Wanted
7 Capítulo 6
Notas iniciais
No próximo capítulo eu faço as dedicatórias, mas saibam que este é dedicado a todos vocês que comentaram no anterior.
Beijoos
Boa leitura ::
Lucy’s POV
Eu estava paralisada, congelada em uma mesma posição. Queria fugir, sair correndo para bem longe daquele pesadelo materializado, mas meus pés pareciam fundidos ao cimento da calçada, mantendo-me ali, frente ao homem que foi capaz de destroçar meu coração em pequenos pedacinhos. Tentei puxar o ar de volta para meus pulmões, mas até respirar estava se tornando difícil. Eu estava, aos poucos, desabando novamente e, de alguma forma, amedrontada; queria, mais do que tudo, que Natsu estivesse ali.
– O que faz aqui?! – Tentei parecer firme e soar fria, o que, felizmente, consegui com êxito. Ele ergueu uma sobrancelha, aparentando estar surpreso, sorrindo de canto e dando um passo em minha direção. Recuei, sentindo-me encurralada ao trombar com um banco atrás de mim. Engoli a seco, o coração acelerando consideravelmente; eu tremia e minhas mãos suavam terrivelmente.
– Eu vim... Conversar. – Respondeu, simplesmente, dando e ombros e aproximando-se um pouco mais. Não havia jeito, nem lugar para escapar, eu precisaria encará-lo com o resto de orgulho e força que restava dentro de mim. – Temos assuntos inacabados. – Completou, acariciando meu rosto.
– Se bem me recordo, nós resolvemos tudo que estava pendente. – Retruquei, afastando sua mão com um tapa, o maxilar trincado, fitando-o com todo o ódio dentro de meu peito. Após alguns minutos de silêncio, enquanto apenas compartilhávamos olhares, me manifestei mais uma vez. – É só isso?! Já pode ir embora, então. – Empurrei-o com força, conseguindo separar-me dele. No entanto, Sting segurou meu pulso, puxando-me para perto novamente. Arfei, sentindo minhas pernas bambearem. Aquele maldito ainda tinha influência sobre mim.
– Lucy, por favor, me ouça. – Ele sussurrou ao pé de meu ouvido, enlaçando minha cintura e beijando a pele exposta de meu pescoço. Suspirei, mordendo o lábio inferior para conter as lágrimas que teimavam em querer escapar. O aperto em meu peito se intensificava, enquanto meu coração batia descompassadamente, implorando-me para ficar e perdoá-lo, entrando em uma árdua batalha contra meu cérebro, que me dizia para correr e esconder-me, bem longe dali. E então eu chorei.
– Me deixe em paz, por favor. – Pedi, baixinho, controlando os soluços sôfregos que tentavam sair. Soltei-me dele bruscamente, dando passos trôpegos para trás, respirando com dificuldade, não tendo coragem de erguer os olhos e encará-lo. Minha cabeça doía, tudo ao redor parecia girar loucamente.
– Lucy, me escuta, por favor. Eu amo você e te quero de volta. – Disse, tentando abraçar-me, mas eu me desvencilhei, fitando-o com os olhos arregalados, o cenho franzido em confusão.
– Me ama?! Me quer de volta?! Qual o seu problema, Sting?! – Eu já berrava, chorando compulsivamente. Ergui os braços, exasperada, não conseguindo formular mais nenhuma frase compreensível. – Você não pareceu pensar nisso quando fodeu com Minerva. Quer saber de uma coisa?! – Comentei, amargurada, as lembranças assolando-me de vez, como uma bomba-relógio que acabara de explodir dentro de mim. Ninguém me pararia naquele momento. – Você é um completo panaca, idiota e babaca. Eu realmente me arrependo de ter ousado falar com você. E quer saber de algo mais?! Você não é bom de cama, Eucliffe. Só serve mesmo para comer vadias como Minerva. – Enxuguei as lágrimas de meu rosto, rindo sem humor. Ele me fitava, surpreso e indignado. – Passar bem, broxa.
Virei às costas e caminhei calmamente para algum lugar. Quando percebi que já estava longe da vista dele, comecei a correr sem rumo, voltando a chorar. Meu coração se despedaçava aos poucos, a conversa de antes se repetia em minha mente, incessante, torturando-me cada vez mais. Após longos minutos, vi frente à porta de um bar. Eu tremia de frio, meu corpo implorava por descanso, minhas pernas pareciam berrar de dor, e, ignorando todos os avisos do meu cérebro, eu estava dominada por uma vontade absurda de afogar minhas mágoas em puro álcool.
