War of Sins

2 Capítulo 2 – Te Amar Por Mil Vidas!


Notas iniciais
Notas da Raposa: É isso, atualizada e amanhã tem o último, espero que gostem, beijoss.

Capítulo 2 – Te Amar Por Mil Vidas!

– Você está corado… E não está usando as mesmas roupas. — Shaka acusou ao ver o estado com o qual o amigo saíra do quarto do prisioneiro. Estava prestes a entrar no seu, mas uma vez que tinha os sentidos bem aguçados, pode notar os passos leves pelo corredor, e o mais interessante, o ruivo estava… Diferente? — Cobrou a boa hospitalidade? — perguntou tentando ignorar as dúvidas que momentaneamente lhe passavam pela mente.

Não tinha como tal absurdo ser verdade. Ou tinha? Kamus não seria tão imbecil… Ou seria? Já não sabia o que pensar, mas tinha certeza que não gostava do que via.

– Calado. — rosnou — Ele teve febre, o coloquei na água fria, troquei de roupa, apenas isso. — disse rápido e atrapalhado, pensativo, com o corpo quente… Pelos deuses, como ansiava beijar-lhe mais uma vez.

– Não me parece apenas isso… — deu de ombros, ao contrário dos demais, Shaka era a única pessoa que não tinha medo de desafiar o ruivo. Foram criados juntos, o tinha como um irmão mais novo, era fácil desvendá-lo — Se não cobrou, está muito próximo… Já lhe falei Kamus, não é errado, se o deseja vai lá e o tome para si, são nossos prisioneiros, temos todo o direito. — foi categórico, pratico como sempre e sem denotar sentimentos.

– Ele está livre, pode ir para onde desejar, e caso deseje ficar, dará aulas para as crianças… — o encarou sério — Nos beijamos e foi um erro, não quero que ele pense que estou fazendo isso por querer algo em troca, não tive a chance de fugir desse mar de sangue, mas darei minha vida para que ele se salve, não quero que se torne como você, Saga e eu… — disse firme.

– Pelos deuses, tem noção do que está dizendo? — sua expressão dessa vez fora de incredulidade e… Raiva? — Kamus nosso povo corre riscos, ele é a nossa única chance, não quer dormir com ele, ótimo, mas libertá-lo é um erro. Não vou permitir que faça isso, não depois de tudo que já passamos. — o encarou firme — Ele está mentindo, e você se deixando levar pelo sentimentalismo.

– Ele não está mentindo… E não voltarei atrás, com o Ikki faça o que quiser… Mas ele está livre, Milo pode ser diferente, ele já é… — sua voz agora era fria e distante — Isso não está em discussão… Meu prisioneiro minhas regras, ele poderá ir e vir, e se acreditar na bondade dele, parece um erro… Errar me parece bom.

– Está apaixonado por ele… — por fim constatou o que temia, o olhando boquiaberto… Não via essa expressão há tempos nos olhos de rubi do ruivo… Aliás, nunca vira — Se apaixonou Kamus, como pode ser tão ingênuo?

– Não… — afirmou rápido. Não querendo se revelar para o amigo, uma vez que até mesmo ele, julgava errado qualquer menção de uma paixão pelo irmão do inimigo — Estou encantado com o homem que ele é, e que eu adoraria ter me tornado. Não vou ver o rapaz perder aquele olhar por minha culpa. — segurou na maçaneta de seu quarto — Sei que me condena agora, Shaka… Mas sei o que estou fazendo… Sinto que é o certo.

– Certo? Quando todo o seu reino estiver banhado em sangue, se dará conta do erro que está cometendo. — soltou respirando fundo, tentando não perder o controle, mas não permitiria que o ato do ruivo destruísse tudo.

Apenas um homem, um reino por um único homem? Era inconcebível e irracional.

– Caso isso aconteça… Derramarei o meu antes. — estava apostando todas as suas fichas no moreno — Me dê esse voto de confiança. — pediu gentil, adentrando em seu quarto e se jogando na cama, sem saber o que estava acontecendo consigo.

– Está bem Kamus… Darei, mas ele permanecerá aqui. — entoou o encarando e se sentando ao seu lado. Precisava de um tempo para armar uma forma de provar que estava certo antes que fosse tarde demais — Façamos essa troca? Eu te ajudo, desde que o “príncipe” fique.

– Não posso… Shaka… É cruel pedir que ele fique, pelo meu bem, pelo nosso reino. — baixou a cabeça, não percebendo que alguém ouvia o que ele dizia — Não o forçarei a nada que não queira… Mesmo que eu mesmo pague por isso.

