Wake up call.

4 Did you forget about me, Mr. Duplicity? I hate to bug you in the middle of dinner.


Notas iniciais
Como estamos transitando para romances, esse capítulo só tem uma música de corno: a famosa You Oughta Know - Alanis Morissette. Eu amo uma Alanis.

Naquele dia Astoria tentou afundar em si mesma e em sua tristeza na companhia de Draco Malfoy, mas além de muito puta da vida, ela não conseguia encontrar toda essa melancolia dentro de si. Claro que talvez com sua irmã, não importava quantas vezes elas tinham brigado uma com a outra e/ou dito coisas particularmente ofensivas e pesadas, ela achava que a irmã dela nunca faria coisas assim com ela, coisas que a fossem atingir por dentro e a fossem machucar de verdade.

A gente acha que existe essa merda de amor incondicional.

Entretanto, ela se afundou nas írises acinzentadas de Draco e nas covinhas de seu rosto quando ele ria de alguma coisa idiota que ela tinha dito, se afundou também no sofá confortável do apartamento sombrio e em preto e branco de Malfoy enquanto o vencia em todos os seus jogos de videogame, inclusive os que nunca tinha jogado.

— Eu sou médica, Malfoy. – ela murmurava ao fim das fases. – Isso daí não é tão difícil quanto uma cirurgia cerebral.

Dormiram juntos no sofá após milhares de partidas, merlot e comida em caixas de delivery.

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Depois de um plantão de vinte e quatro horas (dias depois já que ela trocou um plantão com Patil e ainda tinha um plantão próprio) Astoria acordou com batidas na porta, tinha dormido cerca de cinco horas. Não estava pronta para acordar ainda.

— Bom dia, sol do dia. – Draco disse em seu tom monótono levemente sarcástico diário.

— Por que você me acordou tão cedo na madrugada? – ela grunhiu, deixando-o entrar no apartamento.

— São dez e meia. – ele falou. – Vim te levar para um brunch!

— Eu fiz um plantão de vinte e quatro horas, uma cirurgia de dezesseis... – ela gemeu do banheiro, onde escovava os dentes. – Não estava pensando em acordar em pelo menos mais umas três horas.

— E se eu te disser que sua irmã vai estar nele? – Draco apareceu no batente da porta, que ela fechou no rosto dele. – Eu não estava te espiando nua.

— O que tem a Daphne estar nele?

— Que eu sei de fontes seguras, Pansy Parkinson, que ela vai levar McLaggen. – Draco fofocou mais alto, ouvindo o som do chuveiro.

— Então hoje é o debut deles como casal?

— Deve ser. – Draco encolheu os ombros mesmo que ela não pudesse ver, ajeitou a camisa de linho branco informal e os jeans escuros que costumavam atrair os olhares para sua bunda. Talvez ele quisesse apenas parecer ótimo após esse término ou talvez ele quisesse impressionar alguém.

— Mas o que faríamos lá? – ela desligou o chuveiro.

— Que banho rápido.

— Eu não estava suja, não lavei o cabelo e... Você virou um fiscal de banho, Malfoy? – ela riu se enrolando em uma toalha.

— Respondendo a primeira de suas perguntas: nós iremos confundir a cabeça das pessoas. – ele sorriu quando ela abriu a porta do banheiro só de toalha. Gostosa, linda, molhada. – Será que somos um casal? O que eles estão fazendo juntos? Será que eles ligam para a traição.

— Você está se sentindo brilhante com essa ideia de relacionamento falso, não é?

— Num drama mexicano.

— Ou adolescente.

— E eu posso ou não ter feito algo. – ele girou os olhos e sorriu estranhamente animado para o sempre sombrio Draco Malfoy... Mas se Astoria fosse ser sincera, ele sorria muito perto dela. Mesmo que eles se conhecessem há mais ou menos uma semana.

— O que você fez? – ela perguntou com expectativa.

— Talvez eu tenha convidado os Greengrasses para o brunch, para colocar nossos assuntos em dia. – ele ergueu a sobrancelha arrancando uma risada dela.

— Minha deusa, esse é o evento do ano. – ela foi até o quarto vestida na toalha.

