Wanna Play?
27 Always and Forever
Notas iniciais
“O tempo fica parado
Há beleza em tudo que ela é
Terei coragem
Não deixarei nada levar embora
O que está na minha frente
Cada suspiro
Cada momento trouxe a isso
Um passo mais perto”
A Thousand Years – Christina Perri
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Era difícil acreditar como os dias haviam corrido naquela semana. Finalmente, o domingo havia chegado e, a favor de todas as expectativas, o sol brilhava forte lá fora. Todos os preparativos tinham sido feitos com antecedência; Laurel e Donna haviam dormido na mansão Queen para que nada escapasse aos olhos delas, e agora, naquela manhã ensolarada, tudo parecia perfeito.
Simplesmente perfeito.
− Sabe que se quiser desistir da carreira de promotora para se tornar organizadora de festas, vou te apoiar, não sabe? – Eric abraçou a namorada pela cintura, distribuindo beijinhos em seu pescoço. A risada de Laurel preencheu o ambiente, enquanto ela terminava de organizar como os petiscos seriam servidos na mesa.
− Isso faz de você o quê? – Laurel virou-se de frente para Eric e enlaçou seu pescoço. Era incrível como naquele período, haviam se aproximado ainda mais. Todas as barreiras de desconfiança tinham sido quebradas e fizeram com que dessem o próximo passo: morar juntos. Mas como o apartamento de Laurel havia ficado pequeno demais para isso, alugaram um maior com dois quartos, pois Sin morava com eles. Pelo menos até os resultados das faculdades saírem.
− O barman mais gato das festas! – O jeito divertido com o qual ele falava, trazia a Laurel uma sensação de leveza. Meses atrás, se um garçom passasse ao seu lado com taças de champanhes e bebidas refinadas, sentiria a própria boca secar. Ao invés disso, apenas ordenou que as bebidas permanecessem no local indicado até o momento de serem servidas. – Está tudo bem mesmo?
− Dez meses e vinte e dois dias. – Laurel abriu um sorriso orgulhoso, sustentando a moeda entre os dedos.
Eric acenou com a cabeça, igualmente orgulhoso dela.
− Acredito que chegará o dia em que não precisará mais disso para se lembrar quanto tempo faz.
Laurel queria acreditar nisso também, mas ela sabia que existiam momentos de fraqueza em sua vida nos quais queria se entregar completamente ao álcool. Se não fosse por Sin, provavelmente teria afundado nisso.
− A sua irmã está surtando lá dentro, Laurel. – A própria Sin aproximou-se, uma das mãos sobre a cintura enquanto o vestido lilás e rodado que usava voava ao sabor do vento—a roupa de dama de honra.
− O que houve dessa vez? – perguntou. Da última vez, os brincos não combinavam com o vestido. Então, as alianças haviam desaparecido (agora estavam guardadas com Oliver), e por fim seu penteado não parecia ideal. Ou seja, ela estava surtando.
− Algo sobre as sandálias ou grampos de cabelo. Eu não entendi muito bem. – E não havia mesmo entendido. Sara estava afoita, aflita e desesperada. Podia muito bem ser algo sobre sua maquiagem também, não tinha certeza.
Laurel olhou ao redor, como se inspecionasse tudo para ter a certeza de que nenhum detalhe estava lhe escapando. Sem que notasse, Thea apareceu ao seu lado, sutil como um ninja e tomou a prancheta de suas mãos.
− Você não ouviu Sin? Sua irmã precisa de você. E precisamos que as noivas estejam prontas a tempo. – Thea deu um risinho. – Deixe que eu cuido de tudo por aqui, você já fez a maior parte do trabalho.
Laurel concordou com a cabeça e afastou-se de Eric.
− Minha heroína. – disse ele. – Vá e salve esse casamento de ser um grande fiasco sem uma das noivas.
Laurel ergueu um dos punhos para o alto, fingindo voar como uma super-heroína faria. Mas é claro que jamais usaria um vestido longo dourado e sandálias com salto agulha para fazê-lo.
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“Até parece que você já tinha
O meu manual de instruções
Porque você decifra os meus sonhos
Porque você sabe o que eu gosto
E porque quando você me abraça
O mundo gira devagar”
Equalize — Pitty
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Sara parecia prestes a arrancar os cabelos quando Nyssa entrou no quarto que praticamente havia virado um camarim. Ela não estava vestida, sua maquiagem não estava feita e seu cabelo estava uma bagunça maior que a última batalha que haviam participado juntas. E ela andava de um lado para o outro prestes a abrir um buraco no chão enquanto fazia isso.
Nyssa cruzou os braços diante da porta, observando com um sorriso divertido enquanto ela tentava escolher entre aquarelas de maquiagens uma cor que fosse ideal. A assassina tinha quase certeza que havia uma equipe especializada para isso, mas não encontrou ninguém em lugar nenhum.
− Dificuldades técnicas, minha doce Canário? – A voz de Nyssa sobressaltou Sara de tal forma que armou-se com a primeira coisa que encontrou: uma pinça para tirar a sobrancelha. – Acho que nem mesmo meu finado pai conseguiria matar alguém com isso.
Sara se permitiu soltar o ar pelos lábios ao ver a ex-namorada e desabou na cadeira, vestindo nada além de um corpete que estava frouxo em seu corpo porque não aguentava aquilo lhe apertando.
Nyssa aproximou-se dela até ficar diante de Sara, que ergueu os olhos para encará-la.
− Me diga qual é o problema, Sara. – Nyssa não fez rodeios. – Não era exatamente o que você queria esse casamento? Não foi o que me disse quando saiu de Nanda Parbat e eu a liberei da Liga?
− Eu não tenho dúvidas sobre o que quero, Nyssa. – Sara desviou um pouco o olhar. Havia algo de diferente em Nyssa. Uma espécie de leveza que ela não possuía antes sob a mão de ferro do pai. Ela era livre agora. – De certa forma, no início, não queria toda essa atenção. Temos até cobertura de TV lá fora, pelo amor de Deus!
