War

4 Capítulo 3 - Visitas... ou quase.


Notas iniciais
O primeiro capítulo foi, e provavelmente será o único com narração em primeira pessoa. Eu meio que fiquei sem ter o que fazer nesse carnaval e meti a cara na fanfic, provavelmente postarei mais um capitulo ainda esse mês. Anyway, enjoy.

Um calor morno acariciava suas costas. “Doce terra do sono sem sonhos” pensou Hazel. Até que caiu da cama.

— Ai. — Gemeu longamente.

Acariciou o ombro buscando um pouco de alívio para a dor do tombo. Levantou-se e admirou a visão de sua cama desarrumada e com um gorila que chamava de namorado babando em seu travesseiro. “Se ele quebrar a cama de novo ele que vai compra outra.”. Andou até a cozinha de seu modesto apartamento.

Abriu a geladeira, pegou a garrava mais próxima e sorveu o líquido com gosto. Ia voltar para o quarto quando sentiu a sensação de estar sendo observada. Uma sombra esquia passou perto das janelas dos quartos. Hazel pega a adaga escondida estrategicamente embaixo da pia. O vento levantava levemente sua camisola, pensou em chamar Frank, mas conhecendo-o do jeito que conhecia sabia muito bem que ele não ia acordar. A porta da varanda ao lado do hack da sala era o alvo mais provável. Dito e feito, uma sombra humanoide se projetou nas cortinas brancas que cobriam a porta de vidro.

Hazel analisou a sombra dos pés à cabeça. Cabeça grande e careca, corpo magro e bem armado, sentia muito ouro emanar do sujeito. A sombra se balançava e de vez em quando olhava para os próprios pés, estava esperando Hazel abrir a porta. Hazel se aproxima em posição de batalha e destranca a porta. Se afasta em seguida. Por mais que a porta não estivesse trancada, o sujeito ainda não a abria, só pareceu mais impaciente. Então o invasor bateu à porta de vidro.

Toc. Toc. Toc.

Ele não queria invadir, queria ser convidado. Hazel estranhou e muito a atitude, mas alguém que pedisse para entrar obviamente era sinal que respeitava o dono da casa, no caso, a dona. Hazel abaixou levemente a adaga, talvez fosse algum mensageiro de Mercúrio ou semelhante. Abriu a porta da varanda. O vento abriu as cortinas e a lua cheia iluminou a figura a sua porta.

Uma grande mascara nazista de metal encarava Hazel com curiosidade. Parecia ser feita de ferro estígio, com exceção da mandíbula que era feita de ouro imperial. Os grandes e redondos olhos de vidro eram cada um de uma cor. O esquerdo era vermelho, o direito era verde. O sujeito não tinha o braço direito, no lugar havia uma prótese idêntica a um braço real que se amarrava com uma tira de couro no ombro oposto, parecia ser feita de um mix de metais, só a aproximação lhe dava arrepios. Tirando esses dois fatores, parecia alguém normal, vestia uma blusa manga longa preta e colada ao corpo, o cinto era cheio de apetrechos, arma calibre 22, adagas, algemas, chicote, e o que parecia ser vários power banks, uma skini jeans e só. O sujeito lhe dava arrepios.

O “convidado” observou o interior do modesto apartamento e entrou timidamente para só então a encarar com fascínio. Ele entortou a cabeça para esquerda, então atirou.

