Warrior

2 Um bastardo na escuridão


Notas iniciais
Desculpem a demora ;w; Mas ta ai, capitulo e personagens novos!! Boa leitura

Adden se encontrava perturbada de tal modo que mal prestava atenção à reunião.
“... Um exército de mortos!"
As palavras dançavam em sua mente, enquanto matutava uma forma de coloca-las garganta a fora. Também pensava em esquecê-las, mas eram importantes demais; um detalhe em especial se sobressaía: ela havia acertado quanto ao fato de ser um exercito fantasma.
–Adden! — ouviu a voz de Lilian, virando-se surpresa para sua fonte — Por acaso você escutou alguma coisa do que eu disse?
–Claro que... Não, não ouvi.
Ouviu um baque forte e sentiu a mesa tremer.
–Preste atenção, desgraçada! — Minory, a autora do soco e grito, abandonara toda a sua classe na porta da sala de reuniões — Não vê que estamos em uma situação delicada?!
Por mais que fosse a única a se pronunciar, muitos naquela mesa compartilhavam de sua opinião. Isso era perceptível pelos olhares direcionados para a cabeceira da longa madeira retangular.
A loira sentada logo ao lado da Srta. nervosinha se pronunciou.
–Acalme-se, Minory — olhou para Adden de forma reprovadora — Tu és nossa líder, deve prestar atenção ao que acontece a sua volta. Então se endireite nessa maldita cadeira e ouça ao que estamos dizendo.
Sentindo a face quente de raiva, mas sem representar nenhum sentimento, a líder corrigiu sua postura, olhando para Lilian.
–Enfim, perdoe-me — suspirou — Qual era o assunto?
Os olhos azuis observaram-na sérios.
–Diga-me outro motivo que não a volta de Anmi — a clara ironia em sua voz abafou um ou outro risinho ao longo da mesa.
–Talvez... — uma mulher de curtas madeixas negras e olhos tão negros quanto, espalhou sua voz pelo recinto -... A falta de recrutas. Esse é próximo assunto da palta — um sorriso brincou nos lábios bem moldados em um berrante batom vermelho.
Um riso debochado despachou-se da boca de um homem alto sentado em certa parte da mesa.
–Desviamos totalmente do assunto — um sorriso doentio se formou em sua face — vocês têm consciência disso?
Da cabeceira oposta, ouve-se um suspiro. A voz melodiosa não antes pronunciada mostra-se como uma das mais potentes naquele meio.
–Poderíamos, por favor, voltar ao assunto Anmi? — seu tom, algo perdido entre o sensual e o sério, preenchia a cabeça de todos ali presentes, fazendo com que prestassem total atenção em si — Adden, vou recapitular o que você perdeu — apoiou os cotovelos na mesa e o queixo nas mãos cruzadas — Discutíamos o poder desse exército, quanto de armamento poderiam ter — fez uma pausa, lançando um olhar secreto à companheira — e, se por algum motivo, nossa querida batedora estivesse escondendo algo deste conselho.
As vistas douradas do outro lado responderam à esmeralda. Com um tom mais pesado que o antes dirigido a todos ou alguns, dizia:
–Devemos nos preparar para o pior. Treinaremos quantos pirralhos pudermos, e, como definitivamente será necessário, iremos ao recrutamento. Quanto à desconfiança em nossa brava batedora – seu olhar passeou por todos na mesa -, não acho que seja relevante.
– Tem certeza? – Minory, a autora de tal pergunta, encarava com olhos incertos a líder – Quando conversamos ela parecia...
– Chega! – antes que pudesse terminar sua fala, Adden a interrompeu – Sei do que estou falando, a garota não esconde nada.
–Deixando esse assunto de lado, como decidiremos quem vai e quem fica? — perguntou um homem de madeixas negras sentado no lado esquerdo.
–Da mesma forma de sempre — riu antes de continuar -, sortearemos os que irão, aqueles que não forem sorteados, cuidarão do treinamento, vigília, coisas do tipo.
–Quem fará o sorteio? — indagou Alice, aquela loira ao lado de Minory.
–Eu, obviamente — disse Lottie, a moça dos cabelos negros e boca berrante — Para mim tanto faz, ir ou ficar; mas sou a única que pode fazer o sorteio da forma correta. Isso já foi definido — a morena retirou sua pequena cartola vermelha, aflando seu interior.
Sua respiração tornara-se de um purpura quase negro no pequeno buraco vermelho, irradiando uma forte luz. Passou a cartola para o lado, com cada um dos presentes repetindo seu ato; logo, todos já tinham pegado no chapéu, e este voltou para sua dona. Ela enfiou a mão na nevoa de cores emaranhadas, retirando de lá um papelzinho prateado.
–Parabéns Gunda — o loiro de sorriso sádico se levantou -, você foi o primeiro a ser selecionado.
–Ah, que saco... — suspirou — Parece que vou ter que viajar.
A maga repetiu o gesto, rindo nesta vez. Do chapéu, retirou um papel meio roxo, meio vermelho.
–Vai ser sua primeira vez – direcionou-se para um jovem de cabelos negros -, certo, Oliver?
O tal sorriu, olhando desafiador para a morena.
–Minha segunda, para bem da verdade, querida Lottie. — ajeitou as mangas da camisa social listrada que usava — A primeira foi inverno passado; nela trouxe Stefan, Damian e Ann.
–Isso é o menos importante no momento — novamente, retirou um papel do chapéu, este, por sua vez, era dourado — Er...
Da cabeceira ouviu-se um riso, seguido pela fala:
–Pelo visto, eu vou dessa vez! — Adden se deliciava com a ideia de viajar, fosse para onde e o que fosse.
–Não acho que você deveria ir — Scarlett usou, mais uma vez, de sua voz extremamente fixante -, digo, não seria bom se descobrissem quem você é.
A líder pôs os pés na mesa, em um sinal de relaxamento.
–Não precisa se preocupar comigo — suspirou — Eu sei me virar muito bem... E, aliás, não me importa que descubram quem eu sou. É até melhor, por sinal.
Lottie repetira uma ultima vez o gesto, enquanto as duas discutiam se Adden iria ou não. O papel, dessa vez, era meio negro, meio esmeralda.
–Scarlett, — disse perplexa — você foi selecionada.

