Notas iniciais
Hello leitores! Eu tô aqui com um peso no coração para vir dizer adeus. Eu não sei como os outros escritores são com suas histórias, mas para mim é sempre muito difícil me despedir. Cada história tem um significado para mim, é uma parte de mim que compartilho com vocês. Eu amei escrever cada capítulo, cada frase, cada palavra de War. Eu amei poder ler seus comentários, falar com vocês e amei ser tão bem recebida em mais essa história. Obrigada a cada um de vocês que aceitaram embarcar em mais essa aventura comigo, eu tenho certeza que o caminho seria bem menos gratificante se eu não contasse com vocês. Então obrigada por cada comentário que me fez rir ou me emocionar, por cada recomendação que tocou meu coração e me fez acreditar que eu sou quase uma escritora de verdade! Obrigada por quem deixou um favorito e só por isso já me fez feliz, obrigada principalmente por jamais desistirem de mim, nem mesmo quando eu dou motivo para isso. Eu vou dedicar esse epílogo à Maih, que fez uma recomendação e o nyah não aprovou :( , mas aí como ela é brasileira e não desiste nunca ela fez outra recomendação e o nyah não aprovou de novo :( POXA NYAH! VOCÊ TÁ DE BRINCADEIRA COMIGO HEIN?! Enfim, obrigada por mesmo assim tentar! Talvez você tenha mais sorte na próxima vez. Então, é hora galera, vamos dar o adeus oficial à War. Mas antes, eu realmente aconselho a ouvirem a música do capítulo porque ela vai ter uma importância em um momento... https://youtu.be/1UQzJfsT2eo Boa leitura. Ps.: já tem fic nova no pedaço! Meus dedos não se controlam... Para quem assim como eu adora um romance com uma pegada policial tá aí Guilty Pleasure: https://fanfiction.com.br/historia/728228/Guilty_Pleasure/

Well I found a woman, stronger than anyone I know

She shares my dreams

I hope that someday I'll share her home

I found a love, to carry more than just my secrets

To carry love, to carry children of our own

We are still kids, but we're so in love

Fighting against all odds

I know we'll be alright this time

Darling, just hold my hand

Be my girl, I'll be your man

I see my future in your eyes

Baby, I'm dancing in the dark

With you between my arms

Barefoot on the grass

Listening to our favorite song

When I saw you in that dress

Looking so beautiful

I don't deserve this, darling

You look perfect tonight...

(Perfect — Ed Sheeran)

QUATRO ANOS DEPOIS

Oliver Queen

Eu sorri antes mesmo de abrir os meus olhos. Como poderia não sorrir quando eu tinha aninhado junto ao meu corpo a razão para ter um sorriso nos lábios todos os dias? Houve um tempo na minha vida em que sorrir era algo errado, porque sorrisos mostravam emoções e sentimentos, e não me era permitido tê-las. Então eu as escondia profundamente dentro de mim, eu colocava uma máscara séria e impassível diariamente, e foi assim por tanto tempo enquanto eu estive infiltrado na máfia russa, que em determinado momento o homem e a máscara começaram a se confundir. Eu já não conseguia acessar as emoções que havia enterrado.

Até que ela chegou.

Aquela que deixava todas as minhas emoções sempre a flor da pele, a razão daquele sorriso de pura felicidade que jamais deixara meus lábios desde que ela entrara na minha vida. Abri meus olhos fitando embevecido a serenidade em seu rosto, a forma que mesmo dormindo ela parecia feliz. Felicity suspirou, a respiração quente e suave dela batendo em meu rosto, fazendo-me sorrir ainda mais ao encará-la ali, parecendo tão confortável em meus braços, como se fosse feita para aquele lugar. Sua mão estava apoiada em meu peitoral, seu rosto encostado na curva do meu pescoço, fazendo-me sentir não apenas o calor do seu corpo, mas aquela sensação gostosa de pertencer à alguém e ao mesmo tempo sentir que essa pessoa te pertence de volta.

Eu às vezes olhava para a vida que tínhamos agora e pensava no que deixamos para trás, toda a angústia, o medo, a dor. No passado nós sequer podíamos compartilhar um momento assim, estar com Felicity tinha sido perigoso para nós dois, permitir que nossos corações se apaixonassem enquanto estávamos envolvidos com a máfia russa, era praticamente uma sentença de morte.

Mas sobrevivemos.

Não, não sobrevivemos apenas, nós vencemos aquela guerra.

Cada vez em que éramos puxados em direções opostas, cada vez que tentavam nos empurrar para caminhos diferentes ou quando eles tentaram nos quebrar esperando que fossemos desistir. Mas não. Nós lutamos, porque tínhamos algo único que valia a pena preservar, ainda quando tudo parecesse perdido, ainda que tudo estivesse desmoronando sobre nós, de algum jeito nós sempre encontramos o nosso caminho de volta um para o outro. Porque nos pertencíamos, porque quando se ama alguém a dor, o medo, tudo isso se torna suportável, porque o amor te faz forte, o amor te dá motivos para lutar.

Nós lutamos e nós vencemos.

E eu agora a tinha, todas as noites e todos os dias de um esperançoso para sempre. Sem risco de Felicity ser tirada de mim, sem medo de que algo ou alguém nos separasse. Desde que voltamos para os Estados Unidos a vida se mostrou boa, Felicity terminou seus estudos e eu me contentei com um trabalho em um escritório, assim eu poderia voltar para a casa todos os dias. As coisas estavam calmas como jamais haviam sido para nós. E agora nós tínhamos tudo o que poderíamos sonhar em querer ter. Ela me deu a nossa Grace, e nossa pequena garotinha que era a luz dos meus dias, e enchia nossos corações com um tipo de felicidade que eu jamais pensei ser possível. Ser pai era uma dádiva.

