era alto demais. “...Vírus... todos... contagioso... repito... devem se proteger...” — E o resto de sua fala afundou-se nas conversas das várias pessoas dentro do local.

Estranhei um pronunciamento rápido como aquele, que, surpreendentemente, senti ter sido o único do lugar a ter prestado a mínima atenção. Almocei pensando naquilo... "Um vírus?" — Refleti. Pela gravidade das palavras, era algo bem contagioso. Talvez uma virose que ocasionasse alguns vômitos ou febre? Voltei ao escritório depois do fim do almoço com o ocorrido em minha mente, fazendo com que me desligasse uma série de vezes do trabalho, recebendo alguns puxões de orelha de meu chefe. Depois do trabalho ter terminado, desci a garagem do prédio, peguei meu carro e me dirigi à saída, rumo à minha casa. Tendo que enfrentar o congestionamento usual do horário de pico recheado por uma série de buzinas. Meia hora depois do show de buzinas diário, cheguei em meu lar. Estava morto de cansado. Com um salto em minha cama, adormeci. Acordei no horário usual: 6 horas. Mas notei que havia algo estranho... O dia se mostrava esquisito.

Não havia muitos carros nas ruas, o carteiro não passou como de costume e, para completar, um enorme silêncio se apresentava. Já vestido com minha roupa de trabalho, desci as escadas e fui à padaria comprar alguns pães para o desjejum. E, enquanto caminhava, passei os olhos pela solitária rua. Esta tinha postes quebrados e pequenas marcas no chão do que me pareceu um sapato carimbado com uma forte cor de sangue. Além de casas violentamente quebradas. Corri à padaria, e, ali, talvez achasse alguém que me desse alguma explicação lógica. Para minha surpresa, o local estava totalmente vazio, com grande escuridão na parte dos fundos do lugar. Supus que houve um apagão ali.

Decidi voltar para minha casa. Quando me direcionei para a saída, escuto atrás de mim o barulho do que me pareceu serem unhas de gato arranhando um vidro com força. E, ao mesmo tempo, um grunhido sinistro. Me virei lentamente para ver o que era. E, das sombras da padaria, uma criatura com órbitas brancas como leite no lugar da íris e uma gigante boca com pontiagudos dentes — além de uma aparência horrível de que havia acabado de sair de um abatedouro -, surge como se acabasse de ter se levantado de uma noite de fortes insônias. Andando lentamente, grunhindo e com as mãos direcionadas para mim. Fui andando para trás, alarmado, e tropecei em algo fora de meu campo de visão, tentei me levantar, ainda embasbacado pela visão, porém sem sucesso. A criatura me alcançou, caindo em cima de mim, babando vorazmente numa tentativa de me morder, felizmente consegui afastar seu pavoroso rosto de perto. Olhei para a esquerda e avistei um pé de cabra verde com um prego enferrujado preso no mesmo. E, num súbito impulso, peguei a arma e acertei fortemente na cabeça daquela coisa, prendendo o pé de cabra em sua cabeça, fazendo-o nocautear para o lado direito, sangrando como uma fonte de águas vermelhas brilhantes.

Levantei atordoado, e após me limpar, olhei para aquilo. Ainda sangrava... “O que é você?” – me perguntei, enquanto olhava aquela criatura bizarra que, agora jazia morta. Peguei um manto cinza que estava jogado pelo balcão e enrolei em minha mão direita. Forcei minha bota na cabeça da coisa e, com a mão enrolada, puxei o pé de cabra do crânio da criatura. Precisaria me defender, caso houvessem mais desses pelas ruas. Saindo da padaria, achei uma metálica bicicleta jogada no meio-fio, levantei-a e pus a arma branca no cesto. Me dirigi ao escritório, para ver se havia alguém que pudesse me explicar o que estava acontecendo. No caminho, um indivíduo ofegante e com sangue na mão esquerda apareceu subitamente na minha frente, me assustando. Parei rapidamente, com raiva. “Mais cuidado! Eu podia ter te atropelado!" — Falei. O homem com roupas surradas pareceu ignorar meu aviso, e implorou: “Por favor! Me dê uma carona aí nessa bicicleta!” – E, enquanto pronunciava a última palavra, uma série de altos grunhidos estranhos era balbuciada pelo que parecia uma horda daquela criatura. A que tive o desprazer de encontrar na padaria. Os sons aumentavam a medida que o barulho dos passos também, e alguns deles começaram a surgir. Fiz um rápido gesto consentindo o pedido: "Tá bom. Vem logo." — Disse. E o homem veio como um raio para o assento de trás da bicicleta. Pedalei o mais rápido que pude, ainda meio desnorteado. “O que está acontecendo?” – Perguntei, em meio a uma respiração cansada. “Espera um pouco!” – respondeu o estranho e, pegando uma Desert Eagle, virou-se para a horda que apareceu atrás de nós. Atirando com raiva neles. Pedalei mais ainda para nos afastarmos do sinistro lugar.

