War of Sins
1 Capítulo 1 - Amor Entre o Sangue
Notas iniciais
War of Sins
Grécia Antiga – 456 a.C.
As constantes brigas por terras se tornaram um marco entre os reinos da redondeza, semeadas pelo desejo de poder e pela sede de riquezas, deixando como consequências, rios de sangue sem fim…
As mortes dos mais fracos, unicamente para saciar as ambições dos mais fortes.
E ele estava cansado disso…
Num gesto de pura ciência do quão errado e pecador aquilo era, sua espada antes erguida em riste para seu inimigo fora jogada no chão, não por medo, apenas por um motivo que seu coração e sua alma defendiam de forma plena…
A vida era preciosa demais para ser tirada de forma tão leviana.
Estava se rendendo… Rendendo-se ao inimigo… Sem a menor vergonha… E o mais importante…
De alma tranquila por finalmente seguir seus instintos e princípios…
A partir disso… Poderia, sim, ser chamado de homem digno!
Capítulo 1 — Amor Entre o Sangue
Os passos eram graciosos, enquanto se encaminhava com a altivez de um Deus em direção ao trono no meio da enorme ala principal do castelo. O rosto impassível, não denotando sentimentos, numa expressão tão natural de sua personalidade, afinal, um líder se mantinha superior em qualquer ocasião, sendo ela de guerra, ou de paz.
Não demorara para que um belo rapaz de fios longos e loiros adentrasse na enorme sala, os cabelos contrastando com o manto negro que trajava, a expressão era de revolta, crueldade, o olhar era de um azul profundo e letal, encarando com ódio o homem a poucos metros de si, sentado altivamente no trono… Sua vontade? Cravar um punhal no meio de seu coração e ver o sangue escorrer-lhe até que sucumbisse em seus pés, mas a situação era desfavorável para saciar tais desejos e deixar-se guiar pela ira poderia pôr em risco algo de extremo valor.
Algo que lhe pertencia e que o homem frio mantinha entre suas mãos de ferro, usando-o como se seu mais precioso bem, fosse, no final das contas, um mero objeto vendável por um valor qualquer…
Seu orgulho pedia para não se curvar, tão pouco aceitar as condições que lhe seriam impostas, no entanto, havia seu lado fraco, sua humanidade extremamente exacerbada que lhe gritava para aceitar e fazer o que lhe seria pedido pelos lábios de seu inimigo.
– Saga Galates, apresentando-se perante o rei destas terras. — entoou firme, a contragosto, fazendo uma mínima reverência ao anfitrião.
Os pensamentos do rei estavam distantes, não gostava do que estava acontecendo, mas não possuía grandes opções se desejava evitar um outro mar de sangue. Ajeitou os fios vermelhos sobre os ombros, deixando seus olhos de rubi, repousarem tranquilos e gélidos sobre os do convidado.
– Agradeço sua presteza de aparecer-me tão rapidamente, senhor Galates. — se ergueu revelando o corpo delgado e definido, por baixo da toga de linho cor de ouro, o manto vermelho sobre o trono e nas mãos anéis e pequenas correntes nos pulsos, deixando claro o se poder — Pois sabes o motivo de meu chamado, um membro de sua família e seu amigo, atacaram minhas terras, com a desculpa de que às mesmas lhes pertenciam há tempos. Sabemos que isso não é real e que as terras que hoje ocupas, foram de minha família, tomadas de forma ilegal e traiçoeira. — se aproximou do loiro — Está de posse não somente de uma de minhas terras, mas de várias, deixando meu povo sem abrigo e muitos mortos pelo caminho. — estava a dois passos do mais velho — Pois façamos uma troca, você tem suas próprias terras, não entendo porque desejar as minhas, devolva-me duas e lhe entregarei os prisioneiros, ou, fique com elas e eles serão meus escravos. — informou firme. Mesmo que soubesse que jamais faria isso, nem com eles e nem com ninguém.
Por um longo intervalo de tempo não respondeu, encarando o homem em sua frente com uma ira crescente. O desejo de matá-lo se apossando de cada parte de seu corpo, à medida que aquelas palavras ecoavam por sua mente. Aquelas terras eram suas, talvez não por direito, mas depois de tudo que o pai dele fizera para sua família, era o mínimo que mereciam como recompensa.