Mas para ser honesto, ainda havia algo pequeno que eu não tinha.

Algo que eu queria. Muito.

Mas que eu sabia que Felicity ainda relutava em me dar, embora eu ainda não conseguisse entender o porquê dessa relutância.

Deslizei meus dedos lentamente a partir do ombro dela sentindo a textura suave da sua pele enquanto descia por seu braço até descansar minha mão sobre a dela, olhando para os nossos dedos enquanto os entrelaçava.

— Você parece muito pensativo para uma manhã de domingo. — Felicity me disse com a voz arrastada de quem acabara de acordar e um sorriso preguiçoso nos lábios, seu olhar sonolento me fitando, seus dedos brincando com os meus fazendo o anel de brilhantes em seu dedo anelar esquerdo faiscar com a luz calorosa daquela manhã que adentrava pela janela, me lembrando do que eu ainda não tinha.

Quatro anos.

Felicity Smoak estava me enrolando há quatro anos.

Sim. Ela me dissera sim na Rússia depois que tudo estava terminado, quando ambos estávamos prontos para esquecermos a dor e nos concentrarmos em construir nosso futuro que parecia tão esperançoso. Ela me dissera sim novamente quando eu lhe ofereci um belo anel, durante um jantar íntimo no qual eu segui todo o protocolo: eu escondi o anel em um suflê, e quando ela o achou eu me ajoelhei diante dela e pedi para que se casasse comigo. Ela me disse sim quando eu sugeri que mudássemos para uma cidade mais tranquila para criarmos nosso bebê, ela me disse sim quando escolhemos nossa casa no subúrbio, com cercado branco e jardim, além de um quintal amplo para a nossa pequena brincar.

E me disse sim quando deu a luz ao nosso bebê no hospital geral de Star City.

Ela me dizia sim com seu beijo de bom dia. Em todos os momentos do dia ela me dizia sim. Ela me dizia em todos os sentidos. Ela me dizia sim com um sorriso, com um olhar e com seus beijos ou quando entrelaçava sua mão na minha. Ela me dizia sim quando fazíamos amor.

Ela apenas ainda não tinha se casado comigo e eu suspeitava que havia algo mais a restringindo, e eu odiava ter isso entre nós. Eu estava determinado a derrubar essa última barreira, mesmo que significasse que eu não fosse gostar do que eu via do outro lado.

— Bom dia, senhorita Smoak. — eu disse dando ênfase no sobrenome dela, levando a sua mão até meus lábios onde a beijei demoradamente.

— Você nunca vai parar de dizer meu nome com esse tom? — Ela ergueu uma sobrancelha, um pequeno sorriso brincando em seus lábios.

— Que tom? — fiz-me de desentendido.

— Esse tom baixo que é sexy, mas que não esconde nenhum pouquinho o quanto você preferia que este não fosse meu sobrenome. — ela avançou sobre mim, seu corpo se encaixando com familiaridade sobre o meu, minhas mãos imediatamente foram parar em sua cintura como já estavam habituadas a fazer. Felicity se inclinou sobre mim, seus lábios tocaram os meus levemente, foi uma simples carícia, apenas um roçar leve de lábios para despertar os sentidos, mas foi o bastante para despertar também aquela parte de mim que nunca parecia ter o suficiente dela.

Eu espalmei as mãos em suas costas e a puxei para mim, exigindo mais do que um beijo inocente. A boca dela colou-se a minha novamente, respondendo à minha reação faminta, beijando-me com abandono e desejo, reagindo aos meus toques que logo se tornaram bem mais ousados.

— Eu vou parar de dizer seu sobrenome — eu sussurrei ainda sem fôlego contra os lábios dela que emitiram um sorriso vitorioso.

— Vai? — Ela piscou os olhos, parecendo contente e ao mesmo tempo surpresa por ter vencido aquele impasse apenas me beijando.

— No dia em que você for minha esposa. Porque nesse dia eu a chamarei de senhora Queen! — Virei o jogo ao mesmo tempo em que a virava sobre a cama deixando meu corpo por cima do dela, e a beijei várias vezes, distribuindo pequenos beijos em seu pescoço e perdendo-me em seu gosto delicioso.

— Senhora Queen! — ela disse o nome num sorriso que fez meu coração parar por um segundo — Deus, isso me faz parecer uma velha! — Ela gargalhou com a vivacidade de sempre, sua risada me fazia rir junto com ela, mas mais do que isso sua risada aquecia meu coração e me fazia contente apenas em saber que mesmo depois de tempos sombrios, eu tinha conseguido cumprir a minha promessa mais importante, eu a fiz feliz, eu preenchi a vida dela de risadas e amor. Deixei o seu corpo e sentei-me ao seu lado e apenas a observei, completamente admirado, enquanto tomava coragem para iniciar a conversa que eu precisava ter com ela.

Mas de repente me vi completamente refém dela, do seu olhar que sempre me fascinava, daquela boca tentadora. Será que algum dia eu sentiria menos fascinado com sua beleza? Será que algum dia meu coração pararia de agitar-se apenas por tê-la ao meu lado? Será que algum dia eu deixaria de amá-la?

Nunca.

A resposta veio clara e fácil, para todas aquelas perguntas.

