Wakeru
21 20 -Até que o vermelho fio vermelho seja arrancado
Notas iniciais
Como ia dizendo ressurgi das trevas!
Eis o Cap.... e não me matem!
Boa leitura!
“Esse familiar que eu fazia surgir de minha própria alma e que enviava sozinho em busca de conseguir seu próprio prazer era um ser inerentemente maligno e infame.”
O Médico e o Monstro — Pág. 97
Kaoru POV
Eu não devia, mas era a melhor coisa a se fazer, se eu continuasse apenas como o Kaoru, eu não teria coragem de enfrentar o Toshiya.
Como, não teria tempo para beber a Wakeru, injetei em mim, de maneira rápida, e quase quebrei a agulha no meu braço.
Era uma quantidade menor do que o Kyo tomava, então duraria bem menos...
{...}
Eu despertei, queria usar toda aquela raiva que guardei por anos, por eu sempre ter sido o “calmo”, por eu ter sido quem sempre quis resolver tudo na conversa.
Eu ia extravassar....
E o momento seria esse...
Mas Jun entrou na frente, e meu lado consiente me fez parar.
- Jun, não se mete... – disse, vendo que ele ignorou minhas palavras e começou a falar com o Toshiya.
Mas quando o Toshimasa, começou a falar que ele levaria o Jun de volta para casa. Jun saiu correndo na direção do carro para tentar tirar o Tooru de lá.
Mas eu ouvi um barulho, já tão conhecido para mim.
Minhas lembranças..... as piores lembranças...
Um tiro.
Jun gritou assustado, e tentou a tanto custo socar a porta e abri-la.
Urrei de raiva, por que eu queria apenas que o Tooru se soltasse e fugisse, mas agora seria impossível.
Toshiya correu na direção do carro, e eu o segui.
Kyo olhava para si mesmo, assustado, um tiro, no peito.
- Daisuke seu inútil! – gritou Toshiya abrindo a porta.
- Ele pegou a arma e ia atirar em mim!
- Você só devia ter ameaçado, não feito isso! – Antes que Toshiya fechasse a porta, puxei o Kyo para fora, e Toshiya me olhou surpreso.
- Eu não vou deixá-lo nas suas mãos... – eu já havia voltado a mim. Como eu imaginei, o efeito passaria rápido.
- Ele precisa ir para um hospital! – gritou Toshiya.
- Ele não pode... Não com a Wakeru no corpo dele.
- Você é um maníaco! Vai deixá-lo morrer, por uma experiência...
- Eu nunca faria isso. Eu o amo... nunca o mataria. – disse, sendo observado por Toshiya com uma expressão quase que incrédula.
- Me...solta...Kaoru... – disse Kyo já ficando inconsiente, e voltando a ser o Tooru.
- Não... Kyo... – disse, o levando na direção a casa.
- Volta Kaoru, não aja como um retardado.
- Cala a boca Toshiya, você não sabe o que eu vou fazer...
Levei o Kyo de volta para casa, e o coloquei no sofá.
Toshiya me seguiu, e ficou me encarando.
- Kaoru.... leva logo ele para um hospital!
- Não Toshimasa! Não posso. – me levantei e tentei achar algo que pudesse estancar o sangue.
Achei um pano, e fiquei pressionando a ferida dele, sendo observado por Jun, que estava tão apreensivo.
- Calma Jun, vai dar tudo certo... – sussurrei, vendo ele assentir com a cabeça. E segurar a mão do irmão.
- Toshimasa-san, você vai deixar ele mandar em você?! – gritou Daisuke.
- Cala a boca Daisuke, você é o culpado por isso estar acontecendo. – Toshiya se aproximou de mim, e pegou o Kyo nos braços.
- Não! Deixa ele aqui!!!!!!!!! – gritei.
- Não! – disse ele. – Daisuke algeme o Kaoru, e leva ele pro carro.
- Quê? – nem tive tempo para um reação melhor, por que Daisuke me empurrou, e logo me algemou.
- Não! Para com isso! – gritou Jun vindo e segurando Daisuke.
- Cala a boca... – disse ele puxando Jun junto comigo.
Ele nos jogou na parte de trás do carro, e se sentou ao nosso lado.
Toshiya já estava com o Tooru lá dentro, e ligou o carro, saindo em disparada.
O que vai acontecer agora?
