Wanted Dead Or Alive
6 Capítulo 5 - Hipnótico
Notas iniciais
Anyway, aqui está sua história favorita.
Beijos
Stéfano não conseguiu dormir naquela noite. As cenas que vira não lhe saiam da cabeça. Ele fora instruido para seguir Alicia naquela noite. Viu tudo. Desde a entrada no bar, o falso namorado, o jeito que ela conseguiu quase que hipnotizar Francesco... Não pensou, quando a viu entrar como uma deusa, que ela seria capaz de cometer as atrocidades que vira depois, como seu jeito mal ao olhar pra Francesco, seu rosto indiferente enquanto ela vira ele agonizar buscando por ar, e como manejava tão bem armas, como aquele cacetete. Se ele não tivesse visto com os próprios olhos, não acreditaria naquilo. Mesmo com todo aquele terror, não conseguia odiá-la. Pensar nela como uma assassina. Na verdade, ela era uma icógnita pra Stefano. Num ato infantil, lá pelas tantas da madrugada, ele pegou seu Ipod e ouviu sua banda favorita, Artic Monkeys no volume máximo, até que sua cabeça explodisse. Melhor não pensar.
No dia seguinte, um pouco atrasado, ele chegou na redação do Italian, usando óculos escuros e segurando uma xícara de café. Antes de falar com o chefe, fumou um cigarro em sua sala. Ele não costumava fumar, mas o stress estava matando-o naquele dia. Organizou uns papeis pendentes, e logo se encaminhou pra sala do chefe, Felippe.
- Ora, ora, Stefano. Novidades? –perguntou o chefe.
- Algumas.
- Fico feliz. Sabia que ao contratar você não haveria erros. Acho que você anda merecendo um aumento... –disse para agradar. -
Acho ótimo. Mas o que eu tenho pra falar é muito sério.
- Nossa! Pode ir falando. Tenho alguns compromissos mais tarde.
- Bom, eu tenho provas concretas da... da... da ação da Alicia Belucci. –ele disse, meio gaguejando. A verdade era que não queria estar falando isso, mas agora já era tarde demais, e esse era o trabalho dele. Descobrir a verdade da máfia. Aprendera na faculdade que o profissionalismo vem primeiro. Então, iria fazer jus a seu diploma.
- Ótimo, Stefano. Maravilhoso. Poderia ter acesso à essas provas?
- Claro. Tudo aqui nesse pen drive. O meu relatório, e as provas. –disse enquanto entregava o pen drive pro chefe.
- Vou ver agora mesmo. –o chefe comentou. — Vou pra minha sala. Qualquer coisa...
E saiu porta afora. Decidiu que talvez precisasse de mais um cigarro. E outra xícara de café. Quem sabe um passeio na hora do almoço? Enquanto isso, Felippe sorria com a vitória. Tudo ia ainda melhor do que ele progamara. Aliás, jamais imaginara que pudesse dar tão certo assim. Pegou o telefone e conversou por alguns minutos com seu contato misterioso. Abriu os arquivos, olhou um por um, com um sorriso brotando nos olhos. Agora todos estavam na palma das suas mãos. Imprimiu todas as fotos, e colocou num envelope. Olhou no relógio e viu que passava do meio-dia. Era hora de direcionar seu último peão do jogo: Diana. Mas antes, tinha que passar no correio.
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Passavam das onze da manhã naquele sábado e Alicia acabara de acordar. Sua cabeça doía, seus ouvidos zuniam... Estava péssima, ou com melhores palavras pra definir: ressaca. Culpa do conhaque que ela tomara ontem a noite. E do charuto cubano tão forte. Resolveu tomar um banho pra melhorar aquela enxaqueca horrível. Depois, fez um sanduíche e preparou um suco. Ligou para Paolo.
- Bon Giorno, amore mio. — Bon giorno. Ou melhor, boa tarde. Já passa do meio-dia.
- Eu sei. Dormi demais. A noite ontem foi cansativa.
- Imagino... Deu tudo certo?
- Não poderia ser melhor. Já tenho todos os nomes. Temos reunião hoje à noite. Que tal escaparmos um pouco antes?
- Acho ótimo. –disse Paolo. Estranho, Alicia achou ele frio demais. Aliás, há um bom tempo a relação dos dois não caminhava muito bem. Eles, que antes eram praticamente grudados, se afastaram um pouco, e Paolo mostrava-se cada vez mais distante.
- Então, me pega às seis?
- Claro. Preciso ir. Addio. — Addio. Frieza novamente.