– Eu ficarei por vontade própria… — Milo entoou abrindo a porta do quarto com certo receio. Pretendia conversar com o ruivo, queria entender se deveria ou não ir embora, mas acabara ouvindo a conversa, e mesmo que sem querer, fora o suficiente para fazê-lo tomar sua decisão. Nunca alguém havia se sacrificado tanto por si. — Eu fico se isso puder os ajudar…

– Milo... — mordeu a boca, o nervosismo evidente em suas ações. — Ajudaria, mas não faça por obrigação. — dissera rapidamente, não sabia o quanto ele ouvira, mas não desejava o forçar a nada.

– Não estou fazendo por isso. — mantinha-se calmo, buscando apoio na madeira, ainda zonzo com a febre presente em seu corpo, bem mais baixa, mas ainda estava ali — Estou fazendo por você… — não agiria como um covarde novamente… Não quando algo tão valioso se encontrava em risco.

Tal frase fizera Shaka bufar, revirando os olhos irritadamete, de alguma forma, parecia que o sentimento era recíproco… O problema era, mesmo que o Galates estivesse falando a verdade, ainda havia um abismo enorme entre eles.

Uma guerra.

– Quer que eu saia Kamus? — entoou se aproximando por fim do mais novo, tocando-lhe os cachos loiros com calma. Admitia que era um belo espécime — Acho que depois disso, precisarão de uma longa conversa… — tentou analisá-lo, mas precisaria de tempo… Talvez a situação fosse propícia para algumas ideias que lhe permeavam a mente.

– Shaka… Não toque nele. — Kamus até tentou, mas não pode evitar o rosnado diante da aproximação, se traindo, por que estava com ciúmes — Apenas saía… — virou o rosto corado depois da gafe.

Mas o mais velho não tivera tempo de responder, uma quarta presença se fez no local, adentrando sem cerimônias.

– Bom ver você, Milo. — Ikki dissera se aproximando e beijando-lhe o rosto — estava preocupado, tinha que saber como o amigo se encontrava. Sabia que ao contrário de si, o loiro era quebrável… No entanto, ao olhar pro ruivo, pudera sentir algo novo… Confiança em um desconhecido? Na verdade, Kamus se mostrara merecedor dela antes mesmo de vê-lo olhar pra Milo, porque ao pôr os pés no reino do rei, percebera a nítida diferença entre ele e Saga. Mas ele não era o único a lhe chamar a atenção — E você, Bibelô Loiro… Esqueceu seu escravo? — cruzou os braços o encarando sacana. Diferente de Kanon, provocar o mais velho lhe era gratificantemente delicioso.

– Não esqueci não. — soltou sério, lançando um olhar de relance para o ruivo — Vamos para os meus aposentos, acho que o meu senhor precisa se aliviar também… — apesar de parecer algo completamente natural quando saia de seus lábios, tais palavras eram regadas de uma malícia que apenas o ruivo poderia perceber. Afinal, aquela frase poderia ser entendia de várias formas.

– Shaka, desapareça. — Kamus jogou com raiva, realmente cansado das brincadeiras do loiro.

– Seu desejo é uma ordem Chevalier… — Ikki deu de ombros, se despedindo do rei, já vira o que desejava, poderia aproveitar sem problemas… Estava sendo tratado bem e poderia devorar um loiro lindo, por que era exatamente isso que ele faria com aquele homem tão egocêntrico e soberbo — Vamos, Shaka. — enlaçou sua cintura o puxando para si e o arrastando para o quarto.

– Ignore o que ele disse, Milo. — se defendeu ao ser ver finalmente a sós com o loiro.

– Não se preocupe, eu confio em você. — se aproximou com calma, mas se manteve de pé apenas o observando — Seu amigo é compatível com o Ikki, um tanto frio…

– Shaka não era assim na infância, ele se tornou isso com o tempo. — disse triste — Mas acho que ambos estão brincando com fogo. — fez sinal pra ele sentar ao seu lado.

– Não sei não… Ikki é acostumado a esses jogos. — suspirou se sentando — Não que isso seja de sua importância, mas ele sempre serviu bem a meu irmão, Kanon… Primeiro pensei que fosse por causa do irmão mais novo, mas digamos que ele parece gostar disso…

– Hummm… Entendo… Shaka aprecia também… É sexo sem compromisso. — deu de ombros, vendo a dúvida presente nos olhos azuis, ante a suas palavras — Eu não faço essas coisas. — comentou.