− Mas...? – Nyssa encorajou-a a falar, pois sempre havia um mas.
− Mas me vi gostando de tudo. – confessou. – Da atenção exagerada, dos detalhes da festa, até mesmo das fontes de gelo! Mas... mas e se eu não for o bastante para isso tudo?
Nyssa arqueou uma das sobrancelhas enquanto a observava.
− Acha que Felicity pensaria isso? Porque se pensar, posso ter uma lâmina ou duas que resolveriam muito bem essa situação.
− Não! – Sara espantou-se, pois Nyssa não possuía muito filtro quando o assunto era ela. – Não acho que Fel... não acho que ela pensaria assim. Eu só quero que seja perfeito.
Nyssa abriu um sorriso de canto e estendeu uma das mãos para tocar-lhe o rosto. Não havia desejo em seu olhar, embora Sara ainda detectasse traços de um amor incondicional. Mas era como se fosse diferente agora. Como se aos poucos, Nyssa começasse a superar aquilo e se permitisse novamente. Viver. Algo que ela nunca havia feito até então.
− Não se preocupe com isso ou com o que as pessoas acharão. O que vai importar, no momento em que estiverem diante uma da outra, é o que sente por ela. E o que seu coração quer dizer. – Seus dedos passearam pelos cabelos de Sara, colocando uma mecha impertinente atrás da orelha. Sara deitou o rosto sobre a palma de Nyssa, apreciando o toque familiar. – Não importa se você estiver enrolada em papel higiênico ou com um vestido tecido em ouro líquido. O que vai importar é o seu olhar para ela e a certeza de que aquilo é o que você quer.
Sara não soube dizer quando Nyssa havia amadurecido daquela forma para o amor, mas sentia-se feliz por ela.
− Mas de preferência, faremos você estar apresentável para esse momento, irmãzinha. – Nyssa e Sara lançaram um olhar para a porta do quarto onde Laurel assistia a tudo com uma expressão sisuda no rosto que aos poucos deu lugar para um sorriso divertido. – Será que vai parar de surtar com todas as maquiadoras e permitir que a ajudemos?
Nyssa afastou-se, observando a bagunça que Sara era. A loira a encarou como se uma pergunta tivesse ficado presa entre elas, uma espécie de verdade que precisava saber.
“Você está bem?”, seu olhar perguntava.
“Se você está feliz, eu também estou. Vou me curar.”
Anos de treinamento e aproximação permitiam que as duas se compreendessem daquela forma. Nyssa afagou seus cabelos uma última vez.
− Ela vai permitir. – respondeu por ela. – Ou teremos que submetê-la a algumas sessões de tortura.
Laurel deu uma risada e aproximou-se de Nyssa ficando ao seu lado. De repente, Sara achou as duas assustadoras demais.
− Conto com você para isso, Nyssa. – Esfregou as mãos uma na outra. Nyssa abriu um sorriso maldoso que Sara conhecia muito bem.
− Então, mãos à obra.
Mas de repente, todo o peso havia desaparecido do peito de Sara e deu lugar àquela sensação de leveza de ter duas das pessoas que mais amava ao seu lado.
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“Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito”
Velha Infância – Tribalistas
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− Está perfeita, querida. – Donna murmurou ao encarar a filha diante do espelho. O penteado emoldurava os cachos em um coque alto que deixavam o rosto fino de Felicity ainda mais belo. A maquiagem era leve, contrastando com os lábios pintados de vermelho e o vestido de mesma cor. Os olhos grandes e azuis eram ressaltados pelo rímel e o lápis de olho. Donna apertou de leve os lábios desnudos da filha, a emoção derramando-se pelo rosto na forma de lágrimas.
− Mamãe, não chore! – Felicity pediu, pois emotiva como era, choraria também.
− A minha menininha se casando! – Donna não conseguia segurar a emoção e a abraçou fortemente. Felicity nada podia fazer além de retribuir. – Nunca senti tanto orgulho! Nem mesmo quando você hackeou aquele... aquela...
− Shh... – Felicity olhou para os lados como se temesse que alguém do governo aparecesse a qualquer momento, mas então sorriu afastando-se da mãe para olhá-la. – É real, mamãe. Vou me casar com Sara.
As palavras eram mais para si mesma do que para a mãe e Donna percebeu isso, acenando positivamente com a cabeça para a filha e segurando as suas mãos entre as suas.
− Preciso dar uma olhada nos últimos preparativos. Ouvi dizer que Laurel e Nyssa estão ajudando Sara. Você precisa de alguma coisa, querida?
Felicity ficou pensativa. Não havia dormido muito naquela noite, mas imaginava que Sara também não, pois a sentira inquieta.
− Não, mamãe. Já tenho tudo o que preciso.
Donna apertou seu ombro uma última vez, encarando-a através do reflexo no espelho.
− Tenho muito orgulho de você, meu raio de felicidade. – Donna espantou as lágrimas do canto dos olhos para não manchar a própria maquiagem. – Nunca se esqueça disso.
Felicity estendeu uma das mãos e apertou a da mãe sobre seu ombro.
− Nunca.
Donna acenou com a cabeça e dirigiu-se para fora do quarto. Felicity sabia que até o momento do casamento, teria que retocar a maquiagem mais um ou duas vezes, mas as maquiadoras haviam insistido em começar cedo para que tivessem uma boa janela de tempo quando as noivas fossem chamadas.
Noivas.
Ela mal podia acreditar que naquele dia se casaria com Sara. Que quase um ano atrás, eram apenas companheiras do Team Arrow que combatiam juntas o crime. E quanta coisa haviam enfrentado desde então! Cada dia parecia uma provação diferente.
− Trouxe sua água, senhorita. – A voz masculina chamou a atenção de Felicity.
− Mas eu não... – Sua voz morreu conforme virou-se naquela direção. Aquilo só podia ser brincadeira.
