O sangue do grandalhão escorria na areia.

Olho para os lados, ainda desnorteado, fazendo-me ir aos tropeços até onde estava Adwale e Trevor.O anjo sangrava muito, aquele ferimento foi feio. Adwale sangrava devido a um corte no supercílio e arranhões nas costas.

Quando chego perto, Adwale tirava da mochila algumas plantas e poções,para melhorar um pouco aquele machucado.

—Ele vai ficar bem? — digo me sentando ao lado deles.

—Rapaz, já tive ferimentos piores que esse.- Trevor diz tentando dar uma risada, mas ele dá uma leve gemida de dor.

— Melhor calar a boca Trevor, pra polpar energias.-Adwale pega o whiskey da mochila do anjo e despeja um pouco na barriga dele, fazendo-o tremer um pouco e dar um soco de surpresa em meus testículos. Nossa, mas aquilo dói cara.

— Desculpa, foi instinto.- Diz Trevor, vendo que eu estava com uma careta de dor, com uma mão onde ele socou.

— É, faz parte.- digo com um sorriso forçado.

Depois de alguns muitos minutos, gemidas, palavras de encantamento e muito whiskey e ervinhas, Adwale consegue estancar o sangue, mas o ferimento ainda era feio.

— Toma.- Ed me entrega a gaze e levanta um pouco o corpo de Trevor, então enrolo a faixa em seu abdômen. — É, acho que agora está bom. Quando chegarmos em alguma cidade, vamos para um hospital.

— Beleza.- digo amarrando a faixa para que pudesse ficar bem presa em seu abdômen.

— Bonita roupa. — Adwale diz com um sorriso fraco.

— Hã? — Olho para minha roupa, para ver o que tinha de tão diferente. Meu sobretudo branco havia alongado um pouco, encostando em meu calcanhar, mas ainda sim estava mais leve e o capuz estava mais pontudo e um pouco mais largo. Vestia uma blusa que era um tecido leve e fino, de coloração mais escura e uma calça que parecia uma jeans, mas era mais macia e mais folgada em meu corpo. Meus pés estavam calçados por botas militares com cano mediano. Levantei um pouco, então senti algo em meu pescoço. Havia ali uma bandana preta, e em minhas mãos estavam envoltas em em bandagens pretas de luta.

— Bela espada. — Diz Trevor sendo levantado com a ajuda de Adwale.

— Katana. — digo pegando Trevor pelo outro ombro.

— Temos que ir com os outros. — Trevor diz olhando para o corpo do grandalhão partido em dois.

— Primeiro vamos curar suas feridas. — Digo o olhando sério.

— Não, ele tem razão Olie, temos que ir com os outros, para ver como eles estão e levar ele para um hospital.- Adwale me olha.

— Tudo bem, vamos. — digo revirando os olhos.

Nós dois pegamos Trevor mais firmemente e começamos a andar pelo deserto, exaustos, feridos. Trevor mancava, dando suspiros e tentando reprimir seus gemidos de dor, Adwale resmungava de dor, e eu... Bem, estava cansado, mas aos poucos estava mais descansado.

— Não tem como você nos teletransportar até onde eles estão? — Diz Adwale quebrando um pouco aquele clima tenso e silencioso.

— Bom, depende.

— De que?

— Da distância que falta...

— Como assim? — ele ergue uma sobrancelha.

— Significa... Ah, quantos quilômetros faltam, desgraça.

— Alguns.

— Seja exato.- Digo parando bruscamente, fazendo Trevor dar um suspiro longo e engolindo em seco.

— Uns sessenta! — Ele exclama sem paciência.

Penso um pouco, não era uma distância tão absurda, mas no meu estado de cansaço e ainda levar mais dois comigo...

— Se segurem. — Digo fechando os olhos, me concentrando um pouco para fazer o "Teletransporte".

— Em que? — Trevor diz

— Em mim né, amigo. — Digo murmurando, franzindo o cenho.

Adwale pelo visto soltou Trevor, pois ele ficou mais pesado e sinto uma mão em meu outro ombro.

— Melhor fecharem os olhos.- Digo abrindo os meus e seguro os dois mais firme, e uma luz branca toma conta do lugar.

Parecia que estávamos correndo parados, mas muito rápido. Dava para sentir o vento batendo em meu rosto. Olho para os lados, procurando os dois, mas eles tinham sumido, mas eu sentia suas mãos em mim e o peso do corpo de Trevor.

Passaram-se dez minutos, para que enfim nós destruíssemos uma pequena tenda.

— Você ficou maluco?! — Grita Trevor de dor, que por sorte caiu na tenda vizinha, amortecendo o impacto.

— Desculpa. — Tiro fios de palha de minha cabeça, procurando Adwale, que estava no meio de vários destroços de cerâmica.

