Wakeru

24 Capítulo 23 - Tatuagens, cicatrizes pelo meu corpo


Notas iniciais
Oi!
Sim eu já estou postando.
Não eu ainda não terminei...
E sim, esse cap é pra Derby-chan, e eu sei que agora ela me mata via facebook.
Boa Leitura!

“Mr. Hyde deu a impressão de que hesitava e, depois, como resultado de uma inesperada reflexão, ergueu a cabeça em tom de desafio. Os dois ficaram se encarando fixadamente durante alguns segundos.[...]”

O Médico e o Monstro – pág. 27.

Seiichi POV

Quando vi ele mudar a aparência na minha frente, quase não acreditei nos meus próprios olhos.

Era realmente o Kaoru?

- Que merda é essa?

- Oras... Não queria que eu fosse como vocês? Só estou sendo... – riu vindo perto de mim, e segurando o cano da arma, e colocando no meio da testa. – Agora atira bem aqui. – deu uma gargalhada.

- Você está duvidando de mim?

- Não. Só estou esperando que faça. Faça o que fez com meu pai, e com um monte de pessoas por ai. Você não tem experiência o suficiente?

- Não brinque com fogo! – gritei.

- Eu não estou brincando, você está...

Engatilhei a arma, e vi ele esboçar um sorriso.

- Isso... É isso que eu quero... – sussurrou.

Pela primeira vez, eu estava ficando nervoso, e quase não conseguia segurar a arma firmemente.

Soltei o gatilho. Mas a arma falhou.

Engatilhei novamente...

- Não... Não... – olhei para trás e vi um rapaz, loiro, com o menininho que tinha corrido daqui.

- Quem é você para mandar em mim? – perguntei.

- Por favor... Eu peço... – disse se aproximando

- Sai daqui Shinya! Ninguém precisa que você atrapalhe... – Tadashi, que estava encostado no carro, praticamente gritou

- Quem é ele, Tadashi?

- Meu irmão.

- Então tira ele daqui, antes que eu acabe com ele também.

- Não... Eu não vou deixar que você faça nada ao Kaoru. Foi uma promessa que fizemos quando éramos pequenos, ele já cumpriu a parte dele, falta a minha. – disse o loiro encarando Tadashi.

- Larga disso Shinya... Não se foda por minha culpa. – disse Kaoru, que já tinha voltado ao normal.

- Deixa de viadice, Shinya. – Tadashi sacudiu o irmão.

- Me solta... Kisaki. – o loiro se soltou e veio perto de mim. – Por favor, Kamata-sama.

- Saia daqui!!! Tadashi tira o seu irmãozinho daqui, antes que eu atire nele também.

- Sai daqui Shinya! – gritou Tadashi se aproximando.

- Não! – senti o Shinya me empurrar e eu disparei o revolver duas vezes sem saber a direção

Me levantei, e vi Tadashi chutando o irmão com fúria. Vi o menino menor perto do Kaoru, que estava com o rosto cheio de sangue e jogado no chão.

- Tadashi... Seu inútil, Vocês já destruíram grande parte da vida dele, o que ele deve mais a vocês?

O loiro se levantou, um pouco tonto pelos chutes, e foi na direção do Kaoru.

- Chefe... Eu vou acabar com isso... – Tadashi, sacou o revolver e apontou para os três.

- Não... Deixe eles ai... O que eu queria, eu já fiz... – dei as costas, sendo seguido por meus comparsas.

...

Jun POV

Assim que ouvi os tiros corri na direção do Kaoru, que já estava no chão, com o rosto coberto por sangue.

- Kao-nii-san?!? – me abaixei, com uma calma que não era para o momento.

Ele gemeu, e eu soube que ele estava vivo.

Nem dei atenção para que os outros diziam, eu lembrava muito bem, que na escola, ensinavam que quando alguém sofre algum acidente sério, principalmente se atinge a cabeça, devemos manter a pessoa consciente.

- Kao-nii-san... Tá me ouvindo?

- d-o-i... – respondeu devagar.

- Eu vou pedir ajuda... Tá? Eu já volto.