— O que foi? — Felicity perguntou curiosa, se sentando de frente para mim ao notar meu olhar atento sobre ela, lembrando-me de que eu precisava ter coragem para iniciar aquela conversa. Exatos quatro anos tinham se passado desde a Rússia, eu queria ter certeza de que com meu amor eu havia curado qualquer ferida daquela época, eu precisava saber se não havia nada ainda que pequeno, que estivesse segurando a minha printsessa.

— Felicity... — eu disse o seu nome ao invés de seu apelido e imediatamente a sentir ficar mais séria e preocupada, ela mordia o lábio inferior como sempre fazia quando ficava nervosa e aquele pequeno lapso quase me distraiu. Eu peguei ambas as mãos ela com as minhas... Inferno! Por que eu estava tremendo? Eu nunca ficava nervoso ou ansioso, eu normalmente me controlava, mas Felicity era sempre minha exceção, ela sempre me fazia perder o controle... Respirei fundo antes de fazer à ela a pergunta que me atormentava há quatro anos — O que ainda estamos esperando? Nós moramos em uma bela casa com cerca branca, nós construímos uma linda família, uma vida feliz juntos. Eu, você e Grace, por que ainda hesita? Há algo de errado? — questionei e vi um vislumbre de algo ruim passar em seus olhos, eu não identifiquei o que era, mas eu não gostava daquilo. O que a atormentava? O que tentava roubar a minha Felicity de mim?

Ela demorou um pouco para responder, mas eu lhe dei o tempo que ela precisava, eu já estava esperando há muito tempo, alguns minutos a mais não fariam diferença.

— Eu amo você, Oliver, com todo o meu coração... — Eu meneei a cabeça, não era esse o ponto, eu sabia que Felicity me amava, eu nunca duvidei disso, porém aquela parte mais vulnerável de mim estava preocupada de não ser o suficiente para ela.

— Mas? — perguntei, mantendo o meu olhar no dela e ao mesmo tempo tentando fingir que aquele “mas” não me incomodava.

— Você mesmo disse, nós já temos tudo, que diferença uma cerimônia formal e um pedaço de papel farão? — Ela sorriu piscando seus tentadores olhos para mim, mas já estávamos juntos há muito tempo, eu a conhecia bem o suficiente para saber que ela estava tentando me enrolar, aquela sombra em seu olhar ainda estava ali.

— Você não pensa isso realmente. Me diga, printsessa — ela suspirou ao ouvir o apelido, um sorriso doce se espalhando por seu rosto — Qual é o verdadeiro problema? Por que você não quer se casar comigo?

— Eu o amo e eu amo a vida que construímos juntos, mas... — Senti meu corpo retesar ao escutar a palavra que tanto me incomodava. Maldito “mas”, e pela dor que eu vi em seu olhar eu sabia que não gostaria do que se seguiria, eu sabia que odiaria aquela resposta porque era algo que lhe causava dor. E se não nos casarmos era um modo de evitar a dor dela, então contra todas as minhas vontades eu sabia que eu cederia, porque eu faria qualquer coisa por ela, qualquer coisa que a fizesse feliz. — Todas as vezes em que eu penso em mim mesma, num lindo vestido de noiva, caminhando até você que me espera no altar vestindo um belo terno e ostentando o sorriso mais feliz que já vi, eu não sinto a emoção que eu deveria sentir. — meu coração sofreu ao escutar aquilo — Quer dizer, eu sinto, mas ela logo se esvai e eu imediatamente me lembro de quatro anos atrás...

— Seu casamento com Vladmir. — cuspi o nome, o nojo presente em minha voz, não disfarcei o desgosto e a raiva quase irracional que esse assunto me trazia. Anatoly devia estar feliz apesar de estar apodrecendo no inferno, onde era seu lugar, até mesmo depois de morto seus atos ruins ainda encontravam um modo de ferrar com nossa vida. Eu também não gostava de me lembrar daquilo, tinha sido terrível para mim apenas pensar que por algumas horas Felicity foi casada com aquele homem desprezível. Mas era isso então? Ela não conseguia desassociar a imagem daquele casamento com o que poderia ser nosso? Por que quando ela olhava para mim ela via Vladmir?

— Não é isso, Oliver! Não é o que você está pensando. — ela disse com urgência, como se pudesse ler meus pensamentos e talvez pudesse, eu não estava exatamente escondendo as minhas emoções, eu nunca as escondia dela — É o que aconteceu depois do casamento. — franzi o cenho ainda sem entender aonde ela queria chegar, ela havia conseguido escapar de Vladmir, eu a encontrei antes que algo pior pudesse acontecer — Ver você morrendo, três tiros no peito e depois uma queda dentro do rio. — imediatamente suavizei minha expressão ao entendê-la — Eu ainda tenho pesadelos com isso quando você está longe. — confessou.

— Você tem me enrolado todos esses anos por que tem medo de me perder? — Eu não esperava por isso, mas Felicity sempre conseguia me surpreender nas menores coisas — Percebe o quão contraditório isso é, printsessa? — falei sendo compreensivo.

— Eu nunca disse que era alguém fácil de entender... Você assumiu o risco quando decidiu me amar. — ela disse com um sorriso menos brilhante do que eu gostaria.

