Wasteland

3 A Torre De Rádio


Capítulo 3 — A Torre de Rádio

“Oi! Sim, sim! Estou ouvindo. Câmbio!” – Replicou Agatha, com uma fagulha de alegria — “Tem mais alguém aí com você?” – Ela tinha o semblante mais calmo. “Na verdade, sim. Mas quem que tá falando?” – Perguntou a voz do garoto, que aparentava seus 12 anos. – Agatha explicou que éramos sobreviventes, o menino falou da rota que estava. Ray afirmou que não era longe e que em 5 minutos chegaríamos ao lugar. Era perto de uma torre de rádio. Questionei, virando-me ao sobrevivente: “Mas... E Weston? Não é o nosso destino?” – Ray lembrou-se: “Ah... Sim, é verdade, Lucas.” – Agatha não se conformou. Segundo ela, não havia confirmação nenhuma de haver pessoas em Weston. Expliquei que as cidades pequenas eram mais seguras, pois as maiores seriam tomadas mais rápido. Por isso ir lá seria uma boa ideia. No que Ray concordou com um aceno com a cabeça, sem tirar os olhos da longa e deserta estrada. A sobrevivente explicou que a torre era um lugar bem mais perto, e que a garantia de mais pessoas seria maior. Depois de muito pensar, concordamos. O motorista, então, pegou um retorno pela estrada.

Nosso destino final seria a torre de rádio, não muito longe de onde estávamos. O dono da picape então pôs o pé no acelerador, desviando de algumas das criaturas que passavam pela estrada. Segundo ele, estavam todos mortos em sua consciência. Eu apenas queria uma resolução desse caos o mais rápido possível e que tudo voltasse à sua normalidade, mesmo que uma normalidade que flertava com o marasmo. Me perdi totalmente nestes pensamentos pois, parece que um segundo depois chegamos ao lugar. Agatha chamou-me, no que acordei para a realidade repentinamente.

“Vamos. Chegamos ao lugar.” – Ela complementou, com esperança. “Ah, sim. Obrigado.” – respondi, ainda com resquícios dos pensamentos anteriores. Quando pus a mão na maçaneta e me preparei para saltar, Ray pôs a mão em meu ombro, e disse com seriedade: “Me escuta, Lucas. Não solta desse pé de cabra! E isso vale para você também, Agatha! Não desgrude da escopeta, e eu fico com minha pistola aqui. Se tivermos sorte, eles não verão as armas que estão lá atrás na carroceria. Temos que nos garantir, vocês sabem...” – Concordamos com a afirmação. Saltamos lentamente do carro, e nos dirigimos à torre de rádio que tinha em torno de 4 pessoas em volta, um deles bem baixinho. Provavelmente o garoto. Este acenou para nós. Acenei de volta, e Agatha também o fez. Raymond, pelo contrário, não desgrudou de sua Desert Eagle, segurando-a com rigidez. A torre, que era escura, se localizava ao alto de um morrinho. E era a paisagem mais agradável que pus os olhos, desde toda a loucura ter se instalado. Me senti um pouco melhor. Após chegarmos, um homem com aparência séria e taciturna que parecia o líder deles veio e apertou nossa mão, nos apresentamos e ele apresentou cada um dos que ali estavam. “Sou Marty, e esses são Clara, Todd e Darko.” – apontando respectivamente para uma moça alta e esguia, um homem com uma barba por fazer e para o pequeno garoto, que em sua cabeça tinha um boné. Tão pequeno quanto ele era. – “Estão aqui há quanto tempo?” – questionei. Clara afirmou: “A alguns dias, tem sido uma rotina totalmente cansativa, não temos quase dormido direito nos preocupando em afastar aqueles caminhantes assustadores daqui.” – e Marty complementou: "Tem sido cada vez mais difícil achar suprimentos... As pessoas pegaram muita coisa desde o começo disso..." — Agatha concluiu, contemplando o horizonte: "Não tenho dúvidas disso..."

O menino disse-nos: "Não tinhamos recebido nenhuma mensagem no nosso rádio." — Isso até ele ter ouvido Agatha. O que os deu algum alento. Eles confiavam que o governo logo consertaria isso, e a torre seria um bom ponto para serem achados. Marty então pediu que déssemos nossas armas, Ray falou que aquilo não seria possível. Clara então foi avançando para cima de nós, e Todd a parou pondo a mão em seu ombro. Marty disse com um olhar frio e desafiador a Ray:– “Não, não, não Clara. Tudo bem... Vamos com calma. Eles são hóspedes... E se não quiserem. Está tudo bem...” — Soltando um sorriso cortês à nós. A torre se erguia magnífica por aquele sombrio ambiente apocalíptico, e poucos andarilhos realmente se aventuravam por perto daquele lugar. Por ser alto e estar entre árvores, sua caminhada era dificultada. Muitos inclusive desciam o morro abaixo, mas era sempre bom manter a distância em todos os quatro cantos, não importa a segurança que aquele lugar mostrava. E isso era uma coisa com que Marty sempre se preocupava. Logo após toda a cortesia, ele olhou por cima de nossos ombros com uma expressão raivosa. Nos viramos e, ao longe, um andarilho mancava em seus passos usuais e constantes. Marty pegou um rifle Valmet M88 que pendurava no ombro e mirou na criatura, acertando um violento tiro em sua cabeça. Aquela coisa caiu fortemente no chão de costas, jazendo no chão.

