War
1 Capítulo um - Início
Notas iniciais
Esse como é o primeiro não pertence a ninguém mas os próximos sim.
Enfim, é isso, espero que gostem.

Era tarde da noite quando tudo começou, o céu lá fora jazia escuro e sem estrelas, a cidade silenciosa, fria e assustadora, sem um movimento nas ruas e vielas, todos dormiam... Não havia hora melhor para se começar um ataque.
Era 18 de junho de 2211, o mundo não era o mesmo há muito tempo, uma nova província fora formada, seu regente, um homem cruel e sem coração, Sr. Curtz, o problema da vez, bem pior do que qualquer outro enfrentado pelo povo de Sanderes, qual era? Bem, podemos começar falando sobre a fome que já chegava as famílias mais ricas do país, a comida cada vez mais escassa, a água numa situação não muito diferente, tudo extremamente limitado, em seguida, havia a guerra inevitável, a guerra abrupta a qual todos estavam se preparando, se preparando para morrer, porque já sabiam que não tinham chances. A guerra era contra ao país vizinho deles, dez vezes maior, dez vezes mais forte, o exército de Sanderes estava fraco, não possuíam as armas que o outro país tinham, e o número de soldados estava cada vez menor, boa parte morriam, outros desistiam... A verdade é que o exército precisava de soldados e ninguém estava disposto ao alistamento e a guerra estava chegando, precisavam fazer alguma coisa... E fizeram.
É uma pena que, o que fizeram não foi uma das melhores soluções, na verdade foi o exato contrário, injusto para todos, menos para Curtz, de qualquer forma, o decreto fora dado.
"Todo homem, com idade entre 18 e 57 anos, serão obrigados ao recrutamento para o exército, onde terão que lutar e servir até a morte pelo país. Daqui há um ano vocês serão lembrados disso, e no outro dia, criados irão busca-los e os trarão para a capital, Fords, e serão preparados para a guerra que se aproxima. "
A vida de todos mudou a partir desse dia, famílias destruídas, tudo por causa de um decreto que deveria trazer a salvação, se não isso, pelo menos uma faísca de esperança de que eles poderiam vencer a guerra ou de que ela fora anulada, adiada, qualquer coisa, mas o que veio foi como uma bomba. Como poderiam tirar os homens de família?
Estava tudo perdido, as pessoas não sabiam lutar, as famílias ficariam sem seu sustento, as mulheres teriam que se virar, a vida que já não era boa acabara de ficar pior.
Mas claro que, para toda regra há uma rigorosa exceção, aqui não poderia ser diferente, em Sanderes nada é perfeito e justiça definitivamente não é o ponto forte do país pois bem, há uma pequena parcela de pessoas muito ricas, que moram em Fords, pagaram uma certa quantia em segredo, para se verem livres da guerra, não totalmente protegidos, mas pelo menos com 10% de chances de sobreviver, o presidente, aceitava tudo de muito bom grado desde que tudo se mantivesse em completo segredo, mas sempre tem uma língua grande no meio e boatos sobre esses pagamentos foram logo espalhados, logo todos sabiam e mesmo sendo apenas boatos, não havia motivo para desconfiar, o governo sempre fizera tudo por dinheiro e perder umas pessoas para a guerra não era "nada". De qualquer forma, o povo não gostou nada disso e decidiram agir, só se esqueceram que, estar em maior número não era de forma alguma vantajoso para eles. Sem armas, sem soldados... A solução que eles acharam foi ir para a rua e protestar, pequenos levantes, pena que isso não surtiu o efeito certo, o tiro havia saído pela culatra. Sr. Curtz também teve seu momento de revolta, ele não gostou nada nada desses levantes e, faltando menos de uma semana para o recrutamento, houve o massacre.
Um estado escolhido como exemplo.