— Oh, printsessa... — deixei que uma das minhas mãos se acomodasse em seu rosto, num carinho singelo, mas que eu esperava que fosse capaz de acalmá-la — Como se te amar fosse uma simples decisão. Meu coração te escolheu... E eu prometo a você, não há nada nem ninguém nesse mundo capaz de mudar isso. Nós deixamos as coisas ruins na Rússia, e trouxemos de lá apenas as coisas boas, nosso amor e nossa Grace. — falei, mantendo o seu olhar junto ao meu, eu precisava que ela entendesse, e eu precisava acima de tudo que Felicity superasse esse medo irracional. — Não há motivos para permitir que o passado ainda fique entre nós, nos restringindo, se fizermos isso, se deixarmos que esse pequeno medo ainda fique em nós, mesmo depois de tudo o que lutamos, eles irão vencer, eles ainda tomarão algo de nós.

— Você tem razão. — ela disse compreendendo minhas palavras.

— Sim, eu tenho. — ela sorriu completamente, e eu fiquei contente em ver aquela pequena sombra desaparecer de seus olhos — Agora você vai esquecer esses medos tolos que a impedem de seguir em frente e me tornar o homem mais feliz do mundo ao aceitar pela quinquagésima oitava vez se casar comigo? — Felicity mordeu o lábio, ainda segurando a sua resposta, mas eu sabia que não havia mais hesitação ali.

— Você realmente pediu tantas vezes? — perguntou com um sorriso tímido.

— Alguns pedidos foram implícitos. — ela sorriu ainda mais.

— Então este é um sim explícito.

— De verdade dessa vez? — insisti, tentando conter aquela emoção que transbordava por cada parte de mim.

— Sim, Oliver Queen eu irei me casar com você, chame o juiz de paz, o padre, o pastor, ou até mesmo o papa. Eu não me importo com quem irá oficializar isso, em meu coração você é meu e eu sou sua.

— Mas agora terá uma aliança provando isso, uma aliança não apenas provando que nos pertencemos um ao outro, mas que encontramos o amor um no outro. — beijei seus dedos, ansiando pelo momento em que colocaria uma aliança ali — Isso pede uma comemoração. — falei, roçando meus lábios por seu rosto buscando por seus lábios que me tentavam com aquele doce sorriso.

— Não podemos... — ela hesitou sem muita convicção.

— Seremos silenciosos... — prometi, mas Felicity estava certa, eu mal tive chance de tocar seus lábios quando a porta do nosso quarto foi aberta de uma única vez. Mas eu não fiquei irritado com a nossa pequena intrusa. Como poderia? Se apenas em ver seu rostinho angelical ornado com suas duas trancinhas loiras, seus olhos azuis como os da mãe e o jeito fofo em que minha pequena filha arrastava um golfinho de pelúcia pelo chão enquanto vinha até nós. Se apenas isso já me fazia derreter como um pai babão.

— Mamãe, papai! Já é hora de levantar! — ela disse com sua voz infantil, subindo com certa dificuldade em nossa cama e se colocando no meio de nós.

— Bom dia para você também, Grace. — Felicity falou com uma calma alisando os cabelos da nossa pequena.

— Bom dia, mamãe. — ela sorriu beijando o rosto da mãe e depois beijando o meu — Papai disse que iríamos visitar a vovó hoje. — ela começou ansiosa — Não é papai? É hoje? É hoje o dia especial? Não é? Eu posso levar Tommy, também? — Ela virou-se para mim indicando o bichinho de pelúcia chamado de Tommy, seus olhos azuis tão belos quanto o da mãe demostrando uma animação genuína. Eu sorri de volta para minha pequena e a peguei no colo aninhando-a contra mim.

— É claro que Tommy pode ir!

— Viu Tommy, eu disse que papai iria deixar, porque ele é o melhor. — conversou com seu bichinho como se ele fosse alguém real. Deixei um beijo sobre a testa dela, não havia um dia eu que eu não me fascinava com Grace. Ser pai tinha sido o melhor presente que um dia recebi.

— Dia especial? Do que ela está falando? — Felicity virou-se para mim confusa.

— Não tenho ideia. — menti deliberadamente, deixando um beijo suave em seus lábios — Se arrume, vamos ir visitar Donna e de acordo com Grace hoje é um dia especial. — pisquei para minha printsessa, e deixei o nosso quarto com Grace e seu golfinho Tommy em meu colo, eu tinha algumas coisas para falar com ela e não queria que Felicity ouvisse.

***

— Vocês dois estão aprontando algo... — Felicity sondou seus olhos espertos olhando para mim enquanto eu dirigia, vi pelo retrovisor minha pequena Grace me lançar um sorriso cúmplice enquanto brincava com seu bichinho de pelúcia. — Para onde estamos indo? Acabamos de passar pela rua que dava na casa da minha mãe. Você disse que iríamos visitar a vovó? Não disse, Grace? — nossa filha apenas levou as duas mãos a boca sabendo que não deveria falar nada.

— Estou sequestrando você, amor. — eu disse por fim, ganhando a atenção de Felicity.

— Oliver, isso não deu muito certo da última vez... — ela me lembrou — Vai me levar a Rússia de novo? — havia uma ligeira preocupação em sua voz, embora eu a maior parte do tom dela era curioso.

— Eu estou fazendo isso do jeito certo agora, reescrevendo essa parte da nossa história. — Felicity uniu as sobrancelhas ainda não compreendendo, mas sabendo que não iria arrancar mais de mim.

— Grace, querida você sabe onde papai está nos levando? — falou docemente com nossa filha.

— Sim, mamãe. — ela respondeu distraidamente.