Shinya já estava ao meu lado. E me senti mais seguro de deixar o Kaoru lá.

Corri para casa, e liguei para a emergência.

Quando voltei, o Shinya estava falando com o Kaoru.

Eu não sei de onde tirei tanta calma, mas eu precisava, me manter assim, para que o Kaoru ficasse calmo também.

A ambulância não demorou muito para chegar, e logo estávamos a caminho do hospital...

Assim que chegamos, levaram, rapidamente o Kaoru para a emergência, e eu e o Shinya ficamos horas, e horas esperando.

Realmente, nesse tempo que ficamos lá, meu desespero surgiu. Comecei a chorar, eu já estava sem meu irmão... E se o Kaoru não ficasse bem?

- Shinya... O Kao vai ficar bem?

- Vai... Sim... Tá...calma, que daqui a pouco teremos noticias.

- Já faz quase três horas...

- Isso demora mesmo, tá... – ele fez um carinho na minha cabeça.

- Vocês estão acompanhando o Niikura Kaoru-san? – disse o médico.

- Sim, estamos... – respondeu o Shinya se levantando.

- Bom... A operação foi feita com sucesso, a bala, felizmente, não chegou a nada de importância vital. Mas... O rosto dele...demorará um certo tempo para que ele possa fazer uma reconstrução dessa parte do rosto. E alias... Foram dois tiros, um de raspão, e um que se alojou um pouco abaixo do olho direito.

- Sim...

- Vocês podem ir lá vê-lo. Ele está um pouco sedado ainda, mas talvez ele responda vocês. — disse ele indicando a porta para irmos ao quarto.

Ao entrar, já vi o Kaoru com a cabeça toda enfaixada, com as faixas cobrindo o rosto, que ainda estava muito inchado.

Eu me aproximei dele, e segurei a sua mão.

- Eu fiquei com medo... Kaoru-nii-san... – eu senti ele apertar a minha mão, e abrir um dos olhos.

- E-u gos-to... De quan-do me cha-ma de nii-san... – disse pausadamente.

- Cuidado, você acabou de ser operado. – disse Shinya.

- E...vou fi-car com a ca-ra ma-is fe-ia do que nun-ca... –

- Para de graça, Kaoru! – eu ri.

- Ok... Vo-cês... Irão ver o To-oru?

- Acho que hoje não dá... Temos que ficar aqui com você... – respondeu o Shinya.

- Nã-o... Eu... Tô...b-em... Mas vo-cês, têm que ver co-mo o To-oru es-tá.

- Tudo bem... Mas depois voltamos aqui... – disse o Shinya me puxando.

- Fica bem! – disse acenando para o Kaoru.

[...]

- Shinya... Você não falou que tinha um irmão mais velho. – disse.

- Pensei que você tivesse visto... Quando eu te levei em casa.

- Mas... É que você tinha falado só que seu pai era da gangue...

- Sim, meu pai também quis que eu seguisse os passos dele, mas eu recusei.

- Ah... Entendo... Mas não é comum os dois filhos na gangue.

- Meu pai queria lucrar mais...

- Seu pai parece ser um tanto possessivo ao dinheiro...

- Eu já me acostumei... Mas vamos agora nos preocupar com seu irmão.

- Shin... Eu, o que eu vou fazer sem meu nii-san? – perguntei, desviando o olhar

- Você tem que continuar, por que quando ele voltar, vai precisar de você. – sorriu.

- Sabe...o seu jeito me lembra o nii-san, quando era bonzinho comigo.

-Obrigado pelo elogio! — sorriu

...

Kaoru POV

Meu rosto estava tão dolorido... Uma dor inimaginável.

Eu ouvia todos falando ao mesmo tempo, mas a dor me deixava sem entender nada.

Na minha mente vinham cenas com o Tooru. Cenas, como se ali fosse a ultima vez que eu veria ele... Realmente, eu me senti morrendo, por que quando eu era pequeno, diziam que quando você estava prestes a morrer, você veria todas as cenas mais importantes de nossa vida.

Eu queria saber se ele estava bem...