– Por que não? Um homem como você possui necessidades, e se encontra sempre tão bem acompanhado de guerreiros e serviçais… — comentou, era isso que Saga sempre fazia, afinal. Diferente dele, que acabara se apaixonando pelo homem que lhe servia de distração. Mas até mesmo isso, o irmão o tirara.

– Nunca pensei dessa forma, a única vez que me deitei com alguém, eu nutria sentimentos, não me evolvo com ninguém que não tenha sentido algo. — afirmou.

– Mas nos beijamos. — ditou o encarando — Eu sei que sou cobiçado, sei também que se não pertencesse à nobreza, serviria de distração para eles. — suspirou. Algumas lembranças lhe vindo à mente de repente. Sabia bem como as coisas poderiam ocorrer, apenas o seu sangue o salvava.

– Beijei você porque me senti fascinado, com sua alma, não apenas com sua beleza… — parou de falar e o encarou — Serviu de distração para algum de seus irmãos?

– Não ainda… — soltou sem muita importância. Havia um motivo para nada ter ocorrido, Kanon o protegia… A questão era, até quando conseguiria? Estava preparado para o pior e de certa forma até acostumado com seu provável destino.

– Por que disse “não ainda”? — segurou seu rosto com carinho — Por que parece não ligar? — aquilo doeu no ruivo, uma vontade quase insana de protegê-lo. Ele estava conformado, uma coisa que jamais faria, se conformar com alguém machucando o loiro.

– Não é que eu não ligue Kamus… Mas o que eu posso fazer se eles quiserem? — respirou pesado — O que eu poderia fazer se você quisesse? — voltou a questionar — Eles estão acima de mim, como você está nesse momento. Nada me aconteceu até agora por que entre eles existe uma forma obsessiva se amor… Não sei se o Kanon realmente me ama como diz amar… Pode mudar de ideia de repente… Eu não sei… — preferiu ocultar a parte na qual Saga lhe afastara de seu primeiro amor por inveja, ciúmes, e o fizera se tornar o "seu" escravo sexual. Era doloroso demais.

– Me perdoe… — se afastou — Mas pode dizer não… E tem todo direito de fazer isso… Não podem te forçar. — estava indignado.

– Você não conhece meus irmãos. — disse baixo.

– Então não volte para lá… Prometo nunca tocar em você… Mas não quero que seja corrompido. — evitou tocar nele, mesmo com o desejo crescente de o fazer.

– Não precisa evitar tocar em mim… Não sou puro, não tanto quanto pensa. — acabou sorrindo sem graça — Eu também já tive um grande amor.

– Até imagino… Mas… — mordeu a boca — Não forçarei nada, se algo tiver que acontecer, que seja natural. — sorriu suave.

– Kamus… Eu… Caso eu fique aqui o que acontecerá com meus amigos? O que será das pessoas que deixei lá? — inquiriu ciente de que nisso até Ikki concordaria, no entanto, não pode evitar o sorriso sincero que se moldara em seus lábios. Gostaria de conhecer melhor aquele homem.

– Pensarei em uma estratégia… Não os deixarei lá. — afirmou se erguendo para não cair em tentação.

– Lhe deverei pela eternidade. — fez um leve curvar de cabeça — Acho que quer que eu saia agora, não é?

– Pra ser bem honesto, não, mas… Está um pouco difícil não tocar em você… — riu sem graça.

– Entendo bem... — acabou rindo também, até por que era algo ao qual já estava acostumado — Me retirarei.

– Faço para seu bem… — se aproximou — Não quero colocar os pés pelas mãos… Não com você. — beijou o canto de sua boca — Não quero te machucar.

– Não vai… Eu confio em você. — ergueu a mão para tocar-lhe o rosto — Estranhamente, confio muito. É a primeira pessoa que se importa comigo sem pedir nada em troca.

– Fico feliz que sinta-se assim. — lhe beijou suavemente e se afastou — Mas não iremos além. — sorriu fraco e com os olhos brilhando de desejo.

E para Milo isso era mais do que poderia suportar.

– Deixe-me ficar aqui com você. — pediu, os olhos de cor mistica o hipnotizavam sem que pudesse evitar e se via mais do que nunca desejando ficar com ele, sentir o calor do corpo que há alguns minutos estivera colado ao seu.

– Não posso… Não agora… Seria precipitado. — afirmou, encantado pelos olhos azuis. Queria tanto ultrapassar os limites… Mas não podia, seria incorreto — Não quero que falem que estou lhe usando. — afirmou tentando resistir a insana vontade que se apossava de si.

