War of Blood
1 Quem é você Clea?
Notas iniciais
Obrigado Leitor, volte sempre.
Talvez eu precise de mais palavras para tentar aniquilar o medo que meus pais sentem em me deixar sair à noite. Para um menino de dezesseis anos isso é quase que broxante, já faz uma semana que não vejo o pessoal da escola, com certeza esqueceram-se mim, até porque que vai se lembrar de um adolescente problemático, ou nem tanto... Talvez seja simplesmente eu.
- Cohen! Vamos, não quer se atrasar para o primeiro dia? Certo? – Disse minha mãe do outro lado da rua, enquanto eu pensava.
- Venha rapazinho! Disse meu pai descendo as escadas da varanda me puxando pelo braço.
- Ah! Aii! Ok. Já estou indo.
O caminho de casa até a escola, não é um dos mais agradáveis, há muita nébula e ruas sinuosas que deixam qualquer pessoa que acabara de fazer a refeição matinal de estoma embrulhado. Na verdade eu queria que os carros voassem, ou que houvesse uma forma prática e rápida para se chegar à escola. Vou falar sobre meus “amigos”. Kate é a aluna mais estranha do mundo, quero dizer, do meu mundo. Ela sempre usa uma saia xadrez vermelho e branco, cabelos longos e negros sempre soltos, uma camiseta dos Beatles e um anel ridiculamente gigantesco que a faz parecer uma menina com uma verruga no dedo. Josh é um daqueles populares mais humildes, o tipo que só fala com você quando falta uma semana para os testes de matemática, física, química entre outras matérias que exercem mais da sua capacidade mental. Camiseta azul quase preta, calça jeans e óculos escuros, o tipo que gasta toda mensalidade dos pais em roupas de marcas famosas.
- Bem querido chegamos – Disse minha mãe sorrindo, como se fosse a melhor coisa do mundo, os pais trazerem seus filhos no primeiro dia de aula.
- Ok mãe. Obrigado pela carona – Disse colocando uma das mãos no ombro do meu pai.
- Nos vemos mais tarde, certo? Perguntou ele
- Iremos à casa da Tia Beth, ela está preparando um assado delicioso.
Saindo do carro ou ônibus, alias tanto faz... A primeira visão que temos além do enorme prédio escolar, é o “corredor polonês”. Se você não sabe do que estou falando, então não tem a mínima ideia do que é entrar numa sala de aula com os ossos “quebrados”. Michel é aquele valentão que não da trégua para ninguém, sempre procura uma forma ridícula de humilhar todos os alunos que para ele são superiores do quesito inteligência ou como quiser chamar os “Nerds”.
- Olá Cohen! – Disse Michael com tom de sarcasmo – O que temos para hoje? Indagou um dos amigos.
- Não vou perder meu tempo aqui Michael – Eu disse a ele pondo ambas as alças da mochila nas costas e seguindo em direção as escadas. Curioso, acho que Michael e sua tropa perceberam que uns e outros crescem, enquanto a maioria vai voltando ao seu estágio infantil.
Ainda subindo rumo à escola, não pude deixar de perceber o inspetor recebendo os alunos novos, uns nem tão novos assim. Havia uma menina pálida aparentava ter dezoito anos, usava um jeans desbotado e uma blusa amarela também desbotada, aproximando-me mais pude perceber seus olhos de alguma forma não dava para distinguir as cores, havia muito tumulto, seus cabelos eram curtos até o ombro cor de mel.
- Cohen! Gritou Kate do outro lado da multidão, fazendo-me perder de vista a menina pálida.
- Venha Cohen!
- Não tem como passar agora! Vemo-nos depois! — Disse a ela.
Minha sala, sempre foi a 1309, a diferença é que com passar dos anos ela mudou somente uma casa decimal, 13, 130... Há muitas coisas inexplicáveis nesta escola, por exemplo: Há duas quadras esportivas, porém só uma é utilizada a outra fica fechada até os jogos de inverno. Há cinco andares e o ultimo é terminantemente proibido fazendo parecer Hogwarts com sua famosa “Pedra Filosofal”.
- Venha Cohen, vamos entrar – Disse a professora Margaret puxando-me pelo braço como uma criança do jardim de infância.
- Bem classe, vamos começar abrindo o livro na página 540... Alguém pode ler para mim?
No mesmo instante a menina pálida surgiu num piscar de olhos dentro da sala, ou talvez eu que dormira demais e não percebera que a mesma estava ali. Ela levantou as mãos, fazendo suas pulseiras vermelhas descerem até o cotovelo.
