Notas iniciais
Claray: Hooy!~
Antes que estranhem (se não já tivermos avisado sobre isso, er), Apolozige não faz parte de Waking Up, mas decidimos usa-la por se encaixar perfeitamente em um capítulo focado pela Elize.
Enfim, boa leitura! 8D

“Eu me arriscaria outra vez, levaria a culpa, levaria um tiro por você

E eu preciso de você como um coração precisa de uma batida, mas isso não é novidade

Eu te amei com um fogo vermelho agora está se tornando azul

E você diz

"Eu sinto muito" como o anjo

O céu me fez pensar quem você era,

Mas eu tenho medo”

Elize acomodou-se na cadeira do avião, inconformada, cobrindo-se com um casaco de pele até o pescoço. Amaldiçoou tanto a si quanto a ele incontáveis vezes antes de pegar no sono, sono este que não foi em nada tranquilo.

Ela sonhou com ele e Brooklyn.

Brooklyn era a serviçal.

Brooklyn a envenenava.

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- Ellie, cadê as batatas? – Perguntou Paul, apressando-a – Se está esperando que elas se cortem sozinhas, acho melhor desistir.

- Calma, já estou indo! – Exclamou a mulher que ocupava-se com a máquina de sucos.

- Bom dia. – O arrastar de cadeiras no balcão fez-se presente.

- Péssimo dia. – Fuzilou a mulher – O que quer?

- Elize. Ela já chegou? Preciso falar com ela. – Seu tom era preocupado – Não a encontrei em lugar algum...

- Ela não está e mesmo que estivesse não iria querer te ver!

Noah a encarou por algum tempo.

- Certo. Mas não pense que eu desisti de procurá-la. – Avisou, virando-se – Vou procura-la por toda parte, saibam disso!

- Se depender de nós você não vai encontra-la, seu traidor mentiroso! – Rosnou – Não é, Paul?

- ...

- Paul?

Ele fez sinal com as mãos, dando de ombros. “Sei lá”.

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Nova Iorque, EUA

05:42 pm

Ela agora lembrava-se de como aquele lugar era movimentado. Pessoas iam e vinham aos montes – quantas vezes quase não fora atropelada por algum pedestre apressadinho? – e o barulho das ruas em uma única hora equivalia ao barulho que fazia em Hampshire em um ou dois dias.

Mal havia chegado e já sentia falta de sua terra e de seus amigos!

De qualquer forma, caminhou até a editora observando com os olhos atentos todo seu caminho. Foi recebida pelo velho porteiro com um sorriso e um aperto de mãos, então ele indicou para que ela subisse e assim foi feito.

No sétimo andar, aproximou-se da recepcionista – a qual deveria ser nova, pois Elize não se lembrava de nenhuma ruiva se não a pequena gordinha copeira – e, entregando o curriculum, disse para que veio. Ela sorriu doce e pediu para que esperasse por um momento.

Quinze minutos depois estava sendo chamada novamente para uma entrevista, não conseguiu não rir da ironia de ser entrevistada na empresa onde passara os anos profissionais mais promissores desde que se formara. Começaria do zero novamente, mas pelo menos estaria longe de Noah e longe de toda dor latente que ele lhe causava. Elize apressou os passos para acompanhar a recepcionista e, qual não foi sua surpresa, ao encontrar sua antiga chefe de edição atrás da mesa do escritório:

- Não acredito! – Ela falou sorrindo surpresa e rodeando a mesa para abraçar Elize que sorria tão surpresa quanto ela – Lizzie! Menina onde esteve esse tempo todo?!

- Ah, Karen! Também senti tanto a sua falta!

- Esta de volta para ficar?

- Sim... E preciso trabalhar, tem alguma coisa pra mim?

- Se eu tenho? Isso aqui ficou com uma cratera sem você! Nunca mais emplacamos um best-seller no currículo! Editora chefe!

- Eu... – Elize não conseguia conter a felicidade e a sorte que tivera. – Nem sei o que dizer.

- Eu sei. – Ela falou em tom sério, mas brincando. – Algo como “prometo nunca mais te abandonar” estaria ótimo para um começo de conversa.

- Veremos se consigo cumprir tal coisa... – As duas riram.

- Mas me conte, por onde andou, o que houve e como estão seus pais?

- Bem, como você sabe, voltei para Hampshire por causa do meu pai... Ele faleceu...

- Oh querida, sinto muito...

