Estranha. Essa era a palavra que definia aquela manhã de sábado. Especialmente para Rose, que dividia a carruagem com os amigos em direção a Hogsmeade e se encontrava sentada entre Scorpius e Sebastian, que até o presente momento tinham permanecido calados.

Albus estava sentado a sua frente e era visivelmente o mais acabado dos seis. Seus olhos estavam inchados e ele agradecia a Merlin por ter permissão para usar óculos escuros fora da escola. Sem eles, provavelmente iria piorar a sua enxaqueca.

Will e Scarlett eram os únicos que estavam normais, porque eles já tinham passado da fase de ficar e não se apegar. Eles estavam na fase lua de mel do relacionamento e, diferentemente dos amigos, estampavam um sorriso no rosto.

— Morreu alguém ontem ou foi só a dignidade de vocês que foi pro espaço? – Will perguntou na cara de pau.

Albus deu uma risada baixa e balançou a cabeça, o que foi uma péssima ideia. Sua cabeça parecia que iria explodir a qualquer momento.

— Eu nunca tive dignidade – Albus comentou – E estou de ressaca. Sou um bêbado sem dignidade e com muita enxaqueca.

— Isso que dá não ir até a Dominique se desculpar – Rose alfinetou – Seria muito mais fácil você dizer o que sente, do que ficar aí bancando o Dom Juan com todas da escola só para não se apegar a ninguém.

— Desculpa, prima, mas você não tá com muita moral para falar das minhas escolhas. – Albus respondeu – É você quem está sentada entre os dois ficantes.

— E não tenho nenhuma vergonha disso. Diferente de você, que tem vergonha de admitir que gosta da Dominique.

— O dia que você admitir que gosta do Scorpius, eu admito que gosto da Dominique.

— Como é? – Scorpius se meteu na conversa.

— Não é nada! O Albus quer descontar em mim toda a frustração sentimental dele – Rose respondeu irritada – E, para o seu governo, Scorpius e eu não temos nada.

— Não foi isso o que eu, seu irmão e suas primas vimos ontem – Sebastian deu de ombros.

— Ciúmes, Sebs? – Scorpius alfinetou.

Sebastian deu uma gargalhada e encarou o primo.

— Dizer a verdade é sentir ciúmes agora?

— Ah, verdade. Esqueci que você trocou a Rose para ficar seguindo a Princesa Lily para todos os cantos da escola. – Scorpius alfinetou de volta.

— Tanto barraco pra nada – Scarlett se meteu – Albus, deixa de ser retardado. Se você gosta da Dominique, admita isso enquanto ela ainda sente algo por você. Caso contrário, ela simplesmente se apaixonará por alguém menos imbecil e te deixará de lado. – em seguida, Scarlett se virou para Rose e Scorpius – E vocês dois não precisam fazer os sonsos. Vocês ficaram nas férias, gostaram e pronto. Não tem problema nenhum admitir e repetir a dose.

“E quanto ao Sebastian, não acho que esteja trocando ninguém. Ele e a Rose ficaram, e daí? Eu já fiquei com o Albus e o Scorpius, e segui a vida. O fato dele ser amigo da Lily não quer dizer nada. Vocês precisam parar de ser extremistas e só olhar pro próprio umbigo.”

O silêncio que reinou na carruagem parecia mais barulhento que a discussão. Rose não via a hora de chegar logo ao vilarejo e se afastar de todos para respirar. Tinha certeza que aquela discussão não pararia ali.

~*~

Hogsmeade era um lugar maravilhoso e aqueles passeios faziam os alunos relaxarem. Era ótimo poder visitar a Dedosdemel e reabastecer os estoques de doces, assim como era maravilhoso ir para o Três Vassouras tomar uma cerveja com os amigos ou até a casa de chá da Madame Puddifoot – que mantinha o nome, apesar dos donos já serem outros.

