Notas iniciais
Decidi postar mesmo sem reviews, então... Aproveitem. x)

No dia seguinte, acordei cedo. Meu corpo doía, por causa da dura semana de trabalho que eu estava tendo, entre procurar hospitais disponíveis e manter minhas obrigações em dia. Mas estava tão feliz que nada mais importava. Vesti-me rapidamente e fui até o quarto da mamãe, que ainda não sabia da grande e boa notícia; plano meu, pois eu sabia que ela iria amar essa surpresa. Desci e fiz a melhor bandeja de café da manhã que eu pude, e fui até seu quarto. Encostando a porta devagar, pude vê-la em um sono leve e tranquilo. Então eu acariciei seus cabelos aos poucos, até que abrisse os olhos.

–Acorde, dona Cherie.

Ela sorriu para mim, e me olhou curiosa com o motivo de estar ali para acordá-la tão cedo. Sua expressão me perguntava o porque, então me apressei em explicar.

–Lembra do Joey? Joey Blacksmith, amigo seu de infância. Ele nos ligou e adivinha? É médico cirurgião do Cambria. Se disponibilizou a nos arranjar todo suporte que precisa. Vai ficar lá até melhorar, e tudo de graça.

–O Joey virou cirurgião...? – perguntou, com um sorriso ainda maior – Bom, mas... Filha, então... Isso quer dizer que terei meu tratamento gratuito?

–Isso mesmo. Então, você já se internará hoje. Tome seu café da manhã e me chame quando terminar, para que eu possa arrumá-la. – respondi levantando e parando à porta para olhar ela novamente – Mãe, dará tudo certo agora.

Só de ver o aquele sorriso iluminando o rosto dela, parecia que novas forças me vieram ao corpo. Recuperei-me de todo aquele estado depressivo em que me encontrava, sem nenhuma esperança. As coisas caminhavam para a direção certa, e eu iria dar o meu máximo, apenas para garantir que continuasse assim. Encontrei finalmente minha luz no fim do túnel.

Como eu já estava vestida, apenas iria preparar as coisas que minha mãe precisaria usar em seu tempo internada. Enchi a mala antiga e surrada que tínhamos no armário com suas roupas secas na lavanderia, e fui organizando em cima do sofá da melhor maneira que consegui. Voltei ao quarto e peguei mais coisas das suas gavetas, até quase esvaziar todas elas. Eu corria arfando de um lado a outro. Quando terminei de ajudá-la a se vestir, liguei para um táxi e finalmente estávamos eu, as malas e ela na calçada esperando. O carro de cor amarela chamativa chegou minutos depois e entramos ansiosas. Já havia visto o Cambria, é um hospital de grande porte e muito caro. Melhor tecnologia da nossa cidade, Jonneburg. Quartos amplos, cada paciente com direito a 2 enfermeiras; e um farto cardápio nas refeições. Seria um sonho, se no fim das contas, não fosse um hospital. Pensar nisso me deu arrepios... Mesmo com tanta coisa a oferecer, pessoas morrem as vezes. Tanta tecnologia e avanço nos métodos nem sempre salvam alguém. Como meu pai dizia, quando chega a hora, ninguém tem escolha. E eu infelizmente, tenho que viver com esse fantasma cada vez que olho para minha mãe e suas feições cansadas e pálidas.

Apertei a mão dela. Eu odeio pensar nisso, porque durante todos esses meses, me forcei a pensar que tudo vai dar certo. Mas quando me perco em reflexões, a ideia aparece. Senti sua mão magra e delicada estremecer ao longo do caminho, ao mesmo tempo deixando meu coração apertado. E assim que avistamos o enorme letreiro do hospital, que não ficava muito longe de nossa casa, percebi seu olhar indeciso. Como se perguntasse: “Será que mesmo com tudo isso, eu consigo?”. Tomei seu rosto entre as mãos.

–Mãe, seja forte. – sussurrei.

Ela sorriu e saímos do carro, sendo recebidas por um homem alto e de cabelos castanho claros, feições joviais e um queixo saliente e robusto. Mesmo assim, alguns fios brancos em sua barba mal feita denunciavam a idade. Ele usava uma camisa social branca, contrastando com sua calça preta e sapato social preto extremamente lustrado. Se aproximou, mãos nos bolsos e sorriso simpático.

–Cherie, você não cansa de ser tão linda. Nem a idade lhe combate. – disse, me fazendo reconhecer a voz grossa, rouca e firme.

Minha mãe se virou, um leve brilho nos olhos ao encarar o amigo. Pensando bem, quando deve ter sido a última vez que se encontraram? Também sorrindo, ela respondeu com um abraço leve. Ele teve todo o cuidado de pegá-la com delicadeza.

–Joey, quem diria que você tem a minha idade? Está feito um garoto! – falou ela ainda em seus braços.

–Aprendi a manter uma boa pele, só isso, Chey.

Depois de toda a recepção, onde ele veio guiando ela devagar com um enfermeiro e as malas, foi contando o que sabia do rumo de seus antigos amigos do colégio até chegamos ao quarto. Ficava ao fim do corredor, de frente a toda sua extensão. Alguns daqueles quartos estavam vazios e outros, de porta fechada com fichas penduradas. Tudo era muito organizado e limpo, bem iluminado e ventilado. As enfermeiras, os médicos e até mesmo os pacientes sorriam. Parecia que ali dentro não havia espaço para tristeza. E o quarto da minha querida mãe era perfeito. Com vários equipamentos, mais do que até em outros que passamos no caminho. Eu não entendia, mas parecia ter tudo que ela precisava. Joey nos contou que ele mesmo organizou para atendimento exclusivo. Viria 5 vezes ao dia para checá-la e daria instruções específicas as duas enfermeiras do leito, escolhidas e recomendadas a dedo. Assim, guardei suas malas num armário ao lado do banheiro e esperei ela terminar de se vestir para deitar e ser colocada no soro. Nesse meio tempo, fui pegar um café, pois havia saído sem comer nada e meu estômago reclamava em alto e bom som. Parei no balcão ao fim do corredor e me dirigi ao Joey, agora usando seu jaleco e anotando algumas coisas numa prancheta.

–Doutor, será que poderia me dizer onde tem uma lanchonete?

–Primeira entrada a esquerda, seguindo em frente. – falou, sorrindo para mim.

Agradeci sorrindo de volta e corri até a entrada. Sentei-me para pedir uma xícara de café, e comecei a olhar todos em volta. Médicos sentados nas grandes mesas conversando sobre pacientes; alguns destes com uma enfermeira e o seu soro ao lado, comendo e também conversando. Mas percebi que estava sendo observada desde que entrei e sentei na mesa vazia ao canto. E era uma garota de longos cabelos pretos, de aparência saudável, e feições delicadas. Só percebi que era uma paciente por causa da enfermeira ruiva ao lado, e seu soro. E então decidi fita-la, pra ver melhor. Apenas sei que... Me perdi no verde do seus olhos. Foi a primeira vez que eu vi Lyra Ablaze.


Notas finais
Fiz umas alterações no texto, pois estava cheio de erros... Se caso tiverem críticas, sugestões, ou avistarem algo fora do lugar, pode dizer. :D