A conversa ainda durou um pouco, Karen convidou a amiga para um café e acertaram o contrato de Elize ainda no mesmo dia, passaria a trabalhar no dia seguinte. A ex-garçonete pegou as chaves de seu armário e tornou à pensão onde ficaria Uma vez que tinha vendido seu apartamento. Era uma casa modesta de dois andares onde vivia uma cozinheira, a qual era a dona da casa, e outra inquilina – uma estudante de medicina.

Tirou do bolso da camisa o Nokia que Ellie abrira mão para dar de presente à ela logo que soube da viagem e discou o número de Paul. Tocou por algum tempo até que finalmente ouviu a voz do outro lado da linha:

- Já era hora de dar sinal de vida! – Exclamou ele, fazendo-a rir baixinho.

- Desculpa, é que achei melhor ir primeiro até a editora. Mas conta aí, como estão as coisas? – Deitou-se na cama após retirar os sapatos com uma mão só – Já explodiram a lanchonete? – Tornou a rir.

- Quase que foi para os ares mesmo. Digo quando aquele cara veio aqui e a Ellie quase jogou a maquina de sucos nele... Mas fora isso está tudo bem sim. Conseguiu o emprego de volta?

- Consegui, começo amanhã. – Ignorou os outros comentários – O movimento está muito grande aí? Estou te atrapalhando?

- Não, relaxa, hoje está mais leve. Olha, já tem uma menina aqui querendo ocupar seu lugar. É novinha, mas parece gente boa. Vamos ver se a chefa gosta dela, né – Riu baixinho.

- Eu acho que é isso só... Bom, depois pede para a Ellie me ligar, ok?

- Pode deixar! Até mais, Liz, e vê se para de arrasar corações por que já basta o meu e o da cidade inteira que você abandonou aqui.

Ela gargalhou.

- Bobo!

Encarou a tela por mais algum tempo, a mão livre alcançando na mesa de cabeceira um pacote com canudinhos de chocolate e pegando dois para si. Não imaginava ela que uma mensagem de Paul chegaria até certo escritor, nem que ele era o membro fundador da tal “Força Anti-Brooklyn”. Aliás, nem sabia que existia tal coisa.

Mas o que aconteceu foi que, momentos e canudos de chocolate depois, o aparelho tocou. “Número desconhecido”. Pensou que fosse um novo aparelho da Ellie, então não pensou muito antes de atender.

A voz do outro lado não tinha nada feminino.

- Alô, Ellie?

- Elize? Aqui é o Noah. Não desligue, por favor! Não desligue!

Ela paralisou. Mastigou o canudo rígida e vagamente, fitando o armário de madeira velho, uma sensação de gelo percorreu todo o seu corpo que começou a ter espasmos. Lágrimas começaram a arder em seus olhos, mas elas as ignorou impedindo-as de cair.

- Ouça, eu não sei o que houve... Não sei por que você sumiu assim, do nada, nem por que Ellie está me tratando tão mal como se eu tivesse cometido um crime contra sua pessoa, mas peço perdão. Por favor, Elize...

- Pare. – Cortou a garota com o tom duro – Não quero perdões da boca para fora. E você realmente não sabe o que houve? Mesmo? – Riu com escarnio, mesmo que na realidade já sentisse os olhos arderem e um nó formar-se na garganta. Estava agarrando-se com força e esperança naquela traiçoeira e escorregadia corda imaginaria.

- Elize... Eu preciso de você tanto quanto preciso de oxigênio. Antes de você surgir na minha vida eu havia desistido do amor, pensava que era tudo uma grande farsa. Agora vejo o quanto me enganei. – Respirando fundo e tendo seu orgulho tampando sua garganta para não emitir quaisquer sons, Elize ouvia incrédula. Como depois daquilo ele ainda tinha a falta de vergonha na cara de dizer-lhe aquilo?! – Ouça-me, Elize: Me desculpe, seja lá o que eu tenha feito.

- É tarde demais para se desculpar. Você não pensou em como eu me sentiria ao saber que você me escondia algo, não é mesmo? – Acusou – E creio que não pensou em mim quando Brooklyn apareceu também! Você a tratou como uma amiga, ao invés de me contar logo a verdade! Você agiu o tempo todo pelas minhas costas, Noah! – a voz trêmula de raiva e dor – A primeira característica de quem ama é não mentir. É confiar. E você não confiou em mim... Você mentiu e ainda... – Parou incapaz de continuar, lembrando-se de Brooklyn seminua na casa dele.

