War of Hearts

15 Capítulo 14 - Waiting for you


Notas iniciais
Vamos com calma que ainda tô louca por causa desse episódio maravilhoso de Arrow! Quem não viu não sabe o que perdeu! LARIX SUA LINDA!!! UM MILHÃO DE VEZES OBRIGADA POR ESSA RECOMENDAÇÃO MARAVILHOSA! Eu fiquei sorrindo por uma semana depois que li ela, e volto a sorrir toda vez que abro a fic e releio as suas palavras! Você já me disse o quanto ama War, e eu espero que esse capítulo seja um agradecimento digno por todo o carinho que você sempre demonstra pelo meu bebê aqui ❤ ahhh, foi uma honra para mim que essa tenha sido a primeira recomendação que você escreveu! Muito obrigada de todo o coração! A história vai começar a se aprontar para os acontecimentos finais, se eu fizer tudo direitinho teremos muitos momentos emocionantes vindo por aí. Eu tenho amado todos os comentários principalmente porque a maioria tem sido gigante e eu quero muito reservar um tempo para responde-los da forma que merecem ser respondidos, sejam pacientes comigo ok?! Ahhh, e tem uma leitora que me desafiou a descobrir quem é ela no twitter... Eu amo um desafio, hahah eu fico louca com desafios, mas eu odeio perder! Vou cruzar meus dedos e então eu vou dar meu palpite aqui: Emily Queen, por acaso você é a Paty Lopes no twiter? Enjoy ❤

I'll leave it alone

And back off if you want

I know that it's wrong

But you know where you belong

And it's easy to see

That you don't buy what you read

And this light that you need

Is here, fading with me

I'm waiting for you, darling

I'm waiting for the word

I'm waiting for you, darling

Just say it and nothing will stand in my way

I'll leave you alone and pack my bags and go home

There's something you should know

I won't stop til you know that I mean it

(Waiting – Aquilo)

Oliver Queen

Faltavam quatro dias para o casamento.

Apenas pensar nisso fazia meu estômago se contorcer. Eu não disfarçava meu mau humor com essa situação ridícula. Eu havia passado os últimos dias longe de Felicity, me afastando para mantê-la protegida, gerenciando meu trabalho com Anatoly o que incluíra uma porção extra de violência nessa semana, ele não estava sendo condescendente com ninguém e me usava como seu carrasco particular. Eu ainda usava todo e qualquer tempo extra para tentar encontrar um meio de tirar Felicity daqui.

Mas não havia uma saída.

Pelo menos não uma que fosse segura. Eu ainda me culpava por aquela tentativa frustrada de fuga, olhar para o rosto de Felicity e ver a forma que o próprio pai a havia machucado fazia meu sangue fervilhar em pura raiva, e meu coração doer em culpa. Eu não poderia arriscar que ela sofresse outra represália, eu precisava da certeza de que eu conseguiria tirá-la daqui e levá-la para o mais longe possível de Anatoly. Devolver a liberdade que eu havia tirado dela.

Era por isso que eu me via agora em uma maldita encruzilhada.

Eu poderia tentar tirar Felicity daqui antes da cerimônia do casamento, sem nenhuma garantia de que isto daria certo. Possivelmente seríamos detidos antes de chegássemos ao portão. Anatoly havia aumentado a segurança em torno dela depois do meu plano estúpido de fuga, e também porque nem todos na Rússia estavam satisfeitos com a aliança entre Anatoly e Vladmir. Duas poderosas vertentes da máfia russa juntas era poder demais na mão de poucas pessoas. Então era bem provável que houvesse algumas pessoas insatisfeitas e dispostas a evitar que o casamento se realizasse, e para o meu desespero, a melhor forma de fazer isso era atacando o elo mais fraco, que nesse caso era Felicity.

Eu poderia esperar até o dia do casamento, quando eu sabia que seria muito mais fácil tentar tirar Felicity dali. Anatoly estaria ocupado demais, seus homens estariam concentrados em proteger o lugar da cerimônia e o próprio Anatoly, Felicity por si só não representa qualquer tipo de perigo para a máfia. Ela era apenas uma garota indefesa para eles, nada que um ou dois homens não pudessem lidar.

— Você está agindo estranho, Oliver. Há algo que eu deva saber? — Anatoly sondou.

Nós havíamos deixado o escritório e Anatoly conversava comigo pelo caminho sobre um acordo feito recentemente, e eu estava completamente aéreo. Era comum meu pensamento viajar até Felicity, estava se tornando difícil manter essa parte de mim fora da superfície, principalmente depois de tudo o que aconteceu entre nós ontem, desde a suspeita da gravidez ao momento explosivo no banheiro dela.

Ela havia roubado todos os meus pensamentos para si.

Eu não conseguia me concentrar no meu trabalho, não como antes. Eu não controlava mais meus sentimentos e minhas emoções, Felicity tocara em algo dentro de mim, ela havia me despertado e agora todo o meu coração batia descontrolado por ela, tudo em mim pertencia a ela. Eu não conseguia mais me esconder, eu não conseguia ser frio e impenetrável uma vez que o calor dela aquecera meu coração, uma vez que apenas pensar no sorriso dela me fazia querer sorrir em resposta. Mas eu precisava fazer isso por ela, eu precisava trazer o Oliver Queen sem escrúpulos e sem coração novamente, coloquei minha melhor máscara de capitão Bratva, e esperei que ninguém conseguisse ver através das rachaduras que Felicity fizera nela.