– Claro… — Milo até tentou sorrir diante das palavras, sabia que o ruivo estava certo, mas de certa forma, se entristecia com a recusa — Voltarei para meus aposentos. — se afastou seguindo em direção a porta.

E vê-lo se afastar daquela forma fora o estopim para Kamus, que uma única vez na sua vida, resolvera agir seguindo seus impulsos. Não queria que o loiro pensasse que não se importava…

O puxou pelo braço, tomando seus lábios em um beijo intenso. Não um beijo calmo como antes, dessa vez sentiu a necessidade de explorar, de provar de todas às formas o gosto que possuía a boca carnuda, deixando suas mãos acariciarem o corpo moreno, os músculos firmes e bem demarcados, devorando-lhe com uma fúria quase insana. Sua língua a brincar com a dele, sugando-a… Mas a falta de ar se fez presente e mesmo contra a vontade teve que se afastar.

– Isso é para que compreenda que lhe desejo, muito, mas não sou igual aos outros. — disse baixo, ainda com os rostos próximos, as respirações se chocando — E há mais do simplesmente desejo em mim… Quero fazer isso da forma certa.

– Eu não duvido disso. — o segurou o rosto com calma — Eu só… — “nunca tive demonstrações de carinho por parte de ninguém…” Era isso que queria dizer, mas se deteve, não queria se mostrar mais fraco do que já fizera na frente dele, seu orgulho ruía pouco a pouco, e ele tinha que manter pelo menos um pouco dele — É melhor eu me retirar de uma vez. — se afastou — Também não quero te causar problemas.

– Não. Pelos deuses Milo, não me causas problema algum. — o puxou para si mais uma vez lhe beijando com necessidade. Estava difícil resistir e no final das contas, ele não era tão forte.

Da mesma forma que para Milo, aquilo era como perder sua razão. Assustou-se de início, não esperava tal reação do ruivo novamente, mas foi só sua compreensão cair por terra, que avidamente se viu correspondendo, o empurrado de encontro à cama enorme e macia de linho, pendendo o seu corpo sobre o dele… Precisava daquilo, muito…

– Kamus… Por favor… — pediu ao descolarem os lábios.

– Milo… — gemeu pelo ato, agarrando seu corpo com vontade — Está fazendo isso para pagar? — questionou com receio.

– Não… Não é por isso. — sussurrou descendo os lábios por seu pescoço, beijando-o lentamente, as mãos espalmadas sobre o colchão, apenas se deliciando com o gosto que o ruivo tinha. — Eu quero fazer isso Kamus… Mas… E você? — se deteve o encarando.

– Mais do que imagina. — sussurrou, se ajeitando na cama e dando total liberdade a ele, gemendo baixo, acariciando o corpo moreno, delirante com a maciez da pele — Quero você. — não se importava mais com nada, apenas queria sentir o grego.

– Nunca escutei isso… Dessa forma… — ditou baixo, respirando pesado. Até então todas as vezes que escutara isso foi de um modo vulgar, carnal… Mas com ele era diferente, ouvir tal entoação dos lábios adoráveis, o fazia sentir outra coisa... Céus, estava se apaixonando — Eu gosto de você… — confessou.

– Também gosto, e isso é tão estranho. — beijou seus lábios, erguendo a roupa — Posso?

– Pode… — se ajeitou sentando em cima dele, dando-lhe o acesso necessário para que pudesse lhe despir — Eu quis tanto algo assim em minha vida… E não é só desejo… Meu coração está tão disparado…

Sorriu bobo com isso, começando a despir o loiro com certa calma. Era diferente, poder tocar sem pudor… Desceu os dedos pelo peitoral definido, chegando ao sexo duro, tocando de leve — O meu também está, Mi… Nunca senti nada parecido.

– Kamyu… — sussurrou com o toque sentindo um deleite profundo com aquilo — Eu posso te chamar assim? — perguntou descendo novamente sobre seu corpo e se perdendo entre lambidas e mordidas pela curvatura alva. Os cabelos dourados se esparramando no corpo do amante.

– Pode me chamar como quiser… — sussurrou, deitando e dando a ele direito a fazer o que quisesse — Fazer o quiser.

