War of Hearts (Scorpius/Rose) - Cap 15 postado
4 Capítulo 4
Alguns dias depois...
Rose estava em seu quarto estudando, quando a porta se abriu e Albus entrou. Ela nem precisou erguer os olhos para saber que era ele, já que Albus era a única pessoa que entrava em seu quarto sem pedir licença – a não ser quando ela pendurava na porta um aviso bem específico com a frase: ALBUS SEVERUS, NÃO ENTRE SEM BATER.
Não demorou e Albus se jogou ao seu lado na cama, tirando o livro de História da Arte de suas mãos. Folheou algumas páginas sem demonstrar interesse e em seguida colocou sobre a cômoda.
— Eu preciso de atenção – Albus declarou.
— Você está sendo inconveniente.
— Eu sou inconveniente quando preciso de atenção – Albus deu de ombros e prosseguiu – Dominique parou de falar comigo.
Rose revirou os olhos. A última coisa que ela pretendia era ficar no meio dos dois, mas sabia que ele não desistiria até obter respostas, então apenas suspirou e falou:
— Talvez porque você tenha sido um idiota.
— Eu acho muito errado você me julgar como idiota, quando na verdade sou um docinho de pessoa e faço todos a minha volta sorrirem com minha presença.
Rose deu uma risada e balançou a cabeça negativamente.
— Ah é? E por que a Domi não está feliz com sua presença?
— Por que você está sendo cruel comigo? – ele perguntou e cruzou os braços – Eu nem vou perguntar se ela te contou o que aconteceu, porque já sei que sim. Eu só queria uma ajuda para saber como fazer as coisas voltarem ao normal.
— Albus, você não pode esperar que as coisas voltem ao normal se você foi o primeiro a agir com anormalidade. Aquele seu discurso de “não é você, sou eu”, que usou para cima da Dominique foi ridículo. Ela não esperava que você a pedisse em namoro no dia seguinte.
— Eu estava tentando ser um cara decente. – ele se justificou – Não queria que ela simplesmente criasse esperanças.
Rose deu uma risada baixa e respirou fundo. Amava seu primo com todas as forças, mas às vezes sentia vontade de socar sua cara, tamanha sua lerdeza.
— Ela não estava criando esperanças, Al. – Rose suspirou – Entenda, o fato dela gostar de você não significa que vá rastejar aos seus pés. Ela não se chateou por vocês ficarem. Ela se chateou porque você a tratou como uma criança que precisava entender as regras da brincadeira. Foi só um beijo e você agiu como se fosse necessário terminar algo que ela sabia que não existia.
Albus ficou em silêncio por alguns instantes, pensando no que a prima havia acabado de dizer. Fazia sentido Dominique estar com raiva. Ele havia pensado que a prima transformaria aquele momento da festa em algo maior do que realmente era, mas ela não fizera isso; ele sim.
— Tem razão, eu sou um idiota. Um idiota amavelmente lindo, mas um idiota.
— E com um ego maior que Londres.
Albus concordou e tornou a pegar o livro que a prima estava lendo quando entrou.
— Não entendo porque se interessa tanto pelo mundo trouxa.
— A minha família materna é trouxa, Albus. – Rose revirou os olhos.
— A minha família paterna também é e nem por isso perco meu tempo tentando entender como a internet funciona, por exemplo. – Albus deu de ombros mais uma vez.
Rose suspirou e passou as mãos pelo próprio cabelo, pensando se devia contar para ele sobre seus planos para o futuro. As únicas pessoas que sabiam sobre isso eram seus pais, seu irmão e seus avós, então achava que esse era um bom momento para abrir o jogo com seu primo e melhor amigo.
— Al, eu pretendo entrar na Universidade de Oxford. Já conversei com meus pais e também com meus avós, e acho que vai ser uma experiência válida estudar no mundo trouxa para entender melhor sobre eles. – Ela finalmente disse. Como seu primo não falou nada, prosseguiu: — Sei que isso parece loucura, mas quanto mais penso a respeito, mais sentido isso faz para mim. Eu sou a neta mais velha dos Granger e sei que eles sentem muito orgulho por ser bruxa, assim como meus pais são. Mas também sei que eles ficariam felizes se eu conseguisse entrar em Oxford.
