Wake Me Up

25 Amigo do Tipo Aaron Greed


Notas iniciais
Olá de novo, Não mudei nada nesse capítulo e também não vou mudar no próximo, porque eu sou apaixonada pelo próximo capítulo, mas só não vou postar ele agora porque preciso sair, então, quando eu voltar eu posto, ok? Boa leitura.

Aaron se remexeu na cama durante alguns minutos antes de abrir os olhos e, assim que o fez, os raios de sol que atravessavam as cortinas brancas de sua janela o cegaram, forçando-o a fechar os olhos de novo enquanto, mentalmente, xingava as janelas, as cortinas, o sol e todas as destilarias de uísque que existiam ao redor do mundo.

Sua cabeça estava pesada e a sua garganta implorava por água, mas a vontade de se levantar da cama parecia tê-lo abandonado totalmente. Aaron se espreguiçou e, quando sua mão bateu em algo sólido do outro lado da cama, ele se assustou e abriu os olhos ignorando a luz que fazia sua cabeça latejar.

Ao seu lado, Rebecca estava dormindo profundamente e Aaron logo cogitou a possibilidade de estar tendo algum tipo de sonho esquisito, porque era simplesmente impossível que Rebecca Andrews – a garota que tanto o odiava – estivesse em sua cama e, apenas depois de beliscar o próprio braço e esfregar os olhos três vezes, ele conseguiu acreditar que Rebecca estava realmente ali e que não tinha enlouquecido ou algo do tipo.

Então, completamente surpreso, Aaron se aproximou para tirar uma mecha de cabelo castanho que caía sobre o rosto dela, mas seu movimento acabou por despertá-la e quando Rebecca abriu os olhos e viu o rosto de Aaron tão próximo do seu, ela se assustou e, gritando, o empurrou para longe, fazendo-o cair da cama.

Milésimos de segundos depois o barulho ensurdecedor do corpo de Aaron batendo com tudo no chão preencheu o quarto.

– Ah, meu Deus! Aaron?! – Rebecca gritou debruçando-se na beirada da cama para vê-lo – Você está bem?

– Filha da... – ele resmungou enquanto fazia uma careta por causa da dor que atingia suas costelas – Você está tentando me matar?

– Me desculpe. Eu juro que não queria te empurrar desse jeito, mas eu acordei e dei de cara com você... Acabei me assustando. – Rebecca disse envergonhada.

No mesmo instante Aaron parou de se contorcer no chão e olhou irritado para ela.

– Você está me chamando de feio?! – ele exclamou ofendido.

– O que?! – Rebecca perguntou confusa – Não. Eu não quis dizer isso. Eu... Bem... É que você me pegou de surpresa, por isso eu me assustei. Não é porque eu te acho feio, nem... nada.

Aaron bufou e se colocou de pé, mas assim que se levantou sua cabeça latejou e ele foi obrigado a se deitar de novo.

– Você se machucou? – Rebecca perguntou, olhando para ele com preocupação.

– Não. Isso é só ressaca. Parece que um caminhão me atropelou. Tipo... umas cem vezes, sabe?

– Se você não bebesse tanto, não teria ressaca.

– Nãããão. É sério? Puxa vida! Como foi que eu nunca percebi isso? – Aaron disse num tom repleto de sarcasmo – Valeu mesmo pela dica, gênio! Eu prometo que vou tentar me lembrar disso da próxima vez em que eu for beber.

Rebecca fechou a cara para ele.

– Como você consegue me irritar tanto em tão pouco tempo?

– Acho que é um dom. – Aaron respondeu de mau humor – Aliás, o que é que você está fazendo aqui, hein?

Rebecca o encarou.

– Você não se lembra?

– Não me lembro do que? – Aaron perguntou levantando-se da cama.

– Do que aconteceu ontem, ora essa.

Aaron olhou para Rebecca por um instante, enquanto vasculhava a própria mente a procura das lembranças da noite anterior.

– Nós... transamos? – ele perguntou confuso.

Rebecca arregalou os olhos, chocada e depois arremessou um dos travesseiros nele.

– Mas é claro que não! – ela exclamou horrorizada – Como você pode pensar numa coisa dessas?!

– Eu acordo com você na minha cama e depois você me pergunta se eu não me lembro do que aconteceu ontem à noite. O que mais você queria que eu pensasse?

– Que tal que você estava caindo de bêbado e passou mais de uma hora chorando no meu ombro até pegar no sono? – Rebecca também se levantou da cama para poder encará-lo.

Aaron riu.