— É mesmo? — Vi pelo canto do olho quando Felicity sorriu contente por ter alguém de quem arrancar a verdade. — O que acha de contar a mamãe? Nós podemos parar para tomar um sorvete de morango depois que disser onde papai está levando a mamãe. — Eu não contive a risada, ela não seria a minha Felicity se não fosse tão obstinada.

— Uau, suborno. Isso é baixo, printsessa. — Felicity deu de ombros e continuou encarando uma Grace que parecia dividida, eu havia esquecido do fraco da minha filha por sorvetes.

— Eu posso ter cobertura de chocolate? — ela perguntou, seus olhos contendo um brilho feliz, e eu sabia que se não agisse logo, Grace venderia nosso segredo por um pote de sorvete.

— Pode ter cobertura de chocolate e tudo mais o que você quiser, querida! — Felicity concordou vitoriosa e Grace deu um largo sorriso.

Grace, lembre-se do que prometeu ao papai. — falei, e seu semblante exultante caiu um pouco minha pequena exibiu um biquinho parecendo chateada.

— Me desculpe mamãe, eu não posso dizer eu fiz uma promessa de mindinho e papai disse que sempre devemos cumprir nossas promessas. — Sorri orgulhoso.

— Seu papai está certo. — Felicity concordou, sabendo que não havia argumento para me contradizer — Mas você sabe que não é certo esconder coisas da mamãe. — Minha printsessa era teimosa, vi pelo retrovisor o momento em que Grace arregalou os olhos preocupada com aquilo.

— Não se preocupe, não é errado quando o que estamos escondendo é na verdade uma surpresa. — interrompi antes que Felicity convencesse a nossa pequena a revelar tudo — Não acha que mamãe vai ficar feliz com o que estamos fazendo?

— Mamãe vai ser a mamãe mais feliz do mundo! — ela exclamou.

— Oliver... — Felicity voltou-se para mim, e eu concentrei meus olhos na estrada antes que não resistisse ao apelo que seus olhos sempre exerceram sobre mim.

— Não se preocupe printsessa, eu estou te sequestrando, mas irei te levar à um lugar melhor dessa vez. Pense nisso como um recomeço, todas as vezes em que você pensar em nós ou na forma inusitada em que fomos jogados na vida um do outro, você se lembrará desse dia inesquecível, pelo menos eu espero que isso mude aquela primeira impressão — eu disse e Felicity me fitou, mas não disse mais nada e apenas ficamos em um silêncio um pouco tenso até que uma voz infantil conhecida o quebrou.

— Mamãe? Mesmo não contando a surpresa eu ainda posso ter aquele sorvete de morango com cobertura de chocolate e tudo o mais que eu quiser?

Felicity e eu explodimos em uma grande gargalhada.

A vida era boa.

E iria ficar ainda melhor.

***

Felicity Smoak

Olhei para todos os lados tentando conter meu nervosismo quando Oliver parou em frente a um elegante, porém com um clima aconchegante hotel a beira mar. O lugar era de tirar o fôlego, mais parecia um oásis ou uma extensão da própria praia que se estendia pelo tapete feito de uma areia tão branca que tudo o que eu queria era tirar minhas sapatilhas e afundar meus dedos nela. E ainda tinha a água do mar que parecia ser de um tom de azul tão limpo que se fundia ao azul do céu tornando impossível discernir onde um terminava e o outro começava.

Eu segui Oliver enquanto ele fazia o nosso check in dentro do hotel, segurando Grace em nossas mãos, que já estava agitada e ansiosa para explorar o lugar inteiro a procura de sorvete.

— Aquele ali não é Diggle? — perguntei ao notar um homem alto e negro que parecia conhecido parado há alguns metros de nós, mas que virou o rosto assim que o encarei.

— Não é ele. — Oliver rebateu sem sequer olhar e se apressando para me guiar na direção oposta a que eu havia indicado.

Eu ainda não conseguia entender o que Oliver estava aprontando. Eu o questionei se estávamos tirando férias, o que seria estranho já que não tínhamos bagagem conosco, o perguntei se aquele era um passeio de comemoração de alguma data especial que eu vergonhosamente havia esquecido. Mas por mais que eu o interrogasse, tudo o que eu ganhava de volta era aquele sorriso confiante aliado ao seu olhar cheio de segredos, que me dizia que Oliver me colocaria numa deliciosa encrenca. Por mais que eu não gostasse de surpresas, eu tentei relaxar, eu estava com Oliver e eu sabia que poderia fechar meus olhos e segui-lo cegamente aonde quer que ele me levasse que tudo ficaria bem. Não havia um modo de estar com ele e encontrar nada menos do que amor no caminho.

— Você confia em mim? — ele perguntou enquanto parávamos na porta de um dos quartos do hotel, seu olhar mostrando-me que havia uma parte dele um pouco temerosa com aquela “surpresa”.

— Confio em você com a minha vida. — respondi.

— E com seu coração?

— Sempre. — eu disse e o vi respirar aliviado enquanto tomava coragem e abria a porta.

— Mãe?! — exclamei confusa ao ver Donna Smoak ali. Aquela era a minha surpresa?

— Vovó! — Grace foi mais rápida do que eu, soltou nossas mãos e correu até minha mãe que a abraçou rodopiando no ar, arrancando gargalhadas dela pela brincadeira.