— Então... você pretende fazer uma faculdade trouxa apenas para seus avós poderem dizer em jantares familiares que tem uma neta que se graduou em Oxford? Isso não me parece algo que você faria.
— Albus, o único motivo para entrar em uma universidade trouxa é porque eu quero. Não é para agradar ninguém, muito menos para ser um troféu para ser exibido em um jantar de família. Você sabe que sempre quis ser Jornalista e Escritora, e é por esse motivo que seguirei com Hogwarts e farei um estágio n’O Profeta Diário. Eu quero poder escrever para jovens bruxos a diferença entre nossos mundos e como podemos viver pacificamente. Pode parecer exagero, mas grande parte de bruxos de nossa idade ainda carregam no pensamento que somos superiores aos trouxas, por eles não possuírem magia. – ela fez uma pausa, respirou fundo e continuou: — E é por causa de pensamentos assim que as guerras começam. Eu quero me formar em uma Universidade para ter a chance de conviver com pessoas que não têm a mínima ideia do que é magia. E depois disso, eu quero escrever para crianças e jovens para deixar um legado que represente igualdade e respeito. Já passou da hora dos bruxos pararem de taxar os trouxas como escória; como seres inferiores.
Albus continuou em silêncio, refletindo sobre as palavras da prima. Era verdade cada palavra que havia saído de sua boca. Era verdade que, mesmo depois da última guerra, algumas pessoas mantinham esse pensamento de que os trouxas e nascidos trouxas eram inferiores e não mereciam dividir o mesmo mundo que eles. E o fato de sua prima se preocupar com isso e com as gerações futuras só o fazia sentir orgulho, já que era difícil ver pessoas da idade deles se preocupando com algo além dos próprios problemas.
— Se você vai, eu também vou. – Albus declarou – Não sei como e não sei por que, mas sei que você é a minha melhor amiga e eu jamais a deixaria enfrentar um mundo novo sozinha. Além do mais, ouvi dizer que as festas universitárias são maravilhosas, então já tenho um ótimo motivo para te seguir.
Rose deu uma risada e abraçou o primo. Sabia que provavelmente era fogo de palha seu interesse por universidade, mas só dele demonstrar apoio a fazia feliz.
— Okay, mas não vamos pensar nisso agora. Vamos voltar para o tópico Dominique.
— Ou vamos falar sobre como farei para desmontar esse triângulo maluco que se encontra a minha vida – Hugo declarou. Rose e Albus estavam tão distraídos conversando, que não ouviram a porta se abrir – A Lily gosta de mim. E a Harleen também. E eu não sei o que fazer.
Albus arqueou a sobrancelha e encarou o primo, que estava realmente exausto.
— Você sabe que a Lily é minha irmã, não sabe?
— Eu conheço todos os parentescos que envolvem essa família, Albus – Hugo disse e rapidamente se deitou do outro lado da cama, espremendo Rose entre Albus e ele – Somos muitos? Somos. Metade de Hogwarts é formada por Weasley’s e Potter’s? Sim, é. Mas eu não vejo como a dissertação da nossa árvore genealógica pode resolver o fato de que estou envolvido em um triângulo amoroso confuso que nem Merlin entende.
Rose deu uma risada baixa, concordando e tentou se ajeitar entre o irmão e o primo, que ainda estavam se encarando e pensando no que dizer.
— Por que todo mundo dessa família se apaixona por parente? – Albus finalmente perguntou.
— Você ouviu a parte em que eu disse que somos muitos? Além do mais, se formos estabelecer uma linha sanguínea a coisa vai ficar complicada já que, tecnicamente, muitos bruxos se casam com os próprios primos. – Hugo respondeu – E eu não queria estar envolvido nessa situação complicada, mas aparentemente Harleen e Lily decidiram que são minhas duas namoradas e agora eu passo o tempo inteiro tendo que tratar as duas igualmente, para não gerar nenhum transtorno nesse relacionamento.
— Espera, você está ficando com as duas? – Albus perguntou, visivelmente chocado.
— Se por “ficar” você quer dizer “beijar a boca das duas”, a resposta é não. Nosso relacionamento não passa de mãos dadas e implicâncias vindas da Harleen, que geralmente é contida pela Lily, que vive em um mundo de unicórnios e coisas fofas. – ele suspirou e olhou para a irmã e para o primo – Eu realmente não sei mais como existir então preciso de vocês.