– Estás enganado, tenho todo o direito de me proclamar dono delas, nossas brigas de famílias transcende gerações, muito me devem. — entoou altivo, disposto a não fraquejar — Realmente pensei em fazer um acordo, mas diante disso, de tais circunstâncias… Não o farei mais. Deixe livre meu irmão imediatamente, ou sofrerá as consequências de modo inimaginável. — ameaçou.
– Não é uma ideiasábia ameaçar-me, em nossa última disputa, fostes massacrado por meus homens, você tem no total de dez terras que pertencem a mim, caso contrário, só teria uma de sua família, estou fazendo a troca de pessoas de seu meio, por duas, logo se vê o quão ganancioso és. — riu sacana — Saia de meu reino, não haverá acordo, eles serão meus escravos agora, e algo me diz que cuidarei melhor deles do que você. — virou-se para voltar a seu trono, o olhar feio de sempre a postura soberba.
– Maldito… — Saga sentia o sangue correr quente pelas veias, mas não daria o gostinho para aquele bastardo usar aquilo em favor próprio, afirmar sua derrota, era muita audácia do ruivo e jurava em silêncio, tirar aquele maldito riso de canto dos lábios do rei, independente do preço, teria sua vingança — Não ouse tocar em um fio de cabelo dele… Ou pagarás um alto preço. Você venceu uma batalha, mas esta guerra está apenas começando…
– Não me ameace, sou melhor do que você em tudo, não teria coragem de maltratar ninguém dessa forma, então garanto que ele será mais feliz aqui. — sorriu sacana — Saia… Agora.
– Ah Kamus… Está muito enganado se pensas que me curvarei a você… — se afastou disposto a sair dali, mas antes deteve-se, um sorriso sínico se moldando em seu rosto — Assim que tiver meu irmão ao meu lado outra vez, o matarei lentamente, das piores formas possíveis, só para ver seu sangue escorrer por entre meus dedos… Fique ciente disso.
– Fique à vontade para tentar… Antes disso… Sua cabeça estará dependurada em minha sala, como enfeite pessoal. — riu cruel, vendo-o sair furioso — Tragam os forasteiros, e chamem Shaka. — ordenou com a voz branda, respirando pesado, aquilo daria errado, muito errado.
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Humilhante… Ser arrastado daquela forma como um animal para o abate era a pior coisa para alguém que carregava o seu sobrenome.
Para sua infelicidade, sabia que Saga ria de sua situação, afinal, como um bom líder e senhor supremo, sempre lhe passara na cara que não era um guerreiro digno, e ainda tinha outro porém…
Milo como todo soldado frente a uma batalha, não podia hesitar… Mas o fizera, como um desleal que perde de propósito, não tivera coragem de matar o inimigo e como resultado de sua incompetência, encontrava-se preso, machucado, derrotado, dentro e fora do campo.
E mais humilhante ainda, era se ver diante daquele homem, cuja expressão fria e soberba o fazia pela primeira vez, desde que viera a vida, sentir medo… Era de uma beleza resplandecente, os fios ruivos a penderem como cascatas, os olhos de um vermelho acastanhado, uma cor que nunca vira… Um anjo corrompido em um demônio, tinha certeza disso, mas estava disposto a implorar pela liberdade do amigo… Não permitiria que Ikki pagasse por seus erros, mesmo que sofresse na pele a consequência de seu ato.
– Mas o que lhes fizeram? — gritou perdendo a parca paciência — Fui claro quanto a machucá-los, não era permitido, quem descumpriu minhas ordens? — se aproximou dele com cuidado, fascinado com tanta beleza. Que os deuses o perdoassem, mas o irmão de seu inimigo era o ser mais belo que já tinha visto em sua existência. Os cabelos loiros, de um dourado intenso, os olhos azuis que ao contrário dos de Saga, denotavam uma pureza encantadora.. — Perdoe-me, punirei quem o machucou… Não era a intenção. — viu o lábio machucado e suspirou — Cuidarei disto… Por que seu irmão não tem o menor amor por você. Não aceitou o acordo… Por isso ficarão aqui até que entremos num acordo, mas não os tratarei como escravos, serão meus convidados e terão aposentos adequados, aos dois… — limpou o sangue que escorria do loiro — Você será responsabilidade minha, seu amigo será responsabilidade de meu amigo e conselheiro, Shaka. — informou apontando pro loiro.
