War of Sins
3 Capítulo Final – Lágrimas, Morte e Outra Vida!
Notas iniciais
Capítulo Final – Lágrimas, Morte e Outra Vida!
A enorme cama os acolhia naquela fria noite, sentados um de frente para o outro, despidos de roupas, apenas se tocando, sentindo o carinho e o calor dos corpos…
Haviam se passado alguns dias, e Milo havia começado a dar aulas para as crianças do reino, enquanto Kamus se focava em tentar achar um meio de cessar a briga que já perdurava gerações contra a família do loiro. Evitava falar qualquer coisa a respeito disso, havia um sorriso tão perfeito nos lábios do amado e ele não desejava tirar-lhe isso, apenas o queria sempre ao seu lado, mesmo que tivesse de sacrificar tudo.
– Kamyu… — Milo sussurrou dentro de um beijo, onde plenamente o deixava dominar o ritmo, pendendo seus corpos sobre o colchão até estarem deitados — Obrigado por me fazer sentir isso… — murmurou deslizando as mãos pelo rosto do ruivo.
Estava tão feliz, como nunca se sentira em sua vida. Adorava dar aula aos pequeninos e adorava se perder entre os lençóis daquele ruivo que fazia seu coração pulsar sempre forte e desesperado.
– Eu que agradeço por aparecer em minha vida. — voltou ao que fazia, distribuindo beijos pelo pescoço, pelo peito, acariciando ele.
– Não sei se foi da melhor forma…- sorriu, gemendo feliz com os toques. Ainda tinha receios do futuro, do que aconteceria nos dias seguintes — Mas… Quer que eu durma aqui essa noite também?
– Quero… — sussurrou, beijando-o apaixonado, apalpando cada parte do corpo forte — Você é tão lindo… — aspirou o perfume do grego no pescoço, mordendo de leve – Enquanto… Estiver aqui… Será uma honra te ter comigo, e espero que seja para sempre.
– Kamyu… — rosnou, perdido com aquelas palavras, o coração começando a disparar, o desejo de nunca precisar se afastar dele — Eu sempre estarei com você…
– Eu sei… — voltou a devorar seus lábios, pesando seu corpo no dele, não queria sair dali, nunca mais.
E a única resposta do loiro foi se agarrar ao corpo alvo, aprofundando o ósculo, se perdendo na intensidade, no roçar que o fazia queimar novamente de desejo.
– Kamyu… Eu…
– Fala… — sussurrou, se perdendo nos azuis revoltos de mar em dia de tempestade, acariciando seu rosto com a ponta dos dedos.
– Eu quero ser seu! De verdade. Por completo! — entoou um tanto sem jeito. Confiava plenamente no amante, mas passar uma vida inteira sendo desejado e cobiçado o deixava assustado… Mas queria tanto, queria que fosse com ele antes de qualquer outro.
– E eu quero isso… Quero muito. — levou a mão ao sexo que já despertava, o masturbando com carinho, descendo seus beijos até lá, o colocando na boca de uma única vez, deixando bastante saliva escorrer, acariciando com um dedo a entrada molhada, insinuando entrar.
– Ah… — gemeu baixo com aquela boca macia o devorando, sentindo o peito subir e descer arfante, a insinuação o fazendo estremecer de ansiedade… E mentiria se dissesse que não sentia receio, mas queria tanto, tanto pertencer a alguém por amor, que ignorava tal sensação, se agarrando aos fios ruivos e delirando de desejo — Tudo bem… Faça… Quero você…
Sorriu pela permissão, sugando com força a glande, fazendo seu dedo adentrar com cuidado nele, acariciando as paredes do local, buscando achar o ponto certo para que ele relaxasse, deuses, como era apertado e quente, um convite ao pecado, como era delicioso, já se imaginava ali, o amando por completo.
– Kamyu… — murmurou entorpecido pelo ato. Era uma sensação estranha, um incômodo, não necessariamente uma dor descomunal, mas era diferente, em contrapartida havia a boca que o sugava de modo voraz seu prazer… Estava em brasas, e perdia totalmente o foco em cada movimento dele em si — Isso é bom!