Adden entrara no quarto fervendo em raiva.
Depois de descobrir que Scarlett fora selecionada, argumentou sobre a autoridade da cartola pela primeira vez. Não queria deixar que justamente ela fosse, era um trabalho muito perigoso, e por mais que a dita cuja soubesse se cuidar... Enfim, aconteceu uma briga horrível entre as duas. Adden gritando com Scarlett e vice e versa; precisaram de três pessoas para segurar a mais velha, impedindo-a de avançar contra Lottie.
Sim, ela tinha consciência que era a única errada na situação. Caindo em si, encerrou a reunião e deixou o aposento antes que qualquer um pudesse lhe atrapalhar em seu lamento enraivecido.
Tentou se acalmar, jogando-se em sua cama, respirando contra o travesseiro, mas seu estresse era demais para isso. Até pensou em tomar um banho, só que provavelmente soaria e seu ódio só iria aumentar.
Foi até o armário e pegou uma pistola no bolso de uma das calças penduradas. Abriu a porta do quarto com um estrondo, seguindo as escadas para o subsolo; na entrada do nível mais baixo, via-se uma porta blindada. Adentrando, uma sala adaptada para testes de armas de fogo – buracos de bala contornavam toda a sala, e o cheiro de pólvora se fazia presente. Lá, posicionou-se em uma das cabines e desembainhou sua pistola, mirando e atirando no alvo à sua frente. Foram três tiros: um na cabeça, dois no coração; todos certeiros.
Repetiu em todos os alvos, fazendo o percurso da sala de treinamento; logo a adrenalina superava seu stress, e, quando acabou, percebeu que mais alguém estava ali consigo. O rosto pingando de suor, os olhos marejados pelo calor, a roupa debilmente colada no corpo; todos esses detalhes eram apreciados pelo expectador parado na porta.
– Você faz muito barulho – o tal estranho carregava duas latas na mão direita, e se apoiava no vão de titânio. – É por isso que prefiro minhas armas brancas. ‘Cê sabe, elas podem matar silenciosamente. – Disse o homem sorrindo.
– O que você ‘ta fazendo aqui Argus? – indagou a ruiva.
– Vim ver o que você ‘tava aprontando – com um sorriso estampado na face, ele jogou uma das latas para Adden – Toma você vai gostar.
Quase deixa o alumínio atingir o chão, mas o pegou antes que sujasse alguma cosia.
– Onde conseguiu isso? – perguntou pasma ao homem.
– Gunda trouxe de sua viagem ao norte, consegui pegar essas duas, não vá contar a ele – deu uma piscadela com o olho, abriu a sua lata e derramou o liquido dourado em sua boca, deliciando-se com o sabor amargo do álcool e da fermentação
– Há quanto tempo não vejo uma cerveja – a ruiva abriu a sua e deu um longo e demorado gole – Isso é muito bom – disse, limpando um filete dourado que caia pelo canto do lábio.
Sorrindo, Argus encarou-a.
– Se acalmou?
A face sardenta tornou-se carrancuda, respondendo:
– Acho que sim – tomou mais um sorvo da bebida -, não sei se aceitei, mas me acalmei.
– Pelo menos você sossegou– suspirou – A forma com que saiu da reunião... Assustou-me, devo admitir – olhou para sua cerveja- Foi uma reação exagerada, até pra você.
A ruiva riu, em um tom quase de gargalhada. Por pouco não chegava a esse ponto.
– Eu já disse – levou a mão livre aos olhos, cobrindo-os – preciso exercitar minha paciência.
– Precisa mesmo — riu, acompanhando a líder — Sei que ama aquela mulher, mas não deve se deixar pelas emoções assim. Já pensou nas consequências de tal ato em plena batalha? — suspirou, esperando alguma menção de resposta da moça.