Fogo, por todo o lugar, as ruas incendiadas, "Não fazia diferença, eles iriam morrer na guerra", esse foi o pensamento do governador, morte com dor, torturante, aos poucos, ele queria ensinar uma lição aos outros estados que começavam a protestar junto. Algumas pessoas conseguiram se salvar naquela noite, mas foi só questão de tempo até morrerem dias depois, ou talvez, no outro dia.
Não havia solução.
Exceto para duas irmãs, que tinha a sorte a seu favor.
Ou talvez não.
Heidi, a mais nova de 13 anos, foi a primeira a perceber, o fogo ainda não havia chegado a seu quarto, mas era possível ver pela janela que ela mantinha aberta para entrar "um ar a mais" durante a noite, ofegante, ela se levantou com um pulo da cama e correu para a cozinha, mas o caminho estava bloqueado pelas chamas, então ela voltou para o quarto e se sentou ao lado da cama de sua irmã que dormia profundamente.
-Alyssa! Alyssa acorda! — ela sacudia a irmã de cima a baixo e gritava por ela — Lyssa!
A mais velha acordou assustada, com um salto repentino.
-Ei, Heidi — ela começou a abraçar a irmã, pensando que esta havia tido um pesadelo — O que foi? Eu estou aqui.
Heidi se soltou de Lyssa bruscamente.
-Não temos tempo para abraço, vamos, precisamos acorda-los!
Ela começou a se mover para a porta do quarto, abrindo-a com tanta força que parecia inadequado para uma garotinha de 13 anos.
Alyssa se levantou, de repente preocupada.
-Ei, o que está acontecendo? Acordar quem? — a confusão estava estampada em seu rosto, ela ainda não havia olhado para a janela.
-Olha! — Heidi apontou — Está tudo em chamas lá fora e não vai demorar muito para chegar aqui dentro! Precisamos acorda-los! Agora!
Ela estava gritando, e sem esperar uma resposta, saiu correndo para o quarto dos pais que ficava no extremo oposto da casa. Não foi necessário muito para que Alyssa compreendesse quem precisavam ser acordados.
Seus pais.
"Estamos perdidos", pensou, "Acabou."
E então correu, seguindo a irmã, ela não tinha esperança nenhuma de que fosse sair dali viva mas pelo menos, que morressem juntas, esse era o seu último desejo.
Elas foram paradas abruptamente no corredor, Heidi na frente, mãos fortes segurando seus ombros, era seu pai.
-Pai.. cadê a... mamãe?- Alyssa perguntou ofegante.
-Vocês precisam fugir, procurem apenas comida e água, não parem para nada a não ser para isso, eu tenho um mapa aqui, ele irá leva-las a um lugar segundo, vocês precisam confiar em mim. — e dito isso, entregou uma folha enrolada cuidadosamente a Alyssa.
-Cadê a mamãe?! — Heidi gritou, seus olhos estavam marejados de lágrimas.
-Ela estava na cozinha quando tudo começou, eu vou lá e tentarei salvar ela, se ainda tiver tempo.
-Não! — Alyssa gritou — Ela já deve ter morrido — as lágrimas rolavam por todos os três rostos — Não aguentaria perder você também.
-É preciso — Sharon, esse era o nome do pai, respondeu.
-Não! — Heidi gritou — Prometa que irá conosco!
-Posso prometer tentar fugir também mas há mais coisas... Coisas importantes que preciso fazer — ele diz — Agora vocês precisam ir, confiem em mim e lembrem-se, eu amo vocês.
Heidi e Alyssa choravam descontroladamente, elas permitiram-se dar um último abraço ao pai, não importava quanto tempo estavam perdendo ou quanto o fogo estava se espalhando, elas precisavam daquele momento.
Então chegara a hora de partir, elas se viraram e correram de volta para o quarto, o lugar onde elas esperavam ainda não ter chegado as cinzas. Por sorte, o fogo ainda não chegara a elas e a janela permitia a fuga delas.
Heidi já estava com um dos pés no batente da janela, pronta para fugir quando percebeu o que Alyssa estava fazendo.