— Estou apenas um pouco receoso com a união com Vladmir. Ainda não confio nele. — contornei a suspeita de Anatoly, com uma meia verdade.

— Não se preocupe com isso, como eu lhe disse eu irei me livrar dele assim que seja possível. — endureci a mandíbula evitando que eu falasse merda, se Anatoly começasse a falar de seus planos para que Felicity engravidasse de Vladmir e assim ele assumisse a organização como tutor do pequeno herdeiro, eu teria muita raiva para não deixar transparecer.

— Certo. — fui seco, estava ansioso para mudar de assunto.

— Você está estranho. — Anatoly voltou a dizer, seu olhar veio em mim de soslaio enquanto seguíamos caminhando pela mansão — Suspeito que isso possa ser obra de alguma mulher. Mulheres tem esse dom sobre nós, é incrível o controle que elas exercem sobre nós quando estamos na cama e sequer notamos. — Havia mais em suas palavras, é claro que havia. Anatoly não era conhecido por dar ponto sem nó. — Há alguém em sua cama, Oliver? — perguntou alguns momentos depois, o olhar escuro em meu rosto, analisando cada pequena reação minha. A imagem de Felicity imediatamente apareceu em minha mente, me esforcei para varrê-la para longe.

— Sabe que eu não tenho tempo para isso. — refutei sem demonstrar emoção.

— Mas tem necessidades, como todos os homens. — As palavras de Anatoly sugeriam nada mais do que uma conversa informal, até mesmo havia um clima de camaradagem no ar. Mas não me permiti enganar, ele ainda me analisava. Eu me perguntava como, mesmo me esforçando para parecer o soldado perfeito para Anatoly, como ele ainda assim parecia conseguir farejar o cheiro da fraude em mim?

— É para isso que existem as prostitutas. — repliquei desinteressado, dando de ombros.

— Ótimo, não precisamos dessas distrações. — deu palminhas em meus ombros, me senti um cachorro sendo parabenizado por seu bom comportamento. — Mas eu espero que minha filha seja um bom entretenimento para Vladmir, facilitaria muito a minha vida se ela o distraísse o suficiente... — concentrei minha raiva fechando minhas mãos em punhos atrás das costas e evitando demonstrar a repulsa que apenas pensar naquilo causava em mim, e me forcei a assentir com a cabeça como se concordasse com o que ele dizia. — Falando em Felicity, eu preciso que fique de olho nela esses dias, com o casamento tão próximo, preciso lidar com a nossa segurança, e ainda há uma missão importante e de interesse da máfia com a qual preciso lidar. E como você foi aquele que a impediu de fugir da última vez, eu gostaria que cuidasse da segurança dela novamente, apenas tente ser mais atento dessa vez, não permita que ela chegue tão longe. Eu não me importo se você passar cada minuto do dia grudado nela, durma na porta do quarto dela se for preciso, apenas não a deixe sozinha. Há muito em jogo para eu perder meu tempo com uma garota rebelde tentando fugir. — assenti automaticamente quase me esquecendo de disfarçar a ansiedade, ficar próximo a Felicity era o que eu mais queria.

— Missão importante? — parei ao chegarmos do lado de fora da mansão onde um carro já esperava por Anatoly.

Aquilo era novo, eu não estava ciente de nenhuma missão dos Bratva nos próximos dias, na verdade a única pessoa com quem Anatoly negociara tinha sido Vladimir e ele estava indo encontrá-lo hoje novamente. Agarrei-me a mudança de tópico, ansioso para fugir do assunto Felicity, não era bom ter que disfarçar o quanto o nome dela me afetava todas as vezes em que Anatoly o dizia.

— Agora consegui sua atenção. — Anatoly divertiu-se ao me ver tão interessado.

— Eu apenas não me recordo de ter mencionado nada sobre uma missão nos últimos dias.

— Oliver, você tem sido um membro muito valioso para mim, mesmo sendo um americano. Sempre esteve me protegendo, salvou minha vida incontáveis vezes. — exibi um sorriso falso, escondendo o desejo de ter o deixado para morrer em cada uma daquelas vezes — Talvez esteja na hora de te dar um papel mais ativo na organização, uma missão solo talvez... Está interessado? — Aquela era uma pergunta capciosa, eu não podia demonstrar muito animação ao mesmo tempo em que negar interesse seria suspeito demais.

— Estou ansioso para fazer mais pelos Bratva. — respondi com um orgulho forçado.

— Excelente resposta, acertarei tudo depois que eu retornar da minha pequena reunião com Vladmir, eu esclareço você dos deveres da sua primeira missão oficial em nome dos bratva. Você irá adorar essa missão. — pensei ter visto um ligeiro sorriso de triunfo no rosto de Anatoly antes dele me dar as costas e entrar no carro.

***

Tudo o que eu não precisava naquele momento era de uma missão oficial dos Bratvas para lidar. Eu precisava me concentrar em Felicity e apenas nela. Esperei que o carro de Anatoly passasse pelo portão e sumisse no horizonte, e então dei as costas voltando para a mansão, permitindo que meus pés fizessem o caminho que eles estavam ansiosos para fazer.