O dardo se pendurou no pescoço de Hazel que não teve muito o que fazer. Cairia com tudo no chão se o mascarado não a tivesse pegado. Ele a colocou no colo e andou até o sofá cor creme que tinha na sala. Hazel estava consciente, porém não conseguia se mexer. O mascarado a colocou sentada no sofá e dois lugares, sentou-se ao lado dela e ambos ficaram dividindo do silêncio incomodo. Hazel sentiu medo dos pés à cabeça. No seu tempo era bem comum que mulheres desprotegidas no meio da noite fossem abusadas, e embora fosse uma semideusa não podia negar o fato de que estava de camisola quase transparente na frente de um invasor que obviamente não estava bem-intencionado. Com o braço de metal, ele tirou a luva da mão direita. Hazel percebe que ela era de carne e osso, diferente da outra. Calejada, com cicatrizes, e unhas alongadas e com acumulo de sujeira e sangue por baixo. Ele pega a adaga que fora esquecida no chão por Hazel e começa a limpar a própria mão e cortar as unhas com o mesmo instrumento. “Eca! ” Pensou Hazel. Ao termino de sua “higienização”, ele coloca a adaga na mesinha de centro. O invasor arregaça a manga direita até o cotovelo, coloca Hazel em seu colo de modo que ela ficasse deitada de lado e começa a toca-la. Ela estremece de susto e seu corpo enrijece, mas ela não é tocada de modo malicioso ou muito menos pervertido. Não. Eram movimentos castos e calmos, circulares e quase sem pressão ao redor do ombro de Hazel. Ele ia até a clavícula, retirava os cabelos cacheados de seu pescoço, colocava-o atrás da orelha, acariciava-lhe a bochecha e recomeçava as caricias. Hazel teve receio, mas logo relaxou perante as caricias, mesmo que contra sua vontade. Até que ele para abruptamente, cerra o punho direito, assustando Hazel que ainda permanece imóvel pela droga desconhecida que fluía em suas veias.

Diferentemente de Hazel, o mascarado pareceu não se importar com o silêncio que se seguiu. Do seu cinto ele tirou uma cartela de charutos. Abriu e passeou o dedo pelos diversos tipos que estavam na cartela de madeira, mas no final acabou escolhendo um que tinha sido esquecido ao fundo que já tinha sido aceso antes. Acendeu e começou a expelir a fumaça. Hazel conseguia sentir o aroma forte e não gostou nada, na época dela em todo lugar havia fumaça, na boca dos homens, na roupa das pessoas, no céu, nas casas, mesmo que fosse um charuto e não um cigarro, como era mais comum naquela época por ser mais barato, o cheiro ainda lhe dava náuseas. O mascarado soltou uma leve risada e sua voz saiu arrastada.

— Minha mulher faz essa mesma cara quando eu acendo um charuto.

A voz parecia do Darth Vader de tão abissal que soava. Metálica, sufocada e arrastada. O mascarado não disse nada por mais um bom tempo, apenas ficou ali soltando fumaça. O charuto foi acumulando cinza em sua ponta e logo o mascarado teve que tirar o excesso em algum lugar. Hazel esperava que ele jogasse no chão ou coisa parecida, mas ele ao notar que não havia cinzeiro na casa, tirou um lenço bordado do bolso, forrou na mesinha de centro e bateu a cinza do charuto.

“Muito estranho. ” Pensou Hazel.

Ele começou a falar.

— Nós temos uma religião, sabia? Somos politeístas. Mas eu nunca gostei desse nome. Sabe, a palavra catolicismo vem da palavra grega “katolikos”, que significa “universal”; mas ninguém pensa nisso, se tornou algo tão poderoso que ninguém consegue sequer pensar que essa palavra é o sinônimo de “geral” ou “tudo”. No entanto, isso não aconteceu no Politeísmo; virou um advérbio. Uma palavra que define qualquer religião que cultuou mais de um deus, seja egípcio, persa, hindu ou etc. É uma palavra caçoada, as pessoas a ouvem e perguntam, “como alguém em sã consciência conseguia acreditar numa besteira dessas? ”. Eu poderia fazer como os católicos e colocar poder na palavra através do medo. Mas eu não sou assim. O que eu quero dizer é: religião, é fazer o que é dito, independente do que é certo. Moral, é fazer o certo, independente do que é dito. — Ele pegou um dos “power-banks”, abriu a mão de Hazel e a fez fechar a mão – Mas o que você irá seguir é decisão sua. Pode obedecer aos deuses, ou a sua moral. Vai ter um momento que você irá precisar usar o que tem nessa caixa, e quando fizer isso irá desobedecer aos deuses. Eu não posso te pedir para fazer isso, então a única coisa que eu vou pedir é para que fique com essa caixa, não a deixe que suma de sua vista, carregue-a sempre, e não deixem que tomem conhecimento sobre ela.

Cinco minutos de silêncio se fizeram até o mascarado pegar Hazel no colo e a levar para o quarto. Ele a colocou deitada de lado ao lado de Frank que havia se transformado em um pônei branco com manchas pretas, pega a caixa disfarçada de power-bank e a coloca no criado-mudo de Hazel.

