War Angel - Renascença
19 Capítulo 17 - O Despertar da Ira
Notas iniciais
~ Capítulo 17 – O Despertar da Ira ~
Seiland
Eu não consegui acreditar no que vi. Era algo muito incrível.
— Não devia ter feito isso. Nunca tive uma amiga, você foi o mais próximo que cheguei e estraguei tudo. – Rapidamente ela desfez a transformação. Suas pernas voltaram ao normal e as escamas haviam desaparecido.
— Ei! Lídia, espera. – Agarrei seu braço como se estivesse tentando salvar algo. – Você não estragou, apenas fiquei surpresa. É a primeira vez que vejo uma sereia fora dos livros e revistas que leio.
— Tudo bem. Na verdade, não sou sereia, sou uma metamórfica. – Sorriu.
— Isso quer dizer que pode se transformar em qualquer coisa? – Eu estava curiosa. Já havia lido sobre aquela habilidade.
— Não! Apenas em pessoas com altura próxima a minha, sereia e algumas partes do meu corpo separadamente. Veja isso. – Ela correu e parou alguns passos a minha frente. Sempre sorrindo, deu uns dois ou três giros como a dançar e mais uma vez a luz brilhou por todo seu corpo. Novamente me surpreendeu. – Como estou?! – Indagou a me cortejar com aquele vestido branco.
— Não sabia que eu era tão bonita assim. – Rimos. – Você está igualzinha a mim, a não ser pelo vestido.
— Opa! – Ela moveu os dedos e rapidamente seu traje mudou. – Até que é legal vestir isso. – Disse ao observar cada detalhe do macacão azul e a blusa branca por debaixo.
— Agora sim. – Brinquei.
— Mas acho melhor voltar a ser Lídia. – Desfez a transformação. – E você?
— Eu o que?
— Não possui nenhuma habilidade? – Pareceu-me espontânea, no entanto, eu não tinha certeza sobre a resposta.
— Não... – Respondi de forma insegura. – Não sei. – Aquela vaga lembrança de chamas azuis pelo meu corpo me torturava. Então, mudei de assunto.
— Para onde estamos indo agora?
— Minha casa. Você vai adorar a comida da minha mãe. Todos amam. Ela sabe fazer um cozido de camarão divino... – Sua grande empolgação em apresentar as receitas de sua mãe não podia ser contida apenas em palavras e acabavam por transbordar entre tantas encenações.
Naquele resto de dia fomos a outros lugares na cidade antes de irmos a sua casa. Visitamos a praça cintilante; ela recebia esse nome, pois durante a noite, a árvore central brilhava como algas fluorescentes e Irradiava uma linda luz azul. Também conheci a praça das fontes, onde havia duas estátuas de golfinhos no centro que se cruzavam e jorravam água por suas bocas. Depois seguimos até sua casa.
***
— Acho que ele está acordando. – Disse uma das enfermeiras.
— Lina? Onde está minha filha? – Shawn não reconheceu o local. Sua última lembrança ainda era o rosto do demônio que o atacou.
— Ele parece nervoso. Pegue um tranquilizante na enfermaria e... – Ela foi interrompida.
Ele fitou o olhar nas seringas sobre uma bandeja próxima a ele. – NÃO! Agulhas não. – Gritou nervoso enquanto alguns objetos começavam a balançar.
— Calma, senhor. Sua filha...
— ONDE ESTÁ MINHA FILHA? – Shawn se exaltou, explodindo as vidrarias da sala com a expansão de sua áurea violeta, retirou brutalmente as agulhas presas a seu corpo e começou a flutuar na enfermaria. – Só vou perguntar mais uma vez. Onde está minha filha?
— Ele é um deles. Não nos mate. – Amedrontada, uma das enfermeiras ajoelhou-se.
— Quem são vocês duas? Também são demônios?
— Não! Somos apenas enfermeiras. Sua filha está bem. Teve alta hoje mais cedo.