Tinha algo muito estranho ali, mas Alicia resolveu não pensar sobre isso. Preferiu aproveitar o dia de sol pra ir à praia dar um mergulho, e depois quem sabe, bater perna no shopping.
Seguindo a primeira linha de pensamento, ela resolveu ir à Cefalu, a melhor praia para se dar um mergulho em Palermo. Arrumou rapidamente algumas coisas, e foi andando, até a praia. Depois de um longo mergulho pelas gélidas águas azuis da praia, ela foi comprar algo pra beber. Optou por um refrigerante de limão, e sentou-se numa cadeira, observando a praia. Uma figura passou por ela derrepente. Tinha a ligeira impressão de conhecer o rapaz, um loiro magro, meio forte. Usava Raybans e tinha os cabelos desgrenhados. Era como se Allie estivesse tendo um dejavù. Ela podia sentir algo naquele rapaz que a conduzia para ele. Manteve-se imóvel, bebendo seu refrigerante, e observou ele sentar numa das mesinhas da frente, pedindo ao garçom uma Coca-cola. Ela demorou-se em olhá-lo. Sabia que não devia, mas não conseguia desviar os olhos. Ele estava distraído demais com seu livro pra prestar atenção ela. O rapaz tinha feições muito simétricas, uma barba por fazer e provavelmente, por baixo daqueles óculos escuros, olhos azuis. Ele finalmente a viu, e ela virou os olhos pra outra direção, como se estivesse apenas dando uma olhada pelo lugar. Claro que ele a reconhecera. A reconheceria de qualquer forma. Mesmo agora, quando ele não a seguia, os dois se encontravam. Talvez fosse o destino. Talvez pura coincidência. O problema é que, como jornalista que era. Stefano não acreditava em coicidências, e também, por baixo dos óculos escuros, demorou-se em observá-la. Os cabelos molhados, o rosto simples, o corpo perfeito, o esmeralda de seus olhos. E depois lembrou-se do demônio na qual ela se tranformara na noite anterior. Depois que tomou seu refrigerante, ela pagou a conta e se foi. Ele resolveu seguí-la, afinal tinha o resto do dia livre. Stefano jamais admitiria, mas essa história transformara-se em uma terrível obcessão.
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— ...obcessão, Diana. Uma tremenda obcessão. Não sei até onde isso pode levá-lo! –dizia o convincente Felippe, para a pobre apaixonada Diana. Estavam almoçando no Lacroix, e Felippe fingia ser um chefe preocupado.
- Entendo, sr. Felippe. Mas por que me escolheu para falar isso? –ela perguntou.
- Eu sei que vocês dois são muito ligados, amigos muito próximos. Pensei que você poderia ajudá-lo, ou pelo menos me ajudar a entender o que se passa com Stefano.
- Sim, somos muito próximos, e eu realmente notei uma brusca mudança de comportamento nele. Ele não faz outra coisa a não ser essa matéria...
- Não seria uma ganância?
- Não, sr. Felippe. Isso não. Ele é só muito... intenso. Ele gosta de terminar o que começa, sem ao menos notar que ele acaba virando um zumbi às vezes. E também, essa é a primeira matéria significativa dele. O que o senhor me sugere, para que eu posso ajudá-lo?
- Eu pensei em dar à ele uns dias de descanço. Talvez vocês pudessem viajar ou...
- Espero que o senhor não tenha entendido errado. Nós somos apenas amigos... –ela disse. Pronto. Cheguei na ferida, ele pensou.
- Sério? Por Deus! Juraria que vocês eram namorados. Agem como tal, pelo que eu percebo... –ele percebeu que ela começava a ruborizar. Mais umas palavras e...
– Não se preocupe, não quis ofendê-la, mas como disse, acho que poderia ajudá-lo. Chame-o pra sair hoje a noite. Diga que foi ordem expressa do chefe. –ele sorriu.
- Eu irei, sr. Felippe. — Por favor, que seriedade é essa... Me chame apenas de Felippe. Não sou tão velho assim. –ele brincou.
- Claro, Felippe. Bom, melhor eu ir. Addio. — Addio. Ela se levantou e saiu. Ele ficou contemplando-a como um bobo até que ela saísse pela porta. Ela vai ser minha, ele pensou por último.
Não muito longe dalí, num apartamento de luxo, uma certa ruíva pinta as unhas do pé enquanto assiste qualquer coisa na tevê. Seu namorado não apareceu, e não teve reunião, o que ela considerou estranho, mas nem ligou. Será que a corda no pescoço ainda não começou a incomodá-la?
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