— O que está acontecendo? O que está fazendo aqui? Onde está Lance? — perguntei, indo abraçar minha mãe. Ela também havia se mudado para Star City quando Oliver e eu decidimos que Las Vegas era uma cidade muito agitada para criar uma filha, mas ela não quis morar conosco com a desculpa de que precisávamos ter a nossa privacidade. Mas é claro que ela não morava muito longe, pouco tempo depois de se mudar ela conheceu um policial, Quentin Lance e os dois estavam juntos desde então.

— Não achou que eu faltaria em um dia importante desses? — ela devolveu sem responder nenhuma das minhas perguntas, franzi o cenho sem entender sobre o que ela falava.

— Oliver, o que você fez? — virei para ele, já que sabia que o dedo dele estava em toda essa “surpresa” a qual eu ainda não estava entendendo.

— Eu não fiz muito, eu dei apenas a ideia e sua mãe organizou tudo. — confessou parecendo anormalmente nervoso, eu continuei o fitando esperando por uma explicação melhor — Vamos nos casar hoje, printsessa. — ele soltou de uma única vez.

— Oh! — foi tudo o que eu consegui exclamar.

— Eu escolhi um vestido perfeito para você, querida! Eu sei que você vai amar, mas eu preciso que Oliver vá embora para que possamos arrumar tudo. Você vai ficar divina! — minha mãe exclamou, dando pulinhos de animação, ignorando o fato de que eu era a noiva e sequer sabia que iria me casar — E ainda tem o buquê, com suas flores favoritas!

— Vovó? Eu também terei um vestido bonito?

— Mas é claro. Vamos ir vê-lo...

Printsessa... — Oliver se aproveitou da distração de Grace com minha mãe para me puxar consigo para fora do quarto, ele me olhava nervoso — Se não quiser se casar está tudo bem, eu não ficarei magoado, eu te entenderei — ele disse num tom tão calmo que me surpreendeu. — Eu não quero que faça isso porque se sente pressionada, eu quero que se case comigo porque é isso o que você quer. — Até parece que organizar toda uma cerimônia de casamento sem o conhecimento da noiva não era exercer um tipo de pressão. Mas eu ergui os olhos para Oliver, me perdendo naquele mar azul e de repente me vi questionando: por que eu hesitava? Era Oliver, o homem por quem eu me apaixonei, o homem que lutou por nós até o fim, o homem que eu seguiria amando até o fim.

— Eu quero me casar com você. — falei com uma convicção que surpreendeu a mim mesma.

— Então eu a vejo na praia. — E então ele beijou meus lábios arrancando todo o meu fôlego. Era para ter sido um beijo simples, mas eu não controlei a felicidade que senti. Enlacei Oliver pelo pescoço, acariciando seus cabelos, que estavam um pouco maiores, com as pontas dos meus dedos puxando-o para mim. Desejando me afogar naquele mar de amor, desejos, e paixão que eram seus lábios.

Mas cedo demais fomos interrompidos por minha mãe que raspou a garganta, e nos olhava com braços cruzados fingindo uma repreensão.

— Ei pombinhos, parem de se beijar porque eu preciso arrumar a noiva para o casamento! — E então Oliver partiu beijando-me uma última vez na frente da minha mãe, fazendo-me corar de vergonha e ao mesmo tempo de excitação. Naquela manhã eu acordei sendo Felicity Smoak, e dali a poucas horas eu me tornaria Felicity Smoak Queen. Diferente do que eu pensei, não havia mais medo apenas uma estranha ansiedade de oficializar algo que dentro de mim já era certo há muito tempo.

***

— Mamãe! — Grace olhava para mim parecendo deslumbrada — Você está parecendo uma princesa. — seus dedinhos tocaram o tecido delicado e esvoaçante da saia de chiffon do vestido que eu usava. Minha mãe tinha razão, o vestido era perfeito. Simples, mas com detalhes florais de renda nas alças finas e no corpete que davam um toque especial. Também havia uma série de botões em contas nas costas que eu tinha certeza terem sido ideia do Oliver.

— Você também parece uma pequena princesa! — Eu disse observando-a rodopiar com seu vestido de daminha branco com amarelo e uma coroa de flores nos cabelos. Abaixei-me ficando da sua altura e deixei um beijo estalado em sua bochecha onde agora havia uma marca perfeita do meu batom.

— Ok, todas nós estamos lindas! — Minha mãe entrou no quarto trajando um elegante vestido azul claro de madrinha — Mas já é hora de irmos, você não vai querer deixar o amor da sua vida esperando por você mais quatro anos? — ela disse de modo displicente enquanto entregava a Grace um cesta com pétalas de rosas e se virava para mim entregando-me meu buquê — Porque eu ouso dizer que aquele homem esperaria muito mais tempo por você — seu sorriso foi doce agora. — E Grace tem razão, você parece uma linda princesa. — Falou tocando os cachos dos meus cabelos, ajeitando-os por cima de um só ombro.

— Mãe...

— Sem mais conversa, — ela meneou a cabeça afastando as lágrimas emocionadas em seus olhos — ou isso acabará em choro e eu não quero que a nossa maquiagem borre. — Determinou. — Agora vamos.

Deixei o quarto de hotel com minha mãe e Grace e caminhamos para a praia. Era fim de tarde, o sol sumia ao fundo beijando o mar, e o céu exibia as mais variadas cores indo de um lilás àquele tom único de laranja-rosado.

O lugar da cerimônia estava lindo.

Cadeiras brancas haviam sido colocadas uma ao lado da outra, deixando um espaço reto entre elas formando um corredor que me levava diretamente a Oliver, que me esperava debaixo de uma pequena tenda feita de um tecido branco e ornada com mais rosas. Havia pequenas velas dentro de lampiões espalhadas pela areia da praia, iluminando o caminho que eu deveria seguir.

