Wake Me Up
10 Encontros e Desencontros.
Notas iniciais
Os raios do sol atravessaram as cortinas brancas do quarto das garotas, fazendo Rebecca se remexer em sua cama, incomodada. Ela não sabia quanto tempo tinha se passado desde que fechara os olhos, mas não parecia ter sido muito já que se sentia tão cansada quanto estava quando se deitou.
– Apague a luz, Cadence. – ela resmungou cobrindo o rosto com o edredom.
– Eu não acendi luz alguma. – Cadence resmungou em reposta – Isso é o sol.
Houve um instante de silêncio, antes que Cadence se sentasse em sua cama, sobressaltada. Ela afastou a cortina de sua janela alguns centímetros para o lado e observou o sol, que estava meio encoberto pelas nuvens, mas já brilhava a todo vapor no céu, depois olhou para o pequeno relógio digital sobre sua cômoda.
Eram 08:10 da manhã, o que significava que ela e Rebecca já estavam dez minutos atrasadas para a primeira aula.
– Ah, meu Deus! – Cadence exclamou pulando de sua cama – Rebecca, acorde! Estamos atrasadas.
Com toda a confusão da noite anterior Cadence havia se esquecido de acionar o despertador e, como o celular de Rebecca havia estragado quando ela entrou no rio para salvar Edmond, nenhuma das duas conseguiu acordar a tempo.
Cadence se dirigiu as pressas ao banheiro para escovar os dentes e Rebecca sentou-se lentamente na cama, sentindo sua garganta arder e sua cabeça latejar. Levantou-se com certo esforço, dirigiu-se ao seu guarda-roupa para pegar seu uniforme e vestiu-se devagar.
Depois que Cadence saiu do banheiro, Rebecca seguiu para lá. Escovou os dentes, lavou o rosto e penteou o cabelo prendendo-o num rabo de cavalo frouxo, mas não passou nem mesmo um blush para amenizar o estado deplorável em que se encontrava. Sentia-se cansada demais para isso.
Quando saiu do banheiro, Cadence já estava devidamente arrumada e depois de pegarem seus materiais, elas se dirigiram para o prédio do St.Hilda’s sem nem ao menos tomar o café da manhã.
A professora lançou um olhar de advertência a Rebecca quando ela abriu as pesadas e ruidosas portas de madeira da sala e Rebecca se desculpou em voz baixa, indo sentar-se no fundo da sala, sendo seguida pelos olhares das outras alunas.
O restante da aula Rebecca passou, praticamente, debruçada sobre sua mesa. Sentia-se como se tivesse levado uma surra. Tamanho era o seu mal estar que ela não conseguia manter a cabeça erguida por cinco minutos sem sentir-se tonta.
Quando a aula terminou, Rebecca retornou ao seu dormitório a passos lentos e jogou-se em sua cama, adormecendo meio segundo depois. Acordou com Cadence debruçada sobre ela, observando-a.
– Você está bem? – perguntou Cadence e Rebecca negou levemente com a cabeça, arrependendo-se logo em seguida por fazer tal movimento.
Cadence encostou a palma de sua mão sobre a testa dela, sentindo sua temperatura, e lançou-lhe um olhar de preocupação.
– Você está com febre. Não deveria ter entrado naquela água gelada ontem a noite e passado tanto tempo com suas roupas molhadas.
– Que outra opção eu tinha? – Rebecca questionou – Se eu não tivesse entrado no rio ontem, Edmond provavelmente teria se afogado.
– Eu sei. Mas agora você está doente. – Cadence colocou a mão sobre a testa de Rebecca mais uma vez – Acho melhor eu te levar para a enfermaria.
– Não. – disse Rebecca rapidamente – Prefiro ficar com a Margareth.
Rebecca simplesmente odiava hospitais. Como havia nascido prematura, sua saúde era muito frágil em seus primeiros anos de vida e ela passara muito tempo indo a hospitais e fazendo exames. Agora, sempre que podia, preferia se tratar em casa e Margareth era muito boa nisso.
