War Of The Union
14 The sound of your heart
Notas iniciais
Er... Ainda tem alguém aqui?
Eu sei, demorei demais para postar esse capítulo, mais de 2 meses. Me perdoem. Mas, em compensação, ele até que ficou bem grande.
Ah, eu dei uma editada nos primeiros capítulos da fic, nada que modifique demais, apenas corrigi os muitos erros.
Capítulo dedicado a Ashley Bianchi e ao Udon pelas lindas recomendações. Eu amei demais essas recomendações, nem tenho palavras para agradecer a vocês. Espero que esse capítulo sirva como agradecimento, apesar de achar que ele ainda não é suficiente : )
Boa leitura!
Ps: Capítulo não betado, me perdoem por qualquer erro.
Continuamos andando por aquele terreno durante o resto do dia, ignorando sua extensão territorial e o cansaço. Persistência era nosso principal lema no momento. Não poderíamos desistir até que encontrássemos nossos amigos; ou, na pior das hipóteses, tivéssemos certeza de suas mortes. Se o caso fosse o oposto, eles não teriam desistido de nós, então iríamos fazer o mesmo.
Como combinado, quando a noite caiu e o Sol cedeu seu lugar à Lua, procuramos o canto mais escuro que poderíamos encontrar, para não corrermos o risco de sermos vistos por soldados do país do Norte, e nos sentamos ali para descansar.
Não era exatamente a melhor definição de “conforto”, mas eu tinha Natsu; e ele tinha a mim. Já era suficiente. Poderíamos sobreviver desde que continuássemos assim: Na presença um do outro.
― Você está com frio? ― Ele perguntou enquanto me apertava ainda mais contra si e tentava esquentar meu braço direito com sua mão. Estávamos abraçados, para tentar espantar o frio. Eu com a cabeça apoiada no peito de Natsu e a perna direita entre as pernas dele enquanto ele me abraçava o mais forte que conseguia. Creio que não apenas para me esquentar, mas também por medo.
― Não ― Respondi, brincando com o tecido de sua camiseta. Realmente não estava. Natsu era tão quente que se tornava quase impossível sentir frio estando próxima dele.
― Com medo? ― Suspirei, refleti um pouco, buscando a resposta mais sincera no fundo do meu coração, e assenti. ― Do que, exatamente?
― Tantas coisas. Não encontrar os outros; encontrá-los mortos; dos soldados do país do Norte; perder você. ― Se estivéssemos na nossa antiga e suposta segurança ele provavelmente teria dito que eu não iria perdê-lo, porém agora não adiantava em nada tentar me tranquilizar dessa maneira, pois ele sabia que, mesmo se dissesse isso, não passaria de palavras vazias. O destino era incerto demais para que fosse possível fazer uma afirmação. ― Eu nunca te contei, mas tenho medo do escuro também.
― Medo do escuro? Bem, disso pelo menos eu tenho certeza de que posso te proteger. ― Ele sorriu. Um sorriso triste.
Natsu se ajeitou, deitando-se sobre a grama, enquanto eu continuava na mesma posição: Deitada e abraçada a ele. Daquela forma podia ver com muito mais clareza seus olhos tristes, que mesmo na escuridão da noite ainda brilhavam. Levei minha mão até o seu rosto, acariciando sua pele macia. No mesmo instante em que sentiu meu toque ele fechou os olhos.
― E você? Está bem? ― Perguntei.
― Defina bem. ― Fiquei em silêncio. Poucos segundos depois, vendo que eu não iria dizer nada, ele respondeu. ― Não. E sinceramente eu não sei o que seria de mim se você não estivesse aqui.
Ele me abraçou mais forte, escondendo o rosto na curva do meu pescoço. Passei minhas mãos por debaixo de seus braços e o apertei contra mim.
― Lisanna? ― Ele assentiu. ― Ainda se sente culpado pela morte dela?
― Ela era como minha irmãzinha, Lucy. Eu deveria ter dado um jeito de salvá-la também. O que vou dizer a Mira e ao Elfman quando os encontrarmos? Que eu a deixei morrer?
Ele suspirou. Senti algumas lágrimas molhando minha camiseta. Natsu estava chorando.
― Há coisas que não podemos evitar, Natsu. Não carregue esse peso desnecessário. Não pense nisso. Não pense que foi sua culpa, porque não foi.