“Atirem na cabeça. Isso os mata rápido.” – Afirmou, enquanto carregava sua Sniper. “Ah, sim... Valeu pela dica.” – Ray respondeu; e olhou rapidamente para trás, vendo o andarilho deitado na grama. O sangue escorrendo de sua testa com um buraco penetrante de bala. Darko lembrou do que Todd disse sobre os mantimentos. E completou que iriam algumas horas mais tarde buscar suprimentos, e voltar à torre. Iriam Todd e Clara. Agatha se voluntariou à ir junto, e rapidamente decidi ir com ela. Deixaria Ray, Marty e Darko na torre para guardá-la. Depois de todos termos nos alimentado com o que nossos dois grupos haviam pego, partimos às 5 horas da tarde. O sol, porém, se erguia sem pressa de ir tão cedo. Antes de irmos, Ray veio à Agatha e a mim e avisou: "Os dois... Me escutem... Tenham muito cuidado lá fora. Voltem o quanto antes. Eu tento me garantir daqui..." — Agradecemos pelo aviso, e garantimos nossa volta... Entramos num bugre que eles mantinham perto da torre. Nós nos sentamos na parte de trás do veículo, e nos dirigimos à um mercadinho à alguns quilômetros de distância. Com Todd na direção e Clara no banco do passageiro. Depois de alguns minutos de viagem, Agatha chegou perto de mim e me perguntou baixinho: “Porque você aceitou vir logo depois que me voluntariei para ir?” – Respondi, aproveitando o alto som da tração do bugre para falar: “Olha, não sabemos o que eles dois podem tentar. Mesmo que pareçam confiáveis..." — E observei-os rapidamente — "Podem tentar qualquer coisa. Quem sabe? Temos que cuidar de nosso pequeno grupo.” – Ela pareceu entender minha motivação e agradeceu, voltando a olhar a paisagem. Quando chegamos ao estacionamento do lugar, havia dois caminhantes mancando perto da entrada. Falei que atacaria um deles, e levantei meu imponente pé de cabra ainda com minha mão enrolada no pano. Este, usei para garantir que qualquer sangue que espirrasse em meu pé de cabra não contaminasse minha mão. E manti minha mão de apoio longe para não infectá-la. Todd voluntariou-se para acertar o outro, pegando ao seu lado um taco de baseball. Nos direcionamos à entrada, onde bati fortemente uma vez com a arma na cabeça da coisa. Felizmente, este não hesitou em cair com força ao chão. O outro infectado virou-se, ao ver o ocorrido. E grunhiu, com raiva. Todd também marcou presença, acertando a criatura remanescente com igual força.

Após isso, fiz sinal para que Clara e Agatha viessem. “Ah... Que coisa nojenta.” – Afirmou Clara com uma careta enquanto passava pelos andarilhos. Agatha torceu o nariz para a cena. Todd lembrou: "É... Se acostume. Essa é a nossa realidade agora!" — E falou, enquanto me ajudava a tirar os entulhos da porta que bloqueavam o mercadinho, para não deixar o sangue dos caminhantes tocar os nossos pés. Pois seria tão mortal quanto sua mordida. Adentramos o mercadinho com extrema cautela. Fazia um escuro lá dentro e, se não fosse a luz do sol que ainda iluminava o lugar mesmo que pouco, teríamos nos perdido no interior. Peguei um carrinho de compras e joguei uma série de comidas e bebidas, além de pilhas para rádios e de brinde uma lanterna que se encontrava na parte de bazar. Todd expressou-se, mordendo uma maçã: “É... Devemos estar com sorte...” – E aproveitou para pegar bebidas que estavam nas geladeiras. “Sim... Estamos... Assim espero.” – Respondi, vagamente. Agatha e Clara miravam com duas pistolas no lado de fora, garantindo cobertura. “Vamos, caras. Eles podem chegar perto a qualquer instante” – gritou Agatha ao longe, sem desgrudar os olhos do horizonte. Falei que estávamos terminando, e, após pegar tudo que podíamos, levei o carrinho até o bugre. Enquanto as garotas e agora Todd ficavam a minha volta para que nenhum andarilho se aventurasse a tentar algo. “Olhem!” – apontou Clara de súbito a um caminhante que estava perto do bugre, “Todo seu...” – Disse Todd. Ela então mirou sua pistola na cabeça da criatura, acertando-a; caindo sem reação. Fomos bem rápido então ao bugre, onde descarreguei tudo, e todos os outros entraram no veículo.

“Ei! Já estão voltando? Câmbio!” – era Darko, que falava ao rádio, "Daqui a uns minutos!" Agatha respondeu. O sol já se despedia daquele dia fatídico... E a noite traria um número bem maior daquelas coisas. “Não! Não dará para irmos agora! Está escurecendo” – Lembrou Todd. – “Mas será perigoso ficar aqui!” – avisou Clara. Ele então replicou que era o único jeito, e que nos esconderíamos no mercadinho até que amanhecesse. Teríamos que revezar a guarda pela noite. Darko então questionou quando voltaríamos. Agatha respondeu ao rádio que chegaríamos ao amanhecer, e que não haveria motivo de preocupação. Afinal, tudo ficaria bem e voltaríamos em segurança... Será?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.