War
2 Capítulo 1 - Bomba a bordo.
Notas iniciais
6 meses atrás...
Percy Jackson
O sol do meio dia parecia querer nos castigar. E considerando o fato de Nico estar a bordo do Léia ||, acho que Apolo está fazendo de propósito. Aquecimento solar o caramba! Ele quer é queimar nosso couro na brasa! Mais precisamente o de Nico, o problema é que: não tem só o Nico nesse barco!
Nesse exato instante estou esparramado em uma cadeira de praia em frente ao timão, me abanando com o jornal de manhã cedo. Estou com três pizzas, e não é a pizza de comer, não, meu suor é tanto que três pizzas de mussarela se formaram em minha camisa branca. No segundo convés mais abaixo, Nico e Clarisse eram os únicos que demonstravam ânimo pra fazer alguma coisa. O resto da tripulação de mais cinco pessoas estava, provavelmente, no porão do navio em suas redes se escondendo do Sol.
Clarisse fuzilava Nico com os olhos enquanto amolava as espadas, e eu suspeitava que ela fazia uma prece silenciosa para seu pai para que ele, sei lá, de repente, assim, quem sabe, lhe desse a bênção e o poder de soltar raios laser.
Ela estava bem mais punk desde soube da existência do lado romano de seu pai e dos irmãos no Acampamento Júpiter. Pelo o que eu entendi, os irmãos gregos não gostaram de se parecer tanto com os irmãos romanos. Todos com os mesmos coturnos, cortes de cabelo militares, caras carrancudas e etc. Os romanos eram disciplinados demais para trocarem seus estilos certinhos de filhinhos prodígio que passariam para o exército e receberiam a maior patente. Digamos que os gregos já tinham mais liberdade para agir do jeito rebelde de sempre, só que agora mais turbinado. A maioria dos filhos de Ares estavam seguindo uma moda bem punk. Clarisse não era diferente. Havia raspado a lateral esquerda da cabeça, tinha feito uma tatuagem na clavícula direita de um crânio de um javali com lanças cruzadas atrás, e dizem as más línguas que ainda tinha outra tatuagem em uma área mais abaixo... Não que eu saiba, é claro! São só rumores! Uma espécie de coleira de metal estava no pescoço dela, e também tinha aderido o hábito de circular pelo navio de bermuda, top e colete, o que era bem cômodo levando em conta o castigo de Apolo sobre nossas cabeças. Isto é, se ela ainda estivesse usando o colete e não o tivesse tacado ele na minha cara. “Aff! Você reclama demais Jackson! Toma esse troço e enrola na cabeça!”.
E agora cá estou eu usando o colete dela molhado como turbante para poder poupar meus olhos do Sol. Tirar minha camisa estava fora de questão, da última vez que eu fiquei andando pelo navio sem camisa, quando voltei pra casa Annabeth deu um grito e me levou correndo pro hospital porquê eu estava com várias bolhas nas costas.
Alheio a tudo isso, Nico estava bailando com seu esfregão com sua típica cara de sonso. Parecia valsar com seu esfregão. Desde que conheceu Will, e começaram a namorar, a alto estima de Nico, que era quase nula, bateu no teto. Começaram até mesmo a aparecer rugas de expressão no rosto, devido aos grandes e abertos sorrisos que ele aprendeu a dar. Nico, o culpado desse calor infernal especialmente direcionado à nós, estava com seus fones de ouvido a alturas absurdas tocando alguma música de corno, sua blusa havia virado um turbante, seu cabelo empapado em suor batia na metade nas costas, o novo bronzeado era três tons mais escuro que o meu, o deixando meio alaranjado. Após ser diagnosticado com coma alimentar depois de tanto comer besteira, poucas semanas após a batalha contra Gaia, ficou uma semana numa cama de hospital recebendo “comida” na veia. A experiência deixou Nico neurótico em relação a comida. Se ele ainda comia besteira? Sim, e em grandes quantidades! O porém é que para cada pacote de Doritos que ele comia, ele compensava com três travessas de salada. O que ninguém esperava era que ele continuasse com essa “dieta”. O que ninguém esperava também era que essa “dieta” transformasse Nico de Pincher pra PitBull. Ele ainda continuava baixinho, e pela idade não ia crescer mais, mas que ‘tava bombado, isso tava. O peito dele era mais alto que o meu!