Ao ouvir aquelas palavras, seu coração desacelerou, sua respiração normalizou e ele lentamente pousou próximo a elas. – Ainda bem... – Entretanto, fora surpreendido pelo médico, que surgiu por trás e o atingiu com um dardo tranquilizante.
— Como estão? – Indagou o senhor de cabelos grisalhos e vestido em um jaleco branco.
***
— Bem, essa é minha casa. Não é muita coisa, mas você pode ficar aqui. – A residência, tão estranha quanto as outras vistas outrora, mas parecia um coral do que uma casa humana, porém, era bastante aconchegante.
— Tudo bem. – Respondi após acompanha-la.
— Mãe! Trouxe uma amiga... – Suas palavras são interrompidas por frases de preocupação vindas de uma senhora que usava um avental listrado e de cabelos igualmente ruivos. Já disse que não queria ver você com estranhos! Mande-a ir embora. – Mas, mãe... Ela é minha única amiga. Não deixarei que fale assim. Se não quer deixar ela comer aqui, eu mesma irei caçar camarões e prepararei a comida.
— Não se incomode, Lídia. E além do mais, preciso encontrar meu pai. Foi bom te conhecer... – Notei lágrimas escorrerem por seu rosto enquanto sentava-se sobre os degraus da porta de sua casa, todavia, não podia fazer muito por ela naquele momento.
— Você sempre estraga tudo, mãe. Nunca terei amigos e a culpa é sua. – A senhora aproximou-se dela, sentou-se ao seu lado, olhou fixamente para mim durante alguns segundos e depois voltou a olha-la.
— Sabe muito bem que faço isso por você, filha. – Beijou sua testa. – Eles não podem saber sobre aquilo. Mas... – hesitou por um momento – se confia tanto nela, deixarei que fique conosco.
Aquelas lágrimas rapidamente foram retiradas com o cerrar do braço e substituídas por um grande sorriso. – Lina! Vem.
Após entrarmos, seguimos até a cozinha, nos alimentamos e subimos para seu quarto. – Vi sua mãe comentando algo como “Eles não podem saber sobre aquilo”. O que ela queria dizer com isso?
— Aqui no reino, todos que possuem alguma habilidade especial são caçados, pois Neptulon, nosso rei, intitulou que todos os seres mágicos seriam aliados do Demônio do mar.
— Nossa! Que bobagem. Ainda bem que... – Lembrei-me que meu pai usou um tipo de poder na luta. – O que acontece aos que desobedecem a lei?
— Todos que aprenderam algum tipo de magia ou nasceram com algum dom foram aprisionados no calabouço do palácio real. Por que a pergunta?
— Meu pai está em perigo. – Levantei-me na intenção de sair o mais rápido possível, no entanto, ela me segurou. – O que é isso? Solte-me.
— Espere! Também irei para evitar que faça besteira.
***
— Os guardas já estão chegando. Amarre o corpo dele àquele pilar. – Apontou para o canto da sala. – Vocês são loucas? Ele é aliado dos demônios. Poderiam estar mortas agora. – Disse o médico enquanto andava impacientemente de um lado para o outro.
— Eu sei, doutor, mas ele parecia apenas preocupado com sua filha. Isso é normal para um... – Foi interrompida.
— Cale-se! Temos ordem para encaminhar todos para a prisão do rei. – Eles escutaram passos se aproximando. – Chegaram. – Virou-se para a porta e seguiram até a entrada do hospital.
— Onde ele está? – Indagou um dos soldados.
— Preso na sala. Perdoe-me, mas por que tantos de vocês vieram? É apenas um homem. – Comentou uma das enfermeiras.
— Os demônios são perigosos, senhorita. Não podemos dar bobeira. Agora me permita ir até o local.
— Certo. Sigam-me. – Ela tomou a frente e os guiou até Shawn.
Escondidas atrás de arbustos do outro lado da rua, Lina e Lídia observam a movimentação no prédio.
— Eu tenho que ir lá. – Sussurrou a jovem de cabelos brancos ao levantar-se.
— Não! Você é maluca, Lina? – Ela foi puxada para baixo novamente.