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“Me encontre, aqui em seus braços
Agora eu estou perguntando onde você sempre esteve
Cegamente, eu vim a você
Sabendo que você sopraria uma nova vida pra dentro de mim”
Find me – Boyce Avenue
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Oliver circulava pela festa como um segurança. As pessoas começavam a chegar e ele agia como um bom anfitrião, posicionando-as no lugar certo conforme Thea havia ordenado que fizesse, pois aparentemente não tinham pessoas o suficiente para isso mesmo que um pelotão – de inúteis, Thea garantira – tivesse sido contratado para tal. Ele preferia ter pego sua roupa de Arqueiro de volta para combater o crime na cidade do que participar da organização de uma festa daquelas, mas era de suas melhores amigas que estava falando. Então fazia um esforço.
Seus olhos peregrinaram por todo o local, garantindo que tudo estava perfeito até que notou o comichão que lhe incomodava. Afastou-se para a região mais arbórea, garantindo que ninguém havia lhe visto e então olhou para Malcolm Merlin, vestido com um terno de corte tão elegante quanto o seu. O magnata e assassino aproximou-se de Oliver e sem pudor algum, desfez o nó de sua gravata, passando a ajeitá-lo.
− Anos de evento de gala e festas elegantes e não aprendeu a dar o nó na própria gravata, Sr. Queen? – questionou, como se o fato de sua morte espalhar-se aos quatro ventos jamais tivesse acontecido. Oliver, no entanto, não parecia surpreso com sua aparição.
− Não me lembro de ter enviado convites para o Além. – Oliver disparou, erguendo o queixo para que Malcolm apertasse o nó da gravata.
− Deve ter extraviado, mas não se preocupe. – Malcolm retirou do bolso do paletó um convite creme com letras douradas garantido que havia sido convidado. – Eu consegui meu próprio convite.
O Mago. Oliver jamais se esqueceria daquele apelido. E do quanto ele era perigoso.
− O que quer? – perguntou de uma vez. – Não acha que já magoou demais minha irmã para retornar para sua vida agora?
− Ela já sabe que estou vivo.
Aquela informação também não surpreendeu Oliver. Ele permaneceu em silêncio, o olhar sério enquanto analisava Malcolm Merlin. Ele nunca fazia nada de graça. Nem mesmo um nó de gravata.
− Fiquei sabendo que você e Nyssa estão reestruturando a Liga. – disparou. – Agora que R’as Al Ghul está morto, gostaria de saber se existe alguma chance para que eu regresse.
− Não somos mais os assassinos que você conheceu. Eu sou R’as Al Ghul e Nyssa também o é. – Oliver rebateu. – Porque depois de nos livrarmos de Er-Notur iriamos querer outra cobra traiçoeira ao nosso lado?
Malcolm sorriu de canto, nem um pouco ofendido com as palavras de Oliver.
− Ouvi dizer isso também, o que significa que seus homens também não são os mais confiáveis do mundo. – Oliver estreitou os olhos diante do sarcasmo de Malcolm. – Estou aqui para oferecer meus serviços que, como você sabe, são muito diversificados. E para pedir exílio. Não é isso que estão oferecendo a todos que necessitam?
Oliver trincou um pouco os dentes diante daquela informação. Não sabia como Malcolm tivera acesso a isso tudo, e isso o tornava ainda mais perigoso.
− O que quer realmente? – Oliver tornou a perguntar.
Malcolm deixou que o ar escapasse pelos lábios e seus olhos recaíram sobre Thea que, com a ajuda de Sin, terminava de organizar as últimas pessoas que haviam chegado no casamento.
− Quero ter um propósito na vida. – disse ele. – Quero que Thea veja que mudei. Mas estou morto para o mundo todo e é melhor que continue assim. Malcolm Merlin.... ele foi um homem que errou muito na vida, que perdeu a esposa e o próprio filho para a pessoa horrível que era, e que não quer errar com a única família que restou.
“Sei que posso fazer a diferença na sua brincadeirinha, Oliver, porque sei como reger negócios. E sei que o pessoal da ARGUS fará de tudo para distorcer o acordo que vocês possuem. Mas não importa que eu tenha sido declarado morto, ainda tenho contatos em todo lugar. E posso fazer com que os negócios que vocês querem fazer se expandam. Sei que não são mais assassinos como antes, apenas quando preciso, e posso fazer o trabalho sujo também. Não estou pedindo a você que me dê uma posição de prestígio e nem estou pedindo para ser R’as Al Ghul no seu lugar. Mas apenas que me dê uma chance para mostrar que mudei por Thea. Porque todo esse poder não me interessa mais. Apenas a felicidade dela. E sei que você é uma parte importante disso.”
Oliver escutou o que Malcolm tinha a dizer em silêncio, os braços cruzados na frente do peito.
− Acredito que eu e minha esposa tenhamos que discutir a respeito disso. Vai ficar para a festa?
Malcolm abriu um sorriso de canto, colocando uma cartola na cabeça e uma máscara de veneziana pintada em preto e branco, enquanto o convite desaparecia entre seus dedos.
− Toda festa que se preze precisa de um mágico, não é? – A gargalhada dele ecoou, enquanto se dirigia para o interior da festa.
Oliver não queria saber o destino que o mágico contratado havia levado. Talvez fosse melhor assim.
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“Olhe bem no fundo dos meus olhos
E sinta a emoção que nascerá quando você me olhar
O universo conspira a nosso favor
A consequência do destino é o amor
Pra sempre vou te amar”
Janeiro a Janeiro – Nando Reis e Roberta Campos
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− O que você está fazendo aqui? – Felicity disparou.
Meses sem notícia alguma, mergulhando na deep web na esperança de ter algum recado, algum pedido de desculpas, qualquer coisa que justificasse sua partida. Mas nada. Felicity havia sido abandonada por seu pai novamente com uma mão na frente e a outra atrás. E após a morte de Roy, aquele havia sido um dos maiores motivos para sua tristeza.
− Vim para te ver. – ele respondeu, tirando o disfarce que havia utilizado para entrar ali. – Vim para o seu casamento, Fel.