Cheguei ao corredor do quarto dela e me deparei com os dois usuais soldados de Anatoly parados como duas estátuas a porta dela.

— Anatoly a colocou sob minha responsabilidade a partir de agora. — anunciei friamente, mas os dois sequer se moveram — Saíam daí e vão fazer algo mais útil do que ficar parado na porta do quarto de uma garota! — eu disse, num tom mais sério e frio, os dois trocaram olhares e rosnaram alguns xingamentos em russo, obviamente descontentes por receberem ordens de mim, eu não podia me importar menos.

Empurrei a porta do quarto de Felicity assim que o corredor ficou vazio.

Nada no mundo poderia ter me preparado para o que vi quando entrei no quarto. Eu nunca imaginei que uma visão pudesse me abalar tanto, mas aconteceu e eu fiquei sem ação. Meu corpo não se mexia, da minha boca não saía qualquer palavra. Sequer meus olhos se atreviam a piscar, permaneceram abertos deslumbrados e encantados demais com a visão a minha frente.

Felicity estava de costas para mim e de frente para um espelho de corpo inteiro.

Ela parecia um anjo.

Algo puro e inocente que não pertencia a este lugar, que em tantos níveis se assemelhava ao inferno.

Para ser justo, ela não parecia um anjo. Um anjo não seria tamanho tormento para mim, um anjo não faria cada parte do meu corpo queimar num misto confuso de luxúria, paixão e amor.

Ela parecia uma sedutora princesa, a minha printsessa.

Ela estava de costas para mim, encarando o próprio reflexo no espelho de corpo inteiro, completamente alheia a minha presença no quarto. Completamente alheia ao que sua simples visão causava em mim.

O vestido branco moldava-se ao corpo dela com perfeição, desde o corpete cravejado por pequenos cristais sobre o decote ousado, à saia cheia feita de uma renda suave que escorregava por suas pernas e se arrastava pelo chão, fazendo parecer que ela estava flutuando.

Ela estava perturbadoramente linda.

Mas ela não sorria, nem seus olhos expressavam qualquer emoção diferente de aborrecimento. A evidente infelicidade dela era a única coisa que destoava da beleza de todo o resto. Deixei a porta atrás de mim bater, o som ecoando pelo quarto e chamando atenção de Felicity para minha presença ali.

Seus olhos encontraram os meus através do reflexo do espelho, e imediatamente a expressão no rosto dela se modificou, se tornando mais leve e cálida. Eu ousava dizer até mesmo feliz, me senti um homem realizado, eu era aquele que a fazia sorrir, eu era quem tirava a tristeza dela e a fazia feliz.

Felicity segurou o vestido em ambos os lados e o ergueu até os tornozelos, girou o corpo ficando de frente para mim e sorriu ainda mais. Um sorriso completo, daqueles que chegavam aos olhos dela e os faziam brilhar intensamente enquanto ela olhava para mim.

E tudo pareceu tão fodidamente perfeito.

Novamente eu vi meu futuro ali, naquela imagem dela sorrindo enquanto usava um vestido de noiva, enquanto olhava para mim com seus olhos brilhantes, parecendo animada e feliz. Eu conseguia visualizar essa imagem com perfeição num futuro não muito distante, e olhando em seus olhos eu sabia que ela via o mesmo futuro que eu.

— Você... Minha nossa! — eu não conseguia pensar no que dizer, eu vasculhava minha mente, mas não havia uma palavra forte o suficiente para descrever a agitação que vê-la vestida daquela forma causava dentro de mim — Você está deslumbrantemente linda, como uma printsessa. — consegui pronunciar ainda fascinado demais com a beleza dela.

Felicity exibiu um sorriso secreto, um que eu sabia que era apenas meu e seguiu caminhando até mim. Eu vi todo o futuro que eu queria tão desesperadamente ter com ela. Eu a imaginei andando pelo amplo corredor de uma igreja vindo em minha direção, aqueles olhos ferozes que me conquistaram desde a primeira vez que os vi, dessa vez estavam cálidos embora ainda contivessem um pouco daquele fogo atrevido tão característico dela e a boca sempre mordaz exibindo um doce sorriso. Não havia mais nada entre nós, não havia meu dever com a máfia russa, não havia casamento arranjado, não havia o perigo eminente de sermos pegos... O passado ficaria para trás e haveria apenas nós dois e nosso desejo de construir um futuro juntos.

— Oi. — ela disse, parando a minha frente fitando-me com um olhar divertido.

— Oi. — devolvi, sendo envolvido por seu sorriso e sorrindo de volta. Escutei o som de um pigarrear de garganta e notei que não estávamos a sós. Anne estava ali, nos observando — Anne, pode nos dar alguns minutos a sós? — pedi, vendo a garota desviar o olhar do meu e abaixar a cabeça assentindo enquanto saía o mais rápido possível dali.

Voltei minha atenção para Felicity no instante em que escutei a porta se fechar, ergui uma das minhas mãos até seu rosto acariciando-o enquanto a outra mão a segurava pela cintura e a trazia para mais perto de mim. Deixei minha boca fazer o percurso mais lento até a dela, beijando a bochecha e arrastando a boca pela pele suave, tracejando com a língua pelo contorno dos lábios dela e por fim provando calmamente o gosto de felicidade que seus lábios macios pareciam conter.