Durante o dia, enquanto andávamos e procurávamos pelos outros, sua mente estava distraída, se concentrando apenas na tarefa que executava no momento. Porém, quando a noite caiu, a barreira que segurava sua tristeza fez o mesmo. Natsu poderia disfarçar o sofrimento, mas ele ainda estaria ali, pressionando-o, machucando-o. Era tudo tão recente que se tornava impossível esquecer totalmente. A perda de um ente querido nunca é algo fácil, não é algo que pode ser superado facilmente.
― Eu sei, mas isso está me sufocando por dentro, Lucy. Eu... Eu preciso de você. Preciso da sua ajuda, não consigo aguentar isso sozinho.
― Eu estou aqui, estou ao seu lado, para aguentarmos juntos.
― Preciso ser forte. Não posso ficar chorando. ― Disse, tentando parar o fluxo das lágrimas.
― Lágrimas também podem ser uma forma de limpar a alma, expelir a dor. Você não se torna fraco por buscar uma forma de alívio. Chore o quanto precisar, Natsu. Apenas não deixe que essa tristeza te domine.
Sorrisos sempre são melhores, porém há momentos em que apenas as lágrimas podem promover o necessário para acalentar a alma, trazer paz ao coração. Existem momentos em que elas devem sair.
Natsu segurou o tecido da minha camiseta e afundou ainda mais o rosto. Obedeceu-me, deixando que as lágrimas saíssem livremente. Antes, ele era forte por mim. Agora, entretanto, eu é que precisava fazer isso por ele.
― Obrigado, Lucy.
― Só estou retribuindo o que fez por mim.
Alguns minutos depois seus músculos relaxaram e ele adormeceu. Já eu não conseguia fazer o mesmo, não conseguia relaxar sabendo que poderíamos ser mortos enquanto dormíamos. Natsu antes se recusava a descansar, mesmo que precisasse. Pelo menos aquelas lágrimas haviam dado a ele o que ele próprio não conseguia se dar: Algumas horas de paz.
Na manhã seguinte não sentia vontade alguma de acordá-lo. Ele dormia tão serenamente que não queria retirá-lo daquele mundo tão melhor do que o real que era o universo dos sonhos. Porém ele mesmo fez o que eu hesitava em fazer.
― Já amanheceu? ― Natsu se sentou subitamente, parecendo atordoado. ― Eu dormi tanto tempo assim? Aconteceu algo? Você está bem? Algum soldado apareceu no meio da noite? Eu não deveria ter dormido, te deixei desprotegida. Se algo tivesse acontecido, eu...
Ele perguntava tantas coisas e em tão pouco tempo que eu já nem sabia o que responder.
― Se acalme. Está tudo bem. Eu estou bem. E você precisava dormir, não negue.
Ele olhava para todos os lados, com a respiração acelerada. Estava assustado, provavelmente nem havia percebido antes que adormecera. Caíra no sono lenta e involuntariamente, sem se dar conta.
Do dia anterior ainda haviam algumas maçãs guardadas na minha bolsa. Guardamos algumas para o caso de não encontrarmos outra árvore frutífera tão cedo. Seria melhor do que não ter nada para comer. Peguei uma delas e entrei a ele. Deu uma mordida, já mais calmo, olhando fixamente para o chão.
― Está melhor? ― Perguntei.
― Sim, estou.
Sorri e me inclinei, dando um demorado selinho em Natsu.
***
Pela posição que o Sol se encontrava deduzi que já passava do meio-dia. Continuávamos nossa busca pelos nossos amigos. A floresta era muito extensa, havia muito onde procurar ainda; e se não os encontrássemos, sairíamos e procuraríamos abrigo em algum lugar. Mas sinceramente torcia pela primeira opção.
O Sol estava a pino, mas naquele lugar a temperatura não chegava a aumentar muito, culpa das árvores que cobriam quase todo o local. Os pássaros cantavam suas doces melodias mesmo em tempos tão difíceis; embora os animais silvestres já fossem raros de serem encontrados ali.
Enquanto andávamos, um terrível odor começava a invadir nossas narinas. A cada passo dado o cheiro se tornava mais forte. Não conseguia identificar exatamente a que pertencia aquilo, só sabia que era horrível, chegando a ser quase insuportável. Bem, logo descobrimos de onde o fedor vinha: Um cadáver de um soldado estirado no chão bem entre duas árvores.
Não sabia como ele havia morrido ali ― e sinceramente aquela não era uma pergunta que martelava muito em minha mente. O que importava a resposta?! Havia um cadáver bem à nossa frente! ―, mas assim que aquela cena invadiu minha visão desviei o olhar. Eu não tinha estômago suficiente para continuar olhando. O cheiro quase me fizera regurgitar tudo o que havia comido, se tivesse comido algo. Por sorte, apenas Natsu tomara café-da-manhã, uma maça. Se eu tivesse algo no estômago naquele momento, com certeza teria colocado para fora.