Você ainda deve estar se perguntando: O que isso tem a ver com o lance de Apolo, o calor, e o tal do castigo? Bem, três semanas atrás Nico pediu Will em casamento, que foi prontamente aceito. O problema é que o novo babado voou rapidamente até os ouvidos de Apolo,(também com um Hades sorridente e saltitante gritando aos quatro cantos do Olimpo: “Meu filho vai se casar, porra! Chupa Afrodite! Sua macumba não pega mais nos meus filhos!”) e Apolo foi mais prontamente até o casal e disse em alto e bom som que era contra aquela união... não exatamente nestas palavras. Digamos que rolou um ADP entre as duas cabeças loiras, Will e Apolo. Enquanto Nico ficava na plateia com sua cara de sonso, pipoca, e óculos 3D, levando ao pé da letra a frase: “Eles que são loiros que se entendam!”. Bem, Apolo podia dar até um puxão de orelha em Will, mas ele não podia fazer nada contra um filho de Hades, que tinha ficado meio super-protetor com os filhos após superar seus muitos traumas em relação às suas muitas falhas paternas. Apolo não podia bater de frente com Nico, mais podia muito bem perturba-lo. Uma onda de calor persegue Nico onde quer que ele vá, em um dia sem nuvens chega até 41° ao redor de Nico. Para o azar de Apolo, e também o nosso, Nico adorou o novo bronzeado.
Enquanto penso em como estapear a cara de Nico, Clarisse resolve o problema lançando uma adaga na direção de Nico que desvia sem querer quando se vira para esfregar o outro lado do convés. Abafo o riso e Clarisse rosna de raiva.
– Não! Você não podia deixar como estava! Tinha que pedir o estrupício em casamento! – Clarisse falou ácida.
Nico suspira e se apoia no esfregão. E lá vamos nós de novo!
– Clarisse, eu não vou recuar na minha decisão só por causa do mimado do Apolo.
O ar em volta ficou dois graus mais quente. Clarisse olha pra Nico com raiva, solta um grito e avança no pescoço de Nico tentando estrangula-lo. Os dois rolam no convés inferior com as mãos no pescoço um do outro. É. Esses são os meus imediatos.
Sean, o novo estagiário da tripulação aparece ao meu lado saindo da sala de navegação atrás de mim. Ele era filho de Morfeu*, e diferente da maioria dos filhos de oneiros** ou do próprio Hipnos***, esse menino tinha realmente uma grande energia pra gastar e vontade de ajudar, seu único porém era que ele era simplesmente desastrado. Com seu corpinho gorducho, é de apenas doze anos, vive com o cabelo ruivo/laranja em cima dos olhos e roupas coloridíssimas. Parecia um hippie em ascensão.
– O senhor não vai fazer nada?!- fiz minha melhor cara de sonso a lá Nico – Os dois vão se matar!
Resmunguei alguma coisa em grego e falei:
– Crianças, não briguem!
Os dois nem ao menos me ouviram. Clarisse tinha imobilizado Nico baixo de si e estava sentada em seu peito e com as mãos em seu pescoço. Começou a escarrar pronta pra lançar uma cusparada na cara de Nico.
– Fiz tudo o que pude. – Falei a Sean.
– Capitão, o senhor não presta.
