Wammy's High
33 Mail Jeevas
Notas iniciais
Quem olhasse pro Matsuda tomando seu chazinho jamais imaginaria que aquela pessoa era capaz de se envolver em tantos níveis de baixaria, mas sem dúvidas, os bons catiripapos que ele deu no Yagami foram sua maior vigarice. Não sei o que me surpreendeu mais, ele ter coragem de simplesmente chegar dando um bofetão na cara do Raito fazendo o mauricinho cair de bunda no chão ou a empolgação dos meus amigos e namorado com a cena.
Sinceramente, ter Beyond Birthday de cunhado era algo que eu não desejava nem pro meu pior inimigo, o maluco até tirou uma geléia do nada para saborear vendo o namorado do irmão se lascando. Mello também tirou chocolate do bolso e prendeu o riso enquanto Near apenas observava a cena com um ar complemplativo, como aquelas tias na ópera. A ovelha devia estar no auge de seu momento de “é isso aí, vadias, briguem”, afinal ele que montou aquela rinha de nerds.
Ele fez o B mandar o cunhado numa lavanderia bem no cheiro do queijo da cidade, um lugar que não passava transporte público próximo, nenhum táxi iria aceitar a corrida, a cereja do bolo foi vetar o Raito de pegar motorista dos Ryuuzaki — sem o L saber, claro. Yagami nem estranhou, estava sendo atormentado há mais de uma semana pelas loucuras do Beyond, aquilo só pareceu uma segunda à noite qualquer.
Foi então que Near avisou ao Matsuda o momento em que o palerma estava saindo, e nós? Bom… Ficamos os quatro atrás de uma moita esperando a desgraça acontecer perto de onde seria o ponto de encontro. Era um tiro no escuro, não sabíamos se o Matsuda ia dar pra trás, tínhamos até apostado se o Matsuda ia mesmo ter nervos para partir pra agressividade, perdi minhas dez pratas e como perdi.
Matsuda tanto teve coragem, como simplesmente montou no pobre Yagami e mandou brasa em mais murros, ele foi violento, brutal e espalhafatoso em suas ações para contrastar com sua aparência. O bobalhão do cházinho estava de boné, óculos escuros, máscara descartável preta, e luvas, mais parecendo um daqueles stalkers de novela coreana. E ele incorporou bem o papel, afinal, ficou esperando o Raito na esquina indicada por Near pacientemente.
Assim que o infeliz desavisado dobrou, boom! Matsuda botou pra fora toda a frustração e ódio pelo japa, ele conseguiu causar um bom estrago até surgir algumas pessoas pra acudir o Raito. Por algumas pessoas, quis dizer: nós, a rua estava deserta, era um lugar bizarro de verdade, não me admiraria se algum outro malfazejo chegasse e assaltasse todo mundo. Pedi pelo intervenção quando percebi que o ex e o atual de Misa Amane não iam desatracar sem um deles estar morto.
E sim, agora Matsuda e Misa estavam namorando, Nate River era o cupido oficial do grupo. O pequeno cupido do mal ficou quietinho enquanto apenas observava Beyond segurar o cunhado que estava querendo revidar de um lado e Mello e eu seguramos o Matsuda nada feliz por ter sido interrompido do outro. A ovelha sorriu de forma macabra e ficou brincando com uma mecha do cabelo no momento que os dois malucos começaram a bater boca:
— Matsuda, seu idota! Eu sei que é você! — Raito gritou para o outro se debatendo para se soltar de B. — Seu covarde! É fácil acertar quando o outro está desavisado, não é?
— E quem é você sem seu namoradinho pra te proteger, Yagami? — Matsuda se perdeu no personagem, até revelou a propra identidade, que burro.
Beyond então soltou o Jesus japonês como quem diz “muito boas essas perguntas, vamos ver a resposta na prática”. Raito quem foi pra cima de Matsuda com tudo dessa vez, eu e meu namorados tivemos que soltar o outro maluco e correr pra longe, eles se atracaram de novo mas Matsuda continuou levando a melhor, Yagami só tinha mesmo altura e língua afiada. Quem diria que o pobre amante de chás era um carniceiro? Não vou mentir que amei.
— Eu respeitei você! — Matsuda gritava com Raito ao dar um soco nele. — Eu admirava você! Mas você tinha que ser um babaca, não é? O jeito que tratou a Misa… Isso não se faz com ninguém!
— Tanto você como a Misa e o resto da escola colocaram expectativas demais em cima de mim! — Yagami socou de volta. — Não é culpa minha se vocês são um bando de emocionados!