Natsu era mais corajoso do que eu e permaneceu encarando o cadáver. Não sabia exatamente qual era sua expressão, mas não devia ser muito diferente da minha.
― Veja isso, Lucy.
Olhei por um segundo para descobrir o que Natsu queria que eu visse. Na cintura do pobre homem havia uma arma; e perto dele, uma bolsa de cor bege, manchada de sangue e sujeira.
― Não está pensando em pegar isso, está?
― É uma pistola Colt.45. Pode ser útil para nós ― Natsu, com muito cuidado para não encostar no corpo, pegou a arma, verificando se estava carregada. Por sorte, estava. Logo depois pegou a bolsa, tirando de dentro dela muita munição, uma lanterna e um isqueiro. ― Ele não vai mais precisar disso, já nós, se estivermos em perigo, pode ser a diferença entre vida e morte.
Não sei como ele conseguiu reunir coragem suficiente para pegar aqueles objetos. Eu me recusava mesmo a apenas chegar perto do cadáver.
― Não sente nojo em usar uma arma de um homem morto?
― Se isso salvar nossas vidas, não. ― Natsu ficou me encarando por alguns segundos, analisando minha expressão. ― O que foi? Está com medo? ― Ele perguntou. Sim, eu estava com medo. Um medo bobo de um possível fantasma. ― Deve temer os vivos, Lucy, não os mortos.
― Você sabe atirar? ― Mudei de assunto o mais rápido possível. Aquela não era uma conversa muito agradável.
Meu pai costumava me contar estórias de fantasmas quando eu era criança. Eu, com minha fértil imaginação, morria de medo e ia me esconder em seus braços ou nos da mamãe. Ele terminava sempre me dizendo a mesma coisa: “Fantasmas não existem, minha pequena; e mesmo se existissem, não deveria temê-los; não podem te fazer mal enquanto você acreditar que não podem.”
A frase de Natsu me lembrou dele, meu pai. A dor começava a renascer em meu peito, misturada à saudade, e por isso quis tanto mudar de assunto.
― Igneel me ensinou quando eu era mais novo. Faz tempo que não pratico, mas é como andar de bicicleta: Uma vez que se aprende, nunca se mais esquece. Só espero que minha mira continue boa. ― disse, segurando a arma com as duas mãos e a apontando para uma das árvores. ― Posso guardar essas coisas na sua bolsa?
Assenti, mesmo que hesitante. Ter coisas de um homem morto dentro da minha bolsa não era uma ideia agradável. Nas estórias que papai me contava geralmente os fantasmas ficavam presos a algum bem material e eram levados para onde esses itens estivessem. E se o fantasma daquele homem estivesse preso a uma daquelas coisas?
Ele colocou as munições e a lanterna na minha bolsa, mas a arma guardou cuidadosamente no bolso da sua calça, escondendo-a com a camiseta. Um lugar de onde poderia sacá-la facilmente, caso fosse necessário. E também corria menor risco de acidentes estando guardada com ele.
― Vamos. Ficar parados em um mesmo lugar pode ser ruim.
Ele estendeu a mão, tentando me tocar, porém eu recuei.
― Não. Não antes de você tomar um banho, pelo menos.
Natsu riu olhando para o chão, achando a situação engraçada.
― É, acho você tem razão. Mas estamos um pouco longe do lago mais próximo.
― Não tem problema, vamos até lá enquanto continuamos procurando pelos outros. E... Vamos sair logo daqui, por favor. ― Pedi, olhando uma última vez para o homem no chão. Não era uma cena muito incomum, eu mesma já havia visto piores há meses, enquanto procurava pelo acampamento; mas também não era nada agradável.
***
Se a persistência pudesse ser recompensada de alguma forma, diria que o melhor prêmio é a realização daquilo que tanto se procura. E se esse prêmio ainda não havia sido dado a nós, isso significa que deveríamos continuar seguindo em frente, continuar sendo persistentes, não é? Então por que nossas esperanças caíam tanto a cada dia que se passava? Por que a cada hora que se passava ficava mais fixada na nossa mente a ideia de que o destino dos nossos amigos havia sido a morte?