Porque tudo tinha que ser desse jeito.
O Tooru estava ali, morrendo, e eu algemado, incapacitado de ajudá-lo, incapaz de fazer alguma coisa pela pessoa que eu mais amava.
Jun estava encostado em mim, chorando em silencio.
- Jun... não chora não, chibi... – sussurrei chamando a atenção dele por alguns segundos.
- Pra onde vão levar a gente? – perguntou num sussurro.
- Não sei... – respondi.
Seguimos em silencio, até que o Toshiya parou o carro na frente de um hospital, e saiu correndo com o Tooru nos braços.
A porta do carro estava travada, e mesmo que não estivesse, ele não poderia escapar.
Depois de longos minutos de espera, eu não agüentava mais.
- Eu quero ver como o Tooru está! – gritei, assustando o Jun que estava distraído olhando a janela.
- Eu não confio em você – disse Daisuke, não me encarando.
- Eu tô algemado, não dá para ir muito longe. – respondi em tom insolente.
Me encarou, e arqueou a sobrancelha.
- Se tentar qualquer coisa, e acabo com o menininho ai... – disse ele destravando a porta, e me puxando para fora.
[...]
Ficamos numa sala reservada, junto com o Toshiya, que parecia com certo ar de vitória.
- Não comemore Toshiya... – disse.
- Não estou comemorando... só estou cumprindo meu papel. – respondeu
A enfermeira veio, e avisou que o Tooru já estava estável.
- Eu quero vê-lo. – disse.
- Você fica aqui. Eu resolvo isso. – Toshiya se levantou e seguiu a enfermeira.
Depois de mais alguns minutos, ele voltou.
- Vem Kaoru... e você também Jun... – disse ele.
Seguimos pelo corredor e entramos no ultimo quarto do andar.
Tooru, pelo menos na aparência, estava dormindo, tranqüilo.
Permiti tocar o seu rosto, e vi ele mexer um pouco os lábios.
- Vai ficar tudo bem...
- Fica aqui... – ouvi ele sussurrando.
- Acho que não vai dar... – disse vendo outros policiais entrando no quarto.
- O que eles vão fazer? — perguntou Jun, segurando na minha camisa.
- Jun... calma, você ainda vai ficar com seu irmão, ok? – disse, com um dos policiais já me afastando dele.
Segui de olhos fechados, não por vergonha, mas porque eu estava pensando em uma maneira de sair dessa cilada.
Somente abri os olhos, quando percebi que o carro onde me levavam, havia parado.
- Anda... saia logo do carro.
- Tudo bem... – respondi pacificamente.
Entrei na delegacia, e fiquei sozinho sentado numa sala, que estava trancada.
Fiquei lá por uns minutos, até que um investigador entrou e se sentou na minha frente.
Ele analisou a minha postura. Observou minhas tatuagens, sem falar nada.
- Vai ficar só me olhando? – perguntei, já impaciente.
- Niikura Kaoru. 26 anos, formado em Química pela Universidade de Tokyo. Trabalha para o Instituto de pesquisas de Tokyo.
- Sim, sou eu.
- Está com algum trabalho paralelo?
- Não.
- Há indícios de que você participa de uma gangue.
- Nunca cogitaria essa hipótese. Não gosto de brigas... não gosto de agir violentamente. – falei olhando nos olhos dele.
- Mas segundo o relatório, e as pesquisas do Hara-san, seu pai era um dos membros da Yakuza.
- Meu pai era sim, mas ele fez um trato com o líder, para que não me envolvesse nessa gangue.
- Certo.
- Você também desenvolveu um novo tipo de droga.
- Wakeru só mostra o lado bom ou o lado ruim das pessoas. Não é para consumo desenfreado.
- Qual o intuito dessa droga? O que você pretendia criando ela?
- Que todos pudessem escolher um lado, que se sentissem mais confortáveis.
- Como assim?
- As pessoas nunca gostam de ser como são. Eu queria dar a oportunidade para que elas pudessem viver da forma que acham que deviam viver.
- Você acha que pode ser um ‘deus’? Dando oportunidades para as pessoas?
- Não disse isso. Tudo seria para um fim benéfico para sociedade, o Tooru foi apenas um teste, e o que ocorreu foi uma tragédia sem tamanho.
- Bem, seguindo o relatório, você estava acobertando o Nishimura Tooru-san.