— Eles já vieram. Isso quer dizer que já sabem sobre meu pai. – Então, ele realmente é um feiticeiro. Pensou.
— Ou podem está apenas fazendo alguma verificação. Não podemos fazer nada enquanto não tivermos certeza.
Seu coração batia acelerado. Estava nervosa com aquela situação e não sabia como reagir. Mais uma vez Lina se sentiu inútil, e preferiu sentar-se sobre a calçada de mármore com a cabeça baixa, procurando uma única ideia que poderia ajuda-la.
— Ei, veja. Estão saindo. – Disse Lídia ao chamar sua amiga para observar aqueles homens vestidos com roupas azuis a cobrir todo o corpo, botas pretas e capacetes cinza, saírem carregando um indivíduo.
— Meu pai! Eu preciso ir agora. – Tentou ir naquela direção, todavia, Lídia a segurou novamente.
— Você não pode ir, Lina. Eles vão te prender também. – Aquele olhar de preocupada a confundia.
— Não posso deixa-lo.
— Então irei com você. – Ela mostrava firmeza.
— Você disse que todos são levados para os calabouços do palácio real, certo?!
— Sim.
— Então iremos conhecer o rei Neptulon mais cedo do que imaginávamos. – Algo que parecia dar força e desejo por morte surgiu dentro de Lina.
— Você é... – A ruiva tentou toca-la com uma das mãos – Lina, seu corpo.
— O que tem?
— Não me recordo de ser tão quente assim. – Ela parecia apavorada. – O que está acontecendo?
Fumaça emergia daquelas finas mãos como se fosse água em ebulição. – Irei salvá-lo custe o custar.
***
Embora possuíssem altos níveis de magia, Akira e Tsifer se encontravam em grande desvantagem numérica, porém, inabalados pela esperança que surgira em seus rivais a partir daquela regalia oposta.
— Acho que essa luta não está nada justa. – Bradou Tsifer ao notar um arvoroso se aproximar com algumas dezenas de soldados árvores que se espalharam por entre a floresta. – Assim terei que chamar os meus também.
— Do que ele está falando, Witc? – Indagou seu amigo parado um pouco mais atrás.
— Não sei, mas se prepare, vem algo aí. – Respondeu enquanto assumia posição de ataque. Ainda não sei o que fazer com essa pedra olho de dragão, mas é bom ela funcionar logo. Pensou.
Agilmente, o demônio cravou suas duas adagas no solo e um círculo mágico marcado por chamas surgiu, abrindo um portal de onde começaram a emergir criaturas com formas bizarras e cobertas por chamas. Como soldados, se organizaram em volta de seu invocador enquanto o portal se esvaia em fumaça. – Agora sim estamos equilibrados. – Sorriu confiante.
— Sem experiência alguma em guerras, magrelo e nível dois de magia. Estou ferrado! – Exclamou Ayurik.
— Não se preocupe, irmãozinho, ainda estou aqui para te proteger.
— Ótimo! Quer coisa mais humilhante?!
— Esta é a nossa chance de colocar em prática todos os golpes que aprendemos nos videogames. – Witc parecia não temer, apesar das circunstâncias, até que fora surpreendido ao ver o arvoroso virar cinzas pelo ataque de Tsifer com suas chamas. Assim como fios entrelaçados, a imagem de Lina ferida em seus braços veio a sua mente. Ver um de seus mestres morto não estava em seus planos.
— Sei o que está pensando, jovem. É, eu quase matei ela naquele dia... E você também, mas sua sorte foi maior que a dela. Garota irritante. Não terá uma segunda chance. – O demônio catou suas adagas que logo transformaram-se em espadas feitas de um metal negro, preparou-se para o ataque e o provocou.
— Então minha irmã quase foi morta por você? – Os ventos começaram a soprar mais forte neste momento e, em volta de Witc, leves feixes verdes se mostravam em rápidas aparições. O ódio e o desejo de vingança seriam o gatilho para seu próximo nível de magia, o igualando a Mylla.
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