O mascarado sai assobiando Twisted Nerve.

Hazel ainda não conseguia se mexer, mas como fora deixada deitada de lado, conseguiu ler algo que estava escrito no verso da caixa…

“Para quando o mar soprar sua última onda…”

—_________WWW__________

A ex-pretora encontrava-se nas termas. A água morna que banhava seu corpo parecia purificar sua mente de todos os problemas. Diferentemente de como era antigamente, as termas atuais eram em locais fechados, e não tão públicos quanto eram antigamente. Eram separados em ala feminina e masculina, Reyna vinha regularmente as termas, porém em horário, digamos... inconveniente. Afinal, três horas da madrugada não é hora de ninguém estar tomando banho numa terma vazia propicia a cenário de filme de terror.

O vapor esbranquiçado emanava em abundancia das quentes águas, e o único barulho que se ouvia era dos grilos do lado de fora do estabelecimento. Os anos pesavam sobre os ombros de Reyna, leves rugas precoces e linhas de expressão se destacava no rosto dela, assim como o constante vinco entre suas sobrancelhas.

A monótona e constante calmaria que pairava sobre os acampamentos, tanto gregos quanto romanos, a deixava nervosa. Estava tão acostumada com a tensão da guerra e a ter pesadelos em seus sonhos que nunca pensou o quanto eles temperavam sua vida. Agora, sem eles, um sono constante invadia sua cabeça, o que era bem incoerente com sua insônia. Seu cargo no senado como conselheira era chato e democrático demais para alguém como ela.

“Discussão sobre sabores de Tang, serio? ” Pensou Reyna. “Dakota adoraria ter participado dessa discussão. ”

A filha de Belona foi feita para tomar decisões críticas e que exigem resposta imediata, não decidir se deve ser feito um mimo a mais para estômagos carentes de açúcar. Eles que são filhos de Baco que se entendam!

Um calafrio passou por sua espinha. Algo estava errado.

Endireitou sua postura dentro da grande piscina termal, se sentando eretamente e expondo suas olheiras e o vinco entre as sobrancelhas. Uma respiração acelerada vinha por trás do estabelecimento, corria para a frente.

“Ótimo! Vou ser atacada nua durante um banho, o que mais me falta acontecer? ”

Um lobo gigante de pelos mesclados em tons castanhos brandiu entre as cortinas da ala feminina.

“Por que eu fui perguntar? ”

— O que você quer Matias?

O lobo ao ter seu nome chamado percebe que seu faro não o tinha enganado e estava na presença de Reyna. Ele teria ido correndo até ela e lamberia seu rosto do jeito que ela detesta, se não tivesse notado de supetão que estava numa terma.

Se fosse um humano teria ficado vermelho e saído dali imediatamente, mas a determinada situação requeria urgência e dispensava pudor. Então ele apenas abaixou o focinho até quase o chão e tentou seguir seu geralmente falho faro para chegar até Reyna. Deu de cara na parede.

Reyna bufou desgostosamente. Nem precisou olhar para Matias para saber que isso aconteceria. Ainda não descobriu o que Lupa tinha na cabeça ao entregar aquele desastre com quatro patas para si. O neto bastardo de Lupa era filho de seu penúltimo primogênito com uma loba canadense qualquer. Matias podia até ter herdado o corpo de um Lupus Romanus, mas a mente... nem tanto. Ele não tinha nenhum tato sobre orgulho ou disciplina, era um desastre como romano. Segundo a própria Lupa, nada melhor que a filha da deusa original de Roma para ensinar ao “garoto” como ser um romano. Reyna não gostou nada de ter virado babá de um lobo pré-adolescente segundo a idade biológica própria dos lobos gigantes, seja lá que logica eles usavam.

Matias se levantou cambaleante e se tropeçou até a borda contraria a porta, onde Reyna estava. Desabou atrás dela sentindo a visão girar, rapidamente colocando as patas a frente dos olhos por motivos pudicos. Na visão de muitos: Fofo. Na visão de Reyna: Patético.

— Vai responder ou espera que eu adivinhe?

