Era a ideia mais absurda que eu vi na vida. O plano era simplesmente entrar pela porta da frente. Estávamos na cafeteria ainda, esperando o comércio fechar. Eu havia esquecido da romana que estava na mesa. Não me saia da mente aquela garçonete. Era linda, eu a seguia com o olhar, discretamente, e as vezes chegava em meu alvo, seus olhos azuis escuros, e ela dava um sorrisinho de leve, as vezes dava um tchauzinho. Mas sempre voltava a atenção a mesa, para ver o que estava fazendo.

— Bom, eu não concordo em fazer assim. Você devia ter experiência – Diz o japonês com a faca passando entre seus dedos.

— Só porque sou negro senhor Yamamoto? – diz Adwale grosso, o que faz Takashi se encolher um pouco, quase caindo no chão para pedir súplica, mas Katherinne dá seu comentário.

— Eu acho que devíamos nos dividir. Eu, Ed e Kris e o olho puxando.– ela diz com um sorriso sapeca no rosto, que fez eu e Takashi se levantar, mas Adwale se levanta também.

— Então será assim mesmo – ele diz forçando a gente a se sentar.

— Ótimo – murmura eu e Takashi quase ao mesmo tempo.

Quando tudo estava fechando, os últimos funcionários estavam saindo das lojas, estávamos todos camuflados em algum lugar. Eu e Adwale estavamos em vantagem, pois nossos mantos a noite são quase invisíveis. Eu estava nos fundos da cafeteria, e quando ia avançar um pouco a ruiva estava saindo pela porta dos fundos e quase nos esbarramos.

— Oi – digo com o olho um pouco arregalado, pois era ótima a surpresa, mas colocaria risco na abordagem.

—Oi – diz ela sorrindo timidamente e abaixando um pouco a cabeça colocando uns fios de cabelo atrás da orelha e volta e meia colocava de volta algum fio ou ajeitava atrás da orelha. – você é o menino que estava na mesa que estava dormindo né – ela diz num risinho baixo, corando de leve. Sua voz era doce e melódica, mas era um pouco mais baixa. Pelo visto era um pouco tímida.

— Ah, sim – rio sem jeito, tirando o capuz, olhando pra rua para ver se tinha alguém da equipe. – Sou Oliver, prazer – estendo a mão sem jeito tentando não olhar em seus olhos.

— Sou Arya – ela diz sorrindo, estendendo a mão e apertando rapidamente a minha e depois me olha – hã, o que o senhor... – interrompo ela sorrindo torto.

— senhor não, a gente é quase da mesma idade. Pode me chamar de olie – digo vendo uma sombra e olho rapidamente pra cima e vejo Takashi me olhando de um jeito que dizia “anda logo cara, estamos atrasados”.

— Tá, então... o que fazia aqui nos fundos olie? – ela dizia curiosa me olhando e analisando.

— Eu... estava esperando você aparecer – eu sou péssimo em mentir, mas pelo jeito funcionou, pois seu rosto ficou quase da cor de seu cabelo. – e pedir seu número, ou alguma coisa pra te mandar um convite para dar uma volta quem sabe – digo sorrindo, corando um pouco e ela quase caiu dura de tanta vergonha.

— ah sim, claro, bom... – ela pega um papelzinho e escreve- aqui está meu número e endereço- ela diz em um sorriso forçado me olhando.

— Bom, até mais – digo sorrindo, colocando meu capuz e viro rapidamente para a rua, correndo para a frente da cafeteria e pulo no letreiro, subindo na junto a Takashi. Como eu consegui chamar aquela garota incrível para sair?

— valeu Romeu, estamos dois minutos atrasados – Takashi diz colocando sua bala clava e eu enterrando mais o capuz em meu rosto.

Na rua dava de ver o trio ridículo atravessando a rua indo a porta da entrada da loja de armas. Era uma arquitetura simples, era uma loja de paredes pretas com marcas dos tijolos, um estilo estranho e seu telhado era azul, o que deixava a loja com menos cara de vendedora de armas. Eu e o japonês subimos no poste de luz e pegamos umas cordas e começamos a fazer uma mini tirolesa até o poste próximo a loja. Saltamos do poste ao telhado. Deu para ouvir maçaneta se abrindo, pelo jeito o trio abriu a porta. Eu e o japonês começamos a nos apressar. Fomos aos fundos, procurar um gerador e abrimos facilmente. Olhamos todos os fios e alavancas e achamos o que queríamos, o gerador. Desligamos tudo, ficamos em silêncio por alguns minutos e sorrimos um para o outro e subimos o telhado de novo, escalando a parede, já que com brechas dos tijolos na parede facilitava a escalada.

Quando entramos na loja eu meu queixo quase foi ao meu pé. Era muitas armas, de diversos tipos.

Pego uma lanterna e dou para minha dupla e adentramos na loja. Cada estante era um arma diferente, com mais força ou mais alcance ou os dois juntos.

Estava indo em direção as armas brancas quando escuto um barulho estranho, me viro e vejo nada. Parecia até um filme de terror, tudo estava lindo para isso: lugar escuro, armas para todos os cantos, uma lanterna e procurando a morte. Seria um filme legal, se a gente não fosse os atores.

No momento que eu ia ao encontro de Adwale um vulto passa pela porta, que me faz pegar minha katana.

— Não estamos sozinhos- digo para ed.

— Está suspeitando também? – ele diz me olhando e confirmo com a cabeça.

Quando íamos dar mais um passo, uma faca de arremesso passa rente a minha orelha, atravessando o capuz.

— Vocês não são espíritos – era uma voz baixa. Eu e o negro nos colocamos um de costas para o outro em modo de combate, eu segurando firme a katana e ele puxando sua espada. – mas são piores que isso – diz a voz um pouco mais firme. Os outros da nossa equipe chegam ao nosso encontro e kristen estava nas mãos com uma escopeta e na outra um machadinho. Takashi estava sem arma nenhuma e Katherinne tinha em sua cintura duas roletas russas e em mãos uma desert eagle.

— são uns tolos – ouvia-se passos vindos da direção do caixa.

— Falei para a gente não vir, loja de armas tem armas, são perigosas – diz Takashi pegando em uma prateleira um bastão de alpinista.

— Por que a gente não sai logo? – Falo serrando os dentes e sussurrando para Adwale.

— Porque esse é nosso primeiro dos vários desafios como equipe – ele diz calmo.

— deu de charadas imbecil – digo um pouco alto batendo minhas costas nas suas.

Então no corredor aparece um volto um pouco alto, quase da altura de Adwale. Tinha um peito firme e ombros um pouco largo e segurava nas mãos uma espada que parecia de estilo medieval.

— cinco pessoas juntas que se odeiam. Antigamente havia um ditado, o amigo do meu inimigo é meu amigo, não? – diz o rapaz. Sua voz era calma, dando a aparecer que era uma pessoa calma. – foi uma boa jogada sacerdote. Aonde pensa chegar com isso? – ele diz girando a espada, que me faz dar um passo a frente – com uma cria do chaos? Por causa dele você quer entrar nesse jogo novamente?

— É só ver para crer. – o negro diz.

— Tolos – ele diz segurando a espada em modo de ataque, vindo em nossas direções.

Provavelmente seria o dia em que essa equipe trabalharia em equipe mesmo, pois essa luta significava alguma coisa, o que não sabia, mas com certeza mudaria o rumo das coisas.