– Sim, e se sentirá ainda melhor! — sorriu, voltando ao que fazia em seu sexo, somando um segundo dedo, dessa vez fazendo movimentos circulares e de tesoura, buscando pela mancha no interior dele, acertando-a.
– Ah! — o grito que soltara fora alto, e naquele momento afundara a cabeça nos travesseiros, tamanho desejo e prazer que o dominaram seu corpo. Nunca sentira algo daquele porte, causar tal reação em alguém era bom, mas sentir na pele, era algo enlouquecedor — Kamus… Mais… Por favor… — pediu manhoso, totalmente entregue e rendido como nunca ocorrera em sua vida.
– Sim, petit. — sussurrou, subindo por seu corpo, beijando seu rosto, seu pescoço, o penetrando com os dedos, massageando sempre o mesmo lugar, indo o mais fundo possível, alargando o local para lhe receber.
– Ah! Ka… — tentava entoar alguma coisa, mas apenas gemia, rouco, rebolando contra os dedos que tanto o enlouqueciam. Sabia que recebê-lo seria diferente e muito doloroso, mas desde que fosse com ele, com o seu Kamus, não se importava… Também queria saber como era ser preenchido por completo — Pode vir… Eu quero agora…
– Farei o possível para não lhe machucar… — retirou os dígitos, beijando-lhe faminto, roçando seu sexo na entrada virgem, mas antes que pudesse começar, ouvira gritos altos ecoando pelo castelo, coisas explodindo, cheiro de fumaça… — Milo… — se ergueu rápido, não queria se afastar do corpo bronzeado, mas fora necessário, mesmo que seu coração dissesse que algo daria errado.
Procurou suas roupas jogadas pelo chão, as vestindo com pressa, estremecendo por completo ao imaginar o que seria.
– Isso… Isso é um ataque? — ainda um tanto entorpecido pelo prazer se levantou, também se vestindo rápido. Uma invasão direta… Apenas uma pessoa era capaz de tamanha ousadia.
– Você fica bem quietinho aqui, descobrirei o que é. — pegou sua espada e saiu do quarto, o cenário não era dos melhores, seus criados estavam mortos, mais especificamente, decapitados, Shaka travava uma batalha ao lado de Ikki contra soldados, Máscara da Morte estava ferido, e de imediato reconhecera o rosto de Saga, contorcido de ódio, ainda do pé da escada, gritara alto para que todos ouvissem.
– PAREM AGORA, ESSA LUTA É MINHA. — vendo todos se afastarem — Não desejo pelejar contra você, façamos um acordo e tentemos parar com esse mar de sangue. — pediu, mas estava pronto para uma negativa, os olhos dele brilhavam cruéis.
– Acordo? O mesmo acordo idiota que me fez antes? — perguntou alto, logo gargalhando, enquanto brincava com a espada em um dos cadáveres no chão — Eu só quero saber onde está o Milo?
– Esqueço as terras, esqueço tudo, Saga… Absolutamente tudo… Mas deixe-me casar com seu irmão. — implorou, abaixando a espada e erguendo as mãos — Seu problema é comigo, não com eles, estou aqui, Galates… Como um homem, dizendo que quero recomeçar, sem guerras, sem sangue, sem mais dores.
– Teu rei enlouqueceu, Saga o matará. — Ikki disse, se surpreendendo com a coragem que o ruivo tinha, apavorado por que sabia que se ele morresse algo muito ruim aconteceria… A cara de espanto que o outro gêmeo fazia… Tudo indicava muitas mortes desnecessárias — E Kanon cometerá uma sandice, ele mata e morre pelo Milo! — sabia como terminaria aquilo.