– Ah, claro! – ele disse cético – Isso inclusive deve ter acontecido logo depois de eu e você termos tomado chá e feito tranças no cabelo um do outro, não é?

– Eu estou falando sério, Aaron!

–Ah, por favor! – ele jogou as mãos para o alto, ainda rindo – Porque eu choraria justamente no ombro da única garota que não me deixaria sequer apertar os peitos dela depois?

Rebecca olhou para ele e cruzou os braços.

– Você é um babaca! – ela disse com raiva.

– Obrigado. – Aaron respondeu sem se abalar com a ofensa.

Eles ficaram se encarando em silêncio até que, por fim, Rebecca se cansou daquilo. Ela esperava que, naquela manhã, Aaron finalmente se abrisse um pouco e lhe explicasse todos os acontecimentos da noite anterior, mas ele parecia ter voltado a ser o mesmo bad boy irritante de sempre e Rebecca começava a sentir que estava mais longe que nunca das explicações que queria.

– Você realmente não se lembra de nada? – ela perguntou soltando um suspiro de frustração.

– Eu bebi uma garrafa de uísque. – Aaron deu de ombros – A noite passada está praticamente em branco na minha cabeça. Eu nem me lembro de ter voltado para cá com você e, por falar nisso, como foi que chegamos aqui?

– Nós viemos no seu carro.

– Você me deixou dirigir bêbado? – Aaron se surpreendeu.

– Não. – Rebecca respondeu calmamente – Eu trouxe você.

Aaron arregalou os olhos.

– Eu deixei você dirigir o meu carro?! – ele perguntou ainda mais surpreso.

– Deixou.

Aaron levou as mãos ao rosto e se jogou na cama.

– Ai, meu Deus! – ele disse desolado – Eu preciso mesmo parar de beber.

Rebecca revirou os olhos e riu.

– Você é um idiota. – ela disse deitando-se na cama ao lado de Aaron – Mas até que é engraçado.

Aaron retirou as mãos do rosto e olhou para ela, desconfiado.

– Engraçado tipo um palhaço de circo ou algo assim?

– Não! – Rebecca sorriu – Engraçado do tipo... Aaron Greed.

Aaron pensou naquilo por um minuto. Muitas pessoas já tinha usado seu nome para definir uma palavra, mas era a primeira vez que alguém o usava para definir algo bom. Em geral seu nome era sempre associado a palavras mais ofensivas, algo como: “você é um cachorro do tipo Aaron Greed” ou “você é um filho da mãe do tipo Aaron Greed” e, mesmo sem saber exatamente o que ser “engraçado do tipo Aaron Greed” poderia significar, ele ficou contente por Rebecca ter dito aquilo. Poderia até mesmo lhe dizer obrigado, mas ele era “um orgulhoso do tipo Aaron Greed” e não daria à Rebecca o gostinho de receber um agradecimento seu.

– Eu não entendi o que você quis dizer com isso, mas seguindo o seu contexto, acho que seria correto dizer que você é esquisita do tipo Rebecca Andrews. – Aaron respondeu, por fim, e se colocou de pé – Mas já que está aqui, porque não faz um café para nós, Rebecca? Considere isso uma forma de pagamento pelo pernoite.

Aaron piscou para Rebecca e seguiu para o banheiro para escovar os dentes, enquanto Rebecca o encarava, indignada por ele tê-la chamado de esquisita e ainda ter feito pouco caso com o elogio que ela tão bondosamente tinha feito. Por um minuto, Rebecca pensou em pegar suas coisas e correr de volta para a universidade, mas para sua infelicidade, assim que Aaron pronunciou a palavra “café” seu estômago começou a protestar, exigindo que sua fome fosse imediatamente saciada e como já estava mesmo atrasada para a primeira aula daquela manhã, ela decidiu se levantar e preparar o café.

– Gostei de ver. – Aaron disse ao entrar na cozinha e encontrar Rebecca fatiando um pedaço de bacon.

– Mais uma palavra e eu enfio essa faca em você. – ela retrucou de mau humor.

– Tudo bem. – ele sorriu e se sentou em uma das cadeiras do balcão da cozinha – Então teremos um café da manhã tipicamente americano hoje?

– Sim. Algum problema com isso? – Rebecca disse na defensiva.

– Não. Nenhum. Sabe, eu até gosto dessas coisas americanas. – Aaron deu de ombros – Inclusive, acho que da próxima vez que dormir aqui, você pode fazer panquecas.

Rebecca soltou a faca e se virou para ele.

– Eu não vou dormir aqui de novo.

– Porque não? – Aaron fingiu um biquinho – Achei que agora nós éramos amigos.