Respirando fundo, empurrei as portas de madeira, meus sentidos captando o cheiro forte de álcool, tabaco e sexo. As vozes altas, retumbantes e estridentes invadiram meus ouvidos e eu precisei conter um gemido de desgosto com tanto barulho. Mas, dando de ombros, tentando não me importar, adentrei o local, recebendo uma mistura de olhares curiosos e maliciosos. Consegui ouvir algumas cantadas baratas enquanto me dirigia ao bar, sentindo o barman fitar-me com um interesse exagerado.
– Boa noite. – Falou, a voz grossa sobressaindo-se ao barulho. – O que uma garota linda e delicada como você faz em um lugar assim na véspera de Natal?! – Arqueei a sobrancelha para a cantada barata, revirando os olhos.
– Apenas me dê um copo de vodka, ou o que você tiver de mais forte por aí. – Resmunguei, bufando impaciente. Ele riu, dando de ombros, sumindo por entre algumas prateleiras e voltando com um copo contendo um líquido de cor caramelo. Entregou-me e eu virei o conteúdo goela abaixo, segurando-me ao máximo para não tossir tudo e fazer uma careta. – Tem saquê?! – Perguntei e o barman assentiu, pegando uma garrafa debaixo do balcão e colocando-a a minha frente. Virei o líquido diretamente do gargalo, sentindo-o arder pela minha traqueia, queimar meu íntimo. Eu já era capaz de ver tudo girando.
– Afogando as mágoas?! – Uma voz ao meu lado se manifestou, atraindo minha atenção. Dei de ombros, fitando o garoto de cabelos dourados e olhos violeta que sorria de forma simpática, mas, ao mesmo tempo, maliciosa para mim.
– Isso é do seu interesse em qual parte?! – Retruquei, sem demonstrar nenhuma emoção. Ele gargalhou, jogando a cabeça para trás e eu não pude deixar de reparar o quanto aquele rapaz era lindo.
– Uau, além de linda é curta e grossa?! – Disse, sorrindo abertamente e, aproximando-se de meu ouvido, sussurrou lenta e sensualmente. – Gostei.
– O que quer?! – Perguntei, tentando soar entediada, mas minhas mãos suavam em gotas.
– Apenas uma boa noite ao lado de uma bela dama.
– Se quer me levar para cama, pode ir tirando o cavalinho da chuva. – Ele riu novamente, balançando a cabeça, parecendo incrédulo.
– Que péssima primeira impressão você teve de mim... A propósito, sou Hikaru. – O sorriso canalha em seu rosto me remetia a apenas uma coisa: confusão.
– Lucy. – Falei, simplesmente, desviando de seu olhar incisivo sobre mim. Tomei mais do saquê contido na garrafa sentindo, aos poucos, minha sanidade se esvair. Mais alguns goles e eu estaria fora de mim. – Não adianta mentir, isso é tudo que os homens querem. Levam você para cama e te largam como se você não significasse absolutamente nada.
– Não seja tão amargurada, Lucy, venha dançar um pouco. – Olhei-o com as sobrancelhas arqueadas, mas dei de ombros, virando toda a garrafa em um único gole, sabendo que, em questão de minutos, eu estaria completamente bêbada. Peguei a mão que ele estendia, deixando-me ser levada para a pista de dança, tropeçando em minhas próprias pernas. Ele puxou-me com certa força contra si, começando a mover nossos corpos no ritmo da música, a qual eu não reconhecia. Pedi um copo de vodka a um garçom que passava, entornando o líquido transparente quando o mesmo chegou a mim.
Hikaru começou a distribuir beijos pelo meu pescoço, alcançando o lóbulo de minha orelha e puxando-o por entre os dentes, enquanto eu apenas permanecia inerte em seus braços, como uma boneca, permitindo-o agir como quisesse. Logo meus lábios foram tomados pelos dele em um beijo voluptuoso e com gosto de álcool e cigarro. Retribuí, jogando tudo para o alto e não ligando para o que poderia acontecer a partir dali.
– Vamos para um lugar mais reservado. – Sussurrou quando nos separamos, descendo uma de suas mãos até minha bunda e apertando-a.
– Sim. – Respondi, dando de ombros.
– Minha casa?! – Ele sorriu da forma mais suja que eu já havia visto.
– Tanto faz.
Deixei-o puxar-me pelas mãos pelas ruas de Magnólia. Eu não sabia para onde estava sendo levada, muito menos o que aconteceria comigo, mas estava pouco me importando. Meu coração estava em frangalhos, e minha alma já estava corrompida e destroçada. Nada mais importava.
Notas finais
Amo vocês, meus bolinhos de arroz
Mil beijos.
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