– Eu… — seus olhos azuis se perderam nos vermelhos, encantado, perdido em reações e sensações que o faziam se sentir em êxtase. — Eu vou amar você! — murmurou começando a despi-lo também, arranhando de leve a pele clara e macia, ciente de que com aquelas palavras, tudo ganhava um novo rumo, mas sua sinceridade não lhe permitiria mentir, não dava mais para negar que aquilo que sentia ia muito além de paixão.

– Nunca fiz amor… — confessou, se erguendo um pouco e ficando nu pra ele — Milo… Quero que seja o primeiro a me possuir. — se deitou, puxando sua nuca para um beijo apaixonado, roçando os sexos despertos.

– Quer… Que o tome? — perguntou surpreso, mas não podendo evitar o sorriso que se moldara em seus lábios.

– Sim… — abriu um pouco mais as pernas, afagando seus fios, se esfregando nele — Não quer?

– Quero… Muito… — sussurrou entorpecido, descendo o corpo até ficar na altura de sua virilha — Não se arrependerá — afirmou segurando o membro duro com calma, numa carícia suave, levando a língua e lambendo a extensão — Kamyu…

– Ah! — sabia que o grito fora ouvido por toda casa, mas o prazer foi grande demais, lhe fez perder o eixo, se agarrando na cama, fechando os olhos, arfando… A língua quente em contato com seu sexo, as mãos firmes em seu corpo, era tudo tão íntimo e intenso.

– Diz… O meu nome. — pediu o encarando, ainda trabalhando em seu pênis, umedecendo os dedos da mão livre e guiando um deles até a entrada escondida — Eu prometo não te machucar! — garantiu invadindo o local com cuidado, enquanto ao mesmo tempo guiava os lábios até a ereção pulsante, engolindo-o de uma vez.

– Milooo. — colocou a mão na boca, cerrando os olhos, que prazer era aquele? — Anh… — era incômodo o dígito lhe tocando em um lugar intacto, a sensação era boa, e o toque gentil dentro de si fora único, gemia baixo, quase um ronronado, a boca que lhe devorava de forma pecaminosa — Mais…

Sorriu contente pelas reações que causava nele, mas era assim que gostava de fazer… Era gentil, cuidadoso, por que o sexo, em seu entendimento, só tinha lógica e só deveria acontecer com sentimento. Colocou mais um dedo, massageando de modo a alargar a entrada para recebê-lo, aumentando mais a sucção, levando-o até o fundo de sua garganta, encarando-o com admiração, perdido no quanto aquele homem era lindo.

– Ahhh… Deuses… — doía um pouco, era estranho, mas tudo ruiu quando ele acertara um ponto em seu interior, chegara ao céu, seu corpo todo estremeceu, a boca que lhe deixava louco — Milo… Vêm, não suporto mais.

– Tem certeza? — sussurrou abandonando o falo pulsante para encará-lo, vestígios de saliva e pré-gozo escapando por entre seus lábios — Não quero te machucar…

– Como nunca tive na vida. — retirou os dedos do local o puxando para um beijo quente — Entra! — murmurou.

E diante do pedido entoado como uma ordem cheia de carinho, não pode fazer nada a não ser obedecer. Acomodou-se entre as pernas alvas, abrindo-as bem e o expondo para deleite de seus olhos e de seu corpo.

– Kamus, se te machucar… — sussurrou — Me avise que eu paro… — guiou a ponta do membro ao canal apertado, fazendo força para adentrar no corpo do amante.

– Ahhh… — aquilo machucava, mas tinha certeza que passaria, o loiro era grande, mas pelas correntes que passavam por seu corpo, sentia que seria um dos momentos mais deliciosos de sua vida. Fechou os olhos para ignorar a dor, apertando os braços do grego — Não para.

– Mas você… — parou na metade, ciente de que pra ele era algo novo e dolorido, e não era o que desejava. Controlou-se ao máximo, levando uma das mãos a ereção, até então abandonada, iniciando um leve masturbar para distraí-lo — Eu não quero que sinta dor!

– Sei que passará e que sentirei prazer com você. — abriu mais as pernas, contraindo seu canal para sugá-lo, num pedido mudo para que fosse até o fim, tentando esquecer a sensação de ser rasgado ao meio

– Kamus… — gemeu com a sensação de se sentir apertado daquela forma, e foi quase que impossível não ir até o fim, se enterrando nele, respirando pesado e se perdendo em todas as sensações que lhe causava. Mas mais uma vez se deteve, aguardando que se acostumasse, ainda estimulando seu sexo.