– Ótimo, saio de um reino com uma boneca vadia e venho pra um onde a vadia é da nobreza. Mereço. — Ikki que até então se mantinha em silêncio, cuspia as palavras encarando o loiro que lhe mirava cruel. Reconhecia que o infeliz era bonito, mas não se curvava a pessoas como ele…
No entanto, ao contrário do amigo, Milo encarou aquilo de outra maneira.
– Está dizendo-me… Que nos tratará como convidados? — foi impossível não perguntar. Os olhos azuis mergulhados nos do anfitrião, demonstrando toda sua dúvida. Imaginava que seu irmão não teria pena de si, mas esperava ser tratado como um escravo ou coisa pior, como o tal guerreiro que lhe batera dissera. Que seria a “vadia” do rei. Mas apesar do jeito frio e distante, ele estava lhe demonstrando outra coisa? Seria brincadeira? Sentia-se confuso, ainda mais com aquele toque — Não quero ficar sobre os seus cuidados… Pode jogar-me novamente nas masmorras, não importa-me . — entoou arisco.
– Não é de meu feitio agir com tanta crueldade. Mais uma vez peço perdão pelo tratamento de meu soldado, não ocorrerá outra vez.Imagino que sua resposta venha pela ideia de que lhe farei escravo, sexual pela sua cara, não se preocupe, não tocarei em você, senhor Galates. — se afastou um pouco, lhe encarando firme — É uma promessa.
– Devo confiar nas palavras de um rei que visivelmente quer me fazer de moeda de troca? — mais uma vez as palavras lhe saíram ásperas, nada fazia sentido.
– Não há motivos para desconfiar das palavras de Kamus, o rei não mente. — o conselheiro que até então não se pronunciara, nem quando fora provocado pelo acompanhante do loiro, decidira por se manifestar — E não admito que me trates assim, Ikki, é esse o seu nome não é? — o encarou também com desdém, parecia um selvagem, mas até que tinha seus “atrativos”.
. — Pois vejam, o boneco de cera fala. — cruzou os braços — Somos convidados, posso dizer o que me vier a mente, sem impedimentos. — riu sacana.
– Estou fazendo pelo bem de meu povo, não aguento mais esse banho de sangue, nem por minha parte e nem pela de vocês. Estou ansiando que seu irmão coloque a mão na consciência e aceite, mas enquanto isso, não ocorrerá nada de ruim com vocês. — afirmou se sentando.
– Desculpe… Mas ainda não consigo acreditar. — respirou pesado, enquanto alisava os pulsos vermelhos pelos correntes e disfarçava a evidente dor que sentia por todo seu corpo. — Pode me deixar nas masmorras. — insistiu.
– Não voltará, os quartos estão prontos, você ficará ao lado do meu e o de seu amigo, ao lado do Shaka. — informou, ignorando as provocações dos outros dois — Terão serviçais ao dispor de ambos. — fez sinal e elas apareceram — Não dormimos com nenhum de nossos empregados nem os tratamos mau, espero o mesmo de ambos, esse respeito. Milo, elas lhe levarão para o quarto, já limparei seus ferimentos.
– Eu disse que o Kamus era confiável, eu não sou. — Shaka voltou a falar, se aproximando perigosamente do moreno — Acho bom não me desafiar…
– Por que, o que fará? — desafiou — Confiaria minha vida ao seu rei, mas a você não confio nada, será interessante testar-lhe. — riu provocante.
– Pois se arrependerá… — fez um aceno dispensando às serviçais. — O guiarei até seus aposentos.
– Será um prazer… Loiro. — piscou sacana o seguindo.
