War for Earth

2 Maldita seja a guerra


Notas iniciais
O que elogiar, quando tudo o que acontece é uma merda. John Lewis, após sua última missão descobre algo que pode ter deixado sua família em grande perigo. E como deve ser ter que proteger um idiota metido á besta em meio á uma guerra?

15 de outubro de 2625 05:43 AM

Ainda estava escuro, o bastante para o piloto gritar de 5 em 5 minutos que não conseguia ver o chão. Não entendia muito bem o que dizia, afinal fora deportado da África para nos ajudar na guerra aqui, e não que ele não soubesse o idioma, é que prefere que não entendamos o que ele diz para não retrucar. Suas habilidades como piloto impressionaram o alto escalão por conseguir fazer manobras antes ditas impossíveis e outras inimagináveis. Seu nome era Maliko, estar em sua nave era uma honra, apesar de ele gostar de xingar todo e qualquer americano que passe na sua frente.

–Maliko, estamos chegando?

–Isso não te interessa, chegarei quando quiser.

A nave começou a descer, abri a porta de carga e já começava a ver o chão, via as tropas humanas mobilizadas e sem poder avançar.

–Maliko, mire nos aliens, eles estão avançando.

–Certo, mas você não manda em mim!

Maliko ativou as armas de sua nave e as ativou contra os lagartos, explodindo seus miolos fazendo jorrar mais daquele sangue azul brilhante nojento.

Quando finalmente desci da nave, fui até uma cratera, ao chegar lá encontro Ribble fumando um pouco e com a porcaria da revista pornográfica.

–Mas que merda Ribble, pare de ler essa merda e vamos avançar com as tropas.

–Não! – disse Ribble – chega dessa porra! Foda-se a Terra, foda-se tudo.

Olhei para Ribble tentando entender o motivo de estar tão irritado, não conseguia entender, ele estava inteiro (ou quase isso). De repente vejo uma lágrima descer seu rosto, e sua expressão de ódio se transformou em tristeza.

–Cara, a base foi atacada, o Samwel morreu, alguns lagartos se aproximaram da base e conseguiram matar alguns soldados, mulheres e crianças. Ele se foi...

Samwel era o filho adotivo de Ribble, antes vivia com os verdadeiros pais, porém, após a batalha de três dias pelo deserto de ninguém onde antes ficara o central park, a batalha mais sanguenta da Guerra até hoje, os pais de Samwel acabaram morrendo.

Ribble, que foi designado como comandante para esta missão sentiu-se culpado por tê-los deixado morrer e adotou o garoto.

Três dias depois, o garoto ainda sentia falta de seus pais, e por isso, foi até o deserto de ninguém sozinho procurá-los. Quando Ribble percebeu que ele tinha sumido começou a procura-lo por toda a base até que um garoto, amigo de Samwel disse que ele tinha ido até o deserto.

Ribble pegou um carro e correu até o local, chegando lá viu o garoto andando entre os mortos, porém ao começar a se aproximar viu um dos lagartos mirando no garoto, Ribble pulou para frente dele e tomou uma rajada de tiros nas pernas, o garoto, apesar de assustado pegou a arma de seu padrasto e atirou contra o alien.

Após voltar á base, Ribble teve suas pernas amputadas, e o garoto disse que agora estaria disposto a virar soldado para proteger seu novo pai. Quando saímos da base, ele tinha acabado de se tornar um farda verde. Ribble nem teve tempo de o ver, afinal, fora encarregado de carregar as naves com as armas.

Não conseguia acreditar, como pôde ocorrer um erro desses, os fardas azuis, a patente mais alta que se pode alcançar, estavam lá protegendo a base.

De repente parei de pensar na guerra e comecei a pensar em Sam e em Margaret, meu filho e minha esposa, não conseguiria suportar perdê-los, porém, para vê-lo novamente precisava antes sair dali, ergui minha arma e me virei para Ribble.

–Vamos lá cara, vencer essa batalha e voltar para casa.

–Não tenho mais motivo para voltar, meu garoto se foi...

Fiquei extremamente irritado com ele, dei-lhe um tapa na cara, puxei o colarinho da farda e gritei em sua cara- Então, pelo menos, batalhe para estar em seu enterro!

Primeiro, ele ficou bem assustado, depois só via o ódio pelos aliens aumentando em seu olhar. Ele soltou a revista ali mesmo, pegou sua arma que estava em seu colo e falou – Sim, vamos pegar esses filhos da puta.

Ao sairmos da cratera vimos Fide logo ao lado num pequeno montinho de terra, protegendo-se de várias rajadas dos lagartos.

Apontei minha arma contra eles e os metralhei até ficarem em frangalhos.

Quando olhei para Ribble, estava atirando feito um louco, mas também chorava me levando a conclusão de que pensava apenas em seu filho, gostaria de ajuda-lo, mas o que posso dizer sobre algo que nunca senti.

Vinte minutos se passaram, não conseguimos mais avançar, não há soldados suficientes, sinto que posso morrer ainda hoje. Já perdemos mais cinco naves, no momento estou tentando proteger William Monroe, o último de nossos mecânicos e escolta-lo até a 20° nave de batalha chamada de “Revenge”, era uma das piores naves de todo o exército na Terra.

Não conheço nenhum piloto que não tenha medo de ser escalado para pilotar a Revenge, seu histórico de pilotos mortos era impressionante, desde sua fabricação há cerca de 100 anos atrás, na época onda mais tivemos problemas em conseguir um lugar para chamar de base, até atualmente, e não importa o nível de habilidade do sortudo que a pilotar, ele normalmente acaba morrendo.

–Monroe, tome cuidado, não sabemos como está no fronte.

–Eu sei coroa, pode ficar calmo que não vou morrer pra esses caras.

–Olha como fala comigo moleque!

William era o mais jovem garoto que já foi para o fronte servir como mecânico na guerra, tinha apenas 19 anos, apesar de sua facilidade para mexer com essas naves, é muito arrogante, o que o torna desprezível aos meus olhos.

–Não me importa isso seu velho, você tem que me proteger se não vai acabar morrendo também!

–Não conte com isso, já sirvo muito antes de você nascer.

Começamos a andar, andávamos muito atrás das linhas inimigas onde acontecia a batalha, ou seja, a única coisa que via eram corpos dos dois lados, tanto humanos como de aliens. Olhei para o garoto, este não parava de olhar para cada um dos corpos que ali haviam, e por um segundo resolvi me importar com ele.

–Está bem garoto?

–I-i-isso não é da sua conta, só estou os vendo, como esses idiotas podem ser tão burros a ponto de morrer pra esses alienígenas.

Ao falar isso, me enchi de raiva e o joguei contra o chão.

–Me solte, você não pode fazer isso comigo!

–Já disse, olha como você fala comigo, eu sou a única barreira que difere você de qualquer um desses caras que está vendo com tiros em todo lugar! Mereço um pouco mais de respeito, então, é melhor você olhar como fala comigo!

Ele olhou nos meus olhos quase como se fosse chorar. Por um instante ficamos daquele jeito, eu ofegando de raiva enquanto ele apenas olhava para mim. Comecei a olhar para os lados e vi a Revenge. Foi quando ouvimos um barulho bem alto de passos. Logo o puxei para cima e o arrastei até atrás da nave.

–O que você acha que é? – Ele perguntou para mim.

–Eu não sei, pode ser qualquer coisa.