Notas iniciais
Mais um lindo capítulo! Dessa vez narrado pelo Mello! *--*
Qualquer erro ortográfico, perdoem-nos antecipadamente.
ENJOY!

- Ei, lourinho, você já pode ir. – LOURINHO É A MÃE! Olhei irritado para o guarda que abriu a maldita cela em que eu estava. Pensei em dizer umas poucas e boas para aquele otário, mas não queria passar outra noite na cadeia.

Isso mesmo! Cadeia, com sol nascendo quadrado, cama lascada, e tudo mais... Argh! Como vim parar aqui? Devem estar se perguntando. Bom, ontem à noite eu estava muito bem, na porra do meu trabalho no bar, e sim, só tenho dezesseis anos e trabalho num moquifo de bar. E foi quando uns desgraçados resolveram brigar, por causa de uma gorila peituda que eles comeram e se fizeram de corno sem saber.

Sério, é muito irritante separar briga de bêbados. Quase levei uma garrafa de vodca na cabeça! EU QUIS MATAR TODOS! Mas com meu grande senso profissional, eu apenas dei uma voadora em cada um. E como a minha sorte é muito grande, um carro de policia passou mesmo na hora em que eu tentava separar a briga. E levou em cana não só os infelizes que estavam brigando, mas eu também! Tive que passar a noite nesse lugar horrível.

De início, eu apenas chamei o delegado de filho da puta, e disse que se ele não me soltasse ele ia ver uma coisa. Mas quem viu foi eu, os merdinhas que armaram a porra do barraco saíram na manhã seguinte, e só vim sair agora à noite, por desacato a autoridade. Como um corno daqueles se diz autoridade? Até os guardas já traçaram a mulher dele. Só quando se é preso, se conhece as pessoas.

Não é a primeira vez que isso acontece, mas mesmo assim sempre será um caralho de asa, não importa quantas vezes aconteça. É ruim ficar numa cela fedida em uma cama pura morfo, e mijo. Pelo ao menos fiquei sozinho na cela. A parte boa foi que não precisei ir à escola hoje. E olhar pra cara daquele maldito do Near.

Como eu odeio aquele anãozinho de merda! Ainda mais, aquele monte de bosta desbotada se acha o tal! Fica brincando na hora da aula e ainda tira nota boa! Como um ser leva bonecas pra aula? E COMO A VAGABA DA PROFESSORA NÃO DIZ NADA?

Saí andando daquele lugar horrível depois de pegar meus pertences e parei na primeira loja que vendesse chocolate que encontrei. Ah! Chocolate! Não existe nada mais perfeito que isso. A pior parte de ficar preso é que eles não deixam você comer chocolate. Como alguém pode sobreviver sem chocolate?! Tudo bem, talvez seja por que é a comida dos deuses.

Rasguei o papel da barra quase que em desespero, mordendo quase metade de uma só vez. Delícia! Minha mãe disse que se eu não para vou ter diabetes, ridículo! Tive que pegar um ônibus pra poder ir para casa. Aquela delegacia era longe pra caralho de onde eu morava. E a porra do ônibus ainda tava lotado! Tive que ir em pé cheirando desodorante vencido dos outros.

Cheguei em casa e tentei entrar em silêncio, pra não chamar a atenção dos meus pais. Fui caminhando pelo corredor na ponta dos pés, me dirigindo a escada que leva ao andar de cima da casa. Ok, até agora tudo bem, já estou no meio da escada e nem sinal dos meus pais. Humm... Que estranho, será que não tem ninguém em casa?

- Mihael Keehl, onde você estava? – Falou uma voz calma. Mas não era um tipo de calma boa. Era como a calmaria que vem antes de uma tempestade.

CACETE! Olhei lentamente para o lugar de onde vinha a voz e me deparei com meu pai em pé no meio da sala me olhando com um olhar furioso, me fazendo gelar. Certo, você deve estar se perguntando como um adolescente de 16 anos vai parar na cadeia e nem sequer avisa aos pais. A questão é que eu não ligo pra o que eles pensam.

