Was Once Two Hearts
10 Tomás
Notas iniciais
Fomos caminhando de volta a vendida do Sr. Carlos. Tomás apenas me observava comer as castanhas, eu as saboreava e mastigava olhando para o saco.
- Você mora aqui perto? — me perguntou, enquanto descíamos a rua.
- Aham — respondi de boca cheia, olhei pra ele e ele sorria. Era tão agradável vê-lo sorrir. Me estimulava a sorrir também.
- Você é novo aqui? Nunca te vi.
- Acabei de me mudar.
- Ah, veio de onde?
- Minas. — bem que eu reparei um sotaque diferente. Mas não quis falar nada.
- E o que veio fazer aqui? — não controlei minha curiosidade, queria saber de tudo sobre ele.
- Minha mãe.
- Ela mora aqui?
- Ela faleceu. — eu parei. Eu e minha boca, droga.
- Eu.. Sinto muito Tomás.
- Tudo bem. — o resto do caminho andamos em silencio.
Chegamos a vendinha do Sr. Carlos e eu já ia me despedindo quando Tomás segurou meu braço, me fazendo voltar.
- Vou te ver de novo?
- Acho que sim. — sorri e fui embora.
Quando cheguei em casa fui direto para o banheiro. Vomitei toda a castanha que havia comido.
- Poxa bebê, você não queria? — falei limpando minha boca. Acariciei minha barriga e fui me deitar, estava cansada, com dor nas costas de tanto que andei.
***
- Anya! — chamou minha mãe. Fui olhar o relógio 7:00. Tinha colégio. Para mim, ir ao colégio estava sendo insuportável, eu chegava e era o centro das atenções, todos me olhavam com pena, ou com repulsa. Os garotos não se aproximavam de mim, afinal quem iria querer namorar uma garota grávida? E as meninas, bom eu fui considerada uma má influencia.
— Tô indo mãe — falei, indo para o banho.
Me arrumei, coloquei minha sapatilha, que sempre ponho para não escorregar, minha calça com elástico, a blusa do colégio e um casaco para esconder um pouco a barriga, não gostava quando ficavam encarando minha barriga, era meu bebê e isso me enfurecia.
Tomei meu café e fui caminhando devagar até o colégio, estava cedo, então não precisei correr. Estava na esquina quando vejo um rosto conhecido sorrindo para mim.
- Oi — falou com animação Tomás.
- Oi
- Vejo que nos encontramos de novo.
- É, eu não falei. — ele sorriu.
- Então, você estuda aqui.
- Sim, você vai estudar aqui. — afirmei e ele assentiu.
- Vamos?
- Aham — entramos no colégio juntos.
Todos os olhares como sempre focaram em mim, Tomás percebeu e passou o braço por cima de meus ombros, o olhei confusa mas deixei. Chegamos em minha sala.
- Sua sala é essa?
- É sim — falei olhando em volta.
- Então vamos entrar.
- Você é da minha sala?
- Sim, estou no mesmo ano que você, e minha aula agora é... — viu seus horários e completou — Historia.
Assenti e entrei na sala, me sentei no fundão. Ele veio atrás de mim, mas sentou-se na frente. Me olhou e me chamou para sentar ao seu lado. Neguei.
- Ei, você tem que prestar atenção na aula, e na frente é mais fácil.
- Eu não sento mais na frente.
- Por que?
- Por que estou grávida. — falei e apontei pra minha barriga.
- E daí? — ele pegou minha bolsa e a pôs na carteira ao seu lado.
- Não Tomás, não vou me sentar na frente. — falei firme.
- Olha aqui Anya, eu vi como as pessoas te olharam e você não pode deixarelas te intimidarem, você está grávida e não com uma doença contagiosa, tem tantos direitos quanto essas pessoas. — falou segurando minha bolsa e me olhando nos olhos.
Assenti e me sentei ao seu lado. Quanto mais pessoas entravam na sala, mais olhares e cochichos eu via e ouvia, fui me sentindo pequena e envergonhada, eu não gostava que me olhassem, não gostava de ser o centro das atenções. Minha respiração foi aumentando, meu coração batia desregulado, minhas pernas tremiam, meus olhos se enchiam de água. Era como se o mundo apontasse pra mim, o professor chegou eu não agüentava mais, peguei minha bolsa e sai da sala. Pude ouvir Tomás chamar meu nome mas nem liguei, só queria sumir dali.
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