Depois de ter alcançado uma boa distância daquelas coisas, ele me perguntou se eu não tinha visto as notícias, falei que não havia prestado tanta atenção. Então o homem me explicou o acontecido: “O que tá acontecendo aqui é que um vírus desconhecido tomou conta do mundo inteiro, cara. Tão dizendo até que foi criado em laboratório por acidente, o governo já declarou estado de calamidade já... Aliás, qual o seu nome?” – O estranho perguntou. Respondi: “Lucas... Me chamo Lucas.” — O indivíduo pigarreou, e falou: “O meu é Raymond, Lucas.” – Disse ele, apertando minha mão com um certo ar de desconfiança. Perguntei se sabia de algum lugar seguro; Raymond respondeu que enquanto o governo não mandasse reforços, nenhum lugar estaria seguro. Mas concluiu que o melhor a fazer seria ir a alguma cidade pequena, e sugeriu Weston, que ficava a uns 100 km dali. E pediu para que fossemos até a casa dele, pois pegaria algumas armas que ele tinha em casa e o carro dele para irmos até a pequena cidade. Após alguns minutos, chegamos na casa. Estava, como todas as outras, com um ar de solidão. Deixei a bicicleta na porta e, entrando, o homem foi à cozinha e veio com uma escopeta SPAS-12 e uma Beretta em mãos. Reparei nas fotos do lugar, Ray estava com uma linda mulher ao lado. Pareciam felizes. Notando que reparei nas fotos, comentou que aquela era a esposa dele, que havia desaparecido em meio a uma multidão após o caos. Falei que sentia muito, ele disse para eu não sentir, e que não era necessário condolências... Nos dirigimos ao carro de Ray — nada mais do que uma Picape com um amarelo desbotado e algumas ínfimas marcas de ferrugem na parte traseira -, ele pegou as armas e jogou na parte de trás aberta do veículo, jogando um cobertor surrado por cima delas.

Quando entramos na picape, joguei a arma branca que peguei ao meu lado, sentando no banco do passageiro. Ele pegou a Desert Eagle que havia escondido num dos bolsos e, subitamente, apontando para mim, disse: “Antes de irmos, é necessário que prometamos confiar um no outro. Ainda tenho esperança de ver minha esposa. Sinto que ela está viva... Você me ajuda que eu te ajudo, está certo? Posso confiar em você?” – Perguntou, com um ar cansado. – “Com toda certeza.” — Falei, com o pé de cabra à minha direita. Caso ele fosse atirar. Felizmente, isso não aconteceu. O homem então ligou o carro e saiu da garagem, que tinha sua porta meio bamba e com um rastro de sangue. Estava jogada para o lado. Alguns metros depois de nos afastarmos de sua casa, bufou: “Ah, droga... A gasolina tá no final...” – Falei, olhando para o horizonte: “Há um posto à uns 15 km daqui. É só pegar aquele caminho ali.” – E apontei para uma estrada que, sem surpresas, tinha em seu asfalto mais rastros de destruição. Nos direcionamos então ao posto de gasolina... Mas, será que eu poderia mesmo confiar naquela pessoa que acabara de conhecer? Haveriam outros que não haviam sido infectados passando os mesmos problemas que havíamos passado?