Depois de passar um tempo na companhia de Anatoly, sendo contaminado por sua áurea escura e tantos outros sentimentos repugnantes que eu sentia quando estava na presença dele, era bom poder sentir algo verdadeiramente bom nesse lugar, algo que me fizesse sentir humano outra vez.

Eu estava cansado de usar a minha máscara de capitão bratva, cada vez que eu a usava, cada vez que Anatoly exigia algo moralmente duvidoso de mim, eu me sentia indigno de querer Felicity depois. Mas ao mesmo tempo, eu sempre precisava de Felicity depois, eu precisava dela para me lembrar pelo quê eu estava lutando, por quem eu ainda fingia ser alguém tão desprezível.

Por isso aprofundei o beijo, por isso a apertei em meus braços até senti-la gemer contra meus lábios e seu coração disparar juntamente com o meu. Porque com ela eu me sentia humano novamente, eu sentia todas as emoções e sentimentos que eu era obrigado a sufocar quando estava com Anatoly.

Com Felicity eu deixava de ser um capitão Bratva, eu era apenas um homem.

— Alguém estava com saudades. — ela soprou as palavras contra meus lábios, assim que o beijo terminou.

— Anatoly saiu, e tudo o que consegui pensar é que eu queria um pouco mais de tempo com você. — falei, omitindo dela a parte que Anatoly pedira que eu ficasse de olho nela, eu não precisava de Felicity analisando isto ou sentindo como se eu estivesse aqui por causa de um dever — Como você está?

— Não muito satisfeita por todo esse teatro de noiva. — ela falou indicando o vestido e torcendo os lábios numa careta — Mas eu estou assumindo que vale a pena. Vamos conseguir fugir antes do casamento, não vamos? — ergueu os olhos para mim, aquela pequena incerteza nas palavras dela o olhar firme sob o qual ela tentava esconder o medo da minha resposta me tocou. Felicity contava comigo, eu não poderia desapontá-la, eu não poderia desapontar a mim mesmo e permitir que a mulher que eu amava acabasse nos braços de alguém tão sujo quanto Vladmir.

— Tudo está programado para daqui quatro dias. — respondi, me distraindo e tentando distraí-la ao passar uma mecha do seu cabelo que havia soltado do coque para trás da orelha, segui deixando beijos num ponto estratégico do seu pescoço e ela suspirou, quase se desmanchando em meus braços. Pensei que fosse seguro voltar a olhá-la, mas eu estava enganado.

— Quatro dias? Mas isto será no dia do casamento! — reclamou se afastando de mim, como se soubesse que eu poderia usar algum truque para tentar distraí-la de novo, seus olhos espertos fitaram o meu rosto apenas esperando pela minha resposta — Não é arriscado demais esperar tanto, Oliver?

— É mais arriscado tentar fazer isso antes. — Tentei soar controlado e confiável, mas isso não adiantou pela expressão de Felicity ela não concordava comigo, e inferno! Ela estava pronta para colocar o assunto em discussão. — No dia do casamento seu pai estará preocupado demais com outras coisas, a aliança com Vladmir, outros convidados importantes... Você estará pronta para o casamento, vestida de noiva e parecendo complacente com os planos dele, ele não vai esperar que você consiga fugir no grande dia.

— Então este é plano? Faremos isso no último momento? — mordeu o lábio inferior incerta, Felicity parecia apavorada por ter que esperar tanto. — Mas e se algo der errado? E se...

Printsessa, confie em mim. — pedi buscando pela mão dela, eu necessitava receber isso dela ou talvez eu mesmo começasse a perder a fé em mim — Será algo simples e fácil. Eu já infiltrei Diggle como o motorista designado de levá-la de carro para a igreja, eu estarei no carro com você ou a seguindo de perto, verei o que consigo fazer no dia. Há um bloqueio da polícia programado para acontecer no meio do caminho que vai exigir de nós um desvio, e então seguiremos para o mais longe possível desse lugar. — expliquei, mas Felicity parecia chocada com algo. — É um plano simples e sem riscos desnecessários.

— Essa merda de casamento vai ser numa igreja?! — ela me olhou, seus olhos estavam maiores mostrando-me o quanto ela estava revoltada com aquela ideia.

— Não. Porque não vai haver casamento. — minha voz foi dura e segurei meu olhar no dela eu a garantia disso. Não havia uma fodida maneira de que eu permitisse que o casamento com Vladmir se concretizasse.

— Eu apenas acho que precisamos sair daqui o mais rápido possível! — eu entendia a necessidade que Felicity sentia em sair desse lugar, mas algo não parecia certo. Como se alguma coisa houvesse mudado de ontem para hoje, e tivesse deixado Felicity assustada ou desesperada, fitei seus olhos procurando pela verdade, talvez fosse um misto dos dois.

—Alguém a ameaçou? Fez algo a você? — ela ergueu uma das sobrancelhas como se aquilo fosse óbvio, me lembrei da conversa de Anatoly com ela, seria por causa daquilo o que ele dissera ou algo mais? — Você está me escondendo algo? — Felicity se retraiu quando eu disse isso, havia algo ali e eu não gostei daquilo, minha mente viajando por vários outros meios que Anatoly poderia ter usado para ameaçá-la e comecei a me sentir doente apenas em pensar naquilo. — Há algo mais acontecendo do qual eu não estou ciente, Felicity?