Rose havia optado por ir até a casa de chá sozinha, já que tinha certeza que seus amigos ficariam no Três Vassouras ou iriam ao Cabeça de Javali, importunar o velho Aberforth Dumbledore. Não queria conversar. Não queria ter que sorrir. E, definitivamente, não queria olhar para Scorpius.

Ela não sabia o que estava acontecendo. Scorpius sempre foi seu amigo, mesmo que tivessem várias discussões por ano. Tinha total consciência de que ele era um dos caras mais gatos da escola, mas isso nunca havia feito com que ela olhasse para ele de outra forma. Imaginou que o fato deles terem ficado na mansão dos Malfoy estava ligado ao fato de terem exagerado um pouco na bebida. Mas aí teve a festa na Sala Precisa e eles acabaram ficando de novo, e dessa vez não podiam culpar a bebida já que nenhum deles estava realmente bêbado.

Assim que sua mão tocou na maçaneta e ela ouviu o tilintar do sino, se sentiu melhor. A Casa de Chá da Madame Puddifoot servia o melhor chá com mel e biscoitos, e ela iria desfrutar aquele lugar o máximo que pudesse.

— Ora, ora, se não é a gênia de Hogwarts!

Rose deu um pequeno salto ao ouvir a voz atrás dela. Estava tão distraída escolhendo os biscoitos, que não notou que seu primo, James, estava no local.

— Jay! – Rose abraçou o primo – O que está fazendo aqui?

— Lily – ele respondeu como se fosse óbvio – Papai me pediu para vir checar a pestinha. E você? Com um monte de lugares cheios de boys lindos, por que logo a casa de chá?

— Porque aqui os boys geralmente estão comprometidos – Rose observou – Exceto você, claro.

James sorriu e tocou a ponta do nariz da prima com o indicador.

— Aí é que você se engana – ele sorriu – Eu encontrei o amor da minha vida.

Rose deu uma risada. James era o típico homem apaixonado e sempre que começava um novo relacionamento fazia o mesmo discurso.

— E como se chama?

— Marco – James falou com um sorriso enorme – Italiano. Com um sotaque maravilhoso. Conquistou a todos lá em casa, especialmente a vovó. Ele elogiou a torta de abóbora e ela passou o resto da noite agradecida.

— Uau, se a vovó aprovou, isso significa que ele é mesmo legal.

— Terei a chance de apresentá-lo a todos vocês no natal. – James beijou a bochecha da prima – Agora vou encontrar Lily e me certificar de que ela continua iludida e feliz na Lilyland. Alguma chance de saber onde ela está?

— Se não estiver com o Hugo e a Harls, está com o Sebastian.

— Sebastian quem?

— Primo do Scorpius. O que carregou a Lily durante o episódio triste da festa da Scarlett.

James apenas balançou a cabeça. Conseguia se lembrar vagamente de Sebastian, mas não tinha certeza se gostava da ideia de ver sua irmãzinha andando por aí com um cara mais velho.

— Obrigado pela dica. Até a próxima, Rose.

— Até, JayJay!

Rose abraçou seu primo mais uma vez e em seguida se dirigiu para uma das mesas ao fundo. Não queria companhia e quanto mais escondida ficasse, mais chances de terminar aquele passeio em paz ela teria.

~*~

Lily já havia feito suas compras na Dedosdemel e agora estava levemente arrependida por gastar metade do seu dinheiro com doces. Sua mãe não aprovaria em nada aquele comportamento, mas o que ela podia fazer se era uma viciada em chocolates e caramelos?

Estava andando pela rua ao lado de Harleen e Hugo, quando viu Sebastian caminhando devagar, com as mãos nos bolsos e completamente sozinho. Ela não podia dizer que conhecia o amigo 100%, mas conhecia o suficiente para saber que ele estava chateado com algo.

— Hey! Eu encontro vocês no Três Vassouras, ok?! – Lily simplesmente anunciou e foi correndo até Sebastian, que só notou sua presença quando ela parou na frente dele.