– Tudo bem. Me dê o endereço dela e eu te levo até lá.
– Não é necessário. Apenas chame um táxi para mim. – disse Rebecca – Eu consigo chegar lá sozinha.
– Está bem então. Vou chamar um táxi para você. – disse Cadence já se dirigindo para a porta – Enquanto isso, arrume suas coisas.
Rebecca assentiu e, assim que Cadence saiu, ela se trocou, colocou algumas peças de roupa em sua mochila e pegou o papel onde Margareth havia anotado o endereço do hotel e o colocou no bolso de sua calça.
Cadence retornou uns cinco minutos depois e ajudou Rebecca a carregar a mochila.
– Não quer mesmo que eu vá com você? – perguntou ela, assim que Rebecca entrou no táxi.
– Obrigada, mas não precisa. Eu vou ficar bem.
– Cuide-se então. – Cadence fechou a porta do carro e acenou em despedida.
– Você também. – respondeu Rebecca.
Ela entregou o papel com o endereço do hotel ao taxista e ele seguiu para o destino indicado. A corrida não durou mais que quinze minutos e, depois de pagá-la, Rebecca entrou no hotel e pediu a recepcionista que interfonasse para Margareth, avisando-a de sua chegada.
Um minuto depois Margareth apareceu no hall do hotel com uma expressão confusa.
– Becca, você não deveria estar na aula agora? – perguntou ela.
– Não estou me sentindo muito bem, Margareth, por isso vim para cá.
Margareth repetiu o gesto de Cadence e tocou a testa de Rebecca, assumindo um ar de preocupação logo em seguida.
– Santo Deus, Rebecca! Você está ardendo em febre. – Margareth exclamou – Porque não me ligou? Eu teria ido até Oxford cuidar de você. Não precisava ter se esforçado, vindo até aqui.
– Molhei o meu celular e ele estragou. – respondeu Rebecca – Por isso não liguei.
– Como molhou o seu celular? – Margareth pegou a mochila de Rebecca e a conduziu para o elevador.
– É uma longa história.
– Vai me contar essa longa história assim que estiver um pouco melhor. Agora venha, vou cuidar de você e depois ligar para os seus pais, para avisá-los.
– Não diga a eles que estou doente. – Rebecca pediu – Vão pegar no meu pé.
– Fique tranquila, vou apenas dizer que seu celular estragou. Assim não corremos o risco de eles tentarem te ligar e não conseguirem.
Rebecca deu de ombros.
– Então nem é necessário avisar, Margareth. Você sabe muito bem que nenhum deles me liga. Quando precisam me dar algum recado eles ligam para você. – ela disse com pesar.
Seus pais lhe davam tudo o que queria, mas a presença e o carinho ela só recebia de Margareth. Era com ela que Rebecca dividia quase todos os momentos importantes de sua vida e, embora entendesse que o trabalho de seus pais exigia que eles ficassem ausentes na maior parte do tempo, Rebecca não podia evitar ficar um pouco magoada com aquilo.
– Ainda que eles não liguem, não custa nada informá-los. – Margareth concluiu abraçando-a – Só por precaução.
Rebecca assentiu e as duas seguiram para o quarto, onde Margareth lhe deu um medicamento para gripe e dor de cabeça e depois a deixou descansar enquanto telefonava para seus pais. Quando ela acordou já eram quase sete da noite e Margareth a fez tomar um banho quente, jantar e tomar mais um medicamento. Àquela altura já estava bem descansada, mas Margareth a forçou a dormir um pouco mais. Ela era como uma mãe preocupada. Na verdade, até mais preocupada que a própria mãe de Rebecca.
Na manhã seguinte, Rebecca já não tinha mais febre e sentia-se bem melhor e mais disposta, então Margareth sugeriu que elas fossem ao shopping comprar um novo celular para ela.