− Não me chame assim. – A voz de Felicity estava carregada de desprezo. – Saia daqui antes que eu chame a polícia.
− Pode pelo menos me ouvir? – implorou Noah, aproximando-se da filha.
Felicity não queria ouvi-lo. Não queria saber dos motivos que haviam levado o pai a abandoná-la novamente.
− E o que quer dizer para estragar o meu dia perfeito? – Ela rebateu. – Que sente muito por ter partido, mas que agora vai estar aqui por mim? Que quer que eu esqueça tudo para que sejamos a família perfeita que nunca fomos, papai? Você foi embora! Foi embora sem me dar nenhuma satisfação. Por que eu deveria te ouvir?
Noah sabia que a personalidade da filha era difícil de lidar. Felicity não era o tipo de pessoa que guardava rancor, mas quantas vezes Noah a havia ferido para que chegassem a esse ponto? Ele tinha certeza de que também não se perdoaria se fosse ela. Mesmo assim, precisava insistir. E precisava de uma brecha antes que ela a colocasse para fora da festa.
− Por favor. – Deu mais um passo adiante e Felicity se colocou de pé. O vestido vermelho que ela vestia destacava cada curva de seu corpo. O tecido longo e leve esvoaçou quando ela deu três passos adiante até ficar de frente para o pai. Havia um corte lateral na perna esquerda que permitia melhor movimentação e Felicity estava uma cabeça mais alta que o pai por conta do salto agulha que usava. O coque alto em sua cabeça havia afrouxado um pouco, deixando que fios loiros caíssem sobre seu rosto brevemente. Os cabelos de Noah eram negros no passado. Como os da filha antes que começasse a pintá-los para se parecer mais com a mãe. – Está linda, querida.
− Três minutos. – Felicity disse, erguendo três dedos da mão direita para ele. – É o tempo que tem antes que eu chame alguém aqui.
Teria que bastar.
− Quando voltei para Star City, vi o quanto a cidade estava decadente e, sinceramente, não me importava com isso. – Noah disse. – Mas eu voltei porque sabia que você estava na cidade e que ajudava vigilantes a combaterem o crime através das redes. E soube que minha filhinha era genial.
“Eu sempre soube, Fel. Acompanhei cada aspecto da sua vida, cada vitória e cada prêmio. Eu nunca pude me aproximar demais, porque R’as Al Ghul me ameaçava. E sei que foi errado ter te envolvido nisso ao ponto de você causar a morte dele, mas... eu não podia fazer isso. E precisava saber até onde você era capaz de ir por quem amava. Descobri que muito além do que eu estava disposto. Decidi que naquele momento, a testaria para que te desse todo o meu legado, o meu conhecimento, tudo. Pois eu sabia de Scorpia e que ela planejava algo grande. E que se você não estivesse preparada, não poderia enfrenta-la, porque ela jogava baixo demais. Decidi te testar até o limite e você se provou uma hacker tão boa... uma mulher incrível. E eu perdi isso tudo, entende? Perdi o seu crescimento, não pude estar por perto quando precisou de mim. Então, sabendo de tudo que Scorpia pretendia fazer, pedi para Eric que instalasse o pen-drive em seu computador. Havia softwares atualizados que não permitiriam que ninguém atacasse seus arquivos novamente. Era isso o que estava contido lá. Mas a consciência de Eric fez com que contasse toda a verdade a vocês e mais uma vez me vi num impasse, exceto que pude escolher ajudá-la. Mas quando tudo aquilo acabou e vi sua felicidade... quando vi o quanto aquela mulher, Sara, a fazia feliz e tudo o que fazia por você, achei que não havia espaço para mim. E fiz o que você me pediu, Felicity. Eu me entreguei à lei.”
Felicity ficou emudecida por um tempo. Estava prestes a explodir com ele diante de tudo, mas aquelas palavras...
− Como posso saber que esse não é mais um jogo da sua rede de mentiras? – questionou, ainda arisca e desconfiada sobre isso.
− A ARGUS me recrutou. – disse ele. – Por conta dos meus conhecimentos, de tudo o que sei fazer. Para impedir cyber-ataques de terroristas e coisas piores. Em troca da minha liberdade. Mas estou impedido de usar meus conhecimentos em outro lugar que não seja para eles. Pelo resto de minha vida, terei que trabalhar como um cão do governo. A única coisa que pedi em troca, foi para que selassem todos os registros que possuíam de você. E que me permitissem estar presente no dia de seu casamento. Mas não pude entrar em contato antes disso. Eles me monitoram. E estão lá fora me aguardando.
Felicity engoliu em seco. Queria checar para ver se o pai dizia a verdade, mas ao mesmo tempo... ao mesmo tempo queria acreditar nele. Quebraria seu coração outra vez?
− Oliver vai entrar comigo. – Felicity anunciou. – Ele vai me levar até o altar.
Qualquer coisa, qualquer reação. Ela queria vê-lo sofrer mesmo que isso não fosse certo. E os olhos claros de Noah, tão parecidos com os seus, mergulharam no negrume das pupilas.
− Não me sinto no direito de te pedir isso depois de tudo o que fiz, mas muito me alegraria fazê-lo. – Noah suspirou e estendeu a mão para tocar o rosto da filha, parando-a no meio do caminho como se temesse fazê-lo.
Felicity encarou aquilo como um ato de boa fé e deu um passo a mais na direção do pai. Permitiu que ele lhe tocasse. Noah era só emoção diante daquilo.
− Me prove que mudou. Me prove que é outra pessoa. E permitirei que faça parte da minha vida.
Noah não soube o que dizer sobre isso. Mas Felicity, sabendo o que queria durante toda sua vida, apenas abraçou o pai.
Aquilo não era um perdão absoluto, mas um começo. Um recomeço para os dois.