— Essa é uma daquelas conversas onde precisamos ativar o comitê Lily para decidir o que ela pode ou não pode saber? – Rose finalmente perguntou. A ideia do “comitê Lily” começou com James, quando notou que Lily era boazinha demais para descobrir as verdades sobre o mundo. Todos concordaram com a ideia de protegê-la de informações como “guerras”, “fome”, “pragas” e etc. Eles só não sabiam que precisariam reforçar isso ao longo dos anos, já que a jovem vivia muito feliz em sua Lilyland e ninguém parecia corajoso o suficiente para contar as verdades.
Hugo concordou e respirou fundo mais uma vez, tentando organizar as ideias. Ele não sabia o quão constrangedora seria aquela conversa, então precisava escolher as palavras certas.
— Eu amo a Lily. Eu sempre achei que no futuro seriamos Hugo e Lily; Lily e Hugo. E então a Harleen chegou toda alegre e engraçada, e, sinceramente, nem parece ser filha do seu tio Duda.
— O Duda, na verdade, é meu primo. – Albus corrigiu.
— Tanto faz. – Hugo deu de ombros – As duas são melhores amigas e a Lily decidiu que nós seríamos como irmãos porque a Harleen gosta de mim.
— E o que você sente pela Harleen? – Rose perguntou carinhosamente.
— Ahn... eu vim até aqui meio que esperando essa resposta. Porque a Harleen e eu tentamos namorar e não conseguimos nem conversar. Daí ela jogou suco de abóbora em mim. – Hugo explicou – Antes disso, Lily e eu também tentamos e foi uma tragédia, porque as pessoas esperavam que fizéssemos essas coisas românticas que casais novos fazem e nunca conseguimos ir além do “olá!”.
Rose deu uma risada e passou a mão pela cabeça do irmão caçula, bagunçando seus cabelos. Era engraçado ver como ele se preocupava com suas melhores amigas.
— Hugo, você não precisa estabelecer nenhum relacionamento agora e muito menos se colocar em situações complicadas só porque as pessoas querem.
— Exatamente, cara. – Albus concordou – Eu não sou especialista em relacionamentos duradouros, mas sou em amizade. E está mais do que claro que a amizade de vocês é muito maior do que toda essa palhaçada de triângulo amoroso. Então relaxa e deixa as coisas acontecerem naturalmente. Mas, se minha irmã sair magoada, você ficará com um olho roxo.
— Não sei se devo agradecer ou correr. – Hugo falou – Eu não quero que nenhuma delas saia magoada.
— Então pare de dar ouvido as outras pessoas e não tente rotular ou estabelecer limites para a amizade de vocês.
Hugo concordou e deu um beijo na bochecha da irmã, que sorriu.
— Obrigado, Rose. Você sempre tem os melhores conselhos. – Ele disse e se virou para o primo – Obrigado, Albus. Você sempre sabe como me assustar o suficiente.
Albus sorriu orgulhoso e disse:
— Estamos aqui para ajudar e causar traumas.
~*~
Scorpius não estava exatamente insatisfeito com a presença de Sebastian em sua casa, mas também não estava satisfeito o suficiente para gostar de ter que fazer tudo, absolutamente tudo, junto com seu primo. Não que Sebastian fosse uma pessoa chata, mas eles nunca conviveram o suficiente para criar intimidade e agora que ele havia decidido cursar seu sétimo ano em Hogwarts, era sua função andar com o primo para todos os lugares e tentar coloca-lo em todos os meios sociais possíveis.
Não que fosse difícil, porque Sebastian sabia ser um cara carismático e também era muito inteligente. Mas Scorpius estava acostumado com sua independência, sem precisar carregar mais alguém para festas ou passeios com Scarlett e Will – que ainda estavam meio brigados depois da última festa, o que era totalmente normal.
Agora Sebastian estava em seu quarto, sentado próximo à janela, ouvindo pacientemente sobre seus novos professores, sobre as casas de Hogwarts e, é claro, sobre seus colegas de classe.
— Algo mais que eu precise saber? – Sebastian perguntou, sem muito interesse. Ele também não estava muito confortável com a ideia de ser carregado de um lado para o outro e sendo apresentado a pessoas que ele não estava nem aí.