— Seu filho da puta! — O mascarado deu um chute na cara do outro. — Eu te odeio!
— Chega, vocês já deram seu show! — Beyond se meteu. — O próximo que bater em alguém vai levar um soco meu!
— Merda! — O mauricinho xingou, contendo-se. Os dois nemesis se encararam e bufaram, mas não ousaram dar um passo à frente, afinal, estava ninguém menos que Beyond Birthday entre eles.
— Vá embora, Matsuda. — O maníaco das olheiras ordenou. — Já conseguiu o que queria, inclusive era isso que devia ter feito semana passada ao invés de fazer aquele papelão na escola.
— O que? — Raito encarou o cunhado fingido de namorado, incrédulo. — Não acredito que está dizendo isso.
— Você bem que mereceu por desonrar e maltratar a mulher do cara. — B bufou.
— Hã? O que? — Yagami então olhou para Matsuda com uma expressão de lâmpada em cima da cabeça. — Então tudo isso é porque você se apaixonou pela Misa? — Ele gargalhou, debochado. — Que patético!
— Como é que é, seu lixo?! — Matsuda correu para socar o Raito e B apenas desviou e deixou o cunhado ser acertado, embora tenha afastado o Matsuda mascarado para longe logo depois.
— Por que não o impediu, seu idiota?! — O esbofeteado brigou com o cunhado.
— Mais uma vez, você bem que mereceu, não se ajuda mesmo, Yagami. — O olheiras gigantes acenou negativamente com a cabeça, depois encarou Matsuda. — Agora vá embora daqui, você tem um minuto pra fugir sem eu chamar a polícia, ou pior… Sem que eu corra atrás de você.
Assim, o mascarado correu como se sua vida dependesse disso, e de fato dependia. Eu fiquei simplesmente chocado com tudo aquilo, já Mello e Near estavam parecendo aquelas vilãs de novela de operam em dupla, terríveis, meu Deus, só não mais terríveis que Beyond Birthday e sua cara de pau, ajudando o pobre cunhado a bater a poeira como se tudo aquilo que tava acontecendo não fosse por culpa dele.
Não deu pra ver como estava Matsuda por trás de seu disfarce que foi um fiasco, mas Raito estava com um lábio cortado, olho baixo e roxo, cuspiu um pouco de sangue e havia também alguns outros hematomas pelo rosto. O pessoal dos fã clubes iam cair o cu da bunda com o rosto do adorado galã de araque todo machucado, nisso eu podia apostar até minhas calças.
— Não acredito que deixou ele se safar. — Yagami encarou o B.
— Se é um problema pra você, ele ainda deve estar correndo, tudo o que tem que fazer é ir lá, bonitão! — Gesticulou na direção que Matsuda fugiu. — Vai, corre atrás dele, já que você é tão foda! Ah, é você tá todo lascado por alguém menor e mais jovem que você! Seu lixo!
— Inacreditável… — Suspirou e fechou os olhos, com certeza com dor. — Você pode ter deixado ele escapar, mas eu vou processá-lo.
— Não mesmo! — B cerrou os dentes. — Não admito que nem L, nem ninguém além dos presentes aqui saiba do que aconteceu.
— Está do lado dele? — Arregalou os olhos. — É isso! Está do lado dele!
— Nessa briga ridícula de vocês, eu tô do lado da briga. — Encarou o outro de volta. — Te dei a chance de arrebentar a cara dele de volta, se não conseguiu, é problema seu.
— Nossa, obrigado por essa grande gentileza. — Estreitou os olhos.
— Falo sério, Yagami, estamos todos quites agora, essa questão com o Matsuda pode ter um ponto final agora que ele descontou a raiva que tem de você. — Falou com um semblante sério.
— Eu não aceito! — Rangeu os dentes de ódio. — Ele tem que pagar pelo que me fez!
— Se dedurar o Matsuda, compra uma briga de verdade com a Misa, que esteve até então neutra e inocente — Near se meteu finalmente. — Se prejudicar a única pessoa que restou àquela moça, ela escolherá lados e será seu fim. Ela sabe que seu namorado não é este irmão Ryuuzaki. — Apontou para B. — Mas o outro que é maior de idade e nosso professor.
— Como ela sabe?! — Yagami estava chocado.
— Ela sempre soube, seu imbecil. — Beyond voltou a contrariá-lo. — Temos sorte dela não ter exposto nossa mentira por estar muito ocupada não se importando com você.
— Inferno! — Raito estava arrancando os cabelos para a diversão dos outros. — Estou muito ferrado.