Diante de tudo aquilo, Milo ainda pensou que o melhor seria recusar, mas vendo que o próprio amigo e parceiro não estava nem aí pra situação, muito pelo contrário, estava se divertindo, resolvera permanecer ali mesmo, seguindo às empregadas até os aposentos indicados. Tentando ignorar o fato do rei ter informado que limparia seus ferimentos. Não queria a ajuda daquele homem.
– Shaka, não me arrume problemas. — Kamus entoou com pesar vendo-os saírem de suas vistas. Certo que o loiro era chato, mas era estranho ver ele agir daquela fora com o moreno, algo não sairia bem daquela história entre eles — Quero Máscara da Morte aqui e agora. — rosnou irritado.
E em alguns segundos o moreno, que além de chefe da guarda era seu braço direito, entrara de forma imponente.
– Mandou me chamar, meu senhor? — o guerreiro alto se apresentou na enorme sala, ajoelhando-se frente ao ruivo com respeito.
– Não tem ninguém aqui, tais coisas são desnecessárias… Mas o que merda foi aquilo com o Galates? — o encarou preocupado — Disse para não tocar nele, neles, por que, Máscara da Morte?
– Por que ele me provocou Kamus… Por que recusou-se a me matar quando teve a oportunidade… — o encarou sem conseguir disfarçar a raiva. De alguma forma, aquilo lhe fora humilhante e degradante — Ele não pediu clemência uma vez sequer… Perdi o controle, sinto muito.
– Ele é diferente do irmão… — suspirou — Não pode perder o controle desta forma, Milo é nossa moeda de troca para que nosso povo tenha espaço e menos mortes, sabe que mesmo que tenha estima por você, não permitirei que desacate minhas ordens uma segunda vez, não repita essa sandice, está de aviso. — disse firme.
– Como quiser… — firmou, sabia que desobedecer ao ruivo uma segunda vez, era cometer suicídio — Agora se me permitir à pergunta… Por que diz que ele é diferente do irmão? Por que teve pena de dar fim a minha vida?
– Por que ele tem olhos bondosos e poupou nosso povo, isso já é digno de meu respeito eterno. — respondeu — Cuidarei dele agora… Não faça besteira… Por favor.
– Espere Kamus… — o moreno o chamou percebendo algo que não foi de seu agrado, na forma como ele entoara suas palavras — Não se confunda com isso, sabe que pode ser só ilusão… Não coloque tudo em risco.
– Não colocarei e… Máscara, se em algum momento eu perceber que farei isso… Coloque-me de volta ao prumo. — pediu gentil subindo as escadas.
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Ao ver-se só nos aposentos que em nada se pareciam adequados para um prisioneiro, Milo se permitiu relaxar. Tudo que até então havia reprimido frente aos seus algozes, escapava de seus olhos em um choro silencioso, enquanto tratava de puxar a bata de linho suja de terra e sangue para fora de seu corpo. Notando as marcas e cortes evidentes por sua pele e ciente de que internamente estava quebrado.
Odiava-se tanto… Uma parte de si afirmava que não tê-los matado quando tivera a oportunidade fora o correto, mas sua outra parte, à que mais dava valor e importância ao que seu irmão dizia,lhe martelava o quão fraca fora sua atitude. As palavras de Saga ecoando em sua mente, dizendo-lhe que não passava de um peso morto que nem na nobreza deveria ter nascido. Uma vergonha para seus pais já mortos.
– Desculpe entrar… — não esperava ver o loiro chorando nu — Não queria lhe causar tanta dor… Perdoe-me. — pediu, tentando não se abalar com a cena, se aproximando devagar.
– Não preciso de sua pena, guarde-a para você. — entoou secando os olhos rapidamente com as costas das mãos, puxando a bata para colocar novamente em seu corpo — Estou aqui pra cumprir seus propósitos, então termine isso de uma vez, me matando. — o encarou respirando pesado — Meu irmão não fará nada, está perdendo seu tempo…
– Não sinto pena, esse sentimento é desprezível. — o impediu de se cobrir — Não o matarei nunca, então, permita que lhe cuide enquanto estiver sob meu teto. — pediu gentil.