- Niikura-sama... Está acordado? – ouvi a voz da enfermeira.

- Es-tou... – respondi, saindo da minha realidade alternativa.

- Ainda está com dor? – perguntou.

- um pou-co...

- Então vou dar só uma pequena dose da medicação. – ela se aproximou, e mexeu no soro.

- Quanto tempo vou ficar aqui?

- Depende somente do doutor... Mas acho que só mais um dia. – sorriu.

- Melhor assim... Tenho muitos problemas a resolver ainda.

Ela saiu, e eu voltei a ficar naquela imensidão silenciosa e apática, lembrando de tudo que tinha acontecido ultimamente... E de como tudo estava acontecendo rápido demais.

-Kaoru...

- Toshiya? Ah...não ...não você não teve a cara de pau de vir aqui! Você... O que você quer aqui seu inútil?

- Fiquei sabendo... Que você foi baleado... Eu só vim ver se está bem.

- Estou sim... Agora pode sair daqui, não quero você perto de mim.

- Kaoru...somos amigos desde...

- Nossa amizade foi destruída quando você levou o Tooru! Estava tudo bem antes de você não usar bem sua cabeça.

- Kaoru, você querendo ou não o Tooru é um assassino. Eu estava cumprindo meu papel de homem da lei.

- Então vá você e essa lei pro inferno! Por que vocês não levam em conta o que se passou com as pessoas, porque a corda arrebenta para o lado mais fraco, não é mesmo? Sai daqui! Desaparece, eu quero ficar sozinho.

- Eu... Quando você estiver melhor e mais calmo, conversamos...

- Eu não quero mais ver você na minha frente. – gritei, sentindo minha dor aumentar.

Ouvi a enfermeira entrar desesperada, pedindo que eu me acalmasse, senão iria acabar estourando meus pontos.

Tooru POV

Eu já não estava mais agüentando ficar ali, sob os olhares interrogativos daqueles dois esquisitos.

Eu só queria ficar com meus próprios pensamentos, mas com aqueles idiotas ali, isso estava sendo impossível.

Passei as mãos pelo rosto, e respirei fundo.

- Nervoso? – perguntou Koji

- O que está parecendo? – respondi de maneira ríspida, até que estou me saindo bem.

- Ah... Até parece que não está acostumado a ficar aqui... – riu.

- Se você gosta, eu não posso fazer nada.

- Tooru Nishimura... Tem visitas para você. – meu coração ficou aliviado, deveria ser o Kaoru e o Jun, e claro o Shinya-san...

Me levantei e segui o policial que tinha aberto a cela.

Assim que vi meu irmão, corri para abraçá-lo.

O Shinya também estava lá, mas...

- Nii-san, você está bem? – sorriu Jun

- Eu tô... Mas cadê o Kaoru? – perguntei.

O Shinya e ele abaixaram a cabeça.

- Cadê ele? – me exaltei.

- Ele tá bem, tá bem agora, não fique assustado. – respondeu o Shinya

- Como assim, o que houve? O que aconteceu com o Kaoru?

- Nii-san, se você ficar agitado, eles te levam de volta...

O Jun estava certo. Respirei fundo, e me sentei.

- Me conta... Por favor... O que aconteceu?

- Ele foi baleado... – respondeu o Shinya.

- Como? Quem fez isso?

- O Kamata-sama... – respondeu.

- O Kaoru devia ter ficado em Kyoto! Onde foi o ferimento, ele tá bem mesmo, nee?

- No rosto... – respondeu o Jun. – Mas ele já tá bem... Ele pediu que a gente viesse aqui, ver como você estava...

- No rosto? – segurei para não chorar... Ele devia estar sentindo muita dor... Ai que droga... É minha culpa...é tudo minha culpa, se eu não tivesse sido pego, ele não voltaria para cá, e nada disso teria acontecido.

- Nii-san?! – Jun chamou minha atenção, e eu percebi que as lágrimas começaram a cair.

- Desculpa, Jun... – disse secando o rosto.

- Nii-san, ele está bem... O pior já passou... – ele segurou minhas mãos. – Você está frio...

