Was Angel

3 Capítulo III — Discos de vinil


Notas iniciais
Olá, pessoas!
Cá estou com mais um capítulo dessa história esquisita, então não vou enrolar muito aqui em cima. Hope you enjoy it!

“Não foi causado tanto estrago. Não pense que acabou, ainda tenho o seu segredo. – A.S.”

Foram as poucas palavras escritas por Angel em um pequeno pedaço de papel amarelo que deixara sobre o balcão do consultório do dr. Stryder junto à chave naquele dia mais cedo.

Era verdade, ela não havia causado tanto estrago. Talvez alguns arranhões, mas isso era irrelevante. Ou... quase. Pelo menos o carro ainda estava inteiro.

Ela precisava de um pouco de música. Depois daquele dia quase divertido, dirigindo um carro pela cidade, sem carteira nem acompanhante, um bom disco de vinil tocando na vitrola antiga na sala de estar era melancolicamente reconfortante. Uma distração para que sua imaginação não vagasse novamente à sala trancada...

Havia uma velha loja de discos no final da rua onde o apartamento dela ficava. Um sininho de vidro empoeirado tocou levemente quando Angel adentrou o local.

O cheiro de papelão velho e canela que preenchia o local por inteiro era suave e agradável. O lugar tinha um jeito antiquado, como se fosse uma relíquia com grandes estantes que preenchiam o local etiquetados com plaquinhas do tipo “anos 80”, “blues”, “country” e “punk”.

Angel inspirou o aroma familiar, fechando a porta e caminhou diretamente até a seção de rock antigo. Ficava na parte de trás da loja, escondida por pilhas de outros CDs. Não era a maior seção da loja, mas havia uma considerável quantidade de discos de vinil empilhados e organizados.

Ela moveu os dedos pelas capas de papelão que envolvia os vinis. Aquela textura porosa e velha lhe era recompensadora. Ela poderia ficar o dia inteiro ali, dedilhando os CDs e absorvendo a estranha energia esotérica que eles possuíam. Contudo, não dispunha de tanto tempo disponível.

Ela correu os olhos pela estante procurando pelo motivo que a fizera ir até ali em um final de dia tão monótono. O raro vinil do Pink Floyd estava com a capa um pouco amassada entre outros CDs de outras bandas que ela sequer ouvira falar.

Angel apertou o disco contra o peito e procurou pela estante por mais vinis bons, como um garimpeiro procura por preciosidades no rio. Ao final de uma dura análise de cinco minutos e meio, ela decidiu que não encontraria nada mais valioso que Pink Floyd, então dirigiu-se ao caixa.

O dono da loja, o Sr. Burns, que tinha cabelos tão brancos quanto a neve que dali a pouco tempo viria a aparecer, cumprimentou Angel com um sorriso quando ela colocou o disco sobre o balcão de madeira.

– Boa tarde, criança! – ele disse, olhando para Angel por detrás dos óculos de grau – Está mais linda a cada dia!

Angel não sorriu.

– Obrigada.

Burns pegou o vinil e o avaliou com os dedos finos enrugados e expressão séria. Colocou-o de volta ao balcão.

– Vinte e quatro dólares e cinquenta cents. – ele deu o preço, finalmente, sorrindo de novo – Mas para você faço por vinte e quatro dólares apenas.

Angel curvou os lábios um pouco no que deveria ser um pequeno sorriso e colocou o dinheiro sobre o balcão.

– É uma ótima barganha. – comentou, pegando o cd de volta – Até mais, Burns.

Ele sorriu.

– Até logo, criança.

Angel acenou com a cabeça e foi em direção à porta. Estava absorta demais admirando a capa de papelão meio amassada, mas conservada que não percebeu o garoto que adentrava a loja no momento em que estava saindo. Só quando ambos toparam que ela levantou os olhos para o garoto.

A primeira coisa que reparara quando toparam era o visual nerd dele. Vestia uma calça jeans simples com tênis, mas a camisa oficial do Homem de Ferro e os óculos eram notavelmente chamativos. Além dos cabelos escuros e nariz arrebitado, ele era somente alguns centímetros mais alto que Angel. Ela franziu os lábios.

– Olhe para frente, seus olhos estão no seu rosto por algum motivo.

O garoto ergueu as mãos.

– Desculpe-me. – ele respondeu dando a volta por ela, afastando-se da porta – Não era eu que estava olhando a capa de um vinil.

Angel franziu as sobrancelhas e não lhe deu uma resposta. Ela abriu a porta e deixou a loja.

Era normal que Angel achasse que nunca mais fosse voltar a ver o garoto da camisa oficial do Homem de Ferro novamente depois do esbarrão na loja, mas ele provavelmente não pensava a mesma coisa.