– Qual o seu problema? Ouviu o que acabei de lhe dizer? — desviou o olhar para as mãos alvas que seguravam suas vestes, tão próximas das suas — Perdes seu tempo, Saga não aceitará essa troca, serei um peso e um incômodo estando em seu reino.
– Nenhum ser humano, que abaixa sua espada podendo morrer, merece sofrer, posso provar que não és um incômodo…Que é o inverso…
– Está… Convidando-me para ficar aqui? — perguntou confuso, aquilo ainda lhe parecia tão absurdo — Eu não vou me submeter a ser um fetiche sexual. — chegou à conclusão tentando puxar suas roupas de volta.
– Não o usaria para fetiches, nem ao menos os tenho. — informou vendo as marcas — Sou doutor também, deixe que eu cuide para não inflamar. — pediu — Prometo ser rápido.
Demorou um pouco para responder, tentando considerar aquelas palavras, não sabendo se poderia confiar nele, ou no soldado que o espancara. Tinha ciência de que era bonito. Longos cabelos loiros, olhos azuis, pele bronzeada, traços marcantes… Já fora objeto de desejo até mesmo de Saga, o que tornava difícil pensar que o homem a sua frente não queria nada.
– Está bem. — mas resolvera aceitar, a voz saindo em um tom bem abaixo de seu tradicional, recolhendo suas mãos, mas fazendo questão de analisar todas as ações do ruivo.
– Merci. — começou com cuidado, com calma e sem pensar e tentando não pensar em nada. Cada toque era gentil e preciso — Pode se banhar, está pronto. — se ergueu, lhe olhando com delicadeza, prometera que seria rápido e o fizera, provaria para o arredio loiro que era um homem de cumprir o que prometia — Pedirei que tragam algo para que se alimente, quando quiser fazer as refeições conosco será um prazer. — deu as costas para sair.
– Obrigado. — disse baixo antes que o outro conseguisse alcançar a porta. Erguendo-se da cama ainda relutante, mas educado o suficiente para denotar sua gratidão. O entardecer deixando adentrar pelas janelas a luminosidade do poente, demarcando o corpo perfeito que possuía — Eu prefiro ficar aqui…
– Estarei no quarto ao lado caso precise… — virou para lhe olhar e suspirou — Em breve voltarei para saber se precisa de algo. — saiu, tentando se conter. Estava com pensamentos conturbados, e seu interior o alertava do perigo que aquilo poderia significar.
Milo deixou-se sentar novamente, cansado, sentindo dores, com medo de seu futuro… Não sabia o que esperar, não sabia em quem deveria confiar… Se via perdido, e sem rota de fuga. Por que errara como guerreiro, errara como irmão, e de fato nem sabia se poderia ser, outra vez, considerado um por Saga.
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– Então fora mesmo cuidar pessoalmente do “príncipe”? — Shaka que aguardava pacientemente do lado de fora, entoou quando vira o ruivo saindo. Deixara o guerreiro moreno em seus aposentos e já possuía ideias a respeito dele, a questão era… Quais as intenções do amigo?
– Sim, e sei o que está pensando… Não farei sexo com ele. — informou — Já você… — riude lado — O que quer saber sobre o príncipe e o que fará com o outro?
– Se já sabe o que farei, qual o motivo da pergunta?- se afastou indicando o caminho para seguirem — Acredito eu que fora precipitado dizer que não utilizará da situação. Ele é bonito, deve lhe servir para satisfação carnal… E sabe que precisa, com urgência. Quando fora a última vez que se deitara com alguém?
– Shaka, não e não. — fora taxativo, seguindo ele — Uns muitos anos. — deu de ombros -Mas não ligo para isso.
– Não liga? — o olhou de relance — Kamus, qual o seu problema? Ele é nosso inimigo, nosso prisioneiro, seja quais forem nossos desejos devemos obedecer… E sinceramente? Já que a reposta do Rei Galates fora negativa ao acordo, não pretendo devolver o moreno, o quero para meus propósitos. E se eu fosse você, faria o mesmo.