- Alguém da classe pode emprestar o livro para novata?
- Não é preciso – Disse ela.
Ela fechou os olhos, suspirou...
Livro Mitologia – Pag. 540 Mortos- Vivos Folclore
- Havia centenas deles, olhos avermelhados, peles pálidas, insaciáveis. Não podíamos correr ou nos movimentar, respirar era arriscado, foram horas de terror sem se quer fazer nada para mudar a situação.
- Obrigado... Seu nome? – Perguntou Margaret
- Clea.
- Obrigada Clea
Passamos horas sem falar nada, somente lendo e lendo vários textos folclóricos, dentro deles uns mais chatos e outros mais interessantes, e somente o que ouvíamos era uns múrmuros dos alunos na ultima fileira. A professora já havia saído da sala e eu já esperava ansioso para poder ir embora.
- Seu pai não lhe busca mais? – Perguntou generosamente, quase que com raridade Josh.
“Ele deve estar de sarcasmo” – Pensei – Bem... Ele deveria estar ali fora, porém com essa chuva, duvido muito que meu avô não venha me buscar.
Vovô Fill, é a pessoa mais incrível do mundo, sempre me conta histórias de quando ele era criança, das travessuras no campo, da invasão alemã em 1939, de como era bom correr sobre as matas fechadas dos sítios vizinhos.
“Há muitas coisas neste mundo que não conhecemos piolho (Apelido que ele me dera), mas maioria delas está diante dos nossos olhos e nem se quer queremos observar”.
Essa era uma das frases mais intrigantes que ele já me dissera, é claro, não foi a única, porém sim, a mais intrigante.
De repente o sinal – Acalmem-se garotos! – Pediu a coordenadora.
Quando desci as escadas para ir embora, ainda sobre a temida chuva, que nem era tão forte assim, Clea pôs as mãos em meus ombros.
- Seu celular Cohen, está no silencioso. – Disse ela
Não havia entendido, pus a mão em meu bolso e retirei o aparelho, realmente estava no silencioso, e meu pai já estava ligando.
- Oi Pai, eu...
- Cohen! Pegue o ônibus da escola e venha para casa da Tia Beth – Disse ele aos berros no celular.
- Mas pai... – No mesmo instante a ligação caiu, e eu mesmo já havia percebido o ônibus cruzando a rua indo em direção a Street Light. Já havia perdido.
Saindo pelo portão da escola ainda muito desanimado, sabendo que chegaria tarde a casa da tia Beth, me pus a pensar em varias coisas que faria no percurso gigantesco sozinho, uma delas seria listar tudo que fosse vermelho, ou sei lá, qualquer cor seria bom.
Um frio repentino na barriga
- Olá Cohen! Que bom te ver aqui – Disse Clea
- Cle... Clea, você não...
- Eu não? – Indagou
- Quero dizer, você mora por perto? – Perguntei a ela.
- A sim, há algumas ruas daqui, próximo à ponte Violeta. – Disse Clea
- Ah! Sim, eu também, que boa companhia... Eu perdi o ônibus, então e com essa chuva, meus pais ficaram no engarrafamento. – Disse a ela.
Michael e seus amigos vinham logo atrás
Michael desde pequeno usa um galpão próximo a escola para sua banda de rock, então eles fazem o percurso a pé.
- Ora! Ora! Quem está falando a maluquinha! Não seria o panaca do Cohen! – Disse Michael
- Deixe-o fora disso Michael – Disse Clea
- Como assim... Vocês já se conhecem? — Perguntei
- Não contou a ele Clea? Que maus modos, como sempre misteriosa. – Disse Michael
- Não contou o que, espere... Não estou entendendo – Disse a eles puxando as mangas da camiseta
No mesmo instante Clea soltou a mochila no chão, e numa velocidade extremamente imperceptível chegou próximo de Michael segurando-o pelo pescoço.
- Qual era o nosso acordo? – Perguntou Clea
Michael se sentiu coagido e a empurrou fazendo com que a mesma arrastasse o corpo pela calçada
- Socorro! Socorro! – Gritei
- Cale a boca Cohen! — Disse Clea – Corre, vá para casa.
Então fui sem pensar em absolutamente nada, corri o mais de pressa o possível. Quando já estava há a vinte minutos do ocorrido, me senti um covarde por não ter ajudado Clea, mas uma duvida estava quase me sufocando, quem era ela, ou melhor, varias duvidas... Donde Clea e Michael se conhecem? Como ela foi tão veloz e conseguiu levantar Michael pelo pescoço? E como Michael conseguiu empurra-la tão longe com uma só mão.
CONTINUA
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