Wanted Dead Or Alive
19 Capítulo 18 - Tempestade de trovões
Notas iniciais
No fim do último capítulo: Don Daniel conta ao conselheiro que Paolo é o traidor da Máfia. Alicia e Stéfano se beijam. Descobrimos que Patrícia é na verdade, filha de Fracesco Buricelli, que Alicia matou no capítulo 4.
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Tempestade de trovões
Era um dia normal de segunda-feira, inclusive para Luís. No seu amplo escritório que ficava no terceiro andar, no prédio da revista Italian., ele acaba de fechar a edição do próximo mês. De sua poltrona, deu uma olhada para a vista que o cercava atrás daquela enorme janela de vidro. A visão do centro de Palermo se estendia magnífica, cheia de vida. Enquanto tomava um café e olhava a vista, Diana entra cheia de sacolas nas mãos.
- Bom dia, meu amor! Incomodo? –ela chegou dizendo.
- Você nunca vai incomodar querida! –diz ele, que caminha até a esposa e acaricia sua barriga. – Como vai nosso pequeno?
- Hoje está mais quieto. Pude fazer as compras sem nenhum problema.
- Você não andou muito, não, né? Ouviu o que o médico disse. Não é bom que você faça muito esforço.
- Ah, deixa disso, eu estou bem. Só preciso me sentar um pouco. – Ela se senta no sofá de visitas, no canto da parede. – Ah, querido! Nem acredito que amanhã saberemos o sexo do nosso bebê! Já pensou em algum nome?
Já pensou em algum nome? Algum nome... Nome... E foi assim que ele foi tragado de volta para seu pesadelo.
- Já pensou em algum nome para nosso bebê, querido? – ela perguntou com sua doce voz. Os sedosos cabelos estavam amarrados para trás, o sorriso tão vívido... Droga! Porque ele tinha que se apaixonar logo agora? Isso definitivamente não fazia parte dos seus planos.
- Não sei ainda, querida. Eu sei que se fosse menina, gostaria que se chamasse Giovanna, ou quem sabe... Valentina. E se for homem... Eu gosto muito de Henrique. E você, o que acha? – disse ele, acariciando a barriga da jovem mulher sentada ao seu lado. Os dois irradiavam felicidade e juventude, apesar de Luís lutar contra tudo isso. Não podia formar laços com ninguém! Isso o impediria de seguir com seu plano. E ele considerava seu plano como a coisa mais importante do mundo. Mas não conseguia mandar no seu coração, fazê-lo desacelerar naquele momento, ou lutar contra o sorriso e as palavras que escapavam de seus lábios.
- Você sabe que eu ainda acho que é uma menina... Mas eu tinha pensado em alguma coisa mais doce, algo como...
- Eu pensei em algo doce, algo como... A... Bem, como... Paola! Isso, Paola. Se for menina, quero que se chame Paola. – disse, voltando à órbita. Diana percebera que o marido estava com o pensamento longe. – Droga! Tenho uma reunião agora. Você se importa? – ele perguntou.
Com lágrimas nos olhos, lutando para sair, ela se contentou em negar com a cabeça.
- Então eu já vou. Te encontro em casa. Lembre-se de repousar, ok? Tchau, meu amor. –disse ele, depositando um beijo em sua bochecha rapidamente. Nem esperou o elevador chegar. Desceu as escadas correndo e só parou pra respirar quando estava no Hall. Sua mente estava em colapso. As mãos suavam, as pupilas estavam dilatadas. Quando aquele pesadelo teria fim? Quando conseguiria ter sossego? Quando aquelas duas almas deixariam de atormentá-lo? Mentalmente, formulou sua resposta.
Dentro do escritório, uma esposa e futura mãe preocupada tentava encontrar a senha do cofre que ficava atrás dos livros na terceira prateleira.
Luís Felippe entrava agora numa mansão em um condomínio de classe média alta em Palermo. Lá dentro, vários deles já o esperavam. Focalizou cada um dos rostos conhecidos, cumprimentando-os silenciosamente. Um deles apontou para a única cadeira vazia da enorme mesa, e Luis Felippe tomou seu lugar.
- Agora que nosso último irmão chegou, podemos iniciar. – disse um dos caras.
Esse mesmo cara se levantou, sendo imitado por todos os outros. Eles deram as mãos. Começaram a repetir as palavras:
- Mortem spondeo fidem. Pietas aeternum. Pugnae hostes. Hoc est missio.
Esse era o juramento da Ordem. Depois disso, assentaram-se, e foram servidos com uma taça de vinho tinto. O Presidente começou a falar.
- Todos nós sabemos as razões de estarmos aqui nessa tarde. Temos a pista clara que Alicia Bellucci, nosso alvo, está sendo protegida por Stéfano ou Franco, o cara que deveria matá-la. O que há de errado com seu agente, Sr. Bergamo?
- Não sei. Ele desenvolveu uma obsessão por essa garota. Ele nem me fala mais nada, nem conversa. Acredito eu que ele desistiu totalmente da matéria. E isso ameaça nossos planos.
- É por isso que estamos aqui. Precisamos conseguir aquela matéria, eliminar Stéfano e Alicia e publicá-la, acabando com a Cosa Nostra, esse era o nosso plano. Mas pelo visto precisamos de outro. – continuou o Presidente.
- Nós mesmos agora cassaremos Alicia. Mataremos ela e Stéfano, pegamos o Notebook de Stéfano com a matéria, editamos e prosseguimos com a idéia original. A Família Bellucci tem que acabar.
Luis Felippe engoliu seco.
- Tudo bem, Chefe. É isso que faremos.
