Wanted Dead Or Alive
16 Capítulo 15 - Tudo o que vai, volta
Notas iniciais
Uma reunião era realizada naquela salinha mal iluminada, à base de muito uísque, mas dessa vez sem pôquer. O clima era carregado demais para qualquer distração à parte.
- Fomos enganados. Essa é a verdade. Tudo isso foi um complô para aquela lá escapar de nossas mãos. –dizia um dos capos.
- Infelizmente estou começando a considerar essa possibilidade também, meu caro. Primeiro o sumiço de Giovanni. Sabemos que ele foi cúmplice da Alicia em sua fuga. Não deixaram nada em que possamos nos basear. Agora aquele novato que foi à procura dela some também sem dar nenhuma explicação. Faz três semanas que ele está na Suíça e nem nos telefonou. Não sei o que pensar... –disse Don Daniel.
- Acho que vocês gostarão da novidade que eu tenho para essa noite, meus caros. – começou Álvaro. – O Franco já foi embora da Suíça. Deixei um velho amigo meu de olho nele. Ele disse que ele passeou por alguns pontos turísticos e ficou tempo demais enfurnado no quarto de hotel. Gastou aproximadamente 300 euros com bebidas no hotel, e as camareiras disseram que o quarto nunca estava bagunçado, mas que ele passava o tempo todo na frente do computador ou lendo um livro. – todos estavam em choque. – Querem saber o que eu acho? Que ele também está envolvido nessa história...
Todos começaram a concordar com Álvaro quando o telefone tocou. Don Daniel foi atender.
- Alô?
- Buona Notte, Signore D. Aqui é soldado três.
- Boom Notte. Estávamos esperando notícias suas. Faz tempo que não se comunica conosco.
- Mi scuzi, signore. Só pude me comunicar hoje, pois estava esperando concluir as investigações em Zurique. Já me retirei de lá e estou agora em Nápoles, onde a pista da Suíça me levou.
- Preciso que volte à Palermo para que possa nos explicar suas evidências.
- Estarei aí muito em breve signore. Preciso apenas de acabar de verificar uma...
- Não. Quero que venha no primeiro vôo. Hoje mesmo se possível for.
- Claro. Estarei aí amanhã.
- Bueno. Até amanhã. Addio.
E ele bateu o telefone com força. Tirou um charuto do bolso interno do casaco e tragou com força.
- Amanhã terminaremos esse assunto. Estão dispensados. Addio. Cunha, você me acompanha.
Todos se levantaram e foram embora. Don Daniel e Cunha foram atrás e foram para o grande duplex do Don.
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Ela se levantou, tomando da mão dele o celular. Foi até a cozinha e preparou um drink para ela e outro para Giovanni. Tomou tudo de uma vez e voltou à sala. Sua mente trabalhava rápido demais naquele momento.
- Giovanni, ligue agora no aeroporto e compre a passagem para o primeiro vôo rumo à Palermo. Compre duas. Você vai acompanhá-lo até lá.
- Claro. Já estou ligando.
Stefano sorriu de canto ao ver o poder que aquela garota que parecia tão meiga podia exercer sobre um marmanjo daquele. Ela se virou para ele.
- E quanto a você, assim que acabar a reunião vai encontrar Giovanni e vocês tomarão o vôo para Nápoles. E depois aluguem um carro para cá. O prazo máximo é até depois de amanhã. E não pense que você pode nos enganar de qualquer forma. Porque você não pode.
- Eu já disse que não entregaria você. Não confia na minha palavra?
- Eu não confio em palavras. Confio em atitudes. E você ainda não mostrou nenhuma. – ela disse friamente. Mas por dentro, tudo nela clamava para que ele realmente estivesse sendo verdadeiro. Não suportaria perder aquela vida que adquirira ali em Mondragone. Já pensava até mesmo em fazer uma faculdade, se ajeitar na vida... Jamais poderia perder aquilo.