– Seus propósitos são carnais e claramente ele os cumprirá de bom grado. — suspirou, sentando-se à mesa com ele — Nenhum homem que abaixe a espada para não matar, merece ser tratado de forma vil. Serão meus convidados, e não tocarei no Milo, não se o mesmo não desejar.
– Isso pode ser apenas para te confundir. — comentou também se sentando, concordava que o “príncipe” ter-senegadoa matar durante a batalha era algo muito estranho, mas vindo de um Galates — Você sabe como os membros dessa família são mentirosos e mesquinhos. Ele claramente não se negará a te satisfazer se tentar algo… O outro por exemplo, não recuou a uma investida minha. — afirmou — Se eu fosse você, tiraria a prova… Ele pode te servir bem, caso não passe de um bastardo como o irmão.
– Shaka, Ikki claramente tem interesse em você, Milo não têm em mim e me recuso a prosseguir com este assunto, não dormirei com ele, nunca me deitei nem mesmo com os que eram escravos de meu pai ou do seu pai, não o faria com um convidado. — sua voz era baixa e firme — Não somos iguais a eles, não farei com Milo o que eles fariam com um de nós. — antes que pudesse completar seu pensamento vira uma das servas se aproximar, e informar que o loiro ardia em febre — Irei agora. — se ergueu de pronto — Shaka… Aconselho a não se enganar com sua ideia de usar o moreno, às vezes as coisas saem muito do planejado.- deu as costas seguindo para o quarto do "inimigo".
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Sua mente vagava em delírios que de certo não sabia se eram reais… Via sangue por toda a parte, enquanto seu pai e irmãos desfilavam por entre os corpos como se proclamassem o gosto de sua vitória perante os mortos.
Podia ouvir-lhes dando ordens, exigindo que fizesse o trajeto, ordenando para que também matasse… Mas ele era só um garoto…
– Eu não quero pai… Eu não quero…
– Milo… Milo. — chamou colocando panos frios nele — Isso não vai adiantar. — o pegou no colo, entrando na banheira de água fria — Vamos, acorde… Acorde. — pedia desesperado.
– Tem sangue… Por toda parte… — sussurrou se agarrando ao corpo que o segurava — Eu não quero fazer isso… Por favor…
– Você não precisa fazer nada… — molhava seus fios com cuidado — Abra os olhos… Abra… — sussurrou em seu ouvido — Não há sangue aqui… Está tudo limpo.
– Kamus… — murmurou, por fim, abrindo os olhos, reconhecendo a voz suave e grave, o corpo ainda estremecendo com espasmos, mas sabia que ele não era o seu inimigo — Eles… Eles querem que eu mate… Mas não quero… Eu não quero…
– Não precisa matar ninguém enquanto estiver aqui. — era uma promessa, mantendo seus corpos colados ainda o segurando — Não vou machucar você… Não fique assim… — afagou seu rosto — Vou secá-lo e vestirá algo leve, depois comerá alguma coisa.
Demorara alguns segundos para que tivesse noção do que acontecia, mas quando ocorrera, tornou-se impossível não estranhar toda aquela situação.
– Por que está me ajudando? — perguntou baixo, a mente ainda vagueando entre realidade e alucinação, mas ciente de que o ruivo estava ao seu lado — Deveria me odiar… Por tudo que fizemos…
– Por que eu não odeio pessoas inocentes como você. — sorriu fraco — Eles torturaram sua mente… Jamais faria isso. — o ergueu da água pegando uma toalha, apoiando o loiro no chão para retirar suas vestes e secá-lo — Não permitirei que o machuquem mais.
– Eles vão destruir o que amas… Agora que não estou liderando… Eles não se importarão de matar… — o encarou respirando com certa dificuldade, sentindo frio e abraçando o próprio corpo — Não poderei ajudar… Sinto muito.
– Não há necessidade… Precisa se acalmar. — enrolou um manto nele e se despiu, colocando uma roupa seca, deixada lá por uma das criadas — Precisarei esquentar você. — levara o loiro até a cama e deitara com ele, cobrindo os corpos, era começo de inverno, normal sentir frio, mas ele estava batendo os dentes, o aconchegou em seu peito, pegando uma uva e levando aos lábios carnudos e arroxeados – Coma… Lhe fará bem.