- O que? Me diz, por favor! Elize!

Seu peito parecia explodir tamanha era sua incredulidade, sua magoa e sua raiva. Ela tornou a respirar fundo, fechando os olhos com força ao tempo que sentia a primeira lágrima escorrer lentamente. O canudo de chocolate azedara misteriosamente e um gosto amargo ficara em sua boca. Por dentro queria voltar para ele — voltar para seus braços firmes e seus lábios doces -, mas sua mente avisava que isso era arriscado. Tinha medo, muito medo. Medo de estar enganada, medo de fazer besteira, medo de ser trocada e humilhada. Medo de se tornar ruínas. Antes que Noah pudesse dizer mais qualquer palavra que fosse para tortura-la, Elize desligou.

- Elize? – Ele chamou em vão.

Ela deixou o celular escorregar da sua mão já incapaz de segurar o pranto convulsivo que dominou-a, encolhendo-se sobre a cama, Elize pranteou a revolta, o orgulho ferido, a alma fragmentada, o coração destruído que trazia consigo, bem dentro da sua mente procurava se convencer que aquela era uma dor momentânea, que ela era mais forte que isso e logo passaria, e logo ela estaria bem.

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Noah não conseguiu se impedir de chorar, não conseguiu evitar também a raiva que sentia de Elize e de si mesmo por não saber o que estava acontecendo, tentou repensar cada passo que dera desde que a apresentara como sua namorada socialmente, mas não conseguia ver nada que pudesse tê-la ofendido. Revoltado, atirou o celular contra a parede e esmurrou o sofá.

- A não ser que...

Sussurrou para si mesmo. Como um filme lembrara-se nitidamente da noite de suas alucinações, poderia Brooklyn... Não. Ele não podia conceber tal coisa, afinal ele acordara sozinho no dia seguinte o que teria acontecido? O que estava acontecendo com ele? Seus pensamentos foram interrompidos por batidas na porta, ele olhou a hora e, confuso, caminhou até lá abrindo-a:

- Você? – Ele perguntou em tom áspero fitando a figura na porta.

- Eu... Vinho? – Ela falou erguendo uma garrafa.

- Vá embora. – Ele se preparava para bater a porta em sua cara quando Brooklyn o impediu.

- Noah...

- O que você fez com ela, hein? – Ele fitou-a com fúria, segurando o braço dela com força.

- Está me machucando! – Ela protestou.

- Me fala o que você disse pra Elize! Agora!

- Me solta! – falou tentando em vão se soltar – Eu não disse nada! Ela viu!

- O que ela viu?! – Noah gritava. – O que?!

- Vai me dizer que não se lembra? Você acha que sou idiota?

- Do que está falando?

- Você dormiu comigo. – descarada. – Nós fizemos amor como nunca Noah... Você foi tão... Incrível!

Sem medir suas ações, a mão de Noah foi pesada de encontro ao rosto de Brooklyn. O eco da tapa ecoou pelo hall juntamente com o som da garrafa de vinho que se desfragmentou em milhões de pedaços. Brooklyn caiu no chão, chocada.

- Você é uma... – Ele se interrompeu.

- Como... Teve coragem? – Rosnou entre dentes mantendo a mão no rosto e os olhos cheios de água.

- Saia da minha frente, agora! Eu nunca mais quero te ver! Me entendeu? Nunca mais.

Ainda desconcertada, a mulher ergueu-se pegando a bolsa e cambaleando para fora da casa com lágrimas nos olhos e um profundo ódio de Noah. Praguejou e amaldiçoou-o, sentindo-se humilhada como nunca antes.

- Você ainda há de se arrepender, Noah Tedder! — A fúria soou mais que a voz embargada, a mulher bateu os pés no chão enquanto andava até o carro.

O escritor deixou-se cair ali mesmo, as mãos fizeram um percurso rápido da testa pelos cabelos espessos e as lágrimas o dominaram em um choro convulsivo — ele sentia nojo de Brooklyn e de si mesmo. Elize nunca o perdoaria.

“- É tarde demais para se desculpar.”

A voz de Elize ecoava em sua mente enquanto as lágrimas quase o impediam de respirar direito. Tão absorto em sua dor não notou que os paparazzi estavam a espreita do lado de fora, flagrando cada momento dos últimos acontecimentos de sua vida.