-Alyssa! Não temos tempo para arrumar uma mala, temos que ir! — e então ela pulou a janela.
-Heidi! — Alyssa gritou e correu para a janela.
-Anda logo — Heidi, que já estava do lado de fora da casa, disse.
E então Alyssa pulou hesitantemente.
-E então? — Heidi perguntou.
-Você é a valente aqui — Alyssa disse, quase num murmurio, definitivamente envergonhada da sua fraqueza.
-Mas você é a mais velha! — Heidi soou quase num grito, obviamente frustrada com a covardia da irmã — Não temos tempo para dramas.
-Tudo bem — Alyssa engoliu em seco e passou os cabelos loiros para trás da orelha.
Alyssa e Heidi eram bastante diferentes, tanto fisicamente quanto na personalidade. O cabelo loiro de Alyssa, tão diferente do preto de Heidi, a timidez e a delicadeza de Alyssa, muito diferente da valentia e da esperteza de Heidi.
As diferenças eram muitas.
-Vamos... — Alyssa pensou — Vamos na mercearia da Sra. Sophia, se lembra? Talvez o fogo não tenha chegado até lá, precisamos de comida.
-E água.
-É... Vamos.
E então elas começaram a correr a caminho da pequena mercearia da Sra. Sophia, que não ficava muito longe dali, o trajeto não fora fácil, o fogo era uma barreira em tanto, estava em todos os lugares, mas elas conseguiram, pena que todo o esforço das irmãs fora em vão.
A mercearia já estava perdida para o fogo.
-Então...? — Heidi perguntou, cansada e ofegante, a desesperança pairando sobre ela.
-Não... podemos parar.
-O supermercado é... muito longe, fica no... centro da cidade.
-Então não vamos... gastar... nossas energias falando, temos que correr — Alyssa passou a mão pela roupa para seca-la do suor e só então percebera que ainda estava de pijama.
-Saiba que foi... a coisa mais inteligente que disse esta noite — Heidi murmurou e então abriu o mapa — Ao norte, o abrigo fica no meio do deserto.
-Vamos! — Alyssa dissa e elas saíram correndo, parando algumas vezes para recobrar o fôlego e dar uma olhada no mapa, elas estavam chegando cada vez mais perto, o fogo não chegava ao deserto e isso trazia de certa forma alívio para elas, uma esperança pairou de repente sobre elas, talvez elas conseguissem, talvez elas poderiam ficar sã e salvas, talvez...
Não havia abrigo.
Elas chegaram ao ponto e não havia nada, apenas uma enorme montanha com rochas a decorando por todo o lugar.
Elas não estavam salvas.
Tiveram vontade de gritar, de chorar, mil emoções passaram por suas cabeças, todas voltando para a decepção e tempo desperdiçado.
Antes tivessem morrido com os pais, pensaram.
E então, um baque, um barulho estrondoso, forte de pedra contra metal, horrívelmente alto, elas tamparam os ouvidos para não ter que ouvir e estreitaram os olhos.
-Quem são vocês? — uma voz masculina gritou.
-Alyssa e Heidi — Alyssa respondeu — Nós fugimos dos incendios, nosso pai disse que aqui seria seguro.
-Quem são vocês? — a voz perguntou de novo, dessa vez mais perto.
Elas estavam com os olhos abertos agora, um misto de confusão e medo passava por elas, nada era pior naquele momento do que não saber de onde vinha a "voz fantasma".
-Já disse... Somos... — e então ela foi interrompida.
-Seus sobrenomes! — a voz voltara a gritar.
Alyssa hesitou.
-Montgomery! — Heidi gritou — E quem é você?
-Heidi! — Alyssa murmurou em tom de repreensão.
Mas a voz respondeu.
-Sou Ian Markov — e então o dono da voz apareceu.
Um garoto loiro, vestido dos pés a cabeça de preto e coberto de tatuagens.
-Venham comigo.
Notas finais
Byee
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