— Não devia estar com seus amigos?

— E você não devia estar com os seus? – Lily retrucou e começou a caminhar ao lado de Sebastian – Você parece chateado. Aconteceu algo?

Sebastian deu de ombros e balançou a cabeça. Não queria comentar a briga que teve na carruagem com o primo e os amigos.

— Coisas da vida. – ele respondeu – Desculpe, Lily, eu ach... – Sebastian interrompeu sua frase, pois logo atrás deles vinha James de braços abertos e gritando:

— VENHA DAR UM ABRAÇO NO SEU IRMÃO, LILIAN LUNA.

Lily se virou e correu até James, que a abraçou e a tirou do chão, girando no ar.

— O papai te mandou aqui? – Lily perguntou enquanto puxava o irmão para onde Sebastian estava.

— O que? É claro que... Ok, sim. – James sorriu – Mas não fique chateada, ele só quer garantir que está bem. E como ele sabe que o Albus só aparece quando a situação fica preta, vim aqui cumprir meu papel.

James parou ao lado de Sebastian, que se mantinha calado apenas observando os dois. Estendendo a mão, ele sorriu e falou:

— Você deve ser o famoso Sebastian.

Sebastian segurou a mão de James em um cumprimento e respondeu:

— Não tão famoso, mas sim. Sou o Sebastian.

— Não tive a chance de te agradecer por ajudar a minha irmã na festa da Scarlett.

— Qualquer um faria o mesmo.

— Nós sabemos que não. – James abriu um sorriso e se virou para falar com a irmã – Tenho novidades.

— Eu adoro novidades! – Lily disse bem animada, o que fez Sebastian dar uma risada.

— Estou namorando de novo.

— Jura? E como ele é? – Lily perguntou mais animada do que antes.

— Lindo. Alto e italiano. Se chama Marco.

— Marco. Adorei o nome. E você o conheceu onde? Ele trabalha com você n’O Profeta Diário?

James abriu um sorriso maior e balançou a cabeça. Sebastian apenas arqueou a sobrancelha, observando a expressão mudar ao se referir ao trabalho.

— Não, Lils, eu o conheci em um jantar. E eu não trabalho mais no jornal. Sabe como eu sou, gosto de variar ao máximo e ficar em um trabalho só nunca foi meu ponto forte.

James beijou mais uma vez a bochecha da irmã e deu um último abraço.

— Bom, eu adoraria ficar e contar minha experiência com essa demissão, mas preciso ir. Nos vemos em breve, baixinha. E quanto a você – James se virou para Sebastian – Obrigado mais uma vez.

Sebastian apenas balançou a cabeça e concordou. Em seguida, sorrindo, James saiu andando e aparatou.

— Ele não é legal?

— Muito – Sebastian concordou – E não me parece aquele garoto que você disse que te chamava assobiando porque seu segundo nome era o mesmo da cadela que a vizinha da Harleen tinha.

— É porque você não teve tempo o suficiente para conhecê-lo. – ela comentou – Venha, vamos. Como parte do meu papel de guia, quero te mostrar A Casa dos Gritos.

Os dois andaram devagar pelo vilarejo, conversando e vez ou outra Sebastian dava risada. Era difícil andar com alguém que parava para admirar flores ou borboletas e que sabia o nome de cada um dos comerciantes daquele vilarejo.

Assim que chegaram até a cerca que indicava o limite da casa, Lily sorriu e apontou.

— Ali é a Casa dos Gritos. Era onde o pai do Ted se escondia em noites de lua cheia. – ela explicou – Ted comprou a propriedade e ajeitou por dentro. Só deixou com essa péssima aparência porque, de acordo com ele, o aspecto assustador que torna tudo bem interessante.

Sebastian sorriu e precisou concordar. É claro que ele já tinha escutado várias histórias sobre aquele local, mas não imaginava que pudesse ter algum valor sentimental para alguém.