E de certo era mesmo isso que se passava pela sua cabeça… Não era só a raiva de famílias, era muito mais, por que no fundo ele sabia, sabia que ambos estavam naquele quarto até poucos minutos atrás… Fazendo aquilo que ansiava fazer com o loiro. Deteve sua risada o encarando com ainda mais ódio, subindo os lances de degrau, até se ver frente ao inimigo.
– Você acha que o entregarei pra você? — perguntou sério, erguendo a espada para perto de seu rosto — Milo é meu…
– Se afaste… — Shaka ameaçou, se aproximando um pouco, não permitiria que nada acontecesse a Kamus, nem que para isso tivesse que se sacrificar.
– Shaka… — fez sinal para que ele parasse – Diga-me, Saga… Acha que me matando se libertará das dores que lhe consomem? — questionou, sentindo a lâmina afiada, cortar sua pele — Acha que me matando terá o Milo somente pra você? Acha que assim… Será livre e feliz para deixar seus irmãos serem felizes?
– Saga, pare, podemos mudar isso… Por favor, Saga… — Kanon se aproximou, implorando, lhe tocando a cintura — Sa… Podemos recomeçar, em paz… Milo… Você o ama, deixe-o ser feliz… Seja feliz comigo.
– Eu não posso! — gritou empurrando o gêmeo com força, fazendo-o cair alguns degraus — Não posso por que "ele" não deixa… "Ele" o quer… E eu não posso fazer nada. — voltou a apontar a espada para o ruivo — A culpa é toda sua, da sua maldita família… Eu matarei você… — ergueu a lâmina.
E naquele momento, aquela imagem… Milo sentiu seu coração falhar… Havia cansado de esperar no quarto, e estava mais do que ciente de que Saga se encontrava ali… Os gritos, as risadas e agora aquela espada apontada para o peito do seu grande amor… Ele não podia permitir, não podia…
– Kamus… — sussurrou antes de fechar os olhos e correr em direção a ambos.
Fora tudo rápido demais, Milo empurrara Saga, e a espada do mesmo, resvalara por seu braço em um corte fundo, fazendo Kamus correr até ele, desesperado, mas o mais velho o pegara antes pelos cabelos, o puxando pra si, o libertando do toque do ruivo.
– Saga… Seu problema sou eu, solte ele… — se aproximou desesperado.
– Shaka, seu rei enlouqueceu, Kanon faça algo. — Ikki correu para o antigo amante diante daquela sandice, apenas ele poderia deter aquele homem, antes que ele matasse o seu melhor amigo.
– Não posso… Se eu o fizer, terei que matar meu irmão... — sua voz era dolorida, esperava que Saga não quisesse matar Milo, estava relutando, era um covarde.
– Ele matará Kamus, Milo e Você seu idiota. — o empurrou não vendo mais alternativas, se não ele mesmo resolver, correndo para cima do gêmeo.
– Não se aproximem… — ameaçou puxando o mais novo com força, não se importando com os gemidos que soltava ou com o sangue que já tingia a túnica branca de vermelho — Ele é meu… Não percebem? — sua voz ganhara um tom mais rouco e os olhos de um azul claríssimo, agora estavam escurecidos como a noite.
– Saga… Está me machucando… Solte-me, por favor irmão… — implorou com a voz falha, sentia seu braço latejar em uma dor infernal… Mas não queria ver ninguém machucado — Eu faço o que você quiser… Deixe o Kamus em paz…
– Saga pare. — Kanon implorou, mas correu ao ver Ikki sacar sua espada para atingir o irmão — Não. — fora instintivo atingi-lo, mas não para matar, apenas para ferir o amante, no quadril, cravando sua espada e vendo o moreno cair — Me perdoe, Ikki. — pediu, pelo que fizera.
– Um dia… Acreditei que nutria algo por mim… Mas seu amor por Saga é uma obsessão… — cuspiu as palavras, segurando o ferimento.
– Saga, solte-o e me mate, me mate agora e acabe com isso. — pediu se aproximando, sentindo a dor dos que caiam ao seu lado, vendo que Máscara da Morte andava cambaleante, ainda querendo ajudar, até, por fim, cair morto no meio da sala — Matteo. — gritou, o amigo estava morto, não poderia suportar isso.
