War Angel - Renascença
21 Capitulo 19 – Água e Ar (Parte I)
Notas iniciais
~ Capítulo 19 – Água e Ar ~
A mando da soberana Cumulonimbus que severamente se estendia por todo o território da ilha, as nuvens adjacentes dançavam como membros de um ritual maligno, esperando fielmente o momento em que a presa seria encurralada e assumiria seu papel de sacrifício. Imponente, do alto ela se preparava para colher o sangue inocente que banharia aquele solo sagrado nas próximas horas.
Totalmente expostas, Akira e Mylla se enfrentavam na região mais perigosa daquele cenário, que, para uma, representava o desafio de uma rival, e para a outra, uma missão de extermínio.
Parada com dois bastões em mãos, a herdeira do raio entrava em sua primeira batalha real.
— Não permitirei que ganhe este duelo. – Disse ao olhar fixamente para a garota que apontava mais uma flecha em sua direção.
— Você que não sairá viva desta ilha. – O olhar de confiança exibido pela arqueira era ameaçador.
***
Próximo ao Campo
Ainda estacionados sobre o mesmo ponto, Ayurik e Witc se deparavam com um inimigo formidável, que tornava seus limites, meros empecilhos.
Embora parecesse difícil, aos poucos alguns arvorosos surgiram entre a floresta para enfrentar os elementais do fogo invocados por Tsifer, o que amenizou a tensão sobre os dois garotos.
— Witc, agora! – Berrou Ayurik ao moldar, em forma de chicote, a água que se acumulava em um riacho próximo dali e que corria entre pedras e galhos secos, levando os destroços em sua frente. Witc, as envolvendo com correntes de ar, rapidamente as direcionou entre as árvores e banhou Tsifer de modo a apagar as chamas em volta de suas armas. – Isso foi legal!
— Podemos combinar nossos poderes. – Bradou o jovem de cabelos negros.
A batalha estava apenas começando e nenhum dos lados parecia ceder. No entanto, a primeira falha poderia resultar na derrota.
— Ayurik, mais uma... – Ele foi interrompido com um chute na barriga. Apesar de suas espadas estarem molhadas, sua força não fora reduzida e uma luta física não daria vantagem aos meninos.
— Vocês irão morrer ainda hoje. – O demônio avisou em tom provocativo, porém, afastou-se em um salto.
Levantando-se com um pouco de dificuldade e limpando o sangue em sua boca, Witc redarguiu: – Isso me lembra os dias em que enfrentava Lina no videogame, nunca a venci e estou com muito medo agora, mas aprendi o bastante para não desistir! – Seus cabelos começaram a se mover como ondas em mares de tempestade e pequenas ondulações de áurea verde brilhavam em volta de seu corpo. – Não se preocupe comigo, estou bem, Ayurik... – Olhou por entre as brechas da copa das árvores e notou que a chuva não cessaria. – Vamos.
— Isso só pode ser piada! Magia nível dois e três não funcionam comigo. – Liberando parte de seu potencial, o demônio tornou visível seu poder e logo foi possível notar a energia de cor violeta emanar de seu corpo com ferocidade. – Esse é o poder de um demônio! – Expandindo sua áurea, as adagas apagadas em suas mãos rapidamente acenderam-se novamente e um dos elementais correu em direção de Ayurik a mando de Tsifer, todavia, foi derrubado e sufocado com uma corrente de ar em espiral, que, retirando o oxigênio necessário para suas chamas se manterem acesas, o fez secar e desmanchar em pedaços de carvão.
— Isso... Foi muito incrível! – Balbuciou o amigo sorrindo.
— Aprendi com Lina, ela sempre fazia o poder do War Dragon sumir quando eu jogava com ele. – Sua expressão de atenção logo seria substituída por surpresa; quando um imenso tronco incendiou-se próximo dali. – Quanto poder... Ele tem?
— Cansei desse joguinho. Vocês me enjoam, fedorentos. É melhor a princesinha não danificar o rostinho bonito da outra herdeira, terei o maior prazer de torna-la minha escrava e devolver o ataque que levei antes.
— Não toque na minha irmã, seu pervertido. – As gotas começaram a cair com mais velocidade enquanto ele as direcionou contra o Tsifer, que mais parecia um predador esperando sua presa se lançar entre seus dentes para devora-la e não se importava com dor alguma.
— Pare, garoto! – Berrou um novo aliado que saltara em sua frente. Ippy, o elfo de cabelos longos de cor cinza e grandes asas com penas marrons retornara para ajuda-los. Suas roupas refinadas foram substituídas por uma armadura leve e resistente, que, combinadas à espada de prata em sua mão, lhe dava mais vigor como guerreiro. Com um salto entre os dois, ele o impediu de seguir. – Deixe que eu cuido deste.
***
Diferente do céu tempestuoso que castigava a ilha, em Déviron Garden, ele dava espaço a um brilho irradiante. Sob a luz do Sol as flores do jardim de Rose resplandeciam toda a beleza e o aroma perfumado que ela cultivava com muito amor e dedicação.
— Joy, traga o regador para cá. – O cachorro executou o comando em poucos instantes e latiu para a planta de flores azuis atrás de Rose. – Ela está bem. Bom trabalho, amiguinho. – Sorriu e tocou a cabeça do animal.
— Só você mesma, minha irmã. Conversar com plantas e com animais como se fossem te responder. – Disse Zoe a observa-la da varanda.
— Você deveria ser menos rabugenta e me ajudar a rega-las.
— Já passei da idade para fazer trabalhos desse tipo. – A senhora de nariz empinado parecia não dar a mínima importância para a floricultura. – Onde está seu marido e as crianças?
— Eles partiram para a casa de um amigo de Shawn. Ele disse que precisaria ensina-los a se defender – Respondeu. Espero que estejam bem. Pensou.
— Aquele atentado foi realmente terrível. – A senhora avistou Escófia deitada no galho da árvore próxima aos quadros de Rose e caminhou até o local. – Gatinho, gatinho, desce aqui.
— Desde a partida de Witc que ela fica aí em cima como se estivesse a esperar algo. Nossos bichinhos são bem apegados às crianças. – Comentou após observa-la.
***
Após o surgimento de Ippy, novamente em desvantagem numérica, o demônio das lâminas de fogo, sem perceber, foi conduzido na direção do lago.
O elfo, horas antes, pôde perceber o nível de magia dos seres que se aproximavam da ilha, e sabia que um deles traria grandes problemas, pois apenas Wechar conseguiria enfrenta-lo de igual em um duelo.
Sinalizando para os garotos, ele ordenou que partissem para o lago, o restante era por sua conta.
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