“Terminus enlouqueceu! ” – Com apenas duas palavras o lobo fez todos os pelos de Reyna se arrepiarem e prendeu sua total atenção – “Eu estava do lado dele e de repente ele começou a tiltar! ”

— Tiltar?

“É! Já viu um computador quanto trava?!”

— Eu sei o que é tiltar! Mas Terminus não é um computador para fazer tal coisa.

“Foi o que pareceu. E eu sinto um cheiro estranho dentro do acampamento. ”

— Você disse a mesma coisa mês passado e era só uma caixa de Tang que tinha passado da validade.

“Mesmo assim! Eu fui um herói! Preveni várias diarreias! ”

O vapor aumentou consideravelmente e logo não dava pra se ver nada dentro da sauna.

“Gente, corre que é macumba! ”

Reyna continua parada torcendo para não ser algum monstro aquático ou uma mensagem de íris inconveniente. O vapor se abre formando um corredor e uma figura humana se destaca na borda oposta à de Reyna. Matias se levanta e rosna. A figura se aproxima.

“Ah! Fala sério! Qual é o problema de vocês humanos com nudez?! ” – O lobo reclama e volta a se deitar e cobrir os olhos.

— Ora, quem fala?! – A figura respondeu.

“Ei! Não é como se fossemos iguais! Eu sou coberto de pelos, não fico mostrando meus documentos e couro cabeludo enquanto ando! ”

Reyna se levantou, pronta para uma batalha corpo a corpo.

— Ora, não precisa se levantar. Vim apenas por motivos diplomáticos e não vou machucar ninguém, ainda.

Reyna se senta novamente, afinal, não lhe era confortável entrar em confronto nua.

A figura se aproxima e se mostra outra mulher, um talvez dois anos mais nova que Reyna. Usava uma máscara nazista feita de ouro imperial com exceção da mandíbula que era feita de bronze celestial. De resto, também estava nua, porém, assim como Reyna, a água a cobria até o busto. Os cabelos eram longos e castanhos claro, iam até o meio das costas, e os olhos eram cobertos por vidros negros. A invasora se aproxima nadando e recosta as costas na borda, bem próxima a Reyna.

— O que quer no meu acampamento? – Reyna iniciou acusatoriamente.

— Seu?

Apesar da invasora estar mascarada, Reyna podia apostar que ela estava se divertindo.

“Já posso abrir os olhos? ”

— Não. – Ditou Reyna.

“Posso sair então? ”

— Não. – Ditou novamente.

“Mas ela cheira a fumaça! ”

— Perdão. A culpa é dos charutos do meu esposo. Ou das fabricas, em todo lugar onde eu ando tem fogo e fumaça. Enfim, é algo recorrente e eu tive que vir correndo para cá e não tive tempo de me banhar. Foi bem conveniente eu ter encontrado ex-pretora do Acampamento Júpiter nas termas.

Apesar de ser uma invasora, ela falava como se estivesse em casa. E na opinião de Reyna, isso era perigoso, ela viu várias filhas de vênus enganarem desavisados apenas usufruindo de sua hereditária simpatia.

— Vou tentar reformular a pergunta, por que está no MEU acampamento?

A invasora soltou uma risada anasalada que foi abafada pela máscara.

— Vim aqui a mando superior para lhe antecipar sobre uma proposta que será entregue ao seu senado amanhã.

— Proposta?

— Você seria a primeira pessoa a se opor, então decidimos explicar a situação antes.

Reyna apertou os olhos para a figura a frente.

— Se eu recusaria, obviamente é algo que eu não gostei.

— É um fato a humanidade temer e negar algo que lhe foge ao controle ao conhecimento.

— Então me deixe a par de tal proposta, para então julgar se é ou não merecedora da minha aprovação.

A invasor suspirou longamente e retirou o capacete. Os olhos eram cor de mel, o rosto estava levemente vermelho, a pele parecia outrora amorenada, mas agora estava branca. Reyna percebeu também que as mãos dela eram de cor diferente do resto do corpo. A mulher devia vestir roupas que lhe cobriam todo o corpo com exceção das mãos que ficaram bronzeadas pelo sol. O cabelo estava penteado ao estilo grego, prendendo as franjas em tranças e amarrando-as atrás da cabeça.