— Está mesmo. — B gargalhou.
— O que estavam fazendo aqui? — Encarou a todos nós com suspeita.
— Esqueceu sua carteira. — B entregou o item que com certeza ele mesmo pegou de fininho. — Sorte a sua que viemos atrás de você pra entregar isso ou ia apanhar até ficar com a cara parecendo um papelão de gato.
— Obrigado, então. — Guardou a carteira no bolso. — Parece que vou ter que contar mais uma mentira em casa, não é mesmo?
— Pensei que já estava acostumado, afinal, tudo o que faz agora é mentir. — B deu de ombros. — Melhor te levar no pronto-socorro pra ver seus machucados, avisamos nossas famílias nos encontrarem lá e dizemos que foi uma tentativa de assalto.
— Perfeito… — Yagami suspirou com sarcasmo.
— Levem o Near pra casa, preciso cuidar desse idiota. — B nos pediu. — Meio que devo isso a ele já que só foi pego por causa da tarefa que mandei ele fazer. — Manteve-se com os discursos do plano.
— Acho que isso não tem nada haver com suas piadas de mal gosto. — Raito disse. — Devia estar me seguindo desde que tirei os pés de casa, era só uma questão de tempo até ele me pegar sozinho em algum lugar como um maníaco do parque, se não fosse aqui, seria em outro lugar.
— De fato. — Mello cruzou os braços.
Eu não ousei dizer sequer uma palavra, mas pobre Yagami, todo ignorante caindo naquele teatro, jamais saberia que foi entregue de bandeja para seu rival, ainda mais pelo próprio concunhado. Quem diria que eu iria virar um personagem de apoio de Game of Thrones? Aliás, eu tava mais pra figurante daquele emaranhado de tramas e loucuras. Minha vida parecia fácil perto de tudo aquilo, veja só! Ou só meus amigos que eram lascados. Meu Deus, teria eu passado meu azar pros coitados como quem compartilha piolhos e pulgas?
Se bem que eu estava até bem perto dos outros cenários do pessoal, agora que o Mello tinha me pedido em namoro e estamos oficialmente em um relacionamento, eu ainda precisava falar com meus pais, estava morrendo de medo? Sim, mas tínhamos tempo pra desenvolver algo a partir disso, diferente do Near, que só tinha aquele restinho de semestre pra curtir com o B, por motivos de Beyond indo embora pra fazer faculdade.
Eu tinha algumas apostas, claro, a primeira era que todos aqueles planos e mirabolâncias do Nate eram pra esconder como ele estava abalado com essa sina. A mente hábil da ovelha ganhava mais em ficar ocupada causando desastres na vida alheia do que ficando vazia e percebendo a derrota iminente dos traçados do destino. A segunda é que Beyond Birthday ia desistir de ir pra América, aquele psicopata maluco era doido pelo Near, não ia aguentar deixá-lo.
Eu e Mello deixamos a nuvem em casa, mas não pude deixar de perceber como o branquelo estava com um ar devastado. Pensei que a prospecção de Mello estaria correta e ele ficaria feliz em ver o Yagami todo arrebentado mas no fim, a minha que estava, e nunca fiquei tão infeliz em estar certo: devia ser o vazio de ver o plano completo mas ele não mudar os fatos em nada. O loiro não percebeu a energia carregada no ar e foi se despedindo e descendo a janela do quarto do Near, ainda eufórico pela confusão de Matsuda e Raito.
— Você vai ficar bem? — Atrevi a perguntar a Nate.
— Estou bem. — Desviou o olhar, uma bela mentira.
— Não está, não. — Suspirei. — Sinto muito.
— Devia ir, Mello está esperando você lá embaixo. — Near parecia muito menor, se é que era possível.
Ele queria que eu fosse embora pra poder chorar em paz, eu bem sabia disso, conhecia aquela nuvem desde que me entendo por gente, mas eu não deixaria meu melhor amigo desamparado, simplesmente abracei ele, o que parece que foi a cereja do bolo emotivo, o pobre começou a chorar. Mello apareceu na janela de novo, estava puto por eu não ter descido logo, estava pronto pra brigar mas seu semblante se suavizou quando viu o que estava rolando.
— O que é tudo isso? — Mihael coçou a cabeça, se aproximando.
— A desgraça do Yagami não foi o suficiente pra lavar a alma dele. — Acabei falando.
— É verdade? — Mello arregalou os olhos.
— Sim. — Near se desvinculou do meu abraço e encarou o outro. — Me sinto ridículo.