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“Você é a força
Que me faz andar
Você é a esperança
Que me faz confiar
Você é a vida
Para minha alma
Você é meu propósito
Você é tudo”
Everything – Lifehouse
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Sin bateu de leve com os nós dos dedos na porta que dava acesso para o quarto de Sara. O furacão Canário havia passado e ela finalmente havia se acalmado, permitindo que maquiadoras e figurinistas a ajudassem a se vestir.
− Pode entrar. – Sara anunciou e Sin não fez cerimônia. Os olhos da garota se encheram diante da imagem maravilhosa que vira.
− Uau. A Felicity vai pirar. – Sin soltou.
Sara estava estonteante. Os cabelos estavam soltos, mas os cachos estavam bem formados ao redor do rosto. Seu vestido era prata, brilhante e longo. As sandálias de salto alto de mesma cor pareciam reluzir o brilho dela com uma leve maquiagem feita por toda a pele. No rosto, a sombra leve e prateada sobre os olhos, o batom de uma tonalidade um pouco mais clara e os olhos delineados traziam para ela um ar de mulher madura e sedutora que costumava ficar oculto por baixo da máscara de Canário Negro. As alças do vestido eram finas e um par de luvas presos apenas nos dedos médios seguia até os cotovelos. Ela estava simplesmente maravilhosa.
− Estou tão incrível assim? – Soltou um riso baixo que evidenciava seu nervosismo. Mas a garota escolhida como dama de honra acenou vigorosamente com a cabeça.
− Confesso que nunca imaginei essa versão menininha de Sara Lance. – Acompanhou sua risada.
− Ei! Eu costumava ir a muitas festas quando tinha sua idade, sabia?
Aquele clima leve e descontraído era exatamente do que precisava naquele momento.
− Já está na hora. – Sin murmurou.
Sara notou que ainda havia certa tristeza no ar, aquele olhar saudoso de quem queria que Roy estivesse presente. E aproximou-se, abraçando-a. Sin fez um imenso esforço para não chorar no lugar mais seguro do mundo para ela.
− Sinto falta dele, Sara. – Sua voz ficou abafada enquanto escondia-se no peito da heroína.
− Sei que sim. – Não havia mais o que dizer. Era difícil, entretanto precisavam seguir em frente. – Eu também.
Concordou fracamente com a cabeça. Foi quando Laurel adentrou o recinto, as sobrancelhas arqueadas e um sorriso no rosto.
− Já contou a ela, Sin?
Sara fez cara de quem não sabia de nada, e foi então que a garota afastou-se para encará-la.
− Consegui uma bolsa na NYU. – Um sorriso tímido ponteou seu rosto. – Direito.
− Uau. Quem está estonteante agora?! – Sara deu um gritinho de felicidade e a abraçou. Foi naquele momento que viu que Eric estava ao lado da irmã.
− Nós... nós também temos uma novidade para te contar, Sin.
Sara, que havia sido uma testemunha no caso, mal cabia de felicidade em si mesma. Acenou positivamente com a irmã, como que a incentivando.
− Sei que não pedimos autorização para isso, mas eu e Eric viemos conversando nos últimos dias... e Sara também. – Havia ensaiado aquela conversa tantas vezes com Eric! Mas agora parecia difícil demais.
− Nós entramos com um pedido, Sin. Uma liminar na Justiça. – Eric prosseguiu. – E, visto que você não tinha ninguém e as faculdades exigiam saber quem era seu responsável legal...
− Eu, Eric, Laurel e Felicity pedimos sua guarda, pequenina. – Sara não suportou as voltas que eles davam. – Laurel e Eric são seus responsáveis imediatos. Eu e Felicity estamos como resguardo.
A boca de Sin abriu, mas nenhum som saiu dela. Havia uma expectativa muito grande, ela notou, mas simplesmente não sabia o que dizer. No momento anterior, quase chorava a morte de Roy nos braços daquela que primeiro lhe acolhera, sem ter ninguém. Agora, tinha quatro pais?
− T-todos vocês? – gaguejou.
Sara olhou para Eric e Laurel e os três se aproximaram para envolver Sin em um abraço grupal.
− Todos nós, Sin, — Laurel riu. – para enchermos o seu saco a respeito de horários mesmo quando estiver longe!
Sin não sabia o que dizer, mas sentia o coração explodir de felicidade. E permitiu que ela escorresse através dos seus olhos mesmo que isso significasse ter que refazer a maquiagem outra vez.
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“Você é o som da redenção
A fé que perdi
As respostas que estou procurando , não importa o custo
Você abriu a janela
Agora eu posso ver
E você me ensinou o perdão ao dar o seu amor de volta pra mim”
All That You Are – Goo Goo Dolls
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Finalmente, o momento havia chegado. Sara mal podia acreditar quando escutou a orquestra que Ray contratara começando a tocar. Os instrumentos harmonizavam entre si, mas tudo o que Sara conseguia sentir era o mundo girando ao seu redor até que Quentin agarrou seu braço. E aquele era todo o porto seguro que ela possuía naquele momento.
− Estou orgulhoso de você, minha garotinha. – Quentin murmurou, os braços entrelaçados aos dela enquanto distribuíam sorrisos e seguiam pelo tapete vermelho. As pessoas, antes sentadas, começaram a erguer-se para observá-los. Nyssa estava do seu lado do altar montado, sustentando um olhar que poderia ser orgulho e satisfação. Aquilo lhe deu um pouco de forças.
− Por me casar antes de Laurel? – Sua voz era baixa, com um tom de humor e nervosismo. As pernas pareciam feitas de geleia e Quentin apertou mais seu braço enquanto seguiam em frente.
− Por estar perseguindo sua felicidade. – disse ele. – Acho que nunca falei para você o quanto me senti feliz por ter voltado. Por estar viva e aqui, conosco.
Sara tinha quase certeza de que o pai havia expressado isso de 1001 maneiras diferentes, mas ouvi-lo falar trazia uma sensação de alegria imensurável. Os dois pararam diante do altar, os olhos de Sara brilhando como as duas safiras que brilhavam em seus brincos. Sua mãe estava ali também, embora Sara não a esperasse. A nova família vinha a tira colo, mas apesar disso, sentia-se feliz. Quentin acenou com a cabeça para a ex-esposa e então olhou para o cerimonialista que era um velhinho muito simpático, muito pra frente, que cumprimentou-o.