– Você não é como dizem… — abriu a boca aceitando a fruta, sentindo-se mais calmo, percebendo que realmente não havia sangue e que ele estava aos cuidados de um anjo… Que pela primeira vez lhe parecia gentil e atencioso sem exibir quaisquer máscaras de frieza e superioridade — Mas não precisa fazer isso. — o afastou um pouco, de alguma sentindo-se estranho pela forma que era tratado — Sei que é bom, não duvido mais…
– Não quero provar nada. — o aproximou novamente — Agora espere seu corpo esquentar e coma. — levara mais uma uva para seus lábios — Estou apenas cuidando de meu hóspede.
– Você cuida de todos os seus hóspedes assim? — não pode evitar a pergunta, voltando a aceitar o alimento, mas dessa vez um mínimo sorriso se moldava em seus lábios ainda trêmulos de frio — Ou faz isso por que… — se deteve deixando o gesto morrer, se lembrando de coisas que um dia escutara de Saga — Por que… Sou diferente? — afinal, era assim que se sentia. Sempre lhe descreveram como um pecado…
Mas o ruivo também era tão belo...
– Está certo… Estou fazendo isso porque é diferente, e desperta um lado bom em mim. — afirmou, pegando um copo de suco de frutas frescas — Beba. — ergueu um pouco a cabeça dele, levando a boca, mergulhando nos azuis — Um coração puro… Merece um tratamento especial.
– Não sei se sou um coração puro. — entoou bebendo o líquido, o peito disparando de repente, enquanto um leve tremor percorria seu corpo e não era mais por causa do frio — Somos objetos de matança, Kamus… Nossos antepassados nos ensinaram assim, e se, de fato, meu coração for puro, sou um objeto inútil como Saga sempre disse…
– O que Saga fala é irrelevante… Pra mim você tem utilidade… Pode me ensinar a ser menos cruel… — retirou os fios de sua face com carinho — Tenho uma proposta a lhe fazer e não é indecente.
– Então faça… — sua voz saiu em quase um suspiro, o toque inocente o fazendo estremecer como há muito não lhe ocorria.
– Você se importa de dar aulas para as crianças da vila? — sorriu fraco, acariciando seu rosto.
– Kamus… — teve que sorrir um tanto irônico com aquilo, embora o coração estivesse disparado com aquela carícia — Eu sou irmão do homem que lhe roubou suas terras, as terras dos pais dessas crianças.
– E ninguém sabe disso… — era bom tocar sua pele — Pode ser uma forma de se desculpar, já que sente culpa, mesmo não a tendo.
– Eu… Tudo bem. — concordou segurando sua mão e detendo os movimentos que fazia em seu rosto — São macias demais para um guerreiro, não é? — perguntou desviando o olhar do dele — Parecem seda, e seu rosto também.
– Evito erguer uma espada… — segurou a mão dele e levou ao seu rosto — O que acha? — sussurrou, fechando os olhos com a mão igualmente macia em sua pele.
– Realmente seda… — sorriu o encarando. E diferente de todas as outras vezes que o observara, agora ele conseguia enxergar uma beleza quase ingênua, traços gentis e suaves, assim como os cabelos vermelhos — Você é lindo. — e de repente se apercebia encantado.
– Merci… Você também é. — contornou com um dedo a boca pequena — Tem lábios lindos, Milo. — céus, não podia enlouquecer por ele, mas já lhe parecia tão tarde.
– Não tenho não. — soltou o rosto um tanto desconfiado, a mente sendo inundada por várias dúvidas — Desculpe, mas acho que deveria ir embora agora.
– Sim… Eu devo. — ele estava certo, mas queria fazer uma coisa antes, se inclinou para lhe selar os lábios, rapidamente, sem maldade, se afastando em seguida, sentindo o corpo responder rápido em um calafrio por toda espinha com um simples tocar na boca pequena — Caso precise de algo, estarei no quarto ao lado e os serviçais estão a seu dispor. — chegara até a porta com passos calmos — Boa noite.