Eu sorri para Diggle e sua esposa que estavam ali com sua filha, eu deveria ter percebido que algo estava errado quando Oliver tentou me convencer de que eu não tinha visto seu amigo ali. Reconheci alguns outros rostos de nossos amigos, não eram muitos, apenas aqueles que mais importavam para nós.

Minha mãe tomou seu lugar.

Eu escutei uma música suave tocar e respirei fundo tentando me acalmar, Grace andou a minha frente saltitante e feliz jogando pétalas de rosas vermelhas ao longo da areia branca, trilhando meu caminho até Oliver.

Eu havia sido tola em temer tanto esse dia.

Porque no instante em que vi Oliver esperando por mim com aquele olhar de deslumbramento em seus olhos, não houve medo que me fizesse hesitar, não havia lembranças ruins para estragar esse momento, só havia meu coração palpitando desesperado por ele, e eu caminhei com passos firmes e ansiosos até Oliver. Porque ele era meu caminho, e meus passos sempre me levariam até ele.

A cerimônia foi um grande borrão para mim, porque eu apenas me concentrei em Oliver, em suas belas palavras de amor, no sorriso vencedor quando ele deslizou a aliança em meu dedo. Eu tentei expressar o quanto eu o amava também, mas no fim, palavras sempre pareceram insuficientes para explicar a forma como eu me sentia quando eu estava com ele, então eu me concentrei em apenas sentir e demonstrar a ele tudo o que eu estava sentindo, o quanto eu era grata por tê-lo em minha vida.

Depois da cerimônia, houve uma pequena recepção no salão do hotel. Tivemos um tempo para comemorar, nos divertimos e apreciamos o fato de estarmos oficialmente casados.

— Vamos dançar? — Oliver me chamou quando uma música romântica começou a tocar, eu lhe dei a minha mão e me permiti balançar junto com ele. A voz do cantor era suave e gostosa de ouvir, embalada apenas pelo som de um violão. Deixei minha cabeça encostar-se na familiar curva do pescoço de Oliver onde eu podia alegremente inspirar seu perfume, ele me segurou firme em seus braços e durante aquele momento só havia nós dois ali e a música.

Oliver afastou suavemente meus cabelos e quando dei por mim percebi que ele estava sussurrando a canção em meu ouvido, cantando juntamente com cantor. Ele não tinha a voz mais perfeita, mas naquele espaço de tempo, enquanto seus lábios se esbarravam em minha orelha e ele me dizia palavras tão belas que tocavam meu coração que aquela altura já estava sensível de tantas emoções, naquele momento a voz de Oliver era a mais bela do mundo para mim.

Well, I found a woman, stronger than anyone I know, she shares my dreams I hope that someday I'll share her home. I found a love, to carry more than just my secrets, to carry love, to carry children of our own…— ele pousou a mão em meu rosto, fazendo com que eu o encarasse e suspirasse ao olhar nos olhos do homem que eu amava tanto, continuamos a balançar no ritmo da música, Oliver se atrevia a me fazer girar em seus braços pelo salão, mas o mais importante é que ele seguia cantando para mim — We are still kids, but we're so in love, fighting against all odds I know we'll be alright this time, Darling, just hold my hand, be my girl, I'll be your man I see my future in your eyes…

A música chegava ao fim, quando Oliver me girou uma última vez e me puxou ainda mais para si, nossos corpos colados tanto quanto era possível, nossos corações acelerados batendo no mesmo compasso, ainda balançávamos mesmo sem a música. Sua mão se encaixou delicadamente em meu rosto, aproximando-o do seu, nossos narizes se tocando, nossos sorrisos diminuindo a medida que nossos lábios se preparavam para se provarem.

Mas mais uma vez nós fomos interrompidos.

— Papai, a mamãe não parece uma... Como é que você diz? — Grace chamou a nossa atenção puxando Oliver pela roupa, enquanto ela franzia o rostinho tentando se lembrar da palavra correta. E por fim, seu rosto ganhou uma luz própria quando ela a pronunciou — Printsessa. — ela falou num russo perfeito de tantas vezes que ouviu o pai me chamar assim. Oliver apenas riu e se abaixou para pegar nossa filha no colo que apoiou um dos braços em meu ombro de modo a distribuir o peso entre nós dois.

— A printsessa mais linda de todas. — a voz de Oliver transbordava amor.

— Porque tá chorando, mamãe? Você tá dodói? — Grace perguntou preocupada, sua mão pequenina alcançando meu rosto secando a lágrima que caía. Eu sequer tinha percebido, eu apenas estava me sentindo tão feliz naquele momento que a felicidade procurara um modo de extravasar.

— Eu estou bem, minha pequena, essas são lágrimas de felicidade — Falei com toda a sinceridade, eu estava tão feliz que eu sentia isso em cada parte de mim, meu coração parecia que iria explodir. — Mamãe está feliz porque ela tem a família mais linda do mundo.

— Então a surpresa do papai deu certo? — Ela perguntou ainda em dúvida.

— É claro que sim.

— Então a gente já pode contar a sua surpresa para o papai, né? — pediu ansiosa me fazendo rir, eu estava surpresa por ela ter segurado aquele segredo por tanto tempo, Grace tendia a ser tagarela, mas em contrapartida ela era como o pai quando se tratava de promessas. Sempre as cumpria, a qualquer custo.