– O que, diabos, te faz pensar que nós somos amigos? – Rebecca perguntou com raiva. Não esqueceria nem tão cedo que Aaron a chamara de esquisita.

– Você dormiu na minha cama e a gente não transou. – ele respondeu calmamente – Diga o que quiser, mas mais amizade que isso só mesmo o seu namoro com aquele cara russo... Qual é mesmo o nome dele? Vladslav? Vladslau?

Rebecca o encarou por um momento, tentada a xingá-lo com o primeiro palavrão que passasse por sua cabeça, mas depois não resistiu e teve de rir.

– O nome dele é Vladmir.

– Eu sei. – Aaron disse rindo também – Mas eu não posso perder uma oportunidade de curtir com a sua cara. Fazer o que, não é? Eu sou engraçado do tipo Aaron Greed.

– Acho que você está mais para irritante do tipo Aaron Greed.

– Isso também. – ele assentiu – Mas e esse café? Ainda sai antes do almoço?

Rebecca terminou de fazer o café da manhã e depois se sentou ao lado de Aaron para comer. Enquanto saboreavam a refeição, os dois conversaram sobre diversos assuntos, desde os acontecimentos da noite anterior – os quais Aaron continuava jurando que não se lembrava, embora Rebecca ainda tivesse suas dúvidas sobre a veracidade dessa informação –, até os pontos turísticos de Nova Iorque.

Aaron não falou nada sobre si próprio, mas Rebecca não se preocupou em perguntar, pois tinha decidido adotar uma nova estratégia: Ao invés de investigá-lo ou interrogá-lo, ela apenas deixaria que Aaron se sentisse confortável o bastante para falar e, talvez assim, algum dia ele diria a ela o que ela queria saber. Sem pressa, afinal, ela tinha quatro anos pela frente em Oxford e, levando-se em conta o histórico de Aaron, era provável que ele ficasse na universidade por mais tempo que isso.

Quando terminaram de comer, Aaron ajudou Rebecca a lavar as louças e até se arriscou a começar uma guerrinha de água com ela enquanto isso. Como resultado, os dois tiveram que secar as poças de água que se formaram por toda a cozinha, mas até mesmo isso foi tão divertido que Rebecca mal pode acreditar que estava realmente se divertindo ao lado do garoto que, há algumas semanas, ela odiava mais que tudo.

Aaron parecia ter mudado da água para o vinho – ou quase isso – e, embora aquilo fosse preocupante, tendo em vista que ele não era nada confiável, Rebecca não pode deixar de sentir confortável e, até mesmo, feliz ao lado daquela nova e estranha personalidade que ele parecia ter assumido e, de repente, a possibilidade de tê-lo como amigo não lhe pareceu mais tão absurda assim.

Talvez uma amizade sincera fosse justamente o que Aaron precisasse.

Foi apenas quando se sentou no sofá e viu sua bolsa em cima dele, que Rebecca se lembrou de que ainda tinha uma coisa – uma coisa de naturalidade russa e que, por sinal, devia estar com muita raiva – com o que se preocupar. Ela pegou o celular e o ligou e, imediatamente, a tela acendeu com dezenas de mensagens não lidas, ligações não atendidas e recados de voz que, antes mesmo de ouvir, já a deixaram apreensiva.

– Tudo bem? – Aaron perguntou notando a expressão tensa em seu rosto.

– Não. – Rebecca disse colocando-se de pé – Eu preciso voltar para faculdade agora.

– Mas já? – Aaron se pôs de pé também – Achei você só ia voltar para a segunda aula. Ainda são dez horas, Bee. Você tem tempo.

– Eu sei, mas eu preciso voltar. Eu... tenho que fazer uma coisa. – Rebecca disse em tom de desculpa – A gente se fala outra hora.

Ela seguiu para a porta, mas Aaron correu e a interceptou antes que ela a abrisse.

– Precisa mesmo ir? – ele perguntou – Não está fugindo igual a última vez, está?

– Não. Não estou fugindo. – Rebecca respondeu, surpreendendo-se ao perceber o quanto realmente não queria ter de sair dali – Eu preciso mesmo voltar.

– Tudo bem. – Aaron disse triste – Então, será que eu posso te dar uma carona até lá?

– Não acho que seja uma boa ideia... – Rebecca começou a falar, mas Aaron a interrompeu.

– Por favor, Bee. Deixa. – ele pediu de forma quase suplicante – Não custa nada e assim eu posso...

Aaron pausou, pensando em como continuar aquela frase.