— Não se sinta ridículo, é super normal ficar frustrado mas é só porque não foi você quem socou a cara dele. — Mello gesticulou. — E não acho que você seja do tipo que soca caras, mas vou te ensinar a andar de moto pra você atropelar ele, vai ser muito mais divertido quando botar a mão na massa, na próxima ele vai ver só.
— Não haverá próxima. — Nate sorriu com tristeza. — Tudo está em seu devido lugar, porém nada muda o fato que o B vai embora, ele vai me deixar, e os últimos meses dele aqui serão com ele fingindo casalzinho com aquele desclassificado.
— B é louco por você, vai dar um jeito! — O loiro quem abraçou o nanico. — Todo fim de semana vai estar dentro de um jatinho particular vindo de ver, essa é uma das coisas boas de ter um boy rico, esse é o tipo de coisa que ele pode fazer sem hesitar.
— Eu sei. — Sorriu através das lágrimas. — Mas vai ser horrível não vê-lo todo dia.
— Sabemos disso. — Eu disse.
— Só preciso de mais um tempo para aceitar minha dor. — N sussurrou.
— Nate… — Coloquei a mão no ombro dele. — Sei que deve estar me achando um amigo bem lixo por não estar fazendo bem o meu trabalho a ponto de você se sentir mais acolhido pela Wedy e mais compreendido pelo Mello, mas estou aqui pra você.
— Mesmo? — Os olhinhos estavam minúsculos e vermelhos. — Não acho você um amigo lixo, esteve distante durante toda essa semana, é verdade. Mas está tudo bem, como você disse, os outros me ajudaram, não tem obrigação nenhuma de cuidar de mim além do que aguenta.
— Sinto muito, era muita coisa para processar e você sabe como sou lento.
— Lento é pouco. — Mello zombou de mim.
— Só fiquei preocupado porque sabia que a pose de gangster jamais tiraria a sua dor. — Continuei.
— Esteve certo sobre meus sentimentos e motivações, mas a tal pose que menciona não é só pose. — O nanico me encarou.
— O que?! — Chocado eu estava.
— Ah, pelo amor de Deus, eu elegi esse safado como meu rival desde que botei os olhos nele, claro que a aura de osso duro de roer que enxerguei nesses cabelos platinados não era coisa da minha cabeça. — Mello me olhou feio.
— Sério?! — Dissemos eu e N em uníssono.
— Lógico! E fico feliz em ter essa píton albina anã do meu lado e não contra mim. — Ele sorriu amplamente.
— Obrigado, Mello, de verdade. — Near secou as lágrimas e sorriu. — Você é uma das pessoas mais duronas que eu conheço, ter seu reconhecimento é algo indescritível, obrigado por ser meu amigo.
— Obrigado você por ser meu amigo. — Abraçou o branquelo de novo.
Eu estava simplesmente chocado com aquela cena. No começo do ano, aliás, do semestre, eu jamais imaginaria aquela loucura! Que amizade completamente imprevisível e improvável! Mas eu só tinha a ganhar com aquilo, era ótimo que meu melhor amigo e meu namorado se dessem tão bem. Falando em melhor amigo e namorado, Beyond Birthday deu uma ligadinha pro Near avisando que estava num táxi indo pra lá, chegaria daqui a pouco.
Quando a nuvem mencionou ainda estarmos ali, o maníaco das geléias pediu pra colocar no viva-voz pra nos contar todos os babados do hospital. L e a família Yagami estavam devastados pelo que aconteceu com o Raito, o Yagami pai queria ir à polícia para fazer um retrato falado do ladrão agressor que só não levou a carteira do Raito porque B o perseguiu e recuperou, na mentira deles.
Pobre do Yagami filho, teve que fazer seu jogo de cintura para obedecer ao cunhado maníaco e disse que estava muito traumatizado para levar uma denuncia pra frente, só queria esquecer o que aconteceu e ir pra casa se recuperar. Os pais que pareciam fazer tudo o que ele pedisse, aceitaram apesar de revoltadíssimos. Um Beyond perdido no personagem, também fingindo revolta, disse que ele mesmo iria na delegacia fazer o retrato do desgraçado se o maldito não tivesse sido tão cuidadoso ao esconder sua identidade.
— Nem parece que o Matsuda simplesmente admitiu que era ele. — Mello gargalhou pelo exato pensamento que eu tive.
— Não sei como o Matsuda está, mas espero que consiga inventar uma boa desculpa pros pais em relação aos socos que o Raito deu nele. — Tive que dizer.