— Seu primo está certo. O lugar assim tem bastante estilo.

— Ted, na verdade, é mais um irmão do que um primo. Ele foi criado junto com a gente. Meus pais são padrinhos dele. – ela explicou – E ele trabalha como Auror no Ministério. Fico me perguntando por que o James não vai trabalhar lá, já que ele descobriu que O Profeta Diário não é para ele.

Sebastian deu uma risada baixa, balançando a cabeça e falou:

— Qual é, Lily, você não caiu nessa né?

— Nessa o que? – Lily perguntou e quando Sebastian a encarou pode ver em seus olhos que ela realmente não sabia o que estava acontecendo com o irmão. Ela não fazia a menor ideia do que se passava do lado de fora de seu mundo perfeito.

Para Lily todas as coisas eram legais e todas as pessoas eram boas. Até mesmo as pessoas ruins. Ela não só acreditava que havia justiça e bondade no mundo, como pensava que todos enxergavam as coisas assim também.

E isso irritou Sebastian.

Ele não soube dizer o motivo, mas o fato das pessoas se esforçarem tanto para esconder a realidade de Lily era perturbador. Como sua própria família não a alertava das coisas? Não explicavam que existem sim pessoas ruins. Muito piores do que Suze Parkinson, que a drogou durante uma festa. Aquilo em sua mente era cruel e ele não queria compactuar com o comitê Lily, onde os amigos e parentes se reuniam para decidir o que a Lily podia ou não saber.

— Lily, seu irmão não se cansou do trabalho. Ele foi demitido. – Sebastian disse de maneira firme.

— Não, Sebastian – ela disse com um sorriso – Ele quem quis sair. Ele gosta de variar, não é a primeira vez que muda de emprego.

— Não, Lily. Isso é o que ele quer que você acredite. – Sebastian tornou a dizer – Seu irmão foi demitido por ser gay.

Lily franziu o cenho, claramente confusa. Sebastian só podia estar errado, já que James sempre disse que as pessoas continuaram o tratando bem depois que se assumiu gay.

— Não, Sebas...

— Lilian, me escute – ele se aproximou e apoiou as mãos nos ombros de Lily, que o encarou com curiosidade – Sei que acredita em um mundo feliz e cor de rosa, mas é importante você abrir os olhos. Seu irmão é gay.

— E daí? – ela perguntou – Isso não importa.

— Não pra mim. Nem pra você ou para sua família. Mas existem pessoas más, Lilian. Pessoas que se definem melhores que as outras por sua cor de pele ou orientação sexual. Existem pessoas preconceituosas que acham que o fato de James ser gay significa que ele não deve ocupar uma posição importante dentro de um jornal, para não “manchar” o nome e a reputação.

— Mas... o Jay, o Al...

— Lilian, eles mentiram. Sei que fizeram isso para o seu bem, para te manter na Lilyland ou sei lá como eles chamam seu mundo particular, mas você precisa saber que a vida não é só felicidade. O seu irmão foi demitido por ser gay. O tio Draco quase não conseguiu emprego como medibruxo por ser ex-comensal e várias pessoas sentem um puta desgosto por dividir espaço com Scorpius, que é filho de um ex-comensal.

“Sinto muito se estou furando a bolha do seu universo particular, mas a verdade é que o mundo não é perfeito. Você precisa crescer e aprender o que há por trás de tudo.”

Lily permaneceu em silêncio apenas encarando o vazio, sem acreditar no fato de que as pessoas mentiram sobre a realidade e a fizeram acreditar que tudo estava bem. James era seu irmão e ela acreditava que fosse um dos seus melhores amigos, mas ele não dividia com ela esse fardo de ser vítima de preconceito e sempre a fez acreditar que estava tudo bem, que todos estavam felizes por vê-lo feliz.

— Lily? – Sebastian a chamou, preocupado com todo aquele silêncio.