Mentira, na verdade eu estaria encrencado de verdade se eles descobrissem. Mas do que eu já estou agora. Eu usei a ligação que eu podia fazer pra avisar meu chefe que não ia poder trabalhar durante o dia.

- Eu estava cansado depois do trabalho e acabei dormindo no quarto dos fundos que tem lá. – Menti, depois de um tempo eu já estava muito bom nisso.

- No quarto dos fundos daquele BAR?! COM QUEM? ALGUM BEBADO TARADO!? – A calma inicial foi toda pro espaço, estava vermelho como um pimentão, e quase cuspia na minha cara. Detalhe: Eu tava muito distante dele.

- O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI? – Ótimo, lascou foi tudo, era a mãe.

- O SEU FILHO NUM QUARTINHO DE BAR, DANDO PRAQUALQUER UM! – Ele gesticulava, de uma forma que até os mímicos sentiam inveja.

- Isso é verdade, Mihael? – Perguntou minha mãe com a mão no peito, quase caindo no chão , com uma cara de puro horror.

- PORRA PAI! EU DURMI SÓ! QUEM DERA TER TIDO COMPANHIA! – Eu tava tão puto de raiva que nem tava prestando atenção no que eu estava dizendo. – Trabalhei até tarde, e não queria voltar pra casa e levar bronca, eu ia levar de qualquer jeito, decidi adiar.

- VAI ACREDITAR NESSE MULEQUE!? QUE JOGA O NOME DA FAMILIA NA LAMA!

- PAREM OS DOIS! Mihael, vá tomar um banho e jantar.

- Não, valeu, vou sair. – Disse de qualquer jeito, eu queria mesmo tomar um banho, mas não aguentava ficar mais um segundo naquela casa, respirando o mesmo ar que aquelas pessoas malditas que eu chamo de pais.

- Mas você acabou de chegar, meu filho, pelo ao menos coma alguma coisa.

- Já comi. – Meu chocolate era meu mundo, qualquer refeição podia ser substituída por ele, e se comprava ali na esquina. – Tchau.

Desci as escadas e abri a porta com força, e a fechei com mais força ainda, acho que senti a parede vibrando pelo impacto. Eu bufava de tanta raiva, acho que já estava ficando verde, por que vermelho não estava mais. Toda esta novela mexicana é porque meus pais não aceitam a minha condição.

Eles só descobriram há pouco tempo. Descobriram não, na verdade eu que contei. Por que sou uma pessoa decente (só que não!). A questão é que a minha situação com eles piorou ainda mais desde que eu comecei a trabalhar no bar. O emprego não é lá dos melhores, mas serve. É o único lugar em que uma pessoa como eu pode trabalhar sem ser demitido horas depois.

Eu realmente tento controlar minha raiva, mas infelizmente não da muito certo. O bar onde trabalho fica apenas a alguns quarteirões da minha casa, descendo a rua. Não demorei muito pra chegar lá.

- Olha quem deu sinal de vida! – Wedy estava lá, acho que dando conta do meu serviço. – Como foi na cadeia?

A vagabunda enfatizou a porcaria da ultima palavra, loira de merda.

- VAI FUMAR TEU CIGARRO, VADIA!

- Nossa, Mellinho, não fique tão irritado! Sofreu abusos na prisão foi?

- NÃO SUA VAGABUNDA! E não enche que hoje eu to sem paciência. – Disse, revirando os olhos.

- Mello! Que bom que você voltou! E então, como foi na cadeia? – Aiber surgiu de trás do balcão, ele perguntou como se eu estivesse voltando de uma viajem ou algo assim.

- Nada demais. Entediante. Como foi sem mim aqui?

- Ah, um cara apareceu atrás da vaga que tínhamos oferecido. Já contratei ele, começará amanhã. E você vai instruir ele sobre o trabalho.

- Quem é? – Perguntei imaginando que tipo de problemático poderia querer um emprego desses. Além de mim.

- Um ruivinho muito simpático. Acho que deve ter a sua idade... Vocês vão se dar bem. – Falou alegremente.