– Anhh… — mordeu a boca, sem saber como ele cabia ali, mas a sensação de se sentir preenchido era maravilhosa, e apesar da dor, o estímulo do loiro fazia efeito, acabando por rebolar um pouco — Se mexe… — implorou, apertando seus ombros.

– Deuses… Como posso negar algo pra você?- sussurrou, indo de encontro a seus lábios, saindo de seu interior para voltar com calma e devagar, apenas o sentindo, se mexendo suave no corpo abaixo, ainda trabalhando com a mão… Por que era tão bom ouvir aquilo? Tão bom os leves gemidos que lhe escapavam, tão bom o desejo que crescia em seu interior. A definição de que ambos agora eram apenas um…

– Anhh… Mi… — nem pra dizer o nome inteiro do outro tinha força, tudo lhe fugia da mente, os problemas, as dores, e tudo que sentia era o vai e vem lento e delicioso em seu interior, cravando as unhas na pele morena, se contraindo para que ele não saísse de si, cada corrente elétrica que passava por seu corpo, parecia que se dissolveria, e a boca do amante na sua era algo inexplicável, como se fossem feitas uma para outra.

E não era essa a mais incontestável verdade naquele instante? De alguma maneira que Milo não sabia explicar, sentia essa conexão, como se fossem destinados, como se um pertencesse ao outro eternamente. E não queria fugir, muito pelo contrário, queria mergulhar naquele mar escuro e profundo. Por que todo o receio e medo que tinha antes, ruía feito um castelo de areia e Kamus se revelava de um modo totalmente diferente. O homem que fazia seu coração disparar como louco dentro do peito, ao mesmo tempo em que esquentava-lhe o rosto e o enchia de êxtase.

– Eu amo você… — confessou soltando o seu sexo, para segurar com mais firmeza em sua cintura, saindo de seu interior para voltar e acertar sua próstata, massageando o amontoado de nervos com precisão, denotando o quanto aquelas palavras eram verídicas… Por que Milo Galates jamais mentia — Eu sei que é loucura… Mas realmente sei que estou te amando…

– Anhh… Faz de novo… Diz de novo também. — abriu seu mais belo sorriso, extasiado pelo local onde o loiro acertara. Aquilo simplesmente lhe fazia ver estrelas, estremecer todo corpo, gemer mais alto… Mas aquelas palavras, era muito mais do que um dia pode imaginar ouvir, principalmente de alguém que deveria ser seu inimigo, mas o destino era cruel, lhes juntara, e esperava que juntasse em muitas outras vidas, porque pelo palpitar de seu coração e pelo carinho que sentia apenas de olhar o moreno, sabia que também o amava e mais do que isso, tinha medo de perdê-lo, de não poder tocar o grego, de abrir os olhos e tudo desaparecer — Amo você… E não sei como foi isso… Ou como você conseguiu isso.

– Eu também não… E sinto medo… — murmurou, fazendo o que lhe era pedido, sempre investindo contra seu ponto prazeroso, de tal forma que tivera que guiar as pernas alvas até sua cintura para penetrá-lo com mais precisão — Medo por que… Pertencemos a mundos diferentes… — pendeu a cabeça sobre seus ombros, delirando de desejo, preenchido por um calor voraz que o fazia queimar em brasas — E isso não deveria acontecer… É um pecado.

– Então… Esqueçamos tudo… Só me sente. — sussurrou, uma dor latente em seu peito, o fazendo apertar forte o loiro, não suportaria muito, queria que aquilo durasse uma vida inteira — Não suportarei muito… — informou, sentindo as contrações em seu canal, enlaçando sua cintura, e segurando seu rosto — Não esqueça… Nunca… Que meu coração é seu…

– O meu também Kamus… Mesmo que não possamos ficar juntos… Ele já pertence a você… — sussurrou o puxando para si, se arremetendo com toda a força que possuía, o suor já lhe permeava a epiderme e a respiração saia sôfrega, mas queria ver o amante se derramar de desejo — Pode vir… Chegue ao ápice pra mim, Kamyu…

– Mi… — fechou os olhos, ele acertava o mesmo lugar sempre, e lhe fazia perder o controle, as palavras ecoando em sua mente, não suportou, gozando forte, arqueando as costas, derramando seu prazer entre as barrigas saradas, prendendo o membro em seu interior, estremecendo de satisfação, se perdendo num mar de sensações.

E aquilo fora mais do que poderia suportar, o torpor do amante fora o estopim, sentir-se preso, com o coração disparado, o corpo ardendo em brasas de desejo… Algo que jamais alcançara de forma tão sublime em sua vida.