Uma semana. Uma semana andando por cada metro possível daquele território, nos escondendo do perigo e fazendo o melhor possível para sobreviver, sem conseguir, entretanto, nem uma mínima pista que fosse que pudesse nos mostrar onde estavam aqueles que procurávamos.
Apesar daquela possibilidade ser tão provável, nenhum de nós a dizia em voz alta. Acho que era uma tentativa de escapar dela, provar ser falsa. Porém de que adiantava fugir da verdade quando ela estava estampada à nossa frente?
― Vamos parar um pouco. Vou ver se encontro algo para comermos, você espera aqui. ― Natsu disse, me dando um beijo na testa antes de sair.
Era engraçado o quanto nos revezávamos em nossos momentos de fraqueza. Nas noites em que ele precisava de apoio, eu o ajudava; e quando era eu quem precisava, ele me acalentava com seus braços fortes em torno de mim. Mas sempre apenas um de nós, como se soubéssemos que se os dois fraquejassem no mesmo instante não haveria pilar para nos sustentar e ambos cairíamos.
Eu observava o local enquanto esperava pelo retorno de Natsu. Aquele canto da floresta era mais aberto, o Sol penetrava com mais facilidade, já que havia um considerável espaço entre uma árvore e outra. O chão estava coberto por plantas rasteiras. Ao todo, era bonito.
A distração me impediu de perceber a aproximação de alguém que me agarrou por trás, com um dos braços contornando meu pescoço enquanto o outro segurava meu braço. Fora repentino demais e a única reação que tive foi gritar, antes do homem que me agarrara tapar minha boca com a mão.
― Mais uma daquele grupo, é? Você vem comigo, garota.
Sua voz era grossa, e ele forte demais para que eu conseguisse me livrar de seus braços, mesmo que tentasse fazer isso de todas as formas. Meu coração disparou por culpa do medo e nem sequer percebi quando lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. Apenas queria ter prestado mais atenção ao meu redor e quem sabe escapado daquela situação. Mas era muito tarde para pensar em arrependimentos.
Fechei meus olhos instintivamente, e apenas os abri novamente quando escutei a voz dele.
― Lucy!
Natsu ouviu meu grito e voltou correndo até onde eu estava, parando alguns metros afastado de nós ao ver a situação.
― Dê mais um passo e a garota morre. ― O homem disse, apertando-me ainda mais.
― Natsu... ― Murmurei baixo o suficiente para que apenas eu escutasse. No rosto de Natsu estava estampado o pânico que sentia no momento. Ele respirava rápido demais, alternando seu olhar entre mim e aquele que me segurava.
― Por favor, solte-a.
― Que lindo, pedindo por favor ― disse sarcasticamente enquanto ria. ― Mas não é assim que as coisas funcionam, garoto.
Natsu parecia ficar a cada segundo mais desesperado. Sua respiração se acelerou ainda mais e em um rápido movimento sacou a arma que sempre carregava, mirando no homem e conseguindo acertá-lo na cabeça. Um tiro certeiro que imediatamente tirou sua vida.
Natsu deixou seu braço pender, relaxando um pouco, olhando perplexo para o homem caído no chão.
Eu mal sabia o que fazer. Aquilo havia mesmo acontecido? Foram menos de cinco minutos em que minha vida esteve em jogo. Milhões de pensamentos e sentimentos me invadiram naquele pequeno tempo. Uma quantidade tão grande de informações que eu nem sabia como não entrara em pane.
Assim que recobrei a consciência corri até Natsu, lembrando-me do que aquele soldado ― o que eu havia descoberto que ele era ao olhá-lo e perceber que vestia o uniforme das tropas do País do Norte ― dissera.
― Natsu. ― Ele não respondeu, continuou apenas olhando para o chão. ― Ei! Natsu! Ele disse que há um grupo aqui perto. Há outros fugitivos.
Após alguns milésimos de segundo Natsu entendeu o que eu quis dizer e assentiu, agarrando minha mão e me puxando, obrigando-me a correr junto com ele.
As esperanças renasceram. Talvez... talvez pudessem ser eles.
Quando voltamos a ouvir vozes, um pouco longe do local onde antes estávamos, desacelerados o passo e nos escondemos atrás de uma árvore. Nem pude acreditar no que vi quando os vi. Eles, nossos amigos, estavam bem à nossa frente. Um soldado segurava Jellal enquanto o outro garantia que nenhum dos outros fugisse.