Sorri com o comentário do menor. Parecia que ele ia ficar na tripulação. O Léia || era meio que uma rota de escape que Quíron tinha para campistas “problemáticos”. Pode não parecer grande coisa para alguns, mas trabalhar num navio é bem cansativo, o Léia || até que não era um navio grande, tinha apenas trinta e dois metros, mas dava muito trabalho. O nome em si foi pensado para dar menos trabalho ainda, com o intuito de homenagear a deusa da fúria marítima para que ela meio que não nos jogue em nenhum mar de monstros. Na primeira tentativa o tiro saiu pela culatra, mas no segundo a tentativa seu mais do que certo. Monstros raramente nos atacavam, embora quando o fizessem, vinham em grande número e tamanho. Nada que eu, Clarisse e Nico não conseguimos resolver, mas o outro tripulantes... Geralmente vivíamos alternando de tripulação, já que ninguém queria voltar depois da primeira experiência. Sean, foi o primeiro, e provavelmente o último, que se voluntariou para ser parte da tripulação. O outro único tripulante que gostou de fazer parte da tripulação, mesmo tendo sido obrigado por Quíron a vir pra cá pela primeira vez, é a Alex. Uma neta de Hermes e filha de Hefesto, bem fanfarrona e rebelde. Deve estar roncando na sua rede agora. Os outros três da tripulação devem apenas estar rezando para que seus “estágios” acabem logo.
Enquanto Nico vomita a cusparada que Clarisse deu em sua boca no mar. Uma sensação bem forte de brisa marinha bate no meu rosto. Uma sensação bem familiar. Pego meu turbante improvisado e tapo o rosto, anunciando a quem quisesse ouvir:
– Vamos ter visita.
Nico volta com a cabeça pra dentro do navio e pergunta:
– Cadê o vinho?!
Outro péssimo hábito que ele adquiriu era o amor ao vinho. Isso aconteceu despois de uma missão onde acabou convencendo Zeus a liberar Dionísio do castigo no Acampamento Meio-Sangue. Dionísio então o deu a bênção que eu apelidei de “fígado de ferro”.
– Acabou o vinho Nico, você bebeu a última garrafa faz meia hora.
Ele xinga alguns palavrões em grego que eu tenho certeza que ele não fala na frente do Will. Clarisse tira a caixa de madeira cheia de espadas de bronze celestial e vai para o porão. Sean cutuca meu ombro tentando chamar minha atenção.
– Sim? – Eu resmungo.
– Que visita Capitão?
– Meu pai vem dar o ar da graça.
Sean se anima.
Lidar com deuses virou algo tão cotidiano pra mim que eu as vezes me esqueço que a maioria dos meio sangue não consegue ver se quer um a vida inteira.
– Posso chamar os outros pra ver Capitão?
Faço um sinal com a mão que significa “faça o que quiser”.
Sean sai correndo do jeito destrambelhado de sempre e caí pra dentro do porão e derruba toda a caixa de espadas que Clarisse amolou. Ouço todos resmungarem quando são acordados e Sean anuncia: “Boas novas, pessoal!”.
A brisa se intensifica. Logo todos estão na proa, com exceção minha, que não movi um dedo até agora, e de Nico e Clarisse que estão perto do mastro central. Por experiência própria eles sabem que na proa não é o melhor lugar pra se estar quando vai se receber o Deus dos mares. Jogo o colete/turbante de Clarisse de volta pra ela e me ajeito, tentando parecer mais apresentável a meu pai. Limpo a baba, abaixo os braços pra esconder as pizzas, passo a mão no cabelo que preciso cortar urgentemente, e tendo tirar o suor do rosto.
Uma pequena onda de forma no horizonte. Eu e meus imediatos sabemos que aquela onda não é nem um pouco pequena. O vento começa a soprar com força, Clarisse já tinha jogado à âncora. A onda que antes era pequena vai se aproximando e mostrando seu verdadeiro tamanho. Chegando a quase dez metros de altura, ela quebra em frente a proa e ensopa toda a tripulação que se encontrava lá. Alguns tossiam, arrotavam ou vomitavam a água marinha bebida, outros simplesmente ficavam embasbacados ao ver a espuma da onda ir tomando forma e rosto. Não entendi dele estar carregando o tridente hoje, mas não me importei muito. Pouco a pouco, a barba dos aparecendo, assim como a camisa havaiana e a bermuda cáqui. Senti o ar pesar. Meu pai vinha me visitar as vezes, mas hoje estava estampado na cara dele que o assunto era sério.
– Pai. – Eu o cumprimentei.
– Filho. – Ele olha as crianças encharcadas abaixo de si – Ora! Não sabia que fazia bico de babá agora Percy.