A mulher pareceu relaxar ao retirar o capacete.

“Se lhe incomoda por que usa? ”

A mulher riu e se virou na direção de Matias.

— Você gosta de tomar vacinas?

“Não! ”

— Mas toma, não é?

“Contra a minha vontade! Reyna fala que se eu não tomar ela manda me castrarem! ”

— Nossa! Que malévola! – Reyna revira os olhos — Mas você as toma por que é para o seu bem. Do mesmo modo o capacete me mantém segura.

“Contra o que? ”

A invasora se afasta e volta a encarar Reyna que também estava curiosa com a resposta que não veio.

— Eu vim de um acampamento. – O fato de não ter dito qual já tinha deixado caro a Reyna de que ela não vinha dos gregos – E como já deve ter presumido, não é do Acampamento Meio-Sangue. Meu acampamento é desconhecido até mesmo pela maioria dos deuses, salvo apenas Desgraça, Nêmesis, Nereu, Cimopoléia, Hefesto, Vulcano, Netuno, Minerva, Tânatos e Jano. E por motivo que até hoje não entendi, por Eros também. Esses deuses e titãs, vem escondendo a localização de nosso acampamento a milênios. E mesmo após a derrota dos titãs a segurança dela foi repassada a certos deuses.

— Posso perguntar por que a maioria destes nomes é de desagrado da maioria dos semideuses?

— Nosso acampamento foi feito primeiramente para servir como prisão para semideuses muito poderosos como Dionísio, Jasão ou Perseu. Mas posteriormente os deuses descobriram que era bem mais fácil controlados por meio de recompensas, tais como a imortalidade. E o acampamento ficou as moscas e os poucos semideuses que paravam lá não duravam muito. Peça ao Jackson uma descrição de como era no Tártaro e terá uma leve ideia de como é o nosso acampamento. No entanto, a um indeterminado tempo, Alexandre chegou ao acampamento, e com ele, prosperidade e fartura. Nosso infernal acampamento se transformou em um torto paraíso. Posteriormente o acampamento foi abençoado por Hipnos, Morfeu e Héstia.

— E eu com isso?

A invasora riu sem abrir os lábios, como se estivesse rindo da ingenuidade “inexistente” em Reyna, segundo a própria.

— Ao termino da guerra contra os gigantes, foi nos dada outra profecia. Apenas à nós. E recentemente o primeiro passo dessa profecia foi dado. Apesar do senado do meu acampamento não ir com a cara de vocês romanos, eles decidiram propor primeiramente a vocês uma ajuda contra as calamidades que essa profecia traz.

— Você ainda não me falou qual é a tal profecia.

— Tudo a seu tempo. Meu acampamento está basicamente oferecendo armas.

— Já temos um forte armamento.

— E seria de fato muito útil, se vocês pudessem lutar contra o inimigo em questão corpo a corpo.

— E qual seria o inimigo em questão?

— Esse inimigo já esteve em nossas terras antes embora esteja a muito esquecido. Procure em alguma biblioteca sobre A Queda de Andréia.

— De qualquer forma, que tipo de armamento espera que aceitemos para lutas de longas distancias? Já temos catapultas, bestas, arcos...

— Algo mais moderno. Como isto.

Sai de sabe-se deus onde uma pistola calibre 38 na mão da invasora que a gira no dedo com uma cara de paisagem. Ela volta a falar após mostrar o tambor vazio da arma de fogo.

— Isso pode não ser mortal ao determinado inimigo, mas as balas que fabricamos no nosso acampamento sim. É claro que é bem mais prático lutar com laminas, embora não deixem de ser caras elas tem uma durabilidade incrível. Alguns ferreiros corajosos ou, na minha opinião, muito estupidos, já tentaram fazer de nossas armas algo mais viável financeiramente, no entanto, a teoria e a pratica são algo completamente diferentes. Morde-Costas está aí para provar isso.