- Não se preocupe... – sorri. — E por que na cela é um pouco frio.

- Vamos tirar você daqui Tooru. – disse o Shinya.

- Não se preocupe com isso... Eu apenas vou cumprir a pena de algo que eu fiz.

- O Kyo- disseram em uníssono.

- Não deixa de ter uma parte de mim nisso... – respondi. — Eu só queria que vocês não se preocupassem tanto comigo, eu tô aqui dentro, e não tem um lugar que eu fique sem um vigia me olhando, e a maldade do Kyo faz com que todos pensem duas vezes antes de se aproximar. Mas vocês estão lá fora, com o Seiichi atrás do Kao... Então se preocupem com vocês... Com a segurança de vocês...ok? – sorri.

- Acabou o tempo... – bateu o policial na porta.

- Ok...nii-san... – Jun me deu um abraço, e depois acenei para o Shinya-san, e sai.

Voltando para o inferno.

- Tá vermelho, Kyo-san... – riu Koji.

- E o que te importa?

- Ahhh...sempre mal-humorado. – respondeu, voltando a dobrar um papel qualquer

- Hey, baixinho... Quer um... – o outro, que nem me dei o trabalho de perguntar o nome, me mostrou um cigarro.

- Não, tô de boa... – respondi – E não me chama de baixinho, não somos íntimos.

- Chega aqui...e acha que manda...

- Não sei você, mas eu conheço esse covil há um tempo...

- Então se acha o experiente? Quantas vezes já veio aqui?

- Peguei seis meses por tráfico, e antes, fiquei algum tempo por outros motivos não tão claros... – sorri de forma sádica vendo ele erguer uma sobrancelha.

- Essa foi a única vez que fui pego... Mas enfim, fiquei sabendo que você tem rolo com a Yakuza, isso é sério?

- Não preciso dar satisfações pra você... Fique no seu canto, e não fique me perguntando, por que eu não vou perder o meu tempo te respondendo.

Ele se levantou e veio na minha direção.

- Olha aqui nanico... Diferente dos outros aqui, eu não tenho medo de você – ele me segurou pelo pescoço.

- Deveria... – tentei manter o temperamento do Kyo, mas eu estava com medo de que algo desse errado. – Me solta...

- Ou você vai fazer o quê? Chutar minha canela?

Respirei fundo, não sei de onde eu tiraria forças, mas que tinha que dar um soco nele, para me soltar...

Soquei o peito dele, para me soltar.

Cai no chão, e ele somente me encarou.

- Acho melhor não mexer com o Kyo-san. – disse Koji, sem se mover.

- Você me paga baixinho...ah se me paga...não tenho e nem terei medo de você, e não pense que isso vai ficar assim...

- Você não vai me intimidar... Não mesmo... – sorri.

Ele veio para cima de mim, novamente... Mas antes que me acertasse um policial, abriu a cela e o segurou.

É...ficar aqui não vai ser fácil.

- Você está arrumando confusão de novo Kawasaki, quer ficar mais uma semana na solitária? – gritou.

Ele não respondeu.

- E você Nishimura, pode tratar de ficar quieto, não quero algazarras como da ultima vez que ficou aqui.

- Não mesmo senhor. – Sorri. – Ele que está provocando, eu estou tentando diminuir minha estadia aqui.

- Comportem-se. — disse o policial saindo novamente.

- Ouviu, né?! – ri – É melhor ficarmos quietos, por que esse ai adora nos deixar com fome, não é mesmo, Koji ?

- É... Kyo-san.

O outro bufou e se sentou no chão.

Agradeço por ter todas as lembranças do Kyo, e por saber fingir muito bem.

Mas não tenho certeza se conseguirei manter isso por mais tempo.

E quanto tempo será que eu vou ficar aqui?

Notas finais
o.O Sim...eu dei um tiro na cara do Kaoru.... e sim... o Tadashi é o Kisaki... kkkkkkk (Não me mate Derby...)
Mas enfim, como já perceberam tá chegando ao fim, mas eu me embolei em um dos caps...