Depois de colocar suas roupas íntimas, abriu a porta e estendeu dois vestidos para Malfoy. Era demais aparecer seminua na frente do cara ou não? De qualquer modo gostou da reação boquiaberta virjona do cara que segurou a onda e apontou para um vestido azul marinho sem piscar os olhos.

Colocou o vestido e pediu para ele fechar o zíper de suas costas, foi até o espelho, colocou um corretivo embaixo das olheiras, um rímel e um batom vermelho.

— Você se arruma mais rápido que sua irmã.

— Eu faço muitas coisas de maneira melhor que minha irmã. – ela mostrou a língua e piscou, pegando a sua bolsa e o esperando na porta.

Sem dúvidas.

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Quando chegaram lado a lado, as pessoas comentaram como se eles estivessem se agarrando publicamente. Era divertido. Cumprimentaram conhecidos juntos e responderam perguntas como:

— Vocês estão juntos?

— Bom, é o que parece. – Astoria dizia, fazendo Draco rir.

Inclusive parte das fofocas do dia eram como Draco parecia mais feliz, sorridente até com a irmã Greengrass errada. Essa que sim, era a maior fofoca da festa aparecendo sem McLaggen no lugar, com os pais à tiracolo e uma cara de choro.

— Mãe, pai. – Astoria cumprimentou. – Daphne.

— Sr. e Sra. Greengrass. – Draco estendeu a mão, que o pai de Astoria recusou enquanto a mãe olhava ultrajada. – Algo errado?

— Sr. Malfoy, eu esperava de Astoria fazer um escândalo aparecendo nesse brunch com outra pessoa tão perto de um termino que eu ainda não compreendi. – ela crispou os lábios. – Mas não do senhor.

— Entendo Sra. Greengrass, e sinto muito. – ele lançou um meio sorriso sem se preocupar em parecer pouco contrito. – Mas veja, eu esperava de Daphne não ser traído durante todo o nosso relacionamento com o namorado da irmã dela.

— Daphne fez o que? – fora seu pai quem perguntou com o os olhos semicerrados e o nariz franzido.

— Pegou o homem que vocês disseram ser inadequado para mim. – Astoria sorriu sem tirar os olhos do rosto vermelho da irmã. Ela parecia à beira das lágrimas, mas com os punhos cerrados como se fosse puxar um barraco naquele brunch cheio de conhecidos. – Vocês vejam, Draco e eu nos aproximamos na tristeza, eu diria que Daphne nos aproximou.

— Daphne os aproximou. – a Sra. Greengrass repetiu olhando para a filha.

— O desvio de caráter dela. – Draco consertou. – Meus pais ficaram desolados com essa traição, queriam que nem eu ou qualquer membro de nossa família cruzasse os caminhos com a de vocês novamente.

— Mas...

— Vocês são parceiros de negócios, eu sei. – Draco afirmou, balançando a cabeça de maneira reflexiva. – Entretanto, vocês hão de reconhecer que nenhuma família gosta de ser humilhada publicamente.

Astoria tomou um gole de sua mimosa. Champanhe com suco de laranja parecia uma escolha maravilhosa e comemorativa naquele momento, já que o rosto de seus pais era impagável: nada pode ameaçar a família Greengrass e seu status, inclusive a própria família Greengrass. Descobrir o que Daphne tinha feito e que de alguma forma era Astoria quem estava consertando, parecia o melhor cenário possível naquele dia.

— Bem, não quero ocupa-los durante esse amável brunch. – Draco sorriu encantadoramente, porém com o olhar duro. – Tori, meu bem, você gostaria de um croissant com geleia de morango?

— Adoraria, Draco. – Astoria respondeu, sorridente.

Quando ele se ausentou, sua mãe puxou seu braço.

— Eu não sei o que você fez, mas...

— O que eu fiz, mamãe? Como a culpa sempre é minha? – ela encarou os olhos verdes gelados como os seus de sua mãe. – Sua filha querida era noiva de um homem excepcional, mas ainda assim não conseguiu segurar sua saia e resolveu dormir com outro, ou outros, vai saber o que essa-

— Não fale assim de sua irmã. – Sr. Greengrass a cortou com o tom de voz duro.