Com cuidado para não sermos descobertos, ouvimos o que diziam:
― Olhe para o braço desse cara. Um fugitivo! ― Disse o soldado que segurava Jellal, mostrando ao outro a marca vermelha no braço direito do azulado. Ele nos contara a história que a envolvia certa vez. Era a marca oficial dos escravos do País do Norte, e ele era um ex-escravo, fugira quando tivera a chance. Os escravos eram marcados com aquilo para serem identificado mais facilmente. Erza também possuía a marca.
― Eh? Como conseguiu fugir?! ― O outro soldado perguntou, porém Jellal continuou em silêncio, e como retribuição por ele levou um forte golpe no estômago. ― Responda!
― Olhe os outros! Veja se mais alguns deles é fugitivo.
Erza!
Assim como antes, Natsu agiu rapidamente. Mirou em um dos soldados, o que segurava Jellal, e atirou. Porém não foi rápido o suficiente com o outro. Ele, ao ouvir o barulho, olhara para trás e quase que imediatamente atirara em Natsu, ao mesmo tempo em que Natsu disparava contra ele.
Naquele pequeno instante tremi de medo com a possibilidade da bala acertar Natsu e matá-lo. Foi tão pouco tempo, mas assim como antes os pensamentos foram inúmeros, e o medo de perder aquele que eu tanto amava quase me fez perder a força que me mantinha em pé.
O tiro de Natsu acertou o soldado e o derrubou, porém a outra bala, a que corria em direção a Natsu, apenas pegou seu braço de raspão. O feriu, mas para meu alívio não fez nada mais do que isso.
Vários segundos foram necessários até que todos se recuperassem do choque e se dessem conta de tudo o que acontecera. Após tanta procura, finalmente havíamos encontrado nossos companheiros; e a sensação de vê-los novamente, saber que estavam todos vivos, era tão boa.
Corri até Erza, minha melhor amiga e pessoa mais próxima dentre todos que estavam ali, e a abracei, deixando as lágrimas de alívio escorrerem.
― L-Lucy... N-Natsu... Vocês... Estão bem.
Ela retribuiu o abraço e também começou a chorar, assim como quase todos fizeram. Estavam todos aliviados por estarmos novamente reunidos.
― E a Lisanna, onde ela está? ― Perguntou Mirajane assim que me afastei de Erza, olhando para todos os lados à procura de sua irmãzinha.
Não consegui responder, muito menos Natsu. Deixei que o fluxo das lágrimas, que havia aumentado consideravelmente, respondesse por mim e acenei negativamente com a cabeça, olhando-a com compaixão.
― Não... Não pode ser... Por favor, me digam que ela está bem! ― Implorou Mirajane, sem segurar o choro carregado de tristeza pela perda da irmã.
― Sinto muito, Mira-san. ― Respondi.
Mirajane passou a chorar ainda mais, abraçando seu namorado, Laxus, buscando qualquer forma de conforto. Elfman não estava muito diferente, porém parecia mais conformado, como se já esperasse por isso.
O restante do dia se passou conosco contando histórias sobre o que havíamos passado naquela semana. Passamos a noite ali, após nos livrarmos dos corpos dos soldados do País do Norte. Quando todos foram dormir, eu e Natsu nos sentamos afastados do grupo, encostados a uma das árvores.
Ele deitou sua cabeça no meu peito, enquanto eu bagunçava seu cabelo macio de estranha cor rosa. Estava claramente abalado, quase não conseguia dizer nada e seu olhar estava distante demais.
― Eu tirei a vida de três pessoas hoje, Lucy. ― Ele comentou.
― Você não teve escolha, Natsu. Fez isso apenas para me proteger e proteger aos outros.
― Eu sei, mas... Não consigo parar de pensar nisso. Me sinto a pior pessoa do mundo pelo que fiz. Eu tirei a vida deles, Lucy, eu não tinha esse direito. ― Sua voz estava rouca, como se prendesse as lágrimas.
― Você seria a pior pessoa do mundo se não sentisse ao menos um pouco de remorso. Você se sente culpado porque tem sentimentos, não é um ser insensível. Sente pela dor dos outros, sofre por isso, e isso te torna muito mais humano. Se não sentisse, se agisse como se tivesse sido algo totalmente normal, então teria razão para se considerar uma pessoa ruim.
Ele suspirou e se ajeitou, colocando a cabeça mais sobre o lado esquerdo do meu peito e fechando os olhos.
― Só me deixe ouvir o som do seu coração batendo, porque é isso que tem me mantido vivo.
E com essa última frase Natsu adormeceu em meus braços.
It's all right, just wait and see
Your string of lights are still bright to me oh
Who you are is not where you've been
Notas finais
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