– E então, que tal me contar aquela longa história sobre como você quebrou o seu celular? – Margareth sugeriu enquanto ela e Rebecca andavam pelas lojas.
Rebecca suspirou por um momento, pensando em como explicaria a Margareth toda a história. Optou por contar a verdade, deixando de fora a parte em que ela e Cadence haviam brigado por causa de Aaron e tudo o que havia acontecido depois.
– Bem, eu e a Cadence fomos a um parque próximo à faculdade ontem a noite e acabamos por encontrar, por acaso, o colega de quarto do Ty. – Rebecca começou.
– Não me diga que aquele garoto jogou seu celular na água só para te irritar. – Margareth supôs, interrompendo-a.
– Não. Ele estava com uns garotos por lá e acabou jogando um deles dentro do rio. O garoto machucou a perna e quase se afogou, então eu pulei no rio para ajudá-lo, mas esqueci o celular no bolso e foi assim que o estraguei. – Rebecca explicou – Também foi assim que consegui esse resfriado.
Margareth parou, encarando Rebecca com visível preocupação.
– Você pulou num rio àquela hora da noite? – questionou.
– Margareth, o garoto estava se afogando. Eu não podia ficar sem fazer nada. – disse Rebecca, defendendo-se.
– Eu sei, Becca. E sinto muito orgulho por você ter um coração tão bondoso e ser tão corajosa, mas você podia ter se machucado. Aliás, vocês dois podiam ter se afogado.
– Mas não me afoguei. O único problema que tive foi ter estragado meu celular e pegado esse maldito resfriado.
– Graças a Deus. – disse Margareth aliviada – Mas e o tal colega de quarto do Ty? Ele não fez nada para ajudar? Pelo menos foi punido pelo que fez?
Rebecca soltou um suspiro profundo.
– Não. Ele não fez nada para ajudar, nem mesmo se importou com isso e também não foi punido, porque o garoto que ele empurrou ficou com medo de denunciá-lo.
– Mas isso não pode ficar assim, Becca. Ele podia ter matado esse garoto. Tem que pagar pelo que fez. – disse Margareth indignada.
– Sim, eu sei. Mas ele não vai pagar, Margareth. Eu e a Cadence prometemos ao garoto que não contaríamos para ninguém o que o Aaron fez a ele. Ele está assustado. Tem medo que o Aaron faça algum mal a ele caso ele conte o que aconteceu para alguém.
– Esse tal de Aaron é um marginal! – Margareth se irritou – Você e seu irmão precisam ter cuidado com ele.
Rebecca assentiu, imaginando o que Margareth faria se descobrisse que Aaron a perseguia e o que ele havia feito à Cadence.
– Agora, vamos mudar de assunto. – disse Margareth – Como estão os preparativos para a festa de boas vindas amanhã?
Rebecca arregalou os olhos para ela.
Com todas as confusões que ocorreram durante a semana havia se esquecido completamente da festa que ocorreria no dia seguinte e, agora que Margareth havia tocado no assunto, também percebera que não tinha notícias de Vlad desde que ele cancelara o encontro dois dias antes.
– Margareth, eu ainda não arrumei nada. – disse Rebecca sobressaltada – Preciso comprar um vestido para a festa e sapatos novos.
– Então vamos aproveitar que estamos aqui e já compramos tudo. – disse Margareth guiando-a para uma loja da grife Reiss que ficava no terceiro piso.
Rebecca experimentou dezenas de vestidos de diversos modelos e cores até encontrar um que gostasse.
O vestido escolhido era longo e possuía uma saia evasê feita de um tecido fino de cor azul turquesa que se agitava conforme ela caminhava. Possuía um longo decote que era preenchido por um tecido de renda, assim como suas costas – que eram fechadas por dezenas de pequenos botões delicados – e suas mangas curtas. A cintura franzida era ornamentada com um cinto fino de pedrarias da mesma cor.