— É maravilhoso como vocês ainda a defendem. – ela sorriu de maneira triste. – Daphne, que não teve coragem de abrir a boca até agora, dormiu com McLaggen no primeiro dia que eu o levei lá em casa, vocês sabiam? E por mais que eu não o considere vitima dos charmes sem fim de Daphne, o que leva uma pessoa a dormir com o namorado da própria irmã? O que leva uma pessoa a querer fazer a outra sofrer a este ponto? Mas enfim, eu não vim fazer escândalos, eu acordei depois de um plantão de vinte e quatro horas onde eu fui uma pessoa útil e salvei vidas com Draco me convidando para sair, porque diferente dessa gracinha de filha que vocês têm e até vocês mesmos, ele se importa comigo.

— Você está sendo...

— Dramática mamãe? – Astoria riu. – E vocês viviam dizendo que minha rebeldia seria o fim dos Greengrass, bem, olhe o que Daphne fez. Aparentemente os Malfoy ainda gostam de uma Greengrass.

— Você não está sendo justa. – Daphne disse com um fiapo de voz. – Eu o amo.

— Quem você ama, Daph? Córmaco com quem você traiu seu noivo sistematicamente ou Draco que você implorou para continuar com você de joelhos depois que ele descobriu quem você realmente é?

— Você está me vendo como uma vilã que eu não sou. – ela murmurou. – Eu amo Córmaco, Córmaco e eu não podíamos ficar juntos.

— Porque aí você teria que ter alguma coragem aí dentro de você, não é?

Draco se aproximou da conversa tensa comendo um croissant e oferecendo outro para Astoria que o mordeu. Parte do recheio ficou no canto dos seus lábios, então Draco pegou seu dedo e esfregou no canto de seus lábios para limpar, num gesto completamente íntimo, na opinião dos Greengrass.

E antes que Daphne saísse pisando duro, Astoria pegou o dedo de Draco que limpou o canto de sua boca e o lambeu limpo.

— Agora sim está tudo limpo, quer dar o fora daqui?

— Agora. – Draco e Astoria não se despediram, acenaram com a cabeça e saíram lado a lado do salão.

— Eu os odeio. – Astoria disse quando eles voltaram para o carro. – E os amo ao mesmo tempo, é horroroso.

— E esse não é o normal? – ele sorriu pesaroso. – Espere até conhecer os Malfoy.

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Depois daquele dia, ver Draco e Astoria andando por aí não era incomum. Eles descobriram amigos em comum que nunca mais viram desde que se juntaram a ‘Os Traíras’. Não que os amigos de Draco fossem muito legais, mas os de Astoria eram ótimos. Encontrou Hermione Granger, coincidentemente amiga de trabalho de Tori, e uma colega de ensino médio que o odiou a vida toda com razão. Descobriu que ela ainda era amiga de Harry Potter – seu nêmesis durante a vida escolar – e tinha se casado com Ronald Weasley, outro cara que o odiava. Porém, com exceção de Ronald, todos aprenderam a lhe tratar bem quando ele aparecia a jantares com Astoria. Nunca seriam amigos, não depois do inferno que ele os causara nos tempos da escola.

Contudo, era maravilhoso estar com Astoria e seus amigos, ou com Astoria e seu único amigo de escola que restara, Blaise Zabini – que passou por toda a reforma angst boy e se tornara uma pessoa levemente decente, assim como o tal Draco Malfoy.

E toda vez que perguntavam se eles estavam juntos ela respondia:

— Bom, é o que parece, não é mesmo?

Descobriu que essa resposta o deixava angustiado, uma vez que gostaria que não fosse apenas o que parecesse e sim a realidade. Descobriu que seus amigos atuais e Zabini odiavam Daphne Greengrass e amavam Astoria, descobriu que os amigos de Astoria toleravam McLaggen e aparentemente iam com a cara dele.

Descobriu também, durante uma das outras duas ou três vezes que viram o casal de traíras juntos, que Astoria entrelaçou os dedos nos dele e eles fizeram aquele show de fingir serem um casal real, que ele a amava e não só fingia para irritar seus respectivos exes.

Mas, e o que fazer com isso?

Notas finais
Ultimamente eu ando numa bad grande, chamada depressão, escrever é legal, me deixa animada. E os comentários de vocês também, obrigada ♥ Juro que eu vou responder.