— Acho que não. Mas, se surgir alguma coisa no meio do caminho eu te aviso. – Scorpius respondeu, se jogando na própria cama – Sério, o que deu em você para largar tudo e vir estudar em Hogwarts?
Sebastian sorriu e cruzou os braços, enquanto se virara para encarar o primo.
— Tédio, talvez. E algumas confusões também.
— Que tipo de confusões?
— Nada que você precise se preocupar. – Sebastian sorriu mais uma vez e se levantou – Aquela menina, Rose... Ela é a sua amiga?
Scorpius concordou com a cabeça e se sentou.
— Sim, por quê?
— Ela é uma pessoa interessante. – respondeu.
Scorpius ergueu a sobrancelha, analisando o primo. Ele permanecia com a mesma expressão desinteressada de antes.
— Interessante não é exatamente a palavra que usaria para descrevê-la.
— E qual seria? – Sebastian insistiu.
— Você quer que eu defina Rose Weasley com uma palavra? – Scorpius deu uma risada seca e balançou a cabeça negativamente – Rose é como um fenômeno natural. Ela é linda, imprevisível e incontrolável. Ela tem sempre resposta pra tudo e não se deixa rebaixar por ninguém. Ela é, sem dúvidas, a pessoa mais inteligente da nossa escola. Ela também é segura, doce e gentil. E uma grande amiga. É impossível definir Rose com uma só palavra, porque ela não é o tipo de pessoa que precisa de uma definição. Rose Weasley se define por ser Rose Weasley e só isso basta.
Sebastian permaneceu em silêncio, ouvindo o primo elencar as características de Rose, entendendo finalmente porque se sentiu tão atraído por ela desde a noite que se viram na festa.
— Não vai dizer nada? – Scorpius perguntou, incomodado com o silêncio.
— Ah, sim. É por tudo isso que você gosta dela.
— Exatamente! Não, espera... O que?
Sebastian riu e se aproximou do primo.
— Você gosta da tal Weasley – Sebastia repetiu – Só uma pessoa apaixonada definiria alguém como “um fenômeno natural”.
— Eu não estou apaixonado por Rose. – Scorpius disse de forma seca. Ele nunca havia pensado nela dessa forma, tirando o dia em que se beijaram. E toda aquela semana, onde ele sonhou todos os dias com aquele beijo e talvez com momentos que iam além do beijo e resultavam em banhos muito gelados pela manhã.
O sorriso de Sebastian aumentou e ele concordou com a cabeça. Passou a mão pelo próprio cabelo e disse, enquanto caminhava para a porta do quarto do primo.
— Se você tem certeza...
— Claro que tenho. – Scorpius encerrou o assunto – E para onde você vai?
Sebastian parou à porta do quarto e se virou para encarar o primo.
— Procurar algo para comer. Acredito que você esteja cansado de falar sobre seus amigos e a escola, da mesma forma que eu estou cansado de ouvir.
Em seguida, Sebastian saiu e foi cantarolando pelo corredor em direção às escadas.
Scorpius, por sua vez, tornou a se jogar na cama. “Rose é como um fenômeno natural”, ele pensou nas palavras que usou para descrevê-la e por um momento sentiu raiva de si. Sua descrição parecia um exagero, agora que pensava com calma, e não culpava o primo por pensar que ele tinha sentimentos por ela. Ele também pensaria se visse seu primo a descrevendo assim. Mas se tinha uma certeza, era de que ele não estava apaixonado pela Rose. E nem por ninguém.
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N/A: Yay, mais um capítulo! E eu espero que vocês realmente estejam gostando. Sei que as coisas andam meio paradas, mas é necessário para que vocês tenham uma visão maior dos personagens e que a história não fique muito embolada.
Muito obrigada pelos comentários. Eu realmente fico muito feliz de ver que vocês estão gostando! Vocês são uns amores comigo ♥
No próximo capítulo nós vamos conhecer a filha do Duda e mais um pouco do Sebastian.
Vocês devem estar meio confusas (os) com a ideia do “Comitê Lily”, mas já adianto que me inspirei em uma série que gosto bastante e o relacionamento da Lily, do Hugo e da Harleen será um pouco baseado nos personagens dessa série, como um presente para minha amiga.
Sem mais, espero que tenham gostado de capítulo. Até a próxima!
Beijinhos,
Marls.
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