Ruivinho? Argh, ruivos me fazem lembrar aquele desgraçado do Matt. Um idiota que estuda na minha sala. Ele está sempre defendendo aquele fantasma do Near, aposto que vive dando pra ele... Não que ele seja algum tipo de brucutu, pelo contrário, ele é até... Atraente. Sabe... Ruivos, exóticos, 1% da população... ACORDA MELLO! É DA LITTLE BITCH DO NEAR QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO! Bom, o cara vai vir manhã, vou ter que servir de babá pro novato.

Comecei meu trabalho, depois de guardar meu casaco, ajeitando umas coisas no balcão. Até que um Beyond de olho roxo e lábio inchado entra no estabelecimento.

- Caramba, o que aconteceu com você?- Perguntei quando ele se sentou em um dos bancos do balcão, à minha frente.

- Ah, briguei na escola. Nada demais. – Ele disse dando de ombros. Nossa só o Beyond mesmo pra arrumar briga logo na primeira semana de aula. – Me serve alguma coisa.

Revirei os olhos enquanto servia uma dose de tequila em um copo limpo. Aproveitei e botei um pouco pra mim também, já que estou num trabalho porco desses, tenho ao menos que tirar uma casquinha.

- Porque você brigou? – Virei o copo de uma vez. A bebida era forte, mas eu também era. Açúcar me faz bem.

- Ah, um cara tava olhando feio pra mim. – Ele disse como se isso fosse completamente normal. E pra ele era.

Virou a bebida de um vez, fazendo careta. Não sei foi pela bebida ser forte, ou pelo álcool no lábio machucado, talvez tenha sido pelos dois. Beyond e eu somos amigos há muito tempo. Nós conhecemos na prisão. Longa história.

Ele é irmão do professor de matemática, Mr. Ryuuzaki. Além de ser um total psicopata. Mas é um cara legal. Ele passou a frequentar esse bar depois que eu comecei a trabalhar aqui. O que identidade falsa não faz? Tive esperança de descobrir o nome verdadeiro dele ao ver a identidade, mas lá também tinha Beyond Birthday, como ele é conhecido por todos. Tenho que admitir que mesmo sendo seu amigo, tenho medo dele de vez em quando.

- Engraçado o Mr. Ryuuzaki não te punir, como qualquer responsável faria.

- Ele puniu. O L comeu toda a geleia, hoje. Maldito, ninguém come minha geleia. – Disse quase cuspindo. CARA, QUE PORRA DE PUNIÇÃO É ESSA? Esses caras são cada um mais doido que o outro. Não dizem os nomes um do outro, só sabemos o sobrenome por que o cara mais velho é nosso professor, e são duas formigas. AFF!

- Nossa, imagino que deve ter sido horrível. – Ironizei.

- Podia ter sido pior, mas ultimamente ele anda estranho.

- Estranho como? – Além do habitual...

- Anda com a cabeça nas nuvens. Se ele não fosse o L, acharia até que ele está apaixonado. – Ele gargalhou tão alto que me deu medo. Mas depois voltou à seriedade habitual, que também era assustadora, mas eu já estava acostumado.

- E por quê? Esse cara não tem vida?

- Tem, dar aula. Nada mais que isso. – Revirou os olhos, enquanto virava mais uma dose. — Fora a comer a comida dos outros. – Ele acrescentou indignado.

- Talvez ele esteja com algum problema. Ou não, é frescura mesmo. – Revirei os olhos, tomando a ultima dose, e levando o copo dali, enquanto B resmungava.

Agora eu vou ter que ficar aqui trabalhando até tarde, servir de babá pra Beyond Bêbado, voltar pra casa e receber o sermão da montanha, pra amanhã de manhã ter enfrentar a escola, cheia de pessoas estúpidas e irritantes, além de ter que topar com um Near albino de merda, e um Matt little bitch. E ainda ter que aguentar um noob de merda “ajudando” no bar. ÓTIMO!

Notas finais
E aí, reviews? :3