— Obrigada por ter sido o único a pensar que sou forte o suficiente para saber a verdade. – ela disse finalmente e havia uma seriedade que não era típica da jovem.

— Lily, me escute...

— Desculpe, acho que você pode seguir seu passeio daqui. Caso se sinta deslocado, vá ao Três Vassouras que é onde todos os alunos estão; ou quase todos.

E sem dizer mais nada, Lily se virou e foi embora, deixando Sebastian para trás sem saber se havia feito realmente o certo em contar tudo.

~*~

Dominique estava no Três Vassouras com Jason Patterson, um aluno da Sonserina. Ele a tinha convidado para tomar uma cerveja amanteigada e ela não viu razões para recusar o convite, pois além de simpático ele era muito bonito e no momento isso já bastava. Não estava a fim de sair com alguém que estivesse disposto a investir em um relacionamento.

Tudo parecia estar indo muito bem, até que Albus decidiu aparecer e se sentar à mesa junto com o casal.

— Olá, pessoas! – ele cumprimentou e abriu seu melhor sorriso – Jason, por acaso você está pretendendo sair com minha prima?

— Na verdade, é exatamente o que eu estou fazendo. – Jason respondeu.

— Vocês dois podiam simplesmente parar de falar como se eu não estivesse presente. – Dominique sugeriu um pouco irritada – Albus, você não devia estar com Scorpius ou seguindo a Rose ou procurando algo melhor para fazer da sua vida?

Albus alargou seu sorriso e pegou a caneca de cerveja amanteigada de Dominique. Ele sabia que estava sendo um empata foda, mas não estava nem aí para isso.

— Veja só que coisa incrivelmente engraçada: todos nós discutimos a caminho daqui e decidimos que hoje é o ótimo dia para ficarmos separados – Albus respondeu – E então, o que nós vamos fazer?

— “Nós” não vamos fazer nada. Eu vou ficar aqui com o Jason e você pode ir para o inferno se quiser.

Jason olhou de Dominique para Albus e revirou os olhos. Ficar no meio daquela briga o faria perder o dia livre em Hogsmeade, então simplesmente se levantou e disse:

— Eu vou nessa. Divirtam-se os dois!

Dominique encarou Jason, enquanto Albus deu uma risada.

— Ta vendo, Domi? Ele é um imbecil.

— Exatamente como você. – ela disse bem irritada e se levantou – Eu não sei qual é o seu problema, Albus, mas pare de se meter na minha vida!

Dominique saiu bem irritada do pub e foi seguida por Albus, que não conseguia entender porque estava tão irritado também. Ele só queria voltar a ter a mesma amizade de sempre e não achava que era pedir muito. O problema era que Dominique não estava facilitando seu trabalho.

— Qual é o seu problema, Dominique? – Albus gritou, enquanto a seguia pela rua.

— Meu problema? MEU PROBLEMA? – ela gritou de volta, ignorando o fato de que algumas pessoas estavam olhando para os dois – O meu problema é que você é um idiota que não me deixa ficar em paz. Entende de uma vez que nós não podemos ser amigos como antes e segue a sua vida, porque estou seguindo a minha muito bem.

Dominique tornou a se virar e foi caminhando bem irritada pelas ruas do vilarejo, com Albus a seu encalço. Seus pés a guiaram em direção ao Cabeça de Javali, mas quando estava prestes a entrar, Albus a puxou e foi caminhando com ela para um lugar mais afastado. Eles precisavam conversar e não precisavam de uma plateia para isso.

— Eu não entendo, Dominique. O que eu fiz de tão errado? Foi ter beijado você? Foi ter dito para não criar esperanças?

— Em primeiro lugar, você não me beijou. Nós nos beijamos e até aquele momento eu não tinha nada contra a ideia de permanecer a sua amiga. Eu conversei com a Rose aquele dia e estava super disposta a manter a nossa amizade, independente do nosso beijo.