Reyna sentiu um leve calafrio ao ser pronunciado o nome da espada de Luke, apesar de não ter conhecido o dono ou a espada em batalha, o medo pairava em todos os semideuses que já tiveram contanto, mesmo que apenas visual, com a lamina. Estava trancafiada em um museu que abriram a poucos anos dentro do Acampamento Meio-Sangue. As pessoas evitam chegar perto dela. Parecia sussurrar em seus ouvidos... Engoliu seco e esperou a invasora voltar a falar.

— Morde-Costas foi fabricada e roubada do meu acampamento. Apenas os ferreiros do Acampamento Black Blood têm a capacidade de fabricar tal item. Morde-Costas foi um projeto ousado, a união de cinco metais diferentes, sendo quatro deles de uso apenas para imortais ou semideuses. O problema veio ao adicionar o aço humano. Nenhum minério de uso imortal se funde com um minério de uso mortal, a menos que um sacrífico seja feito em troca, e geralmente envolve sangue semideus.

Aquela conversa arrepiava os cabelos da nuca de Reyna e ela ouvia Matias tremer em suas costas. De qualquer forma, não ia deixar aquilo se transformar num monologo.

— Eu tenho conhecimento de apenas três minérios de uso semideus.

— Sim; Ferro Estígio, encontrado apenas as margens do Rio Estige; Ouro Imperial, apenas convertido para uso imortal com a benção de algum deus na própria Roma; e Bronze Celestial, um simples e raro minério espalhado aleatoriamente pelo mundo por Hefesto, ele os joga fora quando a criação não lhe agrada. O quarto minério imortal é apenas encontrado no meu acampamento, e em extrema abundancia e renovação constante. Chamamos ele de Aço Escarlate. Mas... voltando ao papo sobre o inimigo. Esse inimigo atingira tanto os semideuses quanto os mortais. A diferença é: os mortais não terão como se defender, suas armas apenas irão atrasar o inimigo, mas não para-lo.

— E o que oferecem é uma solução rápida e simples.

— Imagine um ninho de formigas, ele acabou de ser chutado. Formigas em toda a parte, você sendo picada, uma solução rápida seria você usar algo entre os dois extremos, abrangente ou veloz. A opção abrangente seria algo viável se o inimigo fosse menor como uma formiga, um spray abrange uma grande área e as mataria em minutos. Mas o mesmo não se aplica se o inimigo for de tamanho equivalente ao nosso.

Reyna pensou por alguns instantes enquanto encarava a mulher que ao perceber que ela estava refletindo, pôs-se a banhar novamente e a nadar pela piscina. A única coisa que Reyna tinha entendido como o principal da conversa era: Perigo. Vindo. Rápido. Por enquanto não havia nenhum indicio de profecia, essa conversa toda poderia apenas ser uma doida querendo dinheiro. Mas um semideus que se preze não brincaria com tal coisa. Semideus.... hum...

— Qual é o seu pai imortal? – Reyna perguntou a mulher.

A mulher continua seu nado de costas mas solta mais uma risada soberba.

— Você se pergunta se tudo o que eu disse é real. Eu não brincaria com tal coisa. Já testemunhei muitas guerras e já vi muitos amados perecerem diante elas. Se quer uma prova concreta, o caolho lhe dará a resposta. Se isso não lhe bastar procure sobre A Queda de Andréia. E aqui está um presentinho para você.

A mulher joga a arma para Reyna que a pega no ar.

— Espere! Quê caolho?!

Mas a mulher já tinha ido embora. Deixando para trás apenas a pistola, o capacete havia sumido assim como a dona. Reyna sai da piscina e se cobre com o roupão roxo que trouxera de casa e guarda a pistola dentro do bolso. Apesar de ter recebido um aviso de fim no mundo nos últimos dez minutos Reyna se sentia bem como não sentia a anos, e ela se culpava por isso.

— Já pode abrir os olhos Matias.

O lobo romano retina as patas do focinho, se levanta e agita o corpo.

“Ei! Aqueles seus galgos bem que poderiam ter vindo a calhar agora, né?!”

Reyna prende o folego em reflexo, se repreende mentalmente e expira audivelmente.

— É. Eles poderiam sim.