- Ele estava inconsiente, por isso eu citei sobre ter acontecido uma tragédia.
- Tragédia? Você culpa a formula... pelo que o Nishimura-san fez?
- Claro, o Kyo misturou muitos tipos de drogas naquele dia.
- Então você diz que foi induzido pelas drogas, que ele estava incosciente?
- Sim... Ele estava alterado pela mistura de substâncias.
- Certo.
Cada vez que ele dizia ‘certo’ eu sentia uma vontade de dar um soco nele.
- Você sabe que por ter usado um cobaia, será processado pelo conselho de química.
- Sei.
- Bom... por enquanto, só isso, você ficará sob custódia, por mais algumas horas, até que o conselheiro de química de um parecer sobre esse caso.
Ele se levantou. E antes que saísse.
- Vocês não vão prender o Tooru, não é mesmo? Ele não tem culpa!
- Isso só o próprio Nishimura-san, poderá mudar nossa visão ou não. — disse me deixando mais uma vez sozinho.
Tooru POV
Abri os olhos, e vi policiais levando o Kaoru, e fiquei sem reação.
Alias eu não poderia fazer nada. Estava naquela maca, com uma dor mediana no meu peito.
Logo vi o médico entrar.
- Rapazinho, você teve sorte. O tiro não acertou nenhum órgão vital, e foi retirado com sucesso.
- Para onde levaram o Kaoru?
- Na delegacia. – respondeu Toshiya.
- Mas ele não fez nada! Ele só procurava uma resposta! – gritei, mas o medico mandou que eu me acalmasse, senão complicaria minha situação clinica.
Olhei para o lado, e vi o Jun sentado na beira da cama. E me senti aliviado por ele ainda estar ali.
- Chibi...- chamei e ele sorriu para mim.
- Nii-san, eu vou ficar aqui para te proteger... – disse.
- Muito lindinho, mas tenho que levar o Jun de volta para casa.
- Eu já disse que eu não vou! Eu não vou voltar com aquela mulher maluca! – disse ele segurando o meu braço com força.
- Eu não vou discutir com uma criança. – Toshiya pegou ele pelo braço, e arrastou ele para fora do quarto.
- Deixa meu irmão aqui... – disse vendo ele ignorar minha frase e seguir em frente.
Mas ouvi vozes e logo o Jun voltou para dentro do quarto correndo.
- Nii-san, eu vou ficar, eu não vou te deixar sozinho! Eu não vou ficar só olhando dessa vez, eu vou agir, eu vou te salvar disso tudo!
Ele me abraçou, e quando eu olhei para a porta, estava o Shinya.
- Como você nos achou? – perguntei.
- o Jun.
- O quê?
- Eu tenho isso, nii-san... – ele me mostrou um aparelho, devia ser um tipo de gps.
- Porque você não contou?
- Porque o Shinya-kun, pediu que eu não falasse para ninguém. – sorriu.
- Ok. Mas, porque o Toshiya te soltou.
- Porque eu encontrei a mãe de vocês, e ela retirou a queixa de que o Kaoru tinha seqüestrado o Jun. E passou a guarda dele para mim.
- Como assim? Ela nem te conhecia.
- Ser filho de um Yakuza te proporcina algumas facilidades. Todos tem medo de você mesmo que você não ofereça risco algum á eles.
- Entendo. – disse me sentando vagarosamente.
- Mas agora o problema, é livrar logo o Kaoru. E também você... e isso não vai ser muito fácil.
Eu sabia que não seria muito fácil, mas no fundo, eu tinha a esperança de que pelo menos o Kaoru se livraria da culpa.
Eu sei que não sou a melhor pessoa do mundo, e que esse fato só vai piorar ainda mais a minha situação diante da policia.
Espere um momento eu disse que eu não sou...
Me confundi...
O Kyo não é a melhor pessoa do mundo...
Notas finais
Ah foi muita confusão num capitulo só! (aff, pelo menos foi o que eu achei.)
E sim, a fic esta chegando ao fim.
Eu sei que não deve ser muito legal anunciar assim, mas eu disse que ela seria pequena e me surpreendi por já ter 20 caps!
Sério, eu achei que pararia no 13, mas as idéias vieram, e o fim foi adiado várias vezes espero que esteja agradando todos os leitores (E sim, acho que os leitores fantasmas também devem estar curtindo.)
Até o proximo!!!!
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