Ele então olhou para os rostos, agora tão familiares. Paolo. Álvaro. Lucca. Os capos e soldados da Cosa Nostra reunidos para exterminar uma das famílias mais tradicionais da Sicília. Para colocar no comando a nova Ordem, que tomaria o lugar da tão, de acordo com eles, antiquada Máfia Siciliana.
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Alicia tinha saído pra trabalhar naquela manhã. Giovanni também, em seu novo emprego de professor de teatro numa escola da cidade. Stéfano estava trancado, sozinho e incomunicável. Às duas da tarde, já não conseguia agüentar de tanto tédio. Resolveu dar uma andada pela casa, que mesmo morando há algum tempo, não conhecia direito.
Tudo era normal, um perfeito chalé praiano. Os pisos de madeira, todas as paredes pintadas num tom de bege e alguns quadros pendurados no corredor. Os três quartos também eram bem semelhantes: todos muito simples, com uma cama de solteiro, uma cômoda e um criado-mudo. Conhecendo a vida anterior de Alicia, com toda a ostentação de seu antigo duplex em Palermo, com aqueles móveis feitos por design, as taças de cristal, os lençóis de seda, as roupas de grife, ficou se perguntando como ela conseguira se acostumar a toda aquela simplicidade, vivendo numa casa meio velha, usando jeans e camiseta.
Mas não fora isso que o magnetizara para o quarto de Alicia, onde ele sabia que não deveria entrar. Ele viu uma foto num quadro pregado na parede. Ficou curioso e foi se aproximando. A imagem tinha uma família feliz que parecia ter saído de um filme.
Uma mulher ruiva de cabelos curtos, provavelmente com uns vinte e cinco anos sorria carregando num colo um bebê vestido de amarelo. Um vestido lindo, todo bordado. O bebê tinha algumas sardas e cabelos ruivos, assim como os da mulher. E grandes olhos verdes, como o do homem que estava ao lado. Jovem, moreno, com traços fortes e um sorriso encantador. Logo percebeu que aquela era a tão imaculada família de Alicia, pela qual, até hoje ela sofria, e à qual ela jurou vingar o sangue. Já estava saindo do quarto, quando voltou os olhos para a imagem novamente. Teve quase um dejavù ao observar o homem novamente. Não conseguia acreditar no que sua mente tentava dizer.
Mas a cada segundo a mais que olhava cada detalhe, ele se convencia de que não estava errado. Como um quebra-cabeça, tudo na sua mente se encaixou, e ele pegou a si mesmo boquiaberto em frente àquela foto. Não podia ser! Um misto de raiva, curiosidade, surpresa e terror tomaram conta de dele. E ele saiu mais que de pressa para pegar seu notebook, que estava na sala.
Três horas depois, chega Alicia da livraria com as mãos lotadas de livros cantarolando uma música qualquer. Depois do incidente, Stéfano e Alicia não estavam conversando muito, apesar de, naquele momento Alicia ter realmente decidido que podia confiar em Stéfano. Queria muito dizer isso pra ele, mas não queria se arriscar demais. Então, estava esperando o momento certo, em que, suas confusas emoções não pudessem controlá-la.
Assim que Stéfano viu Alicia entrar por aquela porta, levantou-se do sofá num pulo.
- Graças a Deus você chegou! –disse ele num tom de alívio.
- Por quê? Aconteceu alguma coisa? – ela perguntou.
- Aconteceu sim. Muito grave. É melhor você se assentar.
Alicia, intrigada, colocou os exemplares em cima do balcão da cozinha e foi até a sala, sentando-se na poltrona vermelha à direita de Stéfano.
- Pode falar.
Ele pegou no sofá o quadro do quarto de Alicia. Ela olhou Stéfano fuzilando-o. Odiava que as pessoas mexessem em suas coisas. Principalmente nas suas memórias de família.
- Espero que você tenha um bom motivo para ter entrado no meu quarto e pegado meu quadro sem a minha permissão.
- Alicia, esse cara, o seu pai... Ele não é quem você imagina.
- O que você está querendo insinuar? – disse ela quase se levantando.
- Não quero insinuar nada, acalme-se. O que aconteceu... Bem, eu estava passeando pela casa, totalmente entediado. Entrei no seu quarto, à toa, e vi a fotografia. E eu tive um dejavù. Sobre o seu pai. Tudo faz sentido agora!
- Pare de dar voltas! Fala logo, o que tem meu pai? – ela disse totalmente estressada e nervosa. Stéfano resolveu dizer logo de uma vez, antes que Alicia fizesse algo pior do que olhar pra ele com aqueles olhos mortais.
- Eu reconheci seu pai. As peças se encaixaram na minha mente. Resumindo, seu pai não está morto.
- O que?
- Seu pai... Ele está vivo. Assumiu uma nova identidade e vive em Palermo.
- Como você pode provar isso? – perguntou ainda chocada.
- Aqui, eu tenho fotos.
Ele levou até Alicia seu notebook, que tinha a foto de um senhor, de uns quarenta e poucos anos sentado num escritório, elegantemente vestido. E com a outra mão segurava o quadro, para Alicia fazer as comparações.
- Muita coisa mudou claro. O nariz, cirurgicamente modificado, o cabelo loiro e etc. Mas a essência, preste atenção. Os traços, o formato do rosto, os olhos verdes. Se parecem muito.
Alicia comparava friamente as duas imagens. E realmente notou as semelhanças e diferenças entre as duas fotos, as duas pessoas, que eram uma só. Infelizmente, Stéfano não estava enganado. Ela engoliu seco.
- Tá certo. Realmente, as fotos são de uma mesma pessoa. Meu pai... Ele está vivo! Você o conhece? Como você descobriu isso?
- Aí entra a parte das peças terem se encaixado. Seu pai chama-se Luis Felippe Bergamo, é editor-chefe da revista na qual eu trabalho. E ele quer te matar.
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