O único barulho que perturbava seus ouvidos era dos seus tênis esmagando as pedrinhas de asfalto e concreto contra o chão da calçada e de um senhor gritando vendendo cachorros quentes do outro lado da rua.

Enquanto caminhava lentamente, pé ante pé na calçada, infantil e distraidamente, pulando as linhas pretas que dividiam os blocos de concreto da calçada, outro som invadiu seus ouvidos.

– Ei! Ei, menina!

Tardiamente, Angel percebeu que os gritos eram dirigidos para ela. Franziu as sobrancelhas e virou a cabeça para trás, quase pisando sobre uma das linhas que tentava pular. Era o garoto da camisa do Homem de Ferro que vinha correndo até ela.

– O que você quer?

Ele parou diante dela. Parecia ter corrido uma boa distância para alcançá-la já que Angel estava quase perto de casa agora, mas não estava ofegante.

– O seu CD.

Angel olhou para ele com as sobrancelhas arqueadas e abraçou o disco contra o peito.

– Por quê?

– Ele estava reservado para mim.

Angel deu um passo para trás, pisando na linha sem querer.

– E? É meu agora.

– O cara disse que se enganou, ele tinha esquecido que tinha reservado ele. – os olhos do garoto, tão escuros quanto seus cabelos, vagaram até a capa do disco – Eu pago.

Angel não se moveu.

– Não.

– Ah, por favor, moça...

– Já disse que não! – Angel pontuou fortemente e deu as costas ao garoto, voltando à caminhada.

O garoto a seguiu.

– Sabe, não vou desistir desse disco tão facilmente.

Angel não lhe dirigiu o olhar e apertou o passo. Ele a alcançou rapidamente.

– Então morra esperando.

– Isso não é muito educado.

– Talvez eu não seja muito educada.

O garoto não reagiu.

– Você poderia me emprestar... sabe, só por um dia.

Angel parou de andar, um pouco incrédula. Fixou seus olhos azuis no garoto, não expressando nada.

– Eu não conheço você.

Ele lhe dirigiu um sorriso torto de dentes muito brancos e visivelmente consertados com aparelho ortodôntico e virou-se para ela, estendendo a mão.

– Matthew. Matthew di Lucca.

Ela não se moveu.

– E daí?

– É nessa hora que você costuma dizer o seu nome.

– E se eu não quiser?

Matthew abaixou a mão.

– Então terei que arrancar de você de algum modo.

Angel lhe olhou nos olhos penetrantemente, como costumava fazer, mas Matthew não parecia intimidado. Pelo contrário, parecia divertido.

– Não tentaria fazer isso se fosse você.

– Por quê?

Ele cruzou os braços na frente do corpo, com um sorriso divertido no rosto e um irritante ar de superioridade.

Porque posso estrangulá-lo até o ar se esvair de seus pulmões aqui mesmo, ela pensou friamente, mas nada disse. Ao invés disso, deu as costas mais uma vez e continuou caminhando.

– Não me siga. – disse em tom exigente quando ouviu os passos do garoto se aproximarem.

– Então me diga o seu nome.

Mais uma vez, ela parou. Matthew parou a sua frente.

– Angel.

– Angel...

– Angel – repetiu.

– Belo nome. Posso chamá-la de Angie?

– Não. – ela disse curta e fria – Angel.

Matthew encolheu os ombros.

– Não quis ofendê-la.

– Ninguém me ofende. – ela recomeçou a andar e Matthew veio atrás – Agora, pare de me seguir.

Ele não parou.

– Você é difícil, não é, Angel?

– Então talvez devesse parar.

– Você nunca consegue ser educada?

Angel não olhou para ele.

– Não.

– Essa é a única palavra que você conhece? Não?

Angel hesitou.

– Não.

Matthew riu.

– Então já que nos conhecemos, talvez você possa...

– Não. Nós não nos conhecemos. Eu não vou te emprestar o meu cd. – ela disse frívola e pausadamente – E se você me seguir até a minha casa, farei questão de que algo muito pesado caia em cima de você qualquer dia desses. – quando o fantasma de um sorriso ia se formando em seus lábios, Angel acrescentou: – E eu não estou brincando. Não me faça provar. Agora, saia da minha frente.

Ela prosseguiu a caminhada, mas dessa vez, Matthew não a seguiu.

Notas finais
Pode ter ficado meio sem noção, maaaaaaas...
Então, gostaram? Não gostaram? Por favor, comentem aqui e, se puderem ou quiserem, deem uma passadinha no tumblr, dar um "hello" na ask não faz mal né? Haha.
Beijo e até o próximo capítulo ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.