– Não faço. São minha mão de obra escrava.
Os menores fazem careta pra mim.
Poseidon faz careta pro barco.
– Léia? Por que não, Don?
– Por que diferente de você que sabe que seu lindo e precioso filho/
– Muito humilde por sinal! – Nico e Clarisse espetam.
– Isso também! Sabe que seu humilde, lindo, e precioso filho está aqui, e não vai afunda-lo. Diferente de você, Cimopoléia não tem motivo nenhum pra não afundar meu navio.
– Puxa saco. – Ele resmungou.
Meu pai limpa a garganta, como se fosse entrar em um assunto delicado. Como todos os deuses, ele também não dominava a arte de ser pai ou mãe. Ele analisou meu barco com as velas recolhidas.
– O que você faz nessa embarcação?
– Recolho sucata. De preferência de batalhas semi-deusas. Vendo o ouro Imperial ou bronze celestial que consigo para um dos acampamentos e a sucata mesmo eu vendo aos humanos. – Falo apontando para o grande aparelho de metal que usávamos para puxar os destroços.
– Hum... – Poseidon resmunga coçando a barba.
Ele estava fugindo do assunto.
– Creio que você não tenha vindo aqui apenas para saber do meu ofício. – Pontuei.
– Até onde eu sei você se formou em biologia marinha.
Eu abri a boca pra falar mas Clarisse foi mais rápida.
– É, de vez em sempre alguma éguinha à pocotó aparece do meio do nada e pede ajuda ao Aquaman aí! Semana passada foi uma baleia Cachalote!
Faço uma careta pra ela que finge que não vê. Poseidon pigarreia para retomar a minha atenção. Ele faz um sinal com o dedo me chamando para mais perto. Me levantei e me espreguicei, ouvi alguns estalos. Calcei os chinelos e fui à proa. A tripulação se recolheu para tentar de secar após o banho que meu pai deu.
– Sim pai?
Ele com seus sete metros de aproxima de mim como se quisesse me confidenciar um segredo. Ele estava nervoso. Seu semblante estava bem rígido, o sorriso calmo que ele geralmente tinha agora estava duro, como se tivesse sido carimbado no rosto dele.
– Preciso que faça algo pra mim Percy. — Ele sussurra
Poseidon enfia a mão dentro de seu peito e de lá fora um embrulho em panos de não mais que quarenta centímetros. Ele entrega pra mim.
– Esconda isso Percy. E não deixe que nenhum deus, nem mesmo Quíron saiba da existência do que eu estou lhe entrgando.
– Mas o que é isso?
Sinto o embrulho de mexer. Meu pai me lança um sorriso bondoso e põe o dedo indicador nos lábios.
“Shhhh”.
E simplesmente derrete, me deixando a olhar pro nada. Com o embrulho nos braços, vou até Nico e Clarisse que estão com a mesma cara de “WTF?!” que eu. Chego perto deles e abro o embrulho.
– Algo me diz que seu pai anda muito saidinho Percy. – Clarisse comenta depois de um bom tempo de silêncio que se fez.
A criança olhava pra mim com os olhos abertos em espanto, provavelmente se perguntando: Quem é essa gente feia? Os olhos eram verde mar como os meus, cabelos pretos, pelo e branca como a minha foi antes de começar a trabalhar no Léia...
– É um mini-eu.
Nico torceu a cara, talvez não gostando da ideia de ter mais um Jackson no mundo.
– É menina. – Clarisse observa.
– Como é que você sabe? – Pergunto.
– Tem uma pulseira de ouro e um colar de estrela do mar, que que você acha que é?
Não tenho tempo pra descobrir se ela está certa, o bebê agarra o cabelo de Nico e não parecia nem um pouco disposto a soltar. O cabelo de Nico começa a ser mastigado enquanto ele grita para que alguém faça alguma coisa. Mas eu e Clarisse estamos ocupados demais rindo as suas custas.
– Alguém tira esse troço do meu cabelo!
Finalmente conseguimos tira-la do cabelo dele. E a teoria foi comprovada, é uma menina.
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