– Está parecendo uma princesa, Rebecca. – disse Margareth encantada.
– Obrigada. Agora vamos atrás de um sapato bem bonito. – disse Rebecca indo retirar o vestido.
Elas se dirigiram, então, para a uma loja da Prada, onde Rebecca comprou um sapato de salto alto prata, cujas correias eram cobertas por pequenas pedrarias azuis e uma pequena bolsa azul esverdeada.
Não comprou brincos, pois tinha um belo par da joalheria Robinson Pelham, que sua mãe havia lhe presenteado em seu aniversário de quinze anos, que combinaria perfeitamente com seu vestido.
Então depois que comprou seu celular, ela seguiu de volta para o hotel com Margareth, passando antes num salão de beleza próximo dali para marcar uma hora para fazer um penteado e a maquiagem no dia seguinte.
Somente a noite Margareth a levou de volta para a universidade e, depois de gravar o telefone de Cadence em seu celular, junto com os outros que já havia pegado com Margareth, Rebecca se dirigiu até o dormitório da Brookes College para procurar por Vlad.
Bateu na porta algumas vezes e, um minuto depois, Mikhail a abriu.
– Oi, Rebecca. – disse ele, sorridente – Precisa de alguma coisa?
– Oi. – Rebecca o cumprimentou retribuindo ao seu sorriso – Eu queria falar com o Vlad. Ele está?
Mikhail olhou para ela confuso.
– O Vlad viajou ontem de manhã. Ele não avisou a você? – perguntou – Ele disse que ia te ligar para avisar.
– Ah. Provavelmente ele ligou, mas meu celular quebrou e tive de comprar outro hoje. – explicou Rebecca – Você saberia me dizer para onde ele foi?
– Ele foi para a França. Um tal diretor de uma grande universidade de lá apareceu aqui na terça-feira falando sobre um artigo que o Vlad escreveu semestre passado e o convidou para lecionar uma palestra na semana de tecnologia da universidade.
Rebecca o encarou feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz porque Vlad tinha sido reconhecido pelo artigo que fizera e triste porque, se ele eles estava na França, provavelmente não poderia ir à festa no dia seguinte com ela.
– Ah. Fico feliz por ele. – disse ela – Pena que nem pude me despedir.
– Não se preocupe com isso. Ele só ia ficar dois dias lá. Amanhã de manhã já está de volta.
Os olhos de Rebecca se iluminaram com a notícia.
– Quer dizer que ele vai chegar a tempo de ir à festa amanhã? – perguntou ela, contente.
– Com certeza. – Mikhail sorriu – Ele não perderia essa festa nem por um milhão de palestras francesas tediosas.
Rebecca agradeceu e, depois de pegar o número do celular de Vlad com Mikhail e passar o seu próprio número a ele para que o repassasse a Vlad quando ele retornasse, ela se dirigiu ao seu dormitório novamente.
Encontrou Cadence em uma pequena discussão com a mãe pelo celular. Ela havia passado dois dias sem telefonar e agora estava levando uma bronca. Isso fez Rebecca imaginar o que seus pais fariam se descobrissem que Cadence havia perdido a virgindade com Aaron logo no primeiro dia de aula. Não sabia exatamente que reação eles teriam, mas tinha certeza que Cadence não continuaria em Oxford por muito tempo depois disso.
– Minha nossa! Como ela enche o saco. – Cadence resmungou após desligar o celular – Ainda estamos em setembro e ela já está brigando comigo por causa do natal.
Rebecca sorriu.
– Ela acha que você não coseguirá consertar o trenó do Papai Noel a tempo? – brincou.
– Antes fosse. – Cadence se jogou na cama – Mas e então, eu te entrego para a Margareth doente e ela te devolve saudável e cheia de coisas novas? Puxa, eu quero ficar doente também.
– Isso é para a festa de boas vindas amanhã. – Rebecca explicou tirando suas novas aquisições das sacolas e guardando-as em seu guarda roupas – Já comprou suas coisas?