- Você está certa. – ele disse se levantando. Foi até ela e tocou em seu braço. – Jamais se arrependerá de confiar em mim. Pode ter a certeza. Agora, mudando um pouco de assunto, acho que nós dois precisamos pintar o cabelo.
Ela se permitiu uma breve risada.
- Então vamos pintar. Tenho tinturas no armário do banheiro.
- Alicia – chamou Giovanni, fazendo a mulher se virar – O vôo sai amanhã às seis.
- Ótimo. Eu levo vocês até Nápoles amanhã.
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- Parabéns, signore. Seu bebê acaba de nascer. – disse o médico.
- Posso vê-lo?
- Claro, me acompanhe até a sala.
Ele entrou no quarto acompanhado do médico. Viu a criança ainda suja de sangue chorando deitada no colo de sua mulher. De repente, seu coração começou a bater acelerado e lágrimas teimavam em vir em seus olhos. Mas ele não queria chorar, não queria sentir, não queria amar aquelas duas pessoas que estavam deitadas na cama do hospital. Queria odiá-las, acabar logo com elas e pegar o que era dele por direito. Mas simplesmente não conseguia, por mais que tentasse. Aquela criança era parte dele também. Ele queria segurá-la nos braços e acalentá-la, mas não podia. Não podia gostar delas, não podia gostar de ninguém. O coração é inimigo da razão, já dizia bem seu pai.
- Não é um lindo bebê, meu amor? – a mulher perguntou.
- É. É um lindo bebê.
Dessa vez ele falava sério. Aquela era a coisa mais linda e preciosa que já vira em sua vida. Quando chegou mais perto para olhá-la, ela se calou. Então tudo se tornou preto.
Luis acordou assustado, assustando também Diana, que dormia ao seu lado. Aquelas memórias continuavam perturbando seu sono todas as noites. Ele lutara muitos anos para apagá-las de sua mente, mas agora todas as noites elas voltavam para assombrá-lo.
- O que foi meu amor? Pesadelos de novo?
- Pois é querida. Mas já passou. Pode dormir, você precisa descansar.
- Tem certeza que você vai ficar bem?
- Tenho. – disse. Abraçou-a apertado para ver se aqueles terríveis pensamentos passariam. Mas eles infelizmente não passaram. Eles se deitaram e Diana adormeceu novamente com as mãos no ventre. Luis não teve a mesma sorte, e ficou acordado encarando o teto.
A única coisa que ele queria prometer para si mesmo naquele momento, é que nada seria igual à antes. Nada mesmo. Ele amava Diana e queria construir uma família com ela. E pra ele, o único modo de ser feliz de verdade era exterminar todos que podiam impedi-lo de ser feliz. Estava quase amanhecendo quando o cansaço o venceu e ele adormeceu.
- Papa, papa – tentava silabar a pequena criança, enquanto passava a mão pelo rosto dele.
- O que foi meu amor? Você é o bebê mais lindo de toda Itália. Sabia? –ele murmurava para criança, se odiando por amar tudo aquilo de uma forma que ele não queria. Não queria laços com ninguém. Mas, bem... Ele não era de ferro. Era impossível não criar um laço com um filho.
- Papa, papa. – continuava dizendo o bebê.
Ele se levantou e jogou o bebê para o alto, pegando-o logo em seguida. O bebê soltava aquela gargalhada gostosa e ele se permitia rir um pouco também. Nesse momento, notou que a situação passara um pouco do que ele chamava de controle. Colocou a criança no berço e mesmo com o choro, não voltou para buscá-la. O bebê ficou de pé no berço e estendeu as mãos. Ele ouviu um grito agudo.
Acordou gritando de novo. Era nove da manhã. Diana não estava mais na cama. Já tinha ido tirar as fotos do entrevistado da próxima edição. Luis nunca se sentiu tão sozinho e fraco. Desprotegido. Foi à sala e tomou uma dose de uísque. Depois tomou banho e também foi trabalhar. Mas nem mesmo as desgastantes reuniões de fechamento de pauta foram capazes de tirar aqueles momentos assombrosos de sua mente.
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