— Vamos, me sigam. — O negro fala irritado, indo até a tenda de Trevor e o ajudando a descer. Como sou um bom amigo, pego dos destroços uma vara, para que servisse de bengala para ele.

— Muito obrigado, Oliver. — Diz Trevor bufando, tirando com força de minha mão a vara. — Ainda bem que estava prestando atenção no seu caminho para saltar no momento certo, se não... Tens que treinar mais isso, filho.

— Desculpa, pai, mas é a primeira vez que faço com outras pessoas. — Digo olhando uma família de negros nos olhando espantados.

— Vamos, logo. — Adwale toma a frente, ajudando Trevor a caminhar, e sigo atrás, tentando expressar perdão para os donos daquele lugar que destruímos sem querer.

Depois de caminhar um pouco naquela cidade meio deserta, chegamos em um aeroclube, com apenas quatro hangares, mas uma pista enorme, como a de um aeroporto.

— De vez em quando, vem carregamentos para essa cidade. — Adwale explica. — E de vez em quando, eu ajudo. Por isso tenho aquele avião.

Quando chegamos perto do hangar do meio, ouve-se gritos e barulho de choque de espadas.

— Merda. — digo começando a correr para lá.

Quando chego perto, escuto uma risada, que me deu um arrepio na espinha.

— Ora, ora, ora... — A voz era meio risonha, provocativa. quando passo pelos portões do hangar, sinto meu poder começar a diminuir, como se uma pressão enorme estava sendo colocada em meu corpo para baixo.

— Veja quem o gato trouxe para...mim. — Vejo a silhueta de um homem, segurando um outro corpo pelos cabelos longos.

Quando tento olhar melhor o sujeito, pois estava tudo escuro, uma luz forte surge em cima dele, revelando um homem alto, aparentando ter um metro e oitenta centímetros, de corpo magro. Ele utilizava uma máscara de metal bem amassada, com o olho direito bem aberto e o direto meio fechado, onde era a boca da máscara havia riscos formando um "v", parecendo que a máscara sorria. seus cabelos eram bagunçados, liso e pontudos, batendo no ombro. Nos olhos da máscara percebia-se um alto brilho amarelo. O sujeito vestia uma camisa xadrez vermelha e preta, vestindo por cima um blazer preto e fino, uma calça jeans preta e sapatenis preto.

Quem era esse cara?

Mas isso deixou de ser importante, quando vejo que ele segurava Kristen pelos cabelos em sua mão esquerda, ela estava inconsciente, com cortes em seu rosto e braços. Takashi tinha um corte feio em suas costas, mas tentava ajudar Kath, que estava caída, com as mãos em sua perna direita que estava sangrando. Procuro mais um pouco e acho quem eu estava mais preocupado no momento. Arya estava perto do avião, chorando baixinho, encolhida e com a mão em seu rosto. Ele tinha batido nela...

Quando o sujeito percebe que eu estava olhando para Arya, ele joga Kris para o lado, deitando um pouco a cabeça para o ombro direito e estica o braço, me chamando com o dedo como uma provocação, mas quando vou puxar minha katana, Adwale aparece em minha frente, estralando os dedos e correndo até ele, indo socá-lo, mas o sujeito só vai um pouco para o lado, desviando do soco e dá um chute no estômago no negro, dando para ouvir um grande estouro, mas o mascarado não parou, deu um cruzado no rapaz e abaixou um pouco o corpo, para realizar um uppercut em seu queixo, fazendo-o cair em uma pilha de caixas.

— Espero que não goste de seu pescoço, amigo. — Ele coloca o pé no pescoço de Adwale. — Porque eu ire...

escuto um barulho de tiro em meu lado, então me abaixo um pouco, por reflexo e vejo uma bala cravar na máscara do sujeito, fazendo o mesmo olhar para o anjo, com desgosto, então sem fazer um simples movimento, um piscar de olhos, nada, Trevor é jogado longe, como se algo tivesse o empurrado forte.

— Você mais que ninguém aqui, deveria saber que tiros não funcionam comigo, capitão! — O anjo dá gemidas de dor, tentando sentar, com dificuldade. — E além do mais, você está todo acabado, não merece minha atenção. — Ele tira a bala de sua máscara e joga em Trevor, fazendo a mesma fincar em seu ombro, como se tivesse acabado de levar um tiro.

— Trevor! — Escuto Kath Gritar. A cena era perturbadora, meus amigos todos feridos, como se eu estivesse naquele maldito sonho. Não, aquilo não vai acontecer.

— Mas você, meu amiguinho, vou ter o prazer de te dar uma surra. — Ele diz estralando o pescoço em uma risada sombria.

— Pode vir!