— O quê? Não! — negou rápido demais, me deixando suspeito — É claro que não, eu... — ela fechou os olhos e respirou profundamente tentando recuperar a compostura e quando voltou a falar ela parecia mais controlada — Eu apenas estou nervosa, toda essa história de provar um vestido de noiva apenas deixou tudo real de mais. Além disso, são mais quatro dias e meu estômago dá voltas com a simples ideia de encontrar com Anatoly ou ainda pior, encontrar Vladmir. Eu só quero que o pesadelo acabe. Eu só quero ir embora e esquecer, quase tudo o que eu vivi aqui.

— Quase tudo? — a exceção dela me fez sorrir.

— Há um certo capitão Bratva, que eu não quero e nem consigo esquecer... — o sorriso dela me deixou mais calmo e eu tornei a puxá-la para meus braços abraçando-a tão forte quanto era possível, tentando mostrar com aquele abraço que ela estava segura comigo.

— Você só precisa aguentar mais quatro dias. — sussurrei em seu ouvido.

— Se você estiver comigo, eu consigo aguentar qualquer coisa. — essa mulher ainda iria acabar comigo.

— Há mais uma coisa. — comecei cauteloso, temendo que Felicity pudesse surtar novamente — Anatoly vai me mandar em alguma missão dos Bratvas, entre hoje e amanhã. — fitei seu rosto, esperando por uma reação dela, mas não havia nenhuma então apenas continuei — Eu ainda não sei o que é, mas eu preciso que não se preocupe com isso, eu estarei de volta para você o mais rápido possível. — Felicity, se retraiu em meus braços.

— Acha que é seguro se ausentar agora? —perguntou, tentando esconder a voz trêmula. Eu odiava ter que partir quando ela parecia tão vulnerável, eu me odiava por não ser capaz de dar toda a segurança que ela precisava.

— Não é o ideal, mas eu não posso negar uma missão sem que isso gere desconfianças. — expliquei — Eu só preciso que você fique sempre no seu quarto, com as portas trancadas.

— Eu ficarei. — garantiu.

Merda, aquilo não era o suficiente para mim.

— Ainda tem a arma que eu te dei? — Felicity assentiu uma vez — Não hesite em usá-la, principalmente se Vladmir tentar algo. — ela engoliu em seco enquanto digeria as palavras. — Vai ser por pouco tempo, não há nada a temer. — assegurei.

— E quanto a você? — novamente os olhos de Felicity se ergueram para os meus, a intensidade deles roubando o meu ar por um instante.

— O que tem eu? — devolvi confuso com a pergunta dela.

— Como eu vou saber que você está bem? — um largo surgiu em meu rosto ao notar sua preocupação.

— Por que está sorrindo? Estamos falando de algo sério aqui! — ela reclamou, socando o meu peito com certa força, seu rosto exibindo seriedade e preocupação.

— Eu vou ficar bem, prometo, printsessa. — Eu não era bom com promessas, mas não me incomodei em fazê-la porque eu sabia o quão bom eu era no meu trabalho, e eu tinha um incentivo muito bom para me obrigar a voltar inteiro.

A preocupação em seu rosto vacilou e um pequeno e hesitante sorriso apareceu em seus lábios, eu aproveitei o momento para mudar o rumo da nossa conversa. Eu não gostava dessa versão de Felicity tensa e pensativa demais, eu queria a Felicity que encontrava em mim o seu pequeno instante de felicidade, eu queria seus sorrisos e seus olhos brilhantes. Depois de tantos momentos de dor, eu queria que ela apenas pensasse em coisas boas quando estivesse comigo.

— Agora vamos nos esquecer de tudo isso por um momento e nos concentrarmos em algo mais importante. — falei com a voz suave, minhas mãos se afundando em seus cabelos e desfazendo o coque elaborado que ela usava, tentei não pensar que aquele era o penteado que ela usaria no dia do casamento.

Inferno! Eu também precisava me esquecer daquilo por um momento, ainda bem que eu tinha a melhor distração bem ali em meus braços.

— O que pode ser mais importante? — provocou.

— Eu estava pensando em despi-la deste vestido de noiva, você parece muito incomodada usando ele.

— Boa sorte tentando desfazer cada um dos botões. — lançou-me um meio sorriso, fitei seus olhos azuis tão fascinantes, eles faiscavam para mim de uma forma feroz, aquilo era praticamente um desafio.

— Eu sou paciente. — eu disse descendo as mãos dos cabelos para os ombros e a girando de costas para mim. Afastei os cabelos dela para o lado e salpiquei alguns beijos em sua nuca e ombros enquanto meus dedos se ocupavam do elaborado vestido. Havia uma trilha infinita de pequenos botões de contas, a minha vontade era de rasgar todo o tecido, mas havia algo de excitante na doce e lenta sedução que era desfazê-los um a um — Isso vai ser como um treino para mim. —Felicity soltou um longo suspiro. Eu não tinha certeza se ela pegou o real significado da minha frase, mas era bem óbvio para mim. Eu queria fazer isso novamente, mas dessa vez depois do nosso casamento.

Depois de minutos eu desfiz o último botão, e o vestido simplesmente caiu se amontoando aos seus pés. Felicity virou, ficando de frente para mim enquanto eu a apenas a olhava deslumbrado demais.