– É por isso que eu irei com vocês – disse Argus com seu sorriso estampado na cara.

– Você não foi sorteado, isso é contra as regras – acrescentou a ruiva.

– Não importa, você sabe muito bem que eu vou à missão que eu quiser, afinal, eu sou o melhor dos ladinos dessa organização, — tomou um tom mais sério e disse — e de jeito nenhum poderia deixar você e Scarlett numa missão sozinhas.

Antes que Adden pudesse retrucar eles ouviram um barulho suspeito vindo do andar superior.

Entreolharam-se enquanto Adden levava o dedo indicador aos lábios cerrados. – Droga Adden! Eu sou um maldito ninja! Sou silencioso até quando quero fazer barulho! – Pensou Argus enquanto lançou uma careta para sua companheira. Vagarosamente, Adden recarregava sua arma equanto Argus jazia aposto com seu arco e flecha nas mãos, ambos encaminharam à fonte do barulho. Subiram os degraus na ponta que suas botas permitiam, fazendo todo silencio possível. Chegando ao topo, perceberam o breu ali instalado.

O cheiro de medo dominava o ar, que tremeluzia com a tremedeira de certo ponto do aposento; o tremor definia uma imagem aos olhos da ruiva, absurdamente definida. O vento que cortava a sala contornava-a, passando por detalhes minuciosos. Devagar, Adden posicionou a arma no que identificou ser a testa da criatura, mas antes que pudesse disparar, uma voz errante chegou-lhe aos ouvidos.

– N-não atire! – o som mostrou-se agudo e afeminado, alegando a possível sexualidade do ser – Por favor, não atire! Eu não vim causar mal algum! – soluços pesados se fizeram presentes em sua ultima frase.

– O que faz por aqui? – indagou a ruiva.

– E como conseguiu chegar até aqui? – Questionou Argus.

– Eu, eu encontrei uma trilha e... E essa trilha deu até aqui – suspirou pesadamente – Eu estava perdida, por isso segui a tal trilha! – com lagrimas manchando-lhe as bochechas, apelou para a ruiva – Por favor, não me mate! Eu irei embora assim que possível, só deixe-me passar a noite!
Ainda com receio, Adden liberou a jovem de sua pistola, ainda sob a mira da flecha de Argus.

– Qual o seu nome? – solicitou à jovem.

– Caroline – tomando um tom mais confiante e abrasivo, retrucou – Caroline Harriet.

Notas finais
E ai, curtiram o Argus? Curtiram as coisas loucas? Por favor deem suas opiniões!! Beijão, até o capitulo 3!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.