− Também tenho orgulho de você, papai. Por tudo o que me ensinou a ser. Por toda a sua força de seguir em frente apesar de tudo. – Sara o abraçou e Quentin retribuiu o abraço. – Amo você.
Ele não refreou as lágrimas diante daquela declaração.
− Amo você também.
Sara, a primeira a chegar no altar, aguardou. Sentia todos os nervos à flor da pele diante da expectativa de ver Felicity ali ao seu lado. Seus pés nem doíam mais apesar do salto incômodo. Só conseguia pensar no quanto ela estaria bela e no quanto estava plena de alegria. Ansiosa pelo momento em que trocariam os votos.
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“Quando te vi, todos souberam
Que gostei do efeito que causou em meus olhos
Mas ninguém ouviu o peso de suas palavras
Ou sentiu os efeitos que elas causaram em minha mente”
Tee Shirt – Birdy
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Felicity sentia como se borboletas dançassem no seu estômago quando Oliver veio chama-la, já que Sin havia ficado responsável por Sara. Para ser sincera, ela queria estar lá quando Sara contasse a respeito da guarda compartilhada, pois mesmo não sendo tão próxima da garota quanto as irmãs Lance, também havia se afeiçoado a ela, além do fato de ser a melhor amiga de Roy.
E tomara para si a promessa de Sara de também cuidar dela.
− Você está... – As palavras lhe faltaram por um breve momento no qual Oliver sentiu seu coração fisgado pela beleza de Felicity. Mas não mais de uma forma apaixonada e dolorosa como se sentira no passado e sim com um alento e um carinho que sentiria por Laurel, por exemplo. Ou pela própria Sara.
− Toda essa expectativa está me matando, bonitão. – Felicity brincou, nervosa demais para se manter calada.
− Deslumbrante, Felicity. Perfeita. – concluiu e aproximou-se dela, ajeitando a echarpe que fazia conjunto com o vestido em seus braços. Por fim, tirou algo do bolso de seu paletó: um colar de diamantes que prendeu em seu pescoço, as pequeninas pedras combinando com os brincos que Donna havia lhe dado com tanto afinco.
− Oliver, eu não posso... isso é... – Seus olhos se arregalaram. O brilho ressaltava o colo desnudo. Era como se simplesmente fosse certo, exceto que não era. Felicity jamais poderia pagar por algo assim!
− Considere um presente por todos os anos em que você teve que me suportar. – Oliver riu, prendendo o feixe do colar. – E por tudo o que fez por mim. Combina com você. Ao menos nesse dia. Ele é seu.
Felicity sentia que não deveria aceitar algo tão exponencialmente caro, mas imaginava que Oliver se chatearia se dissesse não à sua pequena extravagância.
− Obrigada. – Entrelaçou os dedos por um momento, o anel de noivado brilhando na mão direita. – Está feliz, Oliver?
A pergunta escapou antes que Felicity pudesse freá-la, seguida de um sinto muito que ainda era cheio de curiosidade.
Ele suspirou brevemente e um sorriso que não era triste desenhou-se em seus lábios quando virou Felicity pelos ombros em sua direção.
− Estou fazendo meu caminho nessa direção. – respondeu com sinceridade. – Nyssa é uma companheira maravilhosa. Mais do que jamais imaginei que seria. E...nos conhecemos melhor a cada dia que passa. Nossos defeitos, nossas dores. Tudo.
Superação era a palavra para isso. Felicity sentiu-se agradada de saber que ao menos o amigo não estava em um casamento infeliz ou jamais se perdoaria. E por falar em perdão, sentiu aquele nó novamente em sua garganta. Seus olhos se desviaram brevemente e ela suspirou. Oliver sentiu que ela tinha algo a dizer, então permaneceu em silêncio, as mãos repousadas no ombro de Felicity como forma de encorajamento.
− Eu o matei, Ollie. Eu matei R’as Al Ghul. – Todo aquele peso que carregara por meses, compartilhado apenas com Sara e sabido por seu próprio pai... – Eu tinha um veneno feito da água do poço de Lázaro. Foi o que me permitiu fazê-lo.
O cálice, Oliver se lembrara. Mas não se lembrava de tê-lo visto bebido, porque a explosão havia deixado todos desnorteados. Ele se permitiu um sorriso leve, envolvendo a cintura dela com os braços. Mas não em um gesto romântico.
− Você continua sendo luz, Feliicty, mesmo que a escuridão tenha pairado sobre você. – Oliver afirmou. – Sei os motivos que te levaram a fazer isso e eu jamais poderia condená-la quando por tantas vezes, foi você quem me resgatou. Mas o que posso dizer, é que o seu gesto não salvou apenas Sara, ou a mim. Mas salvou minha esposa também. E por isso, sou muito grato a você.
Minha esposa.
De alguma forma, aquelas palavras não soram carregadas como Felicity esperava. Oliver realmente estava feliz ao lado de Nyssa. Mesmo que fosse uma felicidade ponteada por descobertas.
− Obrigada.
Ele sorriu.
− Se me permite, eu adoraria dizer que é uma honra leva-la até o altar, mas...
Felicity já sabia o que Oliver iria dizer antes que ele o fizesse.
− Ele falou com você. Não acredito.
− Não. – Oliver apertou as mãos em sua cintura. – Mas eu o vi aqui, acompanhado de agentes da ARGUS. E já sabia que viria, embora não pudesse te contar. Sinto muito.
Felicity manteve a cabeça baixa naquele momento. Não sabia o que pensar.