– Boa… Noite… — Milo sussurrou um tanto surpreso, não esperava aquilo, mas… Fora tão bom. Os lábios suaves eram tão macios… Apenas um simples roçar, e seu coração disparou feito louco dentro do peito. Nunca sentira isso, nem mesmo pelo seu antigo amor — Kamus. — chamou aumentando o tom de voz — Não posso sair dos domínios do seu reino… Estou preso aqui, de toda a forma, não é?
– Pode ir pra onde quiser… — não poderia prender ele lá, seria agir como Saga… E de alguma forma, se imaginar prendendo alguém contra vontade, lhe era degradante — Só gostaria de pedir que voltasse… Mas se não voltar entenderei. — estava abrindo mão de suas terras e de sua pouca paz por ele.
– Está… Libertando-me? — teve que se levantar e ir até ele, acabando por deixá-lo entre seu corpo e a porta — Está mesmo me deixando ir embora? Sabe que Saga fará o inferno para te matar, se fizer isso?
– Gostaria de lhe afastar dele, claramente é infeliz ao lado dele… Gostaria que ficasse por uns dias, conhecesse meu povo, mas entenderei se desejar partir. — mostrou sua dor e seu receio pra ele.
– Por quê? — levou as mãos até os cabelos, bagunçando-os em claro sinal de nervosismo — Por que quer fazer isso por mim? Não faz sentido… Não deve se importar comigo.
– Por que nunca… Ninguém se importou com o que eu sentia… Vi em você algo que anseio que não perca… Sua bondade. — tocou seu rosto — Existe outra forma de viver, Milo… Sem matar ninguém… Você pode ter isso.
– Mas o meu irmão… — fechou os olhos, a confusão aparecendo em sua face sem que pudesse evitar. Por que de repente tudo que aprendera ruía. Fora ensinado a matar, mesmo avesso aos ensinamentos, e sua bondade era motivo de vergonha — Isso é uma fraqueza.
– Fraqueza é não seguir seu coração… — beijou sua testa — Não se torne alguém como Saga e eu, repleto de ódio, de maldade, de tudo o que há de pior. Não seja como nós. — se virou para sair — Fique pelo reino até seu coração ter certeza do que quer.
– Na verdade tem uma coisa que meu coração quer nesse momento… — o segurou abraçando-o por trás. Não entendia o que era essa sensação, o porquê da necessidade de sentir o calor que ele emanava… Por que sentia tantos calafrios e não compreendia se era certo ou errado sua forma de agir. Mas de uma coisa tinha ciência, nem mesmo por Afrodite seu coração batera daquela forma — Eu quero que me beije de novo… De verdade…
– Milo… — se virou par ter certeza do que ele dizia e os olhos azuis lhe confirmaram. Segurou sua nuca, tocando os lábios macios, indo lentamente, massageando, mas sem forçar nada.
E mais uma vez um tremor se espalhou por seu corpo, mas diferente das outras, era como se larva percorresse por suas veias, um calor enlouquecedor que aumentava cada vez que a língua afoita se enlaçava a sua, que os lábios contornavam os seus com gula… Nunca tinha experimentado nada igual, nunca sentira tanto com um simples beijo… Abraçou-o lhe colando os corpos, deslizando as mãos por suas costas, arranhando o tecido de algodão puro.
– Kamus…
Sentir o sabor do grego era mágico, o melhor beijo de sua vida, de alguma Milo era completamente diferente de tudo e de todos. Ouvira seu nome, se afastando um pouco, acariciando seu rosto, ainda sentindo o gosto de sua boca.
– Caso precise, sabe onde me encontrar e entenderei se não se despedir de mim quando partir. — se afastou e sorriu triste.
– Eu não vou… — suspirou, realmente entorpecido pelo ósculo, mas ia além, Milo se via em um conflito interno, porque de repente ver aquele homem correr o risco de morrer lhe doía na alma — Ficarei aqui… Posso ajudar caso o Saga… Caso ele queira lhe machucar.
– Não vai lutar contra seu irmão, se quiser ficar de verdade, que seja por outros motivos… Só pense. — sorriu — Mas agradeço pelo cuidado. — saiu, com o coração aos pulos, um receio latente de que ele fosse.
Continua…
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