Ver tudo aquilo era demais para Shaka, mas ele sabia que não podia interferir no desejo de Kamus, então se aproximou de Ikki o segurando forte.
– Tudo bem... Não é grave. — garantiu encarando o gêmeo de Saga — Vocês dois são insanos... E eu juro que se algo acontecer ao Kamus, o mato, matarei os dois… — ameaçou.
– Não Shaka… Não quero que mais ninguém morra… — Milo implorava vendo tanto sofrimento nos olhos das pessoas que aprendera a amar — Saga, por favor… — pediu não contendo as lágrimas. Sabia que ele mataria o seu amado.
– Solto o Milo… Mas acabarei com a vida desse maldito. — empurrou o irmão para o lado, indo com tudo para acertar em cheio o coração do ruivo com sua lâmina.
– Shaka… — Ikki se abraçou a ele com força, vendo a dor da situação – Deuses…
Kamus esperou a dor da facada, mas gritou ao ver que o loiro se pusera em sua frente, recebendo o golpe no peito e desfalecendo em seus braços.
– MILOOOOOOOOOO. — gritou o segurando entre os braços, o apertando forte, chorando alto, enlouquecido, o sangue do moreno em suas roupas — Não… Por que fez isso? — acariciava seu rosto, vendo alguém se aproximar — Se alguém se aproximar eu mato. — rosnou, beijando o rosto do loiro — Não morre… Milo… Não me deixa. Eu te amo... Eu te amo tanto…
– Milo… — Kanon se deixou cair na escada, seu irmão, seu anjo — O que fez, Saga? O que fez? — gritava insano, sentindo toda dor do mundo, mas sem ter forças para matar o irmão, sem condições de cumprir sua promessa.
– Não… — Ikki gemeu, escondendo o rosto no peito do indiano — Milo, não… Você não. — chorava, pela primeira vez, se sentindo culpado por não ter salvo o primo e melhor amigo.
– Eu não… Podia deixar… — disse com dificuldade, se forçando a abrir os olhos para vê-lo nem que fosse pela última vez… Sentia tanta dor, seu corpo pesava, sua mente escurecia, mas não estava arrependido — Eu amo… Você… — tentou tocar o seu rosto, mas não conseguiu, sendo tomado pelo vazio da morte.
E ver aquilo pareceu fazer um estalo na cabeça de Saga… O matara… O seu irmãozinho… O seu pequeno…
– Não… Milo, não… — deixou a espada cair no chão, levando as mãos ensanguentadas à cabeça, e se afastando sem um rumo pelo corredor do segundo piso — Não!
– Ikki… — Shaka puxou o moreno para si o consolando, queria abraçar o ruivo também, mas estranhamente não queria se afastar dele.
– Amor… Volta… Milo… Não me deixa… — beijava seus lábios, sentindo o gosto de sangue, a falta de respiração — Meu anjo… Milo… Volta… Eu te amo… Não dá sem você… Não dá mais. — chorava desolado, apertando o corpo sem vida contra seus braços, olhando pra Saga com um ódio mortal.
– Meu Milo… Saga… Você matou meu irmãozinho… Meu anjo… — Kanon, queria ter coragem de matar o outro, mas nem ao menos conseguia levantar.
– Me diz que ele não morreu, Shaka… Me diz… — apertava o loiro, buscando consolo, mas seu peito doía, sua cabeça latejava, imaginar o amigo sem vida, era como se imaginar sem uma parte do coração.