Ela deu um passo a frente, diminuindo completamente a distância entre nós. Suas mãos delicadas se colocaram sobre meu peito, e uma delas subiu lentamente até meu pescoço, os dedos se afundando em meus cabelos curtos, a pressão da sua mão puxando-me para ela.

Olhei dentro dos seus olhos, antes de tomar seus lábios como meus. O que vi ali me fez sorrir.

Ela era minha, e eu era dela.

Nada mais importava.

***

Eu aproveitei da ausência de Anatoly e passei a noite no quarto de Felicity. Eu sabia que não era seguro ou inteligente essa minha ação, por isso tomei cuidados extras, trancando a porta e me recusando a dormir. Eu apenas sentei na poltrona que havia próxima a cama enquanto me permitia ser fascinado por cada mínimo detalhe de Felicity. Eu observava o sono leve dela, a expressão de satisfação estampada em seu rosto, a pequena curvatura em seus lábios cheios que se assemelhava a um sorriso. Eu gostava que em seus sonhos ela fosse feliz, que ela não se sentisse presa ou tivesse que lidar com tantas coisas ruins que a atingiam tão logo ela abria os olhos.

Ela girou sobre a cama, emitiu um longo suspiro e se remexeu abraçando o travesseiro. Travesseiro de sorte. O lençol deslizou mais para baixo pelo seu corpo nu e deixando muito pouco para a imaginação. Eu via perfeitamente os montes formados por seus seios pressionados contra o travesseiro, as curvas tão tentadoras de seu corpo, suas pernas nuas e tão bem torneadas... Me senti como um maldito voyage me contentando em apenas observar.

Pensei em me juntar a ela na cama e acordá-la com um beijo, e exigir um pouco mais dela. Porém, no instante em que me ergui da poltrona o meu celular vibrou em meu bolso, olhei para tela e xinguei um palavrão em russo assim que li a mensagem de Anatoly.

“Faça suas malas e me encontre em meu escritório em uma hora.”

Suspirei ao me aproximar de Felicity, afastei delicadamente os cabelos da face dela e repousei um beijo mais demorado do que eu pretendia sobre seus lábios.

— Volto logo, printsessa. — sussurrei contra a boca quente dela antes de me afastar. Era nesse ponto que nossas vidas se afastavam, era hora de voltar a ser um capitão bratva, enquanto Felicity continuava a dormir serenamente como uma printsessa.

***

Eu estava em meu quarto quando o som da maçaneta sendo girada chamou a minha atenção. Eu permaneci de costas dobrando uma camisa, imaginando que fosse Anatoly. Ele tinha o hábito de entrar primeiro e bater depois. Percebi que algo estava errado quando não escutei o som pesado de seus passos pelo lugar, ou sua voz sempre tão imponente me delegando ordens. Ao invés disso o que recebi foi um doce e conhecido perfume floral, as batidas do meu coração se aceleraram em reconhecimento. Virei-me de frente para porta, ficando feliz por apenas um milésimo de segundo ao ver Felicity, para logo em seguida me sentir tenso com sua presença em meu quarto.

Tinha sido uma estupidez sem tamanho vir até mim.

— O que você está fazendo aqui? — perguntei com evidente recriminação. — Não deveria deixar o quarto e andar pela mansão, ainda mais a esta hora da noite, é perigoso. Não quero nem pensar no que Anatoly faria se a visse por aí. — Fui duro com ela, mas lembrei-me do quanto ele a havia machucado quando nós tentávamos fugir. O medo de vê-la ser machucada novamente se apoderou de mim e se transformou num estranho tipo de raiva — Como pode ser tão descuidada? Não pensa em si mesma?

— Você ia partir sem se despedir? — ela perguntou ignorando completamente minha evidente raiva, seus olhos magoados fitando a pequena mala sobre a cama com alguns poucos pares de roupa.

Eu ainda estava lidando como fato de Felicity ter perambulado pela mansão a noite e sozinha, se arriscando apenas para me ver. E lidando principalmente com o fato de ela estar ali, no meu quarto, com pés descalços e vestindo nada mais do que meu paletó. Oh sim, eu tinha plena certeza de que ela estava nua debaixo dele, e apenas pensar nisso tornava meu raciocínio mais lento e pouco confiável.

— Eu não vou me demorar nessa missão. — expliquei, dando a volta e tentando ignorá-la enquanto eu fechava a porta atrás dela a chave — Eu esperava voltar antes que você notasse minha ausência. — me expliquei.

— Não é o que parece. — ela cruzou os braços, seus lábios pressionados em uma fina linha de descontentamento enquanto seu olhar fitava novamente a mala.

— Não? — devolvi, percebendo que o seu tom tinha sido irônico.

— Eu diria que sua mala está feita para pelo menos uma semana! — ela exclamou se esforçando para não perder o controle, mas o lábio inferior dela tremia e as lágrimas de pura raiva começavam a se acumular no quanto de seus olhos. Eu entendia o lado dela, mas estávamos juntos nisso e eu precisava que ela também me entendesse.

— O próprio Anatoly me ofereceu essa missão. — tentei explicar.

— Você não podia simplesmente dizer não? Ou inventar uma desculpa? — ela me cortou num tom mordaz.