– Kamyu… — gemeu alto, ensandecido, preenchendo o interior com seu prazer, cravando os dentes em seu ombro para manter o resto de lucidez que o clímax permitia — Meu Kamyu…

– Anhh… — sua voz saíra como um miado, nunca imaginara que sentir um homem derramando-se em si fosse tão prazeroso, mas era sublime, se sentia no paraíso, ficaria com marcas da noite por dias, e não se importava, queria apenas ele, e mais e mais… — Seu. — gemeu, alisando os cabelos úmidos de suor, beijando seu rosto, sentindo o líquido viscoso escorrer de seu interior, era bom, melhor ainda era saber que estava amando alguém tão incrível.

– Eu nunca me senti assim… — sussurrou respirando pesado, tentando preencher novamente os pulmões com oxigênio, o coração disparado. Deixou seu corpo relaxar totalmente sobre o dele, suspirando com o toque suave em seus cabelos — Lhe agradeço por ser de verdade…

– Você me fez esquecer tudo que aprendi por uma vida toda… Isso é mais do que de verdade, isso é eterno… — sentiu ele deixar seu interior e gemeu, não era bom se sentir vazio, se pudesse ele permaneceria ali, pra sempre — Dorme comigo… Na verdade... Fica comigo… Hoje, amanhã… Depois…

– Quer mesmo isso? — perguntou o encarando, sabia que pertenciam a mundos diferentes, que suas famílias eram um obstáculo enorme… Kamus o amava, e ele agradecia por isso, no entanto, firmar o que acontecia entre eles o deixava assustado e com medo — Kamus… Nosso sangue sempre falará mais alto.

– Me diga o que preciso fazer… Para… Que não me deixe? Qual acordo devo fazer com seu irmão? — estava enlouquecendo, capaz de qualquer coisa pelo loiro.

– Kamyu… — sussurrou um pouco baixo, não recebera aquilo de um modo positivo, embora tivesse ciência de o ruivo apenas queria o ter para sempre consigo, não podia evitar os questionamentos… Sentia-se como algo a ser trocado — Eu não sou um objeto… — entoou deixando a cabeça pender em seus ombros.

– Não estou falando sobre objetos e trocas, estou tentando qualquer coisa para não ter que me separar de você… — explicou sentando na cama, sentindo um leve incomodo — Milo… Não quero que as brigas de nossa família interfiram no que sentimos, e isso acontecerá mais cedo ou mais tarde. Alguém precisa dar um basta nisso, e estou disposto a tudo pra ficar com você…

– Não pode se sacrificar dessa forma… Eu sei que me quer ao seu lado, não pensaria o oposto. — firmou também se sentando e segurando seu rosto — Saga me vê como um objeto… Tem algumas coisas que você não sabe… — sussurrou estremecendo um pouco ao se lembrar de seu antigo amante — Eu não quero que ele te machuque…

– Mas você não é… Você se transformou no meu motivo para erguer uma bandeira branca… Como posso… Fazer isso…? Conte-me como chegar até Saga… Eu faço, Milo… Só não suporto perder mais alguém em minha vida. — deixou uma lágrima escorrer.

– Kamyu… — gemeu dolorido secando seus olhos — Nada que você faça mudará o Saga… Possui duas personalidades. O lado ruim jamais permitirá que se aproxime, ele desejará destruí-lo. — informou o puxando para seus braços — Eu fico com você, até quando puder… Mas não me peça para arriscar a sua vida e a de seu povo por mim… Eu não valho tudo isso.

– Milo… — se agarrou a ele, como se a qualquer momento pudesse perder o loiro — Não quero perder você também… — afagou seu rosto — Tentarei um acordo, quando ele estiver mais calmo.

– Kamus… — ainda tentou contestar, mas viu nos olhos de fogo uma certeza que ele não poderia ir contra. Então apenas relaxou, deitando a cabeça em seu ombro, suspirando cansado, exausto… Os três dias mais longos e complicados de sua vida. — Não vai me perder… Eu juro, sempre voltarei para você… Sempre…

– E eu sempre… Encontrarei você… Durante todas as minhas vidas… — buscou seus lábios, beijando-o com fome, carinho, desespero.

___________________________ *.*________________________

Os olhos azuis tão profundos como o mar analisavam suas fronteiras através da janela de seus aposentos. No entanto, sua mente voava longe, precisamente na situação na qual se colocara… Deixara o seu lado negro e irracional dominar e agora temia pelo irmão mais do que tudo. Sempre falhara em proteger Milo, mas dessa vez superara todas as expectativas e tudo por causa de sua maldita personalidade… Aquela que ele gostaria de arrancar.