Cadence suspirou tristemente.
– Nem me lembrava disso. Mas não importa, pois eu não vou a essa festa.
– Achei que você ia comigo. – disse Rebecca.
– Com certeza não. Servir de vela para você e o Vlad não está na minha lista de objetivos de vida. – Cadence respondeu – E, também, depois de tudo o que aconteceu, não estou com o menor clima para festas. Vou ficar aqui terminando alguns exercícios, mas divirta-se por mim amanhã.
Rebecca fez um biquinho, mas depois assentiu. Certamente Aaron estaria por lá e, na atual situação, quanto mais longe Cadence permanecesse dele, melhor seria.
– Tudo bem. – disse Rebecca e Cadence sorriu.
Na manhã seguinte Rebecca levantou-se antes mesmo que seu despertador pudesse tocar. Estava tão eufórica com a festa que aconteceria logo mais a noite que mal conseguiu dormir direito, entretanto, não se sentia nem um pouco cansada.
Ela se dirigiu com Cadence ao bistrô que costumava frequentar para tomar o café da manhã e de lá seguiu para sua aula de Psicologia Comportamental I. Estava tão ansiosa com a festa, que a aula pareceu durar cinco horas a mais do que realmente durou.
Encontrou-se com Cadence na saída do St. Hilda’s e de lá seguiram para o dormitório, onde deixaram suas coisas e saíram para almoçar no The Grand Café. Mal haviam feito seus pedidos quando o novo celular de Rebecca tocou e o nome de Vlad apareceu estampado em sua tela.
– Boa tarde. – disse ele assim que Rebecca atendeu – Finalmente pagaram o seu regaste?
– Que resgate? – Rebecca perguntou sem entender.
– Passei tanto tempo sem notícias suas, que pensei que tinha sido sequestrada. – Vlad respondeu sorrindo – Como você está?
– Eu estou bem. E você? – o sorriso nos lábios de Rebecca praticamente ia de orelha a orelha.
– Estou ótimo. Acabei de chegar aqui em Oxford e o Mikhail me passou seu novo número.
– E como foi a palestra na Universidade de Bordeaux? – Rebecca perguntou, agradecendo silenciosamente ao garçom, que havia acabado de colocar seus pratos sobre a mesa.
– Foi maravilhosa. É uma sensação completamente nova e incrível. – disse Vlad animado – Queria que você estivesse lá comigo, Rebecca. Você ia gostar muito daquele lugar.
– Quem sabe, um dia, eu não assisto a uma palestra sua. – disse Rebecca – Agora que está importante, certamente muitas outras universidades vão te convidar para apresentar seus artigos.
Vlad riu do outro lado da linha e Rebecca, praticamente, podia ver o rosto alegre dele ao ouvir sua risada.
– Quem sabe. – disse ele por fim – Mas... E então, está animada para a festa?
– Com certeza. – respondeu Rebecca, após dar uma pequena garfada e sua macarronada.
– Que ótimo. Eu vou terminar de desfazer minhas malas e depois vou sair para comprar umas coisas, mas passo aí às sete e meia para te buscar. Tudo bem para você?
– Perfeito. – respondeu Rebecca – Te espero às sete e meia, então.
– Ok. – disse Vlad – Então até mais tarde.
– Até mais. – disse Rebecca e desligou o celular.
– Vejo corações nos seus olhos e ao redor da sua cabeça. – disse Cadence sorrindo – Será que isso é um indício de amor?
Rebecca corou um pouco, mas depois sorriu.
– Talvez seja. – respondeu ela e continuou com seu almoço.
Depois de assistir a segunda aula, da qual saiu meia hora antes do horário correto, Rebecca tomou um banho rápido, pegou um táxi e se dirigiu ao salão onde havia marcado de fazer o penteado e a maquiagem.