— Ninguém diz não a Anatoly, printsessa. — falei frustrado, ignorei o olhar irritado dela e me aproximei prendendo uma de minhas mãos em seu rosto, eu precisava de proximidade, precisava tocá-la para que ela se livrasse dessas inseguranças tolas e percebesse que nós ainda estávamos juntos nisso. — Eu não gosto disso tanto quanto você, mas eu tenho que fazer ou Anatoly estranhará minha recusa. Eu sou um soldado dele, e eu tenho deveres a cumprir, se eu desviar muito de quem ele acredita que eu sou, as coisas terminarão mal para nós dois.

— Você vai ficar fora por quanto tempo? — ela retornou ao ponto principal, analisando com certa frieza cada ponto do meu rosto, tentando verificar se eu iria mentir. Me senti incomodado com aquilo, nós já tínhamos passado dessa fase, ou ao menos eu pensei que já tinha a confiança dela.

— Eu não tenho certeza, talvez um ou dois dias, no máximo. Eu irei apenas realizar um acordo para ele — Anatoly não tinha me falado muito sobre a missão, mas eu sabia que não levaria muito mais tempo do que isso. Provavelmente seria algo como fechar um negócio, talvez incluísse um nível moderado de chantagem ou violência, mas eu poderia lidar. Felicity assentiu erguendo o queixo e se fazendo de forte.

— Dois dias é muito tempo!

— Ei, não se preocupe. Se eu perceber que as coisas levarão um pouco mais de tempo, eu largarei tudo e voltarei para você imediatamente, eu estarei aqui, eu vou tirar você daqui, não duvide em nenhum momento disso. — falei, prendendo o olhar dela no meu. Senti meu coração falhar uma batida quando não recebi uma confirmação imediata — Você confia em mim, printsessa?

— Eu sinto muito. — ela fechou os olhos meneando a cabeça e soltando o ar dos pulmões parecendo um pouco mais aliviada — É claro que eu confio em você, Oliver. Eu apenas acordei e você não estava ao meu lado, e eu simplesmente surtei. Há tantos modos de tudo dar errado, e eu adiciono isso às outras preocupações que não param de rodar em minha mente. Me desculpe por surtar. — ela pediu exibindo um pequeno sorriso.

— Quer falar um pouco sobre isso? Suas outras preocupações? — me ofereci, eu sabia que não tinha muito mais tempo, mas se Felicity estava incomodada com algo, eu queria que ela soubesse que eu estava ali para ela.

— Quando você voltar, quando tudo estiver resolvido, nós conversaremos. — Havia algo mais nas palavras dela, na forma hesitante como ela mordia o lábio inferior como se impedisse a si mesma de dizer algo. — Eu vou sentir sua falta a cada minuto do dia. — Sua declaração me distraiu do seu comportamento atípico.

— Eu provavelmente vou enlouquecer sem você. — falei, tombando minha cabeça contra a dela, permitindo que meu nariz acariciasse sua pele, inalando o cheiro doce dela. Percebi que Felicity tinha se colocado nas pontas dos pés, apenas para ficar mais próxima a mim.

— Seja cuidadoso, e volte inteiro para mim. — ela sussurrou contra meus lábios, seu gosto me tentando.

— Eu serei. Eu voltarei. — sorri, a preocupação dela comigo era adorável, eu nunca tive alguém para se preocupar comigo antes. Eu gostava disso. — Eu estarei aqui para levá-la embora. — tornei a garantir isso para ela e então rompi a pequena distância beijando-a. Era um beijo doce e lento, não era uma despedida não havia desespero ou medo nele, era apenas uma promessa de eu que eu voltaria logo para ela.

— Eu estarei esperando por você. — Felicity falou num suspiro, sem sequer abrir os olhos tão logo o beijo terminou.

— Eu ficarei bem — ainda havia um estranho receio nos olhos dela quando ela finalmente olhou para mim, acariciei suavemente a bochecha dela com o polegar desejando ser o suficiente para retirar aquilo de seus olhos. —, nós ficaremos bem, printsessa. Agora, por favor, volte ao seu quarto e seja o mais cautelosa possível. Anatoly pode vir aqui a qualquer instante e eu quero que você esteja longe e segura. — pedi.

Ela assentiu, ficou novamente nas pontas dos pés e pousou um beijo rápido em minha bochecha antes de partir.

***

Moscou era uma cidade muito grande, e mesmo vivendo aqui por tanto tempo havia áreas dela as quais eu não conhecia muito bem. Eu estava numa dessas agora. Era um perímetro industrial abandonado, galpões e fábricas antigas completamente vazias e sem o mínimo de utilidade, a grande maioria feita de remanescentes da primeira revolução industrial que não se adequaram a segunda e acabaram falindo. Eu me perguntava por que o governo não as demolia, ou dava alguma utilidade para o terreno. Mas a resposta era óbvia, esse era um lugar perfeito para negociações duvidosas. Longe o suficiente para que ninguém se incomodasse, sem pessoas por perto que pudessem ser feitas de testemunhas.

Eu segui para o galpão número sete onde Anatoly havia dito que o encontro estava marcado, eu tinha comigo meia dúzia de homens sob minhas ordens. Eu deveria me encontrar com algum figurão da política russa, era uma simples transação, caso ele não concordasse com os termos da proposta de Anatoly eu deveria usar outros meios menos ortodoxos como coação, ameaça, violência... Eu esperava um pouco mais de Anatoly quando me ofereceu uma missão solo, por que de certa forma isso não era nada diferente do que eu estava acostumado a fazer por ele.