– Você o matou… Maldito. — Kamus rosnou, se erguendo, depois de depositar o amante morto com cuidado no chão, sacando sua espada e colocando-a no pescoço dele — Você matou… O único ser humano que fui capaz de amar… O único pelo qual daria minha vida… Saga… Não importa quantas vidas eu tenha, terei como propósito tirar tudo que é seu, pra te ver sofrer por mil eras, quero que sofra, lhe tirarei tudo, cada coisa, cada mínima coisa que é sua, será minha…
– Eu não… "Ele"… Ele matou o Milo… Ou… Nós? — as palavras saiam desconexas de sua boca e ele tremia, de fato nem se importando com a lâmina em seu pescoço… Queria tocar no seu irmãozinho… Mas tinha tantas vozes em sua cabeça, tantas vozes… — Sai de perto de mim… A culpa é sua, sempre é sua…
– Vai sentir o peso da culpa quando renascer… Nesse mesmo corpo e eu… Estarei presente em sua vida para lhe atormentar e mais uma vez lhe tirar tudo… — forçou a espada — Mas agora… Tomarei algo em troca da vida do homem que eu amo… A sua… — forçou mais vendo o sangue escorrer — Suas últimas palavras, Saga… — riu maligno, transtornado pela dor.
– Milo… — o loiro ainda soluçou com dor, as lágrimas caindo… Até que o outro lado assumiu, pela última vez, brilhando como o fio daquela arma — Pode me caçar Kamus… Mas nunca o terá… Nunca terá meu Milo.
– Não… — gargalhou cruel e irreconhecível — Você nunca o terá… Nunca… E ele e eu nos acharemos em qualquer vida que tenhamos, e você estará destinado a nos ver juntos e felizes… Sofra, Saga… Sofra por mil encarnações. — afastou a espada, mergulhando nos olhos deles e levando rapidamente a lâmina até o pescoço, decapitando o loiro, vendo a cabeça rolar pela escadaria e parar nos pés de Kanon.
– NÃOOOOOOOOOOO! – o loiro gritou abraçando-a e chorando.
– Kamus… — Shaka apertou o moreno junto a si, vendo um brilho que jamais enxergou nos olhos vermelhos do melhor amigo… Kamus emanava puro ódio e maldade.
– Ikki ficará conosco, mas Kanon será trancafiado na masmorra, os criados dele virão para me servir e… A cabeça desse infeliz será pendurada em meu reino para que todos saibam de sua morte… — encarou o amigo — Cuide dele, Shaka… Cuide do Ikki enquanto o têm.
– Kamus… Não fique assim. O amigo que eu conheço é frio, mas não desse jeito. — se levantou apoiando o corpo de Ikki no seu com cuidado. — O Milo não gostaria…
– Nunca mais pronuncie este nome, e seu amigo está morto… Quero tudo que for do maldito Saga… Quero que os que não se curvarem a mim, morram… E nada disso será suficiente para que ele pague pela dor de ver meu amado morto. — se aproximou do corpo, acariciando com carinho — Vingarei sua morte até o último dia de minha vida. — jurou se erguendo — Shaka… Cuide de tudo… Estarei em meu quarto e de lá só sairei para pendurar aquela cabeça na entrada. — se virou com dor, adentrando no aposento e se deixando cair na cama que há minutos testemunhara o amor dos dois.
Estava vazio e já não havia mais vida em si… Sem Milo, não existiria nada, nem sabia porque seu coração ainda batia… Queria morrer com ele… Queria o seguir pra todos os lados, do céu ao inferno… Mas tinha uma missão… Tirar tudo do maldito irmão dele…
Os anos se passaram, todas as terras e riquezas dos Galates foram tomadas por Kamus, os fieis ao rei morto, foram perseguidos e massacrados até a morte, seu nome ecoou pelos quatro cantos, lhe tornando o pior dos piores, o mais temido dos reinos, por longos cinquenta anos, guerreou para matar os aliados de Saga e lhes tomar as terras, e o fez…
Pouco tempo depois de degolar o último de seus inimigos, isolou-se em seu castelo, sua fama de frio e solitário lhe poupando da convivência com outros que lhe tinham apreço por tempos passados, em seu último suspiro, pudera ver a sombra do amado, o homem que amou durante toda sua vida e que amaria pelas outras.
– Milo… — gemeu, morrendo com um sorriso no rosto, o primeiro depois da morte do loiro.