—_________WWW__________

A melodia assobiada de Twisted Nerve ia chegando ao seu fim quando o mascarado é surpreendido por outra figura igualmente sem face que literalmente pula na sua frente. Ele rapidamente se recupera do susto e volta a andar, dessa vez sendo acompanhado pela outra. Ambos se vestia de maneira quase idêntica, sendo a única diferença que o homem havia descartado a jaqueta. Calça skini, blusa de manga longa apesar do calor, cinto cheio de bugigangas e muitas armas

— Como foi a conversa com Reyna? – O de máscara/capacete negro perguntou com sua voz abissal.

— Sua amiga não é de fazer muitas perguntas, pelo menos não tantas quanto eu achei que seriam. Consegui convence-la da profecia, do resto ela vai se convencer apenas amanhã quando a notícia chegar pelo caolho. E você? Como foi com a filha de Plutão?

O mascarado se remexeu inquieto.

— Eles deviam aumentar a segurança desse lugar. Eu poderia tela matado e ninguém ia ficar sabendo.

— Ora, Alexandre! Não é como se eles esperassem que o líder de um acampamento desconhecido aparecesse no meio da noite com um mapa do labirinto de Dédalo! Assim até eu entro na área 51!

Alexandre tonteia levemente e busca apoio no ombro da mulher que o acode.

— Deuses! A quanto tempo você não dorme?!

Ele não responde. A mulher de jaqueta de couro passa o braço do líder pelo ombro e o ajuda a chegar até o rio que limita o Acampamento Júpiter.

Ao se aproximarem, outras duas figuras de capacete, um casal, aparecem no horizonte escuro da madrugada e se adiantam para ajudar o líder do acampamento dos mesmos. Eles o deitam as margens do rio e o casal recém-chegado de capacetes escarlates e igualmente cobertos e uniformizados, começam a checar os sinais vitais do Alexandre. A mulher de capacete escarlate faz um sinal para o outro que sai para pegar o barco que usariam para voltar para o acampamento.

— Alexandra, ele não está nada bem. – A mulher de capacete escarlate se pronuncia – Está exausto! Precisa de uma boa noite de sono, não! Um dia inteiro! E um café da manhã reforçado. Ficará de repouso por uma semana antes de voltar ao labirinto atrás de Toas.

Alexandra pigarreia.

— Ele não vai voltar ao labirinto. Toas foi morto por Zeus essa manhã. – A outra mulher se surpreende com a informação, sem deixar de tratar do líder a sua frente – Ele não sairá do acampamento tão cedo. E mesmo se pudesse eu não deixaria, mas ele não vai querer ficar de molho uma semana nem ferrando.

Um silencio se instalou e por um momento o único ruído era dos fracos pulmões do Alexandre que lutavam para respirar, assim como os da maioria dos do seu acampamento.

— Com todo o respeito Alexandra, o senado aprovou isso?

Alexandra ri da pergunta da outra.

— Mia, a opinião do senado só vale alguma coisa quando O Alexandre não está presente. Ele julga a decisão do senado apenas como sugestão.

— Mas isso é antidemocrático!

— A democracia só vale de alguma coisa quando a racionalidade do povo se sobressai a seu medo.

O barco chega. Alexandre é posto em uma maca e levado para dentro onde ressona no colo de Alexandra, enquanto Mia divaga em pensamentos próprios no banco oposto ao casal de líderes.

Mia retira uma adaga do bolso de sua jaqueta desbotada e encara o símbolo do Deus da Guerra estampado nele. Não tinha bom relacionamento com Ares, muito menos com seus filhos depois do que fizera no Acampamento Meio-Sangue. A única exceção era Clarisse. Queria muito reencontra-la. Talvez por ser a única descendente da guerra que preferia ver seus amigos vivos e refugiados, à mortos em uma batalha suicida, por mais que a mesma brandisse o contrário. Ou talvez por ser a única que a tratou com dignidade mesmo após ser banida do acampamento. Talvez, se os ventos soprarem ao seu favor, ela consiga ver a filha de Ares mais uma vez antes de perecer e lhe passar seu bem mais precioso.

Notas finais
Bom, agora eu já apresentei quais serão os primários da fic. Percy e a irmã, os casos de família do olimpo, Reyna e Matias tretando com os Alexandres. Os outros personagens em breve brilharão também, tenho um plano complexo para todos eles. E em breve vocês saberão onde foram parar Aurum e Argentum.