Wake Up To Your Dreams
2 Part of Me
Notas iniciais
Quando chegamos na festa, a primeira impressão que tive foi: estava lotada. Completamente lotada de pessoas ricas e influentes, mas muita gente bêbada já nos primeiros minutos da festa. Trágico.
Logo a Rô já foi tomar um Big Apple e energético e eu, como sempre, me sentei, tomei um refrigerante e belisquei uns lanches, sem muita fome. Eu era, aparentemente, a única completamente sóbria da festa. Mas então fui completamente surpreendida por um garoto, visivelmente sóbrio, que se sentou na minha frente nos banquinhos do bar.
– Oi – disse ele
Eu fiquei em estado de choque. Era o mesmo garoto que eu vira na X1, aquele gatinho com estilo roqueiro que eu tinha achado o máximo. Eu estava paralisada, até que vi um sorriso de lado no rosto dele. Cara, que sorriso lindo!
– O que foi? – disse ele, me tirando dos meus devaneios.
– Ahn? Nada! Oi! – eu disse, um pouco alto demais.
– Tudo bem? – disse ele entre risos
– Tudo, e você? – eu disse, completamente sem graça
– Tudo ótimo. É que achei estranho uma garota bonita como você sozinha assim... – disse ele, com um sorriso torto no rosto.
– Ah ta. E você? Por que está sozinho? – perguntei. Eu não sabia o que dizer.
– Bem, eu não bebo muito. E vim dirigindo, o que me obriga a ficar completamente sóbrio então...
– Eu também! – disse eu, entusiasmada
– Tem alguém com você? – perguntou ele
– Sim, a minha amiga, Roberta. Ah, olha ela ali – apontei e ele se virou para vê-la chegando sorridente acompanhada de um garoto tatuado e sem camisa.
– Oi! Esse é o Bruno – disse ela dando um tapinha no braço dele
– Oi – disse eu, tentando ser simpática – esse é o... pera, qual o seu nome? – perguntei com cara de idiota para o garoto sentado agora ao meu lado.
– Nicolas, e o seu?
– Fernanda, mas pode me chamar de Fê.
– Pode me chamar de Nico – disse ele com um sorriso malicioso nos lábios.
– Tudo bem, Nico – eu disse, retribuindo o sorriso.
A Rô me olhou com aquela cara de: hmmm... sei. E disse:
– Tá, vamos lá, Bruno. Vamos deixar os pombinhos sozinhos
– O que??? – eu disse
Ela saiu dando risada com Bruno na sua cola. Eu não sabia o que fazer. Me sentia completamente vermelha e não conseguia olhar nos olhos azuis de Nico, que eu sabia que me encaravam.
– O que foi? Algum problema?
– É que... eu nem te conheço e ela tem mania de fazer isso pra tentar fazer eu ficar com os caras, mas eu na maioria das vezes não sinto nada por eles.
– Na maioria das vezes, isso quer dizer que existem exceções. Você sente alguma coisa por mim?
Corei. Não conseguia acreditar nisso.
– Er... não sei. Você é lindo e... ai eu não sei o que eu sinto por você ta legal, eu nem te conheço direito!
Ele sorriu e disse:
– Se esse é o problema, vamos nos conhecer melhor. Meu nome completo é Nicolas Saint Gomez, tenho 17 anos, moro no Canadá há oito meses, sou natural de Las Vegas. Meus pais, Eduard Gomez e Erica Saint são de lá também, mas eu moro sozinho em uma casa um pouco grande demais pra mim. Tenho um cachorro, não gosto de gatos e curto Rock do tipo Metallica, AC/DC e outros. Não sou emo, não confunda os estilos. Adoro carros e tenho uma BMW X1. E acho que é isso. Agora me fale de você.
Eu estava chocada. Ele era muito parecido mesmo comigo. E era lindo também. Perfeito.
– Tudo bem, ahm... Meu nome completo é Fernanda Claire Dias, 16 anos, moro aqui faz dois anos, vinda do Brasil. Minha mãe se chama Carmem Dias e meu pai John Claire. Ninguém ousava zoar do nome dele por ele ser muito rico e tudo mais, mas ele tem um sobrenome feminino sim. Minha mãe é do Brasil, mas meu pai é daqui. Se conheceram em um evento em que meu pai, gerente de uma franquia da Lamborghini, e minha mãe, gerente de uma autorizada da Hyundai, estavam representando suas respectivas lojas. Também amo carros e curto Rock e Pop. Tenho um Lamborghini Urus. Sim, é um carro conceito, mas meu pai sendo gerente de uma franquia da marca, conseguiu uma sociedade para mim e eu acabei conseguindo a SUV. E... eu tenho um apartamento em Gramado, Rio Grande do Sul. Tenho uma cadela e... bem, acho que é isso.
Ele estava boquiaberto.
– Nossa, me surpreende que você não seja uma patricinha mimada como essas aí – ele disse, apontando para umas meninas de rosa, acenando para ele.
Nós dois rimos. Conversamos e nos conhecemos até às 3:30 da manhã, quando eu levei Rô para casa e ele levou Bruno, ambos bêbados. Mas não sem antes trocarmos números de celular. Nos despedimos e fomos para casa. Quando cheguei em casa, tomei um banho e me deitei. Levei a Rô pra dormir lá em casa e ela logo apagou. Coitada, teria uma ressaca daquelas. Mas ela tinha se divertido. Pelo menos isso. E eu também tinha me divertido. Deixado a parte de mim que nunca quis mostrar, de lado. A parte tímida e temerosa que nunca foi exposta. Eu me esqueci dela. Sabia que não precisaria mais disso. Não com ele. E ele, eu sabia, se tornaria uma nova parte de mim.
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