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Grécia Ano de 2015
Ele era tão belo… Um anjo de lindos e brilhantes olhos avermelhados, cabelos longos e vermelhos como o mais precioso rubi… Mas era um anjo triste… Um anjo feito de mármore. O anjo que sempre lhe dominava os sonhos… E embora um estridente som de sirene tocasse ao fundo da imagem, não queria acordar, queria ficar ali e vê-lo um pouco mais… O anjo que amava.
– Milo… — disse suave ao telefone — Milo, queremos você e Ikki de volta, precisamos de ajuda com nosso vizinho.
– Oi…? — sussurrou erguendo a cabeça da mesinha de estudos, notando que a voz vinha do telefone ao seu lado, que havia caído na caixa postal — Saga? — pegou o aparelho e colocou no ouvido — Oi irmão, me ligando em dia de semana? — entoou bocejando. O sonho estava tão bom…
– Kanon, baby. — disse — Não ta na caixa postal, querido estudante de direito, você dormiu em cima dos livros de novo? — rosnou — Cadê o cafajeste do Ikki?
– Ah, a voz de vocês são tão iguais… — brincou passando as mãos no rosto e olhando o horário no relógio de pulso. Já era noite — Não faço idéia de onde o Ikki está... Sabe como ele é né? Adora ficar cantando os calouros da faculdade. — soltou outro bocejo — E eu não dormi em cima dos livros… — mentiu.
– Seu primo, pra variar me traindo... — suspirou — Mas, vocês terão que vir, Milo só você para amansar o Saga, to quase matando ele, por culpa dos vizinhos. — rosnou irritado.
– O que tem os vizinhos? — perguntou confuso. Quando saíra há cinco anos do interior, a relação entre eles e os vizinhos da região era boa — Quero dizer, você está falando dos novos vizinhos?
– Quero dizer que o local estava alugado e que o dono verdadeiro está de volta e quer comprar as nossas, Saga ta surtando, Shun ta ficando depressivo, porque resolveu se apaixonar pelo capanga do cara, Saga e eu proibimos, e… Eu… Eu vou pirar com um filho, um irmão e sem sexo, ou seja… Tragam os traseiros para cá… Tipo… Pra ontem.
– Pelos deuses, quanto estresse. — acabou rindo, se levantando e seguindo até a janela, encarando o campus deserto. Esperava poder viajar com os amigos e o novo namorado para o litoral, mas família sempre em primeiro lugar — Iremos, mas esse papo de proibir o Shun de namorar não é meio antiquado?
– Queria ver se fosse teu filho, apaixonado por um cara que atende pela alcunha de Máscara da Morte. — rosnou — Diga ao Ikki isso, porque este vadio, não me atende. Ah, imprima as passagens, já estão no e-mail.
– Máscara da Morte? — gargalhou — Bem criativo. — concluiu, notando que suas férias de fim de ano já haviam sido programadas — E pelo visto você planejou tudo para que não negássemos. Típico de vocês…
– O que queria que eu fizesse? — questionou, vendo Shun entrar no quarto com um bico enorme nos lábios — Sejamos honestos, acha que suporto quanto tempo mais sem vocês aqui, Shun já não sabe se me culpa pelo irmão ter ido embora, pela morte da mãe, por não deixar ele namorar o cara, ou porque eu não dei um carro de presente. — viu o filho se jogar na sua cama, buscando seu colo — Falar nele, está aqui, parecendo um gatinho malcriado, enrolado em mim, Milo… Meu bem, espero os dois amanhã, e avise ao Ikki… — mordeu a boca, Shun estava ali — Esquece, só peça para trazer algo fofinho pro Shun. — suspirou.
– Tá, eu vou dizer que você está morrendo de vontade de uma transa selvagem, a noite toda de preferência. — gracejou voltando para a mesa e guardando os livros nos lugares adequados — Não se preocupe maninho, estaremos aí sem falta… Amo você.
FIM…
NA VERDADE RECOMEÇO!
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