— E o que mudou? Você precisa me explicar, Dominique. Eu sou homem e homens são burros demais para entender as indiretas. E eu sou mais burro ainda por que fico recebendo altas boladas nos jogos de Quadribol. Então facilita a minha vida.

— Albus, naquela manhã suas primeiras palavras foram basicamente “olha, Dominique, nós ficamos sim, mas nem se iluda com isso”. Você não teve a menor noção; o menor tato. Você simplesmente agiu como se aquilo tivesse sido um erro enorme que precisava ser justificado. Agiu como se eu fosse uma stalker louca, que ficaria no seu pé só por aquilo. E eu fiquei muito chateada sim, mas decidi seguir em frente, porque não estou aqui pra ficar sofrendo por quem não me quer.

“E agora você faz o que? Fica me seguindo, implicando com todo mundo que se aproxima, agindo como se tivesse algum direito de questionar minhas atitudes.”

Albus respirou fundo e coçou a própria nuca. Ele precisava dizer tudo o que estava guardado de uma vez, pois algo lhe dizia que Dominique não lhe daria outra oportunidade de se redimir.

— Dominique, nós sempre fomos muito próximos. Sempre brincamos, flertamos, ficamos nos provocando e etc. E nunca saímos disso porque algo nos dizia que uma vez que acontecesse, não iriamos conseguir ignorar. E naquela noite aconteceu. Nós dançamos, bebemos, saímos para o jardim e ficamos. E, por Merlin, foi muito bom. Eu queria estar ali com você e só com você, e sinceramente nunca senti isso em toda a minha vida.

Ele fez uma pausa, tentando encontrar as palavras certas. Albus não conseguia ser muito claro com relação aos próprios sentimentos, mas estava se esforçando.

— E eu sabia que você sentia isso também. Na verdade, eu sabia que você gostava de mim e não pense que estou dizendo isso por ser convencido ou algo do gênero, mas sim porque eu estava começando a gostar de você... Ok, a quem eu quero enganar? Eu gosto de você. E eu não entendo nada sobre sentimentos, mas acredito que esteja apaixonado por você. E lembra quando eu te disse que sou burro? Então, eu sou. Eu não soube lidar quando acordei e quis estar com você de novo. E então fui covarde e fiz aquele discurso idiota e que te chateou.

Dominique ficou encarando Albus por alguns segundos – que para ele pareceram séculos – e por fim concordou. Deu uma risada baixa, respirou fundo e falou pausadamente:

— Albus, eu não posso dizer o que você está sentindo, mas posso dizer o que eu estou sentindo. Sim, eu fui apaixonada por você durante meses, anos. Mas ai veio aquele episódio da festa e eu decidi que não ficaria te esperando. E agora eu não sei o que eu sinto, porque tudo para mim está muito confuso.

— E o que isso significa?

— Significa que nós precisamos ficar afastados. Eu não posso simplesmente jogar tudo pro alto por alguém que realmente não sabe o que sente e no final da história sair magoada. – ela explicou – Eu gosto de você sim, Albus. Mas eu gosto muito mais de mim e ate que você descubra o que sente de verdade, me deixe em paz.

E em seguida, Dominique se afastou e voltou para o povoado, enquanto Albus ficou parado, observando a garota partir e sem saber o que faria dali por diante.

~*~

Quando Rose finalmente reuniu coragem o suficiente para caminhar pelo povoado, deu de cara com Scorpius saindo do Três Vassouras. Tentou ignorar isso, pensando que se fingisse que não o viu poderia seguir com sua vida, mas o rapaz foi até ela e disse as duas palavras que ela menos queria ouvir:

— Precisamos conversar.

Ela pensou em simplesmente ir embora, mas Scorpius estava certo. Eles precisavam conversar e algo lhe dizia que não seria fácil.

— Então vamos conversar – ela respondeu e foi caminhando com Scorpius ao seu lado.