— Eu o instruí a simular algum acidente doméstico em caso dele ser acertado de volta. — Disse Near.
— Você realmente deu tudo mastigadinho pra ele. — Gargalhei.
— E tinha opção? — A voz de B disse do telefone. — Acabamos de estabelecer como foi ridículo ele responder sem hesitar à acusação de “eu sei que é você, Matsuda!” — Imitou a voz do Raito.
— E qual era o álibi, afinal? — Mello estreitou os olhos. — Eu sei que esse álibi também é obra sua, Near. E não consigo pensar em nada que possa ter vindo da sua cabeça sem ser icônico.
— É segredo. — Near sorriu. — Mas é bem convincente se o Matsuda souber trabalhar bem, o que acho que procedeu. Aquele suposto vacilo foi pelo sangue quente e também porque sinto que ele precisava dizer aquelas coisas pro Raito.
— E era importante o Raito saber que aquelas palavras estavam vindo dele. — Completei o raciocínio. — Olhando com os olhos da mente parece patético, mas com os olhos do coração que é onde a ferida do Matsuda se firmou, faz todo sentido.
— Prefiro a hipótese de que o Matsuda só é burro e o Raito babaca. — Mello riu.
— Não vou mentir, que eu também. — B admitiu.
— Melhor irmos. — Me assustei com a hora. — Logo os River chegam do plantão de 24h e estamos fodidos.
— Isso é verdade. — Nate acenou positivamente com a cabeça. — Inclusive, cuidado quando for subir aqui. — Alertou a Beyond.
— Sim, senhor. — Dava pra sentir o sorriso na voz do senhor olheiras de poço.
— Obrigado por me acompanharem, pessoal. — Nate se despediu de nós.
— Isso não é nada. — Gesticulei.
Saímos rapidamente dali e Mello me acompanhou até em casa, tentei protestar com a lógica: ele morava mais longe, devia ir logo pra não se atrasar ainda mais, eu só estava a poucas quadras de casa. Porém, até parece… Lógica com Mihael Keehl? Aquele ali era teimoso como uma mula, insistiu em me levar pelo menos até a calçada, que chato. Na hora da partida, ele ficou meio sem jeito, mas eu queria me despedir apropriadamente do meu namorado.
Sequer me dei ao trabalho de olhar pros lados, o puxei pelo pulso e o beijei com todo o meu ser. Não devo nada a ninguém naquela vizinha além dos meus pais, com eles eu poderia me entender depois. Mello ficou muito surpreso com minha investida mas retribuiu meu beijo, igualmente intenso e apaixonado. Depois que voltou a si, foi logo me repreendendo com os olhões azuis arregalados:
— Você perdeu a cabeça, e se sua família ver?
— Não me importo. — Dei de ombros.
— Você é mesmo doido. — Ele riu baixinho.
— Por você. — Beijei a mão dele, que corou horrores.
— Não me deixe tão sem jeito, Mail Jeevas. — Ele bufou, mas divertido. — Tira totalmente minha vontade de ir embora.
— Mas tem que ir, se não vai preocupar sua avó.
— Eu sei… — Suspirou. — Boa noite, seu ridículo.
— Boa noite. — Sorri.
Quando abri a porta de casa, estava tudo escuro, era bem tarde, era de se esperar que meus pais já estivessem dormindo, de qualquer forma, eles passaram a não me esperar mais depois dos horários malucos do bar do Aiber. Usei a lanterna do celular pra não esbarrar em nada e já estava prestes a subir as escadas na ponta dos pés quando o abajur perto da poltrona da lareira acendeu e revelou minha mãe me encarando com os olhos semicerrados.
— Onde esteve, Mail Jeevas? — Ela me interrogou.
— No trabalho. — Menti na cara dura.
— Oh sim… — Ela sorriu. — Seu atrasado nada tem haver com aquela bela moça loira que deixou você na porta?
— O que?! — Minha espinha gelou.
— Bem unusual. — Fez uma expressão de “nada mal”. — Geralmente os rapazes que deixam suas namoradas na porta de casa, que moça excêntrica.
— Eu… — Paralisei por um tempo que não ousei contar. — Aquela não é minha namorada.
— Pareceu ser um beijo de despedida bem comprometedor para ser só um fica, meu amor. — Ela riu baixinho, divertida. — Mas sou apenas uma velha, o que eu sei, não é mesmo?
— Não é minha namorada…. — Fiquei com a postura ereta, tomando coragem, não podia mostrar qualquer tipo de vulnerabilidade. — Porque na verdade é meu namorado.
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