− Meu pai não foi tão presente quanto eu gostaria por causa dos negócios. E embora fossemos muito próximos, eu não soube aproveitar isso como deveria. Sei que seu pai não é o estereótipo de perfeição e fez muitas coisas erradas. Mas continua sendo seu pai. E esse momento é único. Não acha que deveria ser ele ao seu lado? – perguntou. – Eu estarei ali, Felicity, e se quiser dizer que não, tem todo o direito. Mas eu sempre estarei ao seu lado. Sempre.
Felicity ponderou sobre as palavras de Oliver sabendo que ele estava certo. E amaldiçoando-o por isso. E por ser tão lindamente loiro em um terno.
− Tudo bem. Mas você não vai escapar de tirar muitas fotos comigo, Sr. Queen. – Pressionou o indicador contra o peito musculoso de Oliver. – Uau, mais duro do que antes.
Oliver gargalhou ao notar que ela havia ficado mais vermelha que um pimentão ao dizer isso.
− Vou chamá-lo.
Felicity aguardou enquanto Oliver ia atrás de seu pai. Talvez ele estivesse certo. Porque aquele era um momento de recomeços.
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"Porque tudo de mim
Ama tudo de você
Ama as suas curvas e seus contornos
Todas as suas imperfeições perfeitas
Me dê tudo de você
Eu darei tudo de mim para você
Você é o meu fim e o meu começo
Mesmo quando eu perco estou ganhando
Porque eu te dou tudo de mim
E você me dá tudo de você”
All of Me – John Legends
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Quando a música começou a tocar novamente, o rosto de Sara ergueu-se na direção do tapete vermelho. E ela a viu.
Sua surpresa só não foi maior do que ver quem a acompanhava: Noah Kutler.
Oliver posicionou-se ao lado do altar de Felicity e abriu um sorrisinho para Sara que mantinha a expressão indagadora. Mas não importava agora. O que importava era sua noiva. Sua futura esposa. Estonteante em seu vestido vermelho, distribuindo acenos e sorrisos para a multidão alegre.
Noah era uma estátua sorridente ao seu lado, lembrando-se da conversa que tivera com a filha antes de entrarem:
“Não estou te perdoando por completo, longe disso. Não estou esquecendo tudo o que me fez passar ou todas as suas ausências, mas estou disposta a acreditar que quer mesmo mudar. Saiba que esta é a sua única chance e que se pisar na bola, não haverá retorno. Nunca perdoarei você por ter me usado. Nunca perdoarei você por ter abandonado a minha mãe. Mas quero começar de novo. E sinto que você também quer. Faremos isso juntos então. Comece me entregando para a pessoa que mais me amou nesse mundo.”
A felicidade não cabia em si quando aproximou-se das duas e parou diante de Sara. O olhar intimidador dela permanecia na expressão.
− Espero que vocês sejam felizes. – murmurou ele. – De todo o coração.
Sara acenou com a cabeça naquele momento e estendeu uma das mãos para Felicity. O olhar que as duas trocaram... aquela cumplicidade ponteada por um sorriso.... Noah tinha certeza de que eram almas gêmeas, se é que tal coisa existia.
− Você está linda, Sara. – Felicity murmurou.
− Você está... uau. – Sara não soube articular um elogio para tamanha beleza. As duas tiveram o ímpeto de se beijarem ali mesmo, mas o cerimonialista pigarreou.
− Mais tarde, meninas. – ralhou com elas. As duas deram um risinho sem graça.
De repente, a música cessou. Toda a atenção de todas as pessoas naquela enorme festança voltou-se para o altar. Até mesmo o sol escondeu-se brevemente atrás das nuvens para observar.
− Estamos aqui para o casamento de Felicity Megan Smoak e Sara Lance. – disse o cerimonialista. – Há quem diga que o casamento é a idealização de perfeição onde um homem e uma mulher se completam, mas eu discordo disso.
“O casamento não é algo que completa, mas que faz transbordar. Todos nós, seres humanos, somos completos. E o que garante que a plenitude será encontrada ao lado de um homem ou uma mulher? Que garante que não somos plenos apenas conosco? Mas o casamento é mais do que isso. É uma união onde duas pessoas decidem que, a partir daquele momento, enfrentarão todos os desafios juntos. É crescer em união, batalhar em dobro. É ser e estar. E hoje, essas duas mulheres fortes e poderosas decidiram que estão prontas para assumir esse compromisso.”
Houve uma breve pausa na qual Oliver notou que Nyssa limpava o canto dos olhos. Surpreso, quis aproximar-se da esposa, mas estavam de lados opostos do altar.
O cerimonialista acenou com a cabeça para Sara, a primeira a chegar e a primeira a dizer seus votos.
− Fel, − A rouquidão em sua voz evidenciava como havia se emocionado. Ela segurou as mãos de Felicity entre as suas. – quando ninguém mais acreditava em mim, quando nem eu mesma achei que poderia sair daquela escuridão, você foi luz. Toda aquela noite que se iniciou como uma brincadeira, teve a mais profunda de todas as verdades: eu estava total e completamente apaixonada por você.
“E neguei isso. Enterrei no meu âmago a cada noite que passávamos juntas, porque não queria te intoxicar com a minha escuridão. Mas cada dia ao seu lado, cada noite contigo... era como ser tocada pela sua luz. Era como sentir meu coração vibrar novamente. E me peguei pensando como seria uma vida toda ao seu lado. Você me transborda, Felicity, como a felicidade verdadeira faz conosco quando nos atinge em cheio. E eu sinto, a cada momento, todo seu amor. Quero que a nossa vida seja cheia disso, acompanhada de tudo o que tenho para te oferecer. Quero que cresça comigo, descubra comigo, que seja a minha mulher. Agora e para toda a eternidade. Obrigada por ser o meu existir, Fel. Sempre e sempre.”
Felicity sentiu um nó na garganta. E todas as lágrimas que havia segurado correndo pelo rosto. Mas sequer se importou.
− Sara, − Seus dedos apertaram os da mulher à sua frente. – quando nos machucamos demais, temos medo de seguir em frente. Temos medo de que qualquer coisa signifique um erro. De que tudo se repita de forma ainda pior.