O que realmente queria dizer à Rebecca é que passar a manhã com ela tinha sido divertido de uma maneira que, para ele, há muito tempo não era. Ele não se lembrava exatamente quando havia sido a última vez que tinha se sentido bem daquela forma, mas tinha certeza que de havia sido há muitos, muitos anos e tudo o que queria agora era poder passar mais alguns minutos com Rebecca, para não perder aquilo. Entretanto, dizer isso a Rebecca implicaria em permitir que ela ganhasse um pequeno espaço em sua vida, algo que ele não sabia se poderia fazer.

– E assim você pode o que? – Rebecca indagou, tirando Aaron de seus devaneios.

– Assim... Eu posso pegar umas coisas que deixei no meu dormitório. – ele mentiu.

– Bem, se você precisa passar no seu dormitório, então tudo bem. – Rebecca concordou – Aceito sua carona.

Aaron sorriu.

– Legal. Eu só vou pegar a chave e... – ele parou, encarando Rebecca com uma expressão confusa – Onde você colocou a chave?

– Em cima da mesinha de cabeceira do seu quarto.

– Ótimo. Então eu vou pegar a chave, vestir uma camiseta e aí te levo lá. Pensando bem, acho que precisarei calçar um sapato também. – Aaron disse no mesmo instante em que o celular de Rebecca começou a tocar.

Ela olhou para a tela e depois guardou o celular na bolsa, deixando que ele tocasse.

– Não vai atender? – Aaron perguntou confuso.

– Acho melhor não. – Rebecca disse nervosa – Mas eu realmente agradeceria se você se apressasse.

Aaron assentiu e seguiu para o quarto, onde pegou a chave do carro, vestiu uma camiseta preta e calçou um par de Vans Skate Mid da mesma cor, antes de seguir com Rebecca para a universidade.

Assim que Aaron estacionou o carro em frente ao alojamento do St. Hilda’s College, Rebecca avistou Vlad sentado na escadaria do alojamento e seu coração se acelerou automaticamente ao ver a expressão furiosa que estava estampada no rosto dele.

– Ai, droga! – ela resmungou baixinho.

– Se não quiser descer, pisque duas vezes e eu dou marcha ré. – Aaron sussurrou para ela.

Rebecca engoliu em seco.

– Não. – ela disse respirando fundo e colocando a mão na maçaneta da porta – Eu preciso descer. Tenho que conversar com ele.

– Tudo bem. Então eu vou com você. – Aaron sugeriu – Só para garantir.

Rebecca olhou para ele.

– Quando foi que você se autonomeou meu guarda-costas?

– Em algum momento entre permitir que você dirigisse o meu carro e comer o bacon que você fez para o café da manhã. – Aaron brincou.

– Nem vem!

– O que? – ele perguntou confuso.

– Você não vai descer comigo. – Rebecca disse decidida – O Vlad te odeia e sua presença só pioraria a minha situação. Então, eu vou descer e você vai se mandar daqui.

– Beleza, Chapeuzinho. Você está mesmo a fim de enfrentar o Grande Lobo Mau sozinha?

– Grande Lobo Mau? – Rebeecca franziu a testa para ele – De onde você tira essas coisas?

Antes que Aaron pudesse responder, Vlad abriu a porta de Rebecca com força, fazendo-a se sobressaltar a tal ponto que um gritinho histérico escapou por seus lábios.

– Até quando você pretende ficar me ignorando? – Vlad perguntou enraivecido.

– Bom dia para você também. – Aaron o provocou.

– Cala a sua boca, Greed, ou eu juro que eu vou até aí e faço seu rosto se tornar parte permanente do painel desse carro. – Vlad o ameaçou.

– Oh, nossa... – Aaron começou a formular uma resposta maldosa, mas Rebecca estendeu a mão para ele, repreendendo-o em silêncio.

– Será que nós podemos conversar, Rebecca? – Vlad perguntou seco – Agora.

– Claro. – Rebecca assentiu com um breve aceno e Vlad afastou-se para o lado, fazendo sinal para que ela saísse do carro.

Rebecca obedeceu, mas antes que tivesse dado um passo para longe, Aaron desceu do carro e seguiu rapidamente até ela, agarrando-a pelo pulso para fazê-la se virar e encará-lo.

– Você não precisa ir se não quiser. – ele disse olhando-a nos olhos.

– Tire as mãos da minha namorada antes que eu arranque o seu braço. – Vlad disse irritado.

Aaron o encarou e depois deu um passo ameaçador na direção dele.

– Apenas tenta! – ele disse com seriedade.

Vlad semicerrou os