– Pensando no quanto foi filho da puta? — se aproximou lhe abraçando por trás e encostando a cabeça em sua curvatura — Pensando na sucessão de erros que vêm cometendo conosco? — beijou a pele do pescoço — Ou pensando em seu belo amante que você espancou ontem de madrugada?

Um suspiro pesado escapou de seus lábios e ele teve que se virar para encarar o homem cujo rosto era idêntico ao seu.

– Eu não aceitei o acordo… Deixei-me dominar por esse meu lado maldito. — jogou o encarando com dor — Ele está muito machucado?

– Poderia ter morrido, mas pra tristeza dele, está vivo. — disse frio — Por que não o deixou com o Milo? — aquilo lhe despertava raiva, o maldito primeiro amor de seu irmão mais novo, nas mãos de seu único amor, Saga — Quanto ao Milo, espero que ele esteja melhor lá do que estava aqui.

– Por que o outro lado não suportava a ideia de ver Milo com ele. — praguejou se afastando e voltando a mirar a noite que se revelava — Assim como também não permitirá que fique naquele reino… — suspirou — E eu compartilho desse desejo… Aquele verme do Chevalier irá maculá-lo na primeira oportunidade.

– Chevalier é o menor dos problemas dele, você sempre foi o maior e sabe disso… — se escorou ao seu lado — Você o machucará assim como machucou a mim e agora ao Afrodite, e que faça isso comigo, aceitarei sempre, mas sabe que se machucar meu menino, não haverá perdão.

– E o que quer que eu faça? — perguntou desviando o olhar para encará-lo — Que o deixe para servir de escravo sexual aquele bastardo? — começava a se irritar — Eu sempre me controlei com o Milo, não vou perder a razão agora…

– Claro… Sei… — cruzou os braços — Se controlou porque eu o impedi, em todas as vezes que tentou. — afirmou — Deseja mais ao Milo que a mim, Saga? — perguntou magoado.

– Você sabe que não. — guiou as mãos ao seu rosto, numa leve carícia — Eu amo você, mas o outro… O outro deseja o Milo por que ele é diferente de nós.

– E o que eu faço para seu outro querer apenas a mim? — sabia que a relação era doentia, mas precisava dele — Não importa que me machuque, mas não pode machucar o Mi… Não pode ter outra parte sua desejando tão fortemente alguém que não seja eu. — havia desespero em sua voz.

– Kanon… — os olhos azuis se perderam nos do gêmeo, e ele teve que respirar com força para manter o controle — Sabe que isso é o que mais quero… Desejar apenas você… Não precisar machucar ninguém. — suspirou — Eu sei que se ele tocar no Milo… O matarei, na verdade meu outro eu, o matará.

– Saga… Apesar de todo o amor que tenho por você… Sabe que se machucar meu menino… Não hesitarei em lhe matar, mesmo que eu morra em seguida… Sabe não é? — perguntou roçando os lábios nos dele.

– Eu sei… E espero que cumpra isso. Eu não suportaria conviver com essa culpa. — tocou a boca contra a sua levemente, mordendo-a com provocação — Mas antes disso darei fim aquele ruivo maldito, em nome de nossos pais.

– Cuidaremos do ruivo depois… Algumas coisas estão fora do lugar… — algo lhe dizia que o outro rei não era o vilão — Agora cuidará de mim. — enlaçou seu pescoço, sorvendo da boca macia.

– Com todo o prazer… — sussurrou degustando-o sem receios, deixando as línguas se tocarem com necessidade, apertando o corpo junto ao seu com posse — Eu quero ficar dentro de você… — o puxou para que enlaçasse sua cintura o guiando em direção a cama — Eu posso Kan?

– Sempre… — gemeu, completamente entregue, delirando com o desejo do gêmeo, uma relação doentia, mas o venerava, como jamais imaginara — Sabe que sou seu. — abriu as pernas, o acomodando em seu corpo, sentindo cada parte responder ao seu toque…

Continua…

Notas finais
Notas finais da Raposa: Oi amores, era pra postarmos ontem, mas infelizmente não deu, meu pc fudeu com a ideia, e não me deixou abrir o arquivo e acabei perdendo quase toda betagem, tive que refazer, e como estou meio debilitada de saúde, me lasquei um pouquinho, bem, é isso, esperamos que gostem, e amanhã tem o último, beijos.