“Você diz que era sombra, escuridão, trevas. Mas você também me iluminou, Sara. Você foi arco-íris em um dia chuvoso de trovoadas. E eu persegui a suas cores, o seu brilho, até que cheguei até você, com seus cabelos de ouro e seu sorriso diamantado. Eu te vi, Sara, porque você foi capaz de me ver antes. E me preencheu com esse amor que transborda como um oceano pelo meu peito. Como é possível amar tanto assim alguém? Não sei da resposta, mas sei que quero descobri-la ao seu lado. Quero desvendar o mistério que és junto a ti, meu amor. Você é o meu tudo. Sempre e sempre.”
Havia um brilho tão lindo no olhar de ambas que não poderia ser descrito em palavras. Sin aproximou-se quando o cerimonialista fez o sinal, as alianças de ouro branco repousadas sobre a almofada vermelha.
− Sara Lance, você aceita Felicity Megan Smoak como sua legítima esposa, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, para amá-la e respeitá-la por todos os dias de sua vida? – questionou o senhor.
− Sim.
− Felicity Megan Smoak, você aceita Sara Lance como sua legítima esposa, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, para amá-la e respeitá-la por todos os dias de sua vida?
− E além dela. – Felicity afirmou. – Sim. Eu aceito.
− Então, se ninguém tem nada a dizer, troquem as alianças e podem beijar...
Naquele momento, uma explosão chamou a atenção de todos. Porque, claro, em um casamento de heroínas, um vilão sempre precisava aparecer.
− Vocês acharam messsmo que isssso havia acabado?! – Sara reconheceria aquele sotaque ridículo em qualquer lugar. Embora com o corpo mais musculoso, e portando uma arma que parecia ter sido tirada de Star Wars, aquele era Cobra, o braço direito de Scorpia.
− Só pode ser brincadeira. – Sara sentiu sua expressão fechar e estava prestes a tomar a frente quando Nyssa e Oliver se adiantaram.
− Não no seu dia. – Nyssa disse.
Mas antes que qualquer um deles pudesse agir, um furacão envolveu a criatura e, poucos segundos depois, estava preso com uma corda. Caitlin, Cisco e Wells acenaram para as noivas com um sorrisão enorme de desculpas pelo atraso. E no uniforme vermelho com um raio estampado no peito, Flash sorriu.
− Desculpe pelo atraso, garotas. Espero que isso compense. Vou ali e já volto. – Piscou, e, segundos depois, Cobra não estava mais ali. Certamente levado para o Star Labs.
Sara e Felicity se entreolharam e caíram na gargalhada. Barry Allen nunca chegava no horário em seus compromissos.
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“Por isso, eu te amo tanto
Que não sei como explicar o que sinto
Eu te amo, porque tua dor é minha dor
E não há dúvidas eu te amo
Com a alma e com o coração
Te venero hoje e sempre
Agradeço a ti, meu amor
Por existir”
Para tu amor – Juanes
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A cerimônia seguiu com tranquilidade depois daquilo. As alianças foram trocadas e a festa iniciou-se com um DJ animado que colocava músicas dos anos 70 para todos dançarem. Em certo momento, as batidas eletrônicas começaram e Sara sentiu que os pés iam explodir dentro daqueles saltos.
Foi quando Thalia aproximou-se dela, fazendo com que Sara arqueasse as sobrancelhas. Estava acompanhada de um homem muito bem apessoado, que parecia muito familiar para Sara.
− Belo casamento. – Thalia abriu um sorriso para ela. – Minha irmãzinha disse que não teria problema se eu viesse. Damian também está aqui.
− Esse é Damian? – Arregalou os olhos, pois Nyssa lhe falara sobre o sobrinho desaparecido.
− Bruce. – O homem de voz grossa pigarreou. – Bruce Wayne.
Ah.
Era por isso que ele era tão familiar.
− Sintam-se à vontade. Fico feliz que estejam aqui. – Sara sorriu.
− Prazer em conhecê-la. – Bruce sorriu de volta. – Canário Negro.
O sussurro a pegou de surpresa e Sara não teve tempo de reagir antes que ele desaparecesse na multidão. Deveria se preocupar com isso?
− Algum problema, esposa? – Foi pega de surpresa por Felicity, que lhe envolveu pelo pescoço ao mesmo tempo em que uma dança lenta começava. – Nossa primeira dança, lembra?
Sara não se lembrava, mas decidiu acenar com a cabeça. Sua primeira mentirinha de casada. Começaram a dançar em um ritmo lento, ficando no centro da multidão com Felicity enquanto outros casais dançavam ao redor.
− Já ouviu algo sobre um tal Bruce Wayne? – Sara perguntou, as mãos envolvendo a cintura de Felicity.
− Hmm... se não me engano é um bilionário de Gotham City. O que tem?
− Ele está aqui. – Felicity arqueou as sobrancelhas. – Aparentemente é o namorado de Thalia e pai do filho dela. E sabe quem eu sou.
− Thalia Al Ghul. – disse ela, rindo. Mas de nervoso. – No nosso casamento. Com Bruce Wayne. Uau.
Ela mal havia conseguido computar tudo.
− Pesquisarei mais sobre ele quando voltarmos da nossa lua-de-mel.
Sara sorriu, esquecendo-se de todo o resto enquanto dançava com ela.
− Gosto de como isso soa. Esposa.
− Gosta, é? – Felicity inclinou-se para a frente e selou os lábios contra os dela. – Um casamento cheio de emoção.
− É como as coisas serão daqui pra frente. – Sara lhe deu um beijinho de esquimó. – Está pronta para isso?
− Claro que sim. – Felicity sequer pensou para responder.
Não sabiam exatamente o que esperar dali para frente. Mas o importante é que estavam juntas, prontas para encarar qualquer desafio. Aquilo, que havia começado como uma simples brincadeira, havia se tornado a verdade absoluta de suas vidas. E juntas, viveriam aquele amor. Pois, afinal, toda brincadeira tem um fundo de verdade, não é?
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