Wallflower

1 Invisível


Charlie não era mais tão sozinho como era ao começar o colegial. Agora ele participava. Não tanto quanto Patrick e Sam, mas participava. E ele estava empenhado em fazer isso. Tinha vezes que nem pensava em Michael ou tia Helen. Principalmente tia Helen. Às vezes ela vinha apenas como uma lembrança boa, não como o motivo dos surtos, que estiveram bem vivos naquele ano. Charlie não surtava mais e quando aquele sentimento começava a querer afundá-lo como uma poça densa de lama, ele o afogava.

Em sua última carta, tinha decidido participar mais e escrever menos. Agora a escrita fazia tão parte da sua vida quanto a “participação”. Havia vezes que o Sr. Anderson revisava seus textos – ele e a esposa não tinham ido pra Nova York, afinal -, mas na maioria das vezes ele só lhe lançava aquele sorriso que dizia claramente: “eu acredito em você” e isso bastava. Charlie colocava seu terno e apenas deixava seus dedos deslizarem pelas teclas da máquina de escrever dada por Sam. E escutava a música do túnel, porque ela o fazia se sentir vivo. Fazia-o sentir infinito.

Tinha vezes também que recebia as mixtapes de Sam pelo correio e achava engraçado o fato de que uma das faixas sempre era Asleep e a música se tornara um tipo de piada interna entre os dois. Sempre que podia, ele também mandava suas mixtapes. Às vezes eles entregavam pessoalmente e os dias eram sempre felizes. Pouquíssimas vezes eram ruins e ele nem conseguia lembrar o motivo. Patrick também parecia estar superando o último ano. Principalmente: estava superando Brad. Todos eles, na verdade, estavam superando muitas coisas.

Uma vez, Sam pediu que Charlie escrevesse sobre eles e era isso o que estava fazendo, embora ainda tentasse participar. Ele estava em um lugar ruim antes de começar o colegial e agora sabia que não era apenas uma história triste. Ele está vivo. E se sente infinito.

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