Era difícil iniciar uma conversa quando as duas partes não sabiam exatamente o que dizer.

— Scorpius, eu não sei o que está acontecendo entre nós e isso é muito estranho, porque eu sempre sei das coisas. – Rose desabafou – Nós ficamos duas vezes na sua festa e eu pensei que isso tinha ficado lá. Mas aí veio a festa de ontem, nós dançamos e quando dei por mim já estávamos nos beijando de novo em uma sala vazia, correndo o risco de sermos expulsos.

— Mil coisas acontecendo e uma das suas preocupações é ser expulsa. – Scorpius observou – Rose, eu não sei o que está acontecendo. A regra do grupo sempre foi o que acontece nas férias, fica nas férias, lembra? Nós podíamos ficar e tudo, mas quando as aulas começassem voltaríamos a ser o grupo de amigos de sempre. E então nós ficamos e eu não consegui deixar isso nas férias. Eu me peguei sentindo ciúmes quando você estava com o Sebastian e eu acho que nunca senti ciúmes de ninguém antes. Quero dizer, as pessoas sentem ciúmes quando estão amando, mas não faz o menor sentido. Pra que você vai sentir algo que vai te gerar ciúmes. Quem precisa de amor?

— Todo mundo precisa de amor. – Rose respondeu – E para ser honesta também não consegui esquecer o que aconteceu no seu aniversário. E é tão irritante tentar estudar e, do nada, pensar em você. E ontem eu me peguei querendo faltar a festa só para não correr o risco de ver você com alguém.

— Tá vendo? Ciúmes é algo estranho, não é de Merlin. – Scorpius disse com firmeza, o que fez Rose dar uma risada. – O que vamos fazer agora? Namorar? Andar de mãos dadas? A última vez que namorei alguém, eu tomei um chifre.

— Em primeiro lugar, você tinha 11 anos. E em segundo lugar, o fato da Penélope ter andado de mãos dadas com outro garoto não foi traição. E ela nem terminou o primeiro ano com a gente, lembra? Ela acabou se mudando para a Espanha com os pais.

— Garotos de 11 anos têm a mente de um de 5 anos. Pra mim aquela cena foi uma afronta. – ele deu de ombros – Em todo o caso, agora que tenho 17 anos minha mente funciona um pouco melhor. E eu não tenho experiência nenhuma para lidar com romances.

— E isso significa o que? Que quer tentar alguma coisa? – Rose perguntou confusa – Porque, se for esse o caso, não acho certo a gente começar a namorar só por causa de ontem.

— Não, não namorar. Não agora, ao menos. A gente pode... tentar se conhecer? Eu não sei, Rose, a inteligente da relação é você.

Rose deu uma risada e concordou. Aquela conversa que era séria, acabou se tornando divertida e leve.

— Vamos ser amigos com benefícios. – ela respondeu – E se em algum momento os dois sentirem que a relação deve ficar séria, a gente muda o rótulo.

Scorpius abriu um sorriso maior e aproveitou o momento para se aproximar mais de Rose, que não se afastou.

— Isso quer dizer que eu posso te beijar quando sentir vontade? – ele perguntou, se aproximando ainda mais.

— Se eu também quiser, é claro que sim. – ela respondeu, envolvendo os braços no pescoço dele.

— Agora você quer?

— Me beija logo, Malfoy!

Scorpius deu uma risada baixa e concordou. No segundo seguinte, os dois estavam se beijando sem medo do que aconteceria em seguida, já que haviam definido o que tinham.

O passeio podia ter dado certo para eles, mas para seus amigos a situação estava mais complicada do que antes. E eles nem imaginavam com os problemas que teriam que lidar quando voltassem para a escola.

~~

N/A: Mais um capítulos, amores!

Aos que estão acompanhando a fic, muito obrigada! Façam uma autora feliz e comentem dizendo o que achou ♥

Até a próxima!!

Beijinhos,

Marls.