A cabeleireira amarrou parte seu longo cabelo cacheado em um coque frouxo, deixando algumas finas mechas dele soltas, juntando-se com a parte de seu cabelo que continuava solta, destacando seus belos cachos e emoldurando-lhe o rosto. Era um penteado comum, mas que ao mesmo tempo evidenciou os traços do rosto de Rebecca.
Já em relação a maquiagem, Rebecca optou por algo básico, com cores neutras, com exceção da maquiagem dos olhos, que ficou um pouco mais escura para destacar seus olhos cor de mel, já que a festa seria a noite.
Quando terminou voltou para o dormitório para se vestir e terminar de se arrumar. Completou sua missão retocando o batom vermelho vinho e aboliu os óculos naquela noite. Seu grau não era muito alto e geralmente ela usava os óculos apenas nas aulas ou para ler, por isso achou que seria viável não usá-los na festa.
– Como estou? – perguntou ela à Cadence assim que terminou de se arrumar.
– Perfeita. – Cadence elogiou – Eu te pediria em namoro se fosse o Vlad.
Como se esperasse uma deixa, o celular de Rebecca tocou e ela sorriu ao ver que era Vlad quem telefonava.
– E por falar no diabo... – disse Cadence brincando, antes que Rebecca atendesse o celular e pedisse que ela fizesse silêncio, tentando controlar a animação em sua voz.
– Está pronta? – perguntou Vlad do outro lado da linha.
– Estou sim.
– Ótimo. Estou aqui embaixo te esperando, já que não posso entrar aí.
– Estou descendo. – disse Rebecca e desligou o celular.
Ela deu uma ultima olhada no espelho e pegou a bolsa que havia comprado no dia anterior.
– Me deseje sorte. – disse a Cadence antes de sair.
– Desejarei sim. E espero que você me diga que se beijaram essa noite. – Cadence gritou para ela antes de a porta se fechar.
Rebecca desceu as escadas do dormitório do St. Hilda’s o mais rápido que conseguiu estando de salto e encontrou Vlad parado aos pés da escadaria da entrada do alojamento, esperando-a.
Ele usava terno e sapatos sociais pretos, mas não usava gravata. A blusa social branca que usava por baixo do terno estava com dois botões abertos, revelando um pouco de seu tórax levemente definido e seus cabelos cor de mel estavam um pouco bagunçados, por causa do vento, mas isso apenas o deixava mais atraente. Em sua mão direita, ele segurava uma pulseira com pequenas rosas brancas e delicadas.
Seus lábios se curvaram em sorriso radiante assim que viu Rebecca no topo da escadaria.
– Boa noite. – disse Rebecca descendo as escadas e indo até ele.
Vlad a segurou levemente pela mão e a fez dar um voltinha, algo que ela fez envergonhada.
– Passo dois dias na França e, quando volto, você está ainda mais linda. – disse ele, olhando-a encantado – Como faz isso?
– Não fale assim. – disse Rebecca de forma tímida.
– Eu só falo a verdade. – ele se defendeu e estendeu-lhe a pulseira de rosas brancas – É para você. Fiquei sabendo que na América é um costume presentear a sua acompanhante no baile com uma dessas pulseiras e decidi manter a tradição aqui. – ele sorriu – Também fiquei sabendo que o costume é que as flores combinem com a cor do vestido, mas como eu não sabia qual era a cor do seu, comprei estas. Espero que não fiquem tão ruins.
Rebecca sorriu e estendeu o braço para que Vlad pudesse colocar a pulseira de flores em seu pulso.
– Está é perfeita. – ela disse emocionada – Obrigada.
– Eu que agradeço por me dar a honra de passar essa noite ao seu lado e me livrar de uma noite extremamente chata ao lado do seu irmão e do seu primo. – ele brincou – Vamos?
Rebecca assentiu e, então, eles seguiram de braços dados para o enorme salão de festas da Brasenose College, o principal prédio da Universidade de Oxford, onde a festa de boas vindas estava para começar.
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