Ao que parecia eu resolveria isso ainda nesta madrugada e retornaria para Felicity a tarde. Eu iria apenas terminar isso o mais rápido possível, sem maiores complicações. Decidi, me sentindo ansioso demais.

Empurrei a porta lateral, o galpão tinha uma iluminação amarelada e fraca que piscava tanto que as lâmpadas permaneciam mais tempo apagadas do que acesas, mas ainda assim dava para ver perfeitamente a sombra de uma única pessoa parada exatamente no centro e de costas para mim.

Eu teria estranhado a falta de segurança pessoal, mas no momento em que a pessoa virou-se ficando de frente para mim a luz fraca incidira sobre ela, e eu entendi tudo.

Der’mo.

Eu estava fodido.

Era por isso que tudo nessa missão parecia tão simples e fácil. Se eu não tivesse tão ansioso para me livrar disso e voltar para Felicity talvez eu tivesse notados os sinais, talvez eu percebesse que algo estava errado.

Pensei em virar, e voltar pela porta por onde eu havia entrado. Mas os soldados de Anatoly que estavam ali para me ajudar bloqueavam o caminho, todos eles com suas armas em punho e apontadas diretamente para mim.

O homem caminhou em minha direção exibindo uma espécie de sorriso sádico, ele sabia que eu estava encurralado, não havia para onde fugir, por isso ele fez sua caminhada lenta, se deleitando como uma cobra que aprecia o tempo em que seduz sua vítima antes de dar o bote.

Tentei atirar, mas é claro que meu revólver estava sem balas, algum capanga dele deveria ter feito aquilo e eu sequer notei.

— Anatoly. — o nome rasgou em minha garganta assim que ele ficou frente a frente comigo. Ele removeu com facilidade a arma que eu estupidamente ainda mantinha em punho e a jogou para o lado.

— Estou surpreso por alguém tão esperto quanto você não ter descoberto antes. Você me subestimou, Oliver. Um erro comum, mas com consequências drásticas. — ele discursava calmamente, ele estava fervendo de raiva, eu sabia disso pela veia que pulsava rapidamente em sua têmpora esquerda, mas com toda certeza ele tinha planos para mim, por isso não havia necessidade de estourar agora, além disso, Anatoly era conhecido por brincar com a comida antes de jogá-la aos cães. — Pensou que poderia foder com minha filha dentro da minha própria casa e eu não perceberia? Dê-me algum crédito. — Eu me mantive altivo, não havia um caminho de fuga para mim, mas eu tinha ao menos alguma dignidade — Eu não me importaria se você apenas a estivesse usando para simples satisfação sexual, mas há sentimentos envolvidos. Eu esperava mais de você, era o soldado com mais potencial que eu tinha, eu o treinava para ser grande, estou decepcionado. — ele realmente estava decepcionado, havia muito de orgulho ferido na voz dele também.

— Como você soube? — não havia mais ponto em negar, e já que estávamos fazendo a coisa do vilão que conta todos os seus planos antes de dar um fim ao mocinho, eu queria toda a informação que eu pudesse ter.

— Anne. — falou com descaso — Não deveria ter confiado naquela coisinha pequena, e muito menos a ameaçado. É engraçado quando as pessoas se sentem acuadas elas correm para o lado mais forte em busca de segurança e proteção.

— Foi um erro tolo. — falei, me esforçando para ser frio. Mas eu estava puto, eu confiei nela, eu pedi que ela ficasse com Felicity e o tempo todo ela estava jogando comigo.

— Sim, foi. — ele concordou, seus olhos tão negros se estreitaram fitando meu rosto com curiosidade — Mas sabe o que eu não entendo? Eu te dei tudo, e ainda assim você estava disposto a abrir mão de tudo para que a minha filha escapasse? O que você ganharia com isso? Amor? — Ele riu debochado.

Percebi neste momento que Anatoly não conhecia toda a verdade, ele sabia sobre Felicity e eu, mas não sabia que eu era um infiltrado em sua organização. Talvez isso representasse alguma vantagem no final das contas.

— Levem-no, pensarei na punição apropriada num outro momento. — senti minhas mãos serem puxadas para as minhas costas e presas com algemas — Eu tenho um casamento para me preocupar. Será que Felicity ficará muito chateada quando eu lhe disser que seu amado Oliver a enganou e escolheu deixá-la a própria sorte? — O sorriso sádico se intensificou, ele estava me provocando e se divertindo com isso.

— Ela não vai acreditar. — rosnei.

— Não importa. De todo modo, no final ela terá que se submeter as minhas ordens. — Ele disse, batendo com a coronha da arma em minha cabeça. Meu coração se contraiu dentro do peito ao pensar no que aconteceria a Felicity, tudo ficou escuro e antes de perder completamente a consciência eu escutei a voz de Felicity ecoando dentro da minha cabeça “eu estarei esperando por você”.

Ela estaria esperando por mim.

Mas eu não iria voltar para ela.

Notas finais
Eu acho que War of Hearts é oficialmente a minha fanfic em que tudo dá sempre errado! E agora? Se Anatoli pegou Oliver como ele vai ajudar a Fel a fugir? E Felicity está com o casamento marcado, será que ela vai casar agora que Oliver não está lá para impedir? O que vocês acham que vai acontecer? Façam suas apostas...