— Me contar o quê? — Oliver estreitou os olhos olhando suspeito de Grace para mim, não gostando de ser deixado de fora.

— Mamãe tem uma surpresa para você também. Eu não contei para ninguém, eu fiz uma promessa e cumpri ela. — Falou orgulhosa de si mesma.

— Isso é ótimo, pequena — Oliver disse deixando um beijo na testa de Grace, mas seus olhos ainda estavam em mim, sondando, analisando, tentando ler o que eu poderia estar escondendo dele.

— Posso contar agora, mamãe? — Grace pediu, e eu apenas assenti sentindo a emoção antecipada tomar conta de mim enquanto eu fitava Oliver, querendo absorver cada minuto da reação dele. Grace se inclinou para o pai, e colocou as mãozinhas fechadas em conchas ao redor do ouvido dele. Eu estava perto o suficiente para escutar cada palavra que ela disse. — Mamãe disse que eu terei um irmãozinho. — Sussurrou em seu ouvido com sua voz infantil, e vi o semblante de Oliver ir da mais pura curiosidade para uma emoção para a qual ainda não existia nome nesse mundo. Era uma mistura de amor incondicional, com deslumbramento e felicidade.

— Printsessa? É verdade? Nós teremos mais um bebê? — Ele falou a emoção dando uma entonação diferente para a voz dele, os olhos brilhando com lágrimas que ainda não se atreviam a cair.

Na verdade não. — os olhos de Oliver piscaram confusos para mim, mas eu não permiti que ele processasse aquela decepção errônea e tomei fôlego para dizer a ele — Porque de acordo com o ultrassom que eu fiz, nós teremos dois bebês. — Ele fechou os olhos, eu via lágrimas descendo por eles, Oliver me puxou ainda mais para sim, abraçando a mim e Grace ao mesmo tempo, mas sua testa encostou na minha, seus lábios tocaram os meus com delicadeza e amor, e quando se afastaram seu rosto expressava todas aquelas emoções e sentimentos bons que ele sentia naquele momento.

— Obrigado. — ele agradeceu, mas eu meneei a cabeça me recusando a aceitar o crédito por isso.

— Amor, você não tem que me agradecer. — toquei seu rosto com a palma da minha mão e sorri para ele — Nós fizemos juntos. — o lembrei, fazendo-o sorrir encabulado — E cada pedacinho dessa imensa felicidade, nós a construímos, juntos. Não se esqueça disso.

— Mamãe? Você e papai estão chorando de felicidade porque eu terei dois irmãozinhos? — Grace perguntou tentando entender tudo.

— É mais do que isso, meu bem. — Oliver disse com um sorriso permanente nos lábios — Estamos chorando por estamos juntos, porque temos você, porque nossa família está crescendo. E esse é um tipo raro de felicidade, nem sempre a vida é fácil, as vezes é preciso lutar com todas as forças para ser feliz, mas vale a pena. — falou obstinado e eu soube que naquele momento Oliver estava repassando cada momento nosso desde que nos conhecemos — Para ter você e em breve seus irmãozinhos, para podermos estar juntos, sua mamãe e eu tivemos que passar por momentos muito difíceis. Mas cada um deles valeu a pena. — seus olhos vieram para mim — E eu faria tudo outra fez, printsessa.

— Eu também faria, amor.

Outra música começou a tocar, mais animada dessa vez e nós três começamos a dançar, aproveitando toda aquela felicidade que emanava de nós.

Talvez Oliver e eu não tivéssemos um lindo romance de conto de fadas para ser contado, cheio de amor e coisas bonitas e belas. Eu não tinha sido a princesa que foi despertada por um beijo de amor eterno, ou a que perdeu um sapatinho de cristal num baile.

Nossa história não era perfeita.

Ela tinha seu lado feio, seu lado injusto e até mesmo seu lado sangrento. Nossos vilões eram reais e mortais, e não foi fácil vencê-los e alcançar o tão almejado final feliz, e ainda assim nós não saímos completamente inteiros dessa história.

Mas as imperfeições em nossa história eram o que a tornavam bela para nós. E Oliver estava certo, nós faríamos tudo outra vez, apenas para ter a chance de viver esse momento.

Apenas para ter a chance de viver nosso amor.

Notas finais
Acabou! Meu Deus, acabou! Eu não queria, mas o que eu posso fazer? Eu apenas espero que o tempo que vocês dispenderam lendo essa história tenha valido a pena! Vejo vocês em outras histórias ;) Hey, que tal fazer uma escritora feliz e deixar seu último comentário? Eu ia amar saber o que vocês acharam desse final mega fofo... Ahh e Ju...? Seus gêmeos vieram só no finalzinho, mas vieram! *Tradução do trechinho da música que Oliver canta para a Felicity: Eu encontrei uma mulher mais forte do que qualquer pessoa Ela compartilha os meus sonhos Espero um dia compartilhar a casa dela Encontrei um amor, para levar mais do que meus segredos Para levar amor, carregar nossas próprias crianças Ainda somos crianças, mas estamos apaixonados demais Lutando contra todos os obstáculos Eu sei que ficaremos bem desta vez Querida, pegue a minha mão Seja a minha garota, serei seu homem Eu vejo meu futuro em seus olhos... Para você que está lendo esta fanfic depois de concluída, eu espero que tenha amado essa história tanto quanto eu amei escrevê-la. Foi um prazer dividi-la com você! Fique a vontade para deixar seu comentário, favorito ou recomendação, eu vou amar saber o que você achou!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!