Wake Me Up
37 O Raiar de Um Novo Dia
Notas iniciais
Era engraçado como, ás vezes, as pessoas não percebiam o quão pouco sabiam sobre si mesmas até que a vida encontrava um jeito de lhes mostrar isso. Rebecca, por exemplo, sempre imaginou que soubesse tudo a seu próprio respeito, desde suas preferências musicais, até suas pretensões acadêmicas e amorosas, então, um dia, Aaron entrou em sua vida e a fez perceber que, na verdade, ela não sabia absolutamente nada.
A garota que ela pensava conhecer não era nem um décimo da garota que ela realmente era e a prova disso era que, aquela antiga Rebecca, jamais se atreveria a passar a noite no apartamento de um garoto como Aaron Greed. Ela jamais se atreveria a iniciar um beijo e jamais se atreveria a admitir que estava apaixonada por alguém, mas aquela nova Rebecca – a verdadeira – tinha se atrevido a fazer tudo aquilo e não se arrependia de nada. Ela tinha feito, exatamente, o que queria fazer e ali, na varanda, com Aaron a abraçando e a beijando de uma maneira que Vlad nunca tinha feito, Rebecca percebeu que aquela garota – a desinibida, corajosa e decidida – era a garota que ela realmente gostava de ser e, não, a garota ingênua e comportada que ela tinha sido durante toda a sua vida.
— Obrigada. – ela disse assim que seus lábios se afastaram dos lábios de Aaron em busca de ar.
— Obrigada pelo quê?
— Por ter me convidado para entrar no seu dormitório naquela primeira vez em que nos vimos. – Rebecca respondeu acariciando o rosto dele, com ambas as mãos, enquanto fitava seus belos olhos verdes – Obrigada por não ter me deixado em paz por um único instante desde então e por ter me tirado do sério mais vezes do que eu posso contar nesses últimos meses.
Aaron riu.
— Você deveria mesmo estar me agradecendo por essas coisas?
— Sim. – Rebecca espelhou seu sorriso – Sei que parece loucura, porque eu te odiava e odiava quando você me perturbava, mas foi bom você ter feito isso. Você me tirou da minha zona de conforto, Aaron. Me obrigou a agir e a pensar por mim mesma, me obrigou a enfrentar as coisas e... a enfrentar você. Então, mesmo que tenha me deixado com raiva algumas vezes, eu sinto que tenho que te agradecer porque foi por sua causa que eu cresci e que me tornei quem eu sou agora.
Aaron a encarou por um instante, como se tentasse absorver tudo que Rebecca tinha lhe dito e, então, a abraçou um pouco mais forte e depositou um beijo breve em seus lábios.
— De nada. – respondeu com uma nota de humor na voz que fez Rebecca revirar os olhos para ele.
— Não fique se achando. – ela deu um leve tapa em seu ombro esquerdo – Não sei se essa varanda tem espaço suficiente para comportar nós três.
— Nós três? – Aaron franziu a testa.
— É. Nós três. Você, eu e o seu ego enorme.
Aaron soltou uma gargalhada e Rebecca deu outro tapa no ombro dele, pedindo silêncio.
— Você vai acordar o seu irmão. – ela o repreendeu, mas Aaron fez pouco caso de seu comentário.
— Está chovendo. – ele observou – O barulho da chuva oculta todo o resto ao redor e, além do mais, o Christopher está morto de sono, Bee. Ele não acordaria nem se eu ateasse fogo no colchão dele.
— Acho que ele acordaria, sim. – Rebecca retrucou e, então, se aconchegou um pouco mais entre os braços de Aaron quando uma rajada de vento cortante invadiu a varanda, fazendo-a tremer.
— É melhor a gente entrar. – Aaron sugeriu já a guiando de volta para o interior do apartamento – Está muito frio aqui fora para você ficar só com essa camiseta.
Rebecca concordou e, então, ele a conduziu de volta ao quarto, onde ambos se jogaram embaixo das cobertas e adormeceram, apenas alguns minutos depois, ainda abraçados um ao outro.
Aquela seria uma noite da qual Rebecca jamais se esqueceria. A noite em que, finalmente, tinha desvendado todos os segredos de Aaron Greed e descoberto qual era a verdadeira sensação de se estar apaixonada porque, de repente, ela percebeu que mesmo tendo namorado com Vlad por quase dois meses, ela ainda não sabia como era aquela sensação.
Ao mesmo tempo, aquela também era uma noite que ficaria gravada na mente, e na vida de Aaron para sempre, pois era a noite em que ele, finalmente tinha descoberto que era possível amar alguém sem se machucar. Aquela era a noite em que ele, finalmente, tinha começado a se render.
***
Rebecca despertou, na manhã seguinte, sentindo o cheiro delicioso de panquecas e já estava a ponto de gritar para que Margareth não economizasse na calda de chocolate, quando a risada cativante de Aaron ecoou pelo ambiente, lembrando-a de onde estava.
Automaticamente, as recordações da noite anterior preencheram sua cabeça e um sorriso brotou em seus lábios quando ela abriu os olhos e se deparou com as belas cortinas brancas do quarto de Aaron, que já estava parcialmente iluminado pela luz do sol.
Há pouco mais de dois meses Rebecca repudiaria até mesmo o simples pensamento de poder acordar na cama de Aaron Greed, mas, agora, ela se sentia tão à vontade com a situação que era até engraçado ver o quanto as coisas tinham mudado naquele tempo. Aaron tinha passado de um bad boy convencido e arrogante a um garoto gentil e carinhoso e, ela própria, tinha deixado de ser uma garota tímida e certinha que sempre fora para se tornar uma garota decidida e corajosa.
Ela finalmente tinha se libertado de seu “Castelo da Barbie”, como Aaron havia dito um dia e o beijo da noite anterior tinha sido o passaporte para uma nova era. Uma era que não entraria para os livros de história, mas que marcaria para sempre a sua vida e a de Aaron. Aquele beijo tinha mudado todo o seu relacionamento com ele e, ainda que não soubesse o que aconteceria dali em diante, pela primeira vez na vida Rebecca não estava com medo de descobrir. Ela se sentia completamente pronta para enfrentar os desafios. E o primeiro deles seria encarar Aaron Greed naquela manhã.
Ainda sorrindo, Rebecca se levantou da cama e abriu as cortinas. Apesar de o sol estar parcialmente encoberto pelas nuvens, o dia estava claro e, fora o tapete de folhas amareladas e úmidas que cobria a calçada, não havia nenhum sinal da tempestade da noite anterior lá fora.
Rebecca arrumou a cama, escovou os dentes com uma escova nova que achou dentro de uma das gavetas do banheiro, penteou o cabelo e, então, seguiu para a cozinha, onde encontrou Aaron e Christopher reunidos ao redor do fogão.
Ao que pode entender, Christopher estava demonstrando a ele como virar uma panqueca na frigideira sem deixá-la cair e, a julgar pelos resquícios de massa de panqueca que estavam espalhados pelo chão, Aaron não estava sendo bem sucedido em suas tentativas.
— Não é tão difícil. – Christopher disse após girar uma panqueca no ar e acomodá-la novamente na frigideira, com maestria – Todo o segredo está no movimento do seu pulso. Entendeu?
— Acho que sim. – Aaron respondeu inseguro.
— Ótimo. Então, quero ver você tentar.
Christopher passou a frigideira para Aaron e ele tentou repetir os movimentos do irmão mais novo, mas ao invés de cair precisamente na frigideira, como havia acontecido antes, a panqueca escorregou para o lado e caiu no chão.
— Aff! Vá tomar no...
— Bee! – Christopher exclamou interrompendo o pequeno ataque de fúria de Aaron que, rapidamente, se virou para encará-la, largando a frigideira de volta no fogão.
— Ei. – ele a cumprimentou, envergonhado – Bom dia. Você acordou cedo.
— Não está tão cedo assim. – Rebecca caminhou até o centro da cozinha e se sentou sobre o balcão, sorrindo – O que vocês estão aprontando?
— Aaron me pediu para ensiná-lo a fazer panquecas, mas já estou arrependido de ter aceitado. – Christopher respondeu, voltando para o fogão e continuando o seu trabalho com as panquecas – Ele é um completo desastre na cozinha.
— Poxa! Valeu pelo apoio, irmãozinho.
— Sempre que precisar pode contar comigo, mano. – Christopher deu uma piscadela para Aaron e ele retribuiu mostrando-lhe a língua, o que fez Rebecca rir. Era sempre divertido observar os dois.
— E então – ela começou brincando com alguns talheres que estavam sobre o balcão –, qual é o motivo dessa aula matinal de preparação de panquecas?
— Bem – Aaron se afastou de Christopher e se aproximou dela –, você é americana e, até onde eu sei, americanos adoram panquecas.
— Ah, então você está destruindo toda a sua cozinha só para agradar ao meu fino paladar americano? – Rebecca sorriu – Me sinto lisonjeada.
— Para ser sincero, eu esperava que você não visse a parte do “destruir toda a cozinha”, mas você acordou bem antes do que eu imaginei, então... De nada. – Aaron olhou para Christopher por sobre o ombro e depois se voltou para Rebecca – Será que a gente pode conversar um instante? – ele perguntou segurando as mãos dela.
— Ah... – Rebecca sentiu as bochechas corarem – Tudo bem, mas... o Christopher não precisa de ajuda com o café da manhã?
— Não. – Christopher se virou para encará-la com um sorriso nos lábios – Pode ir. Eu dou conta de tudo sozinho. Além do mais, você estará me fazendo um favor se afastar o meu irmão da cozinha.
— Meu Deus! – Aaron reclamou atirando, em Christopher, o pano de prato que segurava – Hoje você tirou o dia para falar mal de mim, foi?
— Que mandou você ser um péssimo cozinheiro?
— Ótimo. – Rebecca desceu do balcão e puxou Aaron pela mão – Vamos lá, Sr. Péssimo Cozinheiro. Vamos conversar.
Fora da cozinha, Aaron guiou Rebecca através da sala, de volta ao quarto, e encostou a porta ao passar. Eles permaneceram se encarando por um longo tempo e, quando o silêncio, enfim, começou a se tornar desconfortável, Rebecca revirou os olhos e riu.
— Você me trouxe até aqui só para ficar me encarando, foi? – ela perguntou mexendo numa mecha do cabelo que estava um pouco embaraçada.
— Na verdade, não. – Aaron abriu um pequeno sorriso – Desculpe, é que eu nunca fiz isso antes.
— Isso o que?
— Conversar com uma garota assim. – ele apontou para ela, nervoso – Quero dizer, você sabe que tipo de cara eu sou. Digo, que tipo de cara eu era. – ele se corrigiu rapidamente – O que eu quero dizer é que eu não estou... acostumado a passar a noite com uma garota e, depois, tê-la aqui comigo de manhã. Eu... Enfim, eu só não sei o que fazer agora. Isso tudo é muito novo para mim.
— Ah. – Rebecca riu – É isso? Bem, se serve de consolo, eu também não sei o que fazer agora. A gente se beijou e dormiu junto, mas não é como se a gente estivesse namorando ou algo do tipo, é?
— Ahn... – Aaron começou sem saber exatamente o que responder. Apesar de achar que alguns beijos e uma noite dormindo de conchinha não transformava sua relação com Rebecca em um namoro, não tinha certeza se era realmente isso que ele deveria dizer. Até mesmo porque um namoro era exatamente o que ele queria com Rebecca agora. Ele só não sabia como agir em relação tudo àquilo. Nunca tinha tido uma namorada na vida, afinal.
— Bem, não importa. – Rebecca o interrompeu antes mesmo que ele pudesse responder qualquer coisa – Que tal a gente apenas aproveitar esse momento, hein? Afinal, é tão raro eu estar perto de você sem ter vontade de te matar...
— Ei! – Aaron riu – Que história é essa, Bee? Eu sou um cara adorável, tá?
— Ah, com certeza. – Rebecca revirou os olhos, sarcástica – Se procuramos a palavra “adorável” no dicionário, certamente o seu nome estará listado como um dos sinônimos.
— Pode apostar que sim. – Aaron deu uma piscadela e, então, sem nenhum aviso, puxou Rebecca para mais perto de si e depositou um beijo terno em seus lábios.
Ele a havia beijado muitas vezes após o beijo que trocaram na varanda, mas sempre que seus lábios se tocavam, Aaron sentia como se estivessem se beijando pela primeira vez. Era como se Rebecca o tivesse completa e incondicionalmente na palma de suas mãos agora, mas Aaron não se importava. Ele sempre repudiara a ideia de, um dia, ficar nas mãos de uma garota daquela forma, mas com Rebecca tudo parecia diferente.
Sem conseguir se controlar, Aaron separou seus lábios dos de Rebecca e a pegou no colo, fazendo-a soltar um gritinho de surpresa, enquanto ele a carregava até a cama. Ele não queria apressar as coisas e não queria que sua relação com ela fosse baseada em sexo, mas Rebecca ainda estava usando sua camiseta preta do Mickey Mouse e ver as belas pernas dela tão expostas, o estava deixando louco.
— Você é linda. – ele disse, assim que seu corpo se chocou contra o de Rebecca na cama e ela mal teve tempo de responder alguma coisa, antes que Aaron depositasse a mão em seu quadril e cobrisse seus lábios com os dele.
Em geral, tamanha proximidade deixaria Rebecca assustada ou constrangida, mas aquilo já não acontecia quando ela estava com Aaron. Quando os dois estavam juntos, havia apenas a vontade de ficar cada vez mais e mais próxima dele e Rebecca até podia ver aquele grande sinal de alerta vermelho, dizendo: “pare”, mas isso já não a influenciava tanto quanto influenciava antes.
— O café da manhã está pron... – Christopher começou a anunciar quando abriu a porta do quarto, mas ao dar de cara com Aaron e Rebecca se beijando sobre a cama, ele parou e arregalou os olhos – Caramba!
— Puta merda! – Aaron exclamou levantando-se da cama rapidamente, enquanto Rebecca ajeitava melhor a camiseta em seu corpo – Ninguém nunca te ensinou a bater na porta antes de entrar, não?
— Velho, por quanto tempo eu dormi?! – Christopher perguntou, sem se importar com os sermões do irmão – E o que vocês aprontaram enquanto eu estava dormindo, hein seus safadinhos?
— Sai daqui, Christopher! – Aaron caminhou até ele e o empurrou para fora do quarto, trancando a porta em seguida.
— Ei, mano! – a voz de Christopher ecoou através da porta fechada – A Bee vai ser minha cunhada agora, não é? Cara, isso vai ser muito irado!
— Se manda, Christopher! – Aaron exclamou e, após alguns segundos de hesitação, Christopher finalmente obedeceu e voltou para a cozinha – Cara, eu vou matar esse moleque. – Aaron disse encostando-se à porta – Juro por Deus que eu vou matar ele.
— Bem... – Rebecca se sentou na cama, meramente constrangida – Pelo menos agora eu sei que ele gosta de mim, né?
— É claro que gosta. Todo mundo gosta de você. – Aaron voltou para a cama e se sentou ao lado dela – Desculpe, Bee. Eu acabei me empolgando. Foi mal.
— Tudo bem. – ela abriu um sorriso tímido – Você não seria Aaron Greed se não se empolgasse, não é? Agora que tal a gente voltar para cozinha e tomar o café da manhã? Fiquei sabendo que o meu querido cunhado fez panquecas.
Aaron riu e, de mãos dadas, ele e Rebecca voltaram para a cozinha, onde encontraram Christopher já sentado junto ao balcão, atacando um prato de panquecas com mel. O garoto sorriu ao ver os dois juntos, mas não fez nenhuma pergunta e assim o café da manhã seguiu em paz.
Após comer três panquecas com calda de chocolate e tomar um grande copo de leite, Rebecca finalmente terminou sua refeição e foi lavar as louças. Aaron se ofereceu para ajudá-la, já que boa parte da bagunça que havia ali era culpa dele e, como Christopher havia preparado o café da manhã, Aaron permitiu que ele fosse jogar vídeo game, enquanto ele e Rebecca arrumavam a cozinha.
— Estou pensando em escravizar o seu irmão e obrigá-lo a cozinhar todos os dias. – Rebecca disse enquanto enxaguava os pratos e os passava para Aaron – Você acha que seria uma boa ideia?
— Se você estiver disposta a comer panquecas todos os dias... – Aaron deu de ombros – Essa é a única coisa que o Christopher sabe cozinhar.
— Sério? – Rebecca riu – Achei que ele fosse mais versátil. Mas e você, Aaron Greed? Qual é a sua especialidade culinária?
— A minha? – Aaron olhou rapidamente para ela enquanto secava um dos pratos que ela havia acabado de lhe passar – Bem, eu sou muito bom em comer o que as outras pessoas preparam.
— Nossa! – Rebecca riu ainda mais – Eu não acredito que você não sabe fazer nada, Aaron.
— Eu sei fazer alguma coisa. – Aaron se defendeu – Sei fazer macarrão. Mas só se for com molho branco. – ele explicou – Geralmente fica muito bom. As pessoas gostam. Eu posso preparar um pouco para o almoço para você provar. Acho que vai gostar do meu macarrão.
Rebecca terminou de enxaguar o último copo que lavara e, depois, fechou a torneira.
— Não vou ficar para o almoço. – disse, entregando-lhe o copo para que ele pudesse secá-lo – Tenho que voltar para a universidade.
— Por quê? Hoje é sábado. Você não tem aula. Além do mais, lá não tem nada de bom. Aqui pelo menos você tem macarrão.
— É, mas eu não tenho roupas. Não posso passar o fim de semana inteiro vestindo uma camiseta do Mickey Mouse.
— Não seja por isso. Eu posso te emprestar outra camiseta. – Aaron terminou de secar o copo e colocou o pano de prato sobre o ombro – Aliás, eu tenho uma camiseta do Pateta que ia ficar perfeita em você.
— Você tem uma camiseta do Pateta? – Rebecca arregalou os olhos, boquiaberta – Que tipo de fã estranho da Disney você é?
— Eu não sou estranho. – ele fez biquinho – Eles são os meus personagens favoritos, tá legal? Eu cresci assistindo a turma do Mickey. Não me julgue!
— Ok! – Rebecca ergueu as palmas das mãos, rendendo-se – Em todo o caso, eu não posso ficar aqui. Eu não moro aqui, Aaron. E eu preciso de roupas. Roupas de verdade – ela acrescentou – Não camisetas dos mais diversos personagens da Disney.
— E se for dos Looney Tunes?
— Chega de camiseta de desenhos. – Rebecca riu – Vou pegar o meu uniforme.
— Espera. – Aaron a segurou pelos ombros – Já que você tem que ir, então... será que eu posso te dar uma carona?
— Não precisa.
— Claro que precisa. – ele insistiu – Não é possível que você ache a companhia do motorista de táxi melhor que a minha. Deixa eu te levar até a universidade.
— A gente vai para universidade? – Christopher gritou da sala – Isso vai ser muito legal, Aaron. Eu sempre quis conhecer a universidade do tio Andrew.
— A universidade não é dele. – Aaron respondeu de má vontade – O Andrew é apenas o reitor. Ele vai perder o cargo daqui a alguns anos.
— Tanto faz. – Christopher pausou o jogo e se levantou, caminhando até onde Aaron e Rebecca estavam – Eu quero ir também. Por favor, me deixa ir com vocês.
— Não vai dar. – Aaron olhou para ele cheio de pesar – A Rebecca não quer que gente vá à universidade com ela.
— Porque não? – Christopher se voltou para Rebecca parecendo verdadeiramente chateado – Você não gosta da gente, Bee?
— Claro que eu gosto. – Rebecca abriu um sorriso constrangido para ele e, depois, se voltou para Aaron que estava, claramente, se esforçando para não rir – O seu irmão está apenas brincando com você, Chris. É claro que eu quero que vocês me acompanhem até a universidade.
— Legal! – Chritopher abriu um largo sorriso – Vou trocar de roupa e já volto. Não saiam sem mim. – ele advertiu antes de correr para o quarto e fechar a porta para se trocar.
— Você – Rebecca apontou um dedo para o rosto de Aaron – não vale nada.
Aaron apenas riu.
— Não faço ideia do que você está falando, Bee. Eu sou um anjo.
— Você é a pessoa mais trapaceira que eu já conheci. – Rebecca o repreendeu – Vou trocar de roupa e pegar minhas coisas. Já volto.
— Tudo bem. Vou esperar vocês dois na sala. – Aaron sorriu e Rebecca foi até a área de serviço buscar seu uniforme, antes de seguir para banheiro e trocar de roupa.
Cinco minutos depois, ela, Christopher e Aaron, estavam dentro do carro á caminho da universidade, enquanto Christopher parecia se encantar com todos os prédios históricos de Oxford e, também, com todas as garotas que passavam por eles pela rua.
— Aquela ali! – Christopher gritou ao ver uma bela morena de vestido azul atravessar a rua – Aquela ali é perfeita para ser a mãe dos meus filhos.
— Cala a boca! – Aaron fez careta – Você ainda deve ser virgem, moleque. Para de falar tanta besteira.
— Não é besteira. – Christopher retrucou voltando a se recostar no banco traseiro do carro – Sexo é uma questão biológica.
— Ah, é. – Rebecca riu – E o seu irmão entende tudo de Biologia. Ele passou uma semana estudando.
— Estudando Biologia? – Christopher franziu a testa – Achei que você estava cursando direito agora, Aaron. Mudou de curso?
— Não. Não mudei. – Aaron fuzilou Rebecca com o olhar – Isso foi apenas uma pesquisa extracurricular.
— Ah, tá. Entendi. – Christopher sorriu – A universidade tem dessas coisas, né? Agora, quanto à questão da minha virgindade, isso é algo totalmente remediável, tá bom? Eu só preciso encontrar a garota certa.
— Já procurou num hospício? – Aaron riu e Christopher se inclinou e deu um tapa em sua nuca – Ai!
— Não vi graça. – Christopher reclamou, mas depois começou a rir também e logo o carro ficou completamente tomado por gargalhadas, que quase fizeram Rebecca perder o fôlego.
Já em frente ao alojamento do St. Hilda’s College, Aaron estacionou o carro em uma das vagas livres que havia ali e Christopher foi o primeiro a saltar do carro, olhando maravilhado para as dezenas de garotas que aproveitavam o sol daquela manhã para passar um tempo nos jardins.
Como o uniforme só era obrigatório para as aulas, todas as garotas ali estavam usando vestidos ou shorts e Christopher parecia ter acabado de despertar no meio do paraíso.
— Meu Deus, eu amo tanto a universidade! – ele exclamou olhando ao redor como se não conseguisse manter seus olhos presos em uma única garota – Eu poderia estudar para sempre.
— Não se anime muito. – Aaron logo cortou sua alegria – Essa é uma faculdade apenas de garotas e, na maior parte das vezes, elas estão usando uniformes horríveis como este aqui. – ele apontou para o uniforme de Rebecca.
— É tipo uma escola para freiras?
— Não. – Rebecca passou a mão em seus cabelos, bagunçando-os um pouco – É só uma escola para moças e que tem princípios católicos, mas ninguém aqui está treinando para virar freira, tá?
— Centenas de garotas. Nenhuma freira. Nada de uniformes feios no fim de semana. – Christopher sorriu – Esse lugar deveria se chamar paraíso ao invés de faculdade.
— Eu mereço. – Aaron revirou os olhos e Rebecca tocou o ombro dele.
— Seu irmão. – disse ela – Com certeza aprendeu com você.
— Não mesmo. – ele sacudiu a cabeça, negando.
Rebecca ajeitou a mochila nos ombros e olhou ao redor, aproveitando a brisa fresca que soprava pelos jardins do St. Hilda’s College.
— Acho que é isso. – disse ela, após um pequeno instante – Obrigada pela carona e a gente se vê de novo na segunda-feira ou, quem sabe, amanhã. Acho que nós podíamos ir almoçar juntos, não é? O que vocês acham da ideia?
— Horrível. – Christopher foi o primeiro a se pronunciar – Você vai simplesmente largar a gente aqui assim? Não vai nem convidar a gente para entrar e conhecer seu dormitório.
Rebecca riu.
— Eu até convidaria, Christopher, mas esse alojamento é só para garotas e os garotos não podem entrar aqui.
— Nem para visitar?
— Nem para visitar. – Rebecca confirmou.
— Que droga. Então, porque você não vem fazer um tour pela universidade comigo e com o Aaron hoje? – Christopher sugeriu – Ele prometeu que ia me levar para conhecer a universidade toda.
— Não prometi, não.
— Cala a boca. – Christopher fechou a cara para ele e depois se voltou para Rebecca, sorrindo – O que acha, hein Bee? Você vem com a gente? E eu não quero te pressionar, mas eu só vou ficar sete dias aqui. – Christopher fez biquinho – Seria muito legal se a gente pudesse passar mais um tempinho juntos. Só nós três.
Rebecca olhou para Christopher por um instante e, depois, fixou seus olhos em Aaron que estava com um sorrisinho nos lábios parecendo se divertir muito com as artimanhas de seu irmão mais caçula. Era engraçado ver como Christopher tinha o mesmo espírito matreiro que o irmão quando se tratava conseguir aquilo que ele queria. Ambos pareciam ter um talento nato para a chantagem emocional.
— Ok. – Rebecca se deu por vencida – Vou subir e trocar de roupa e já desço para ir caminhar por aí com vocês, está bem?
— Está ótimo. – Christopher acenou com a cabeça e, depois, estendeu a mão para Aaron, trocando um cumprimento desavergonhado com o irmão.
— Você também não vale nada. – Rebecca apontou para Christopher – Nenhum dos dois vale.
Então, ela virou as costas para eles e subiu a escadaria do St. Hilda’s para voltar ao seu dormitório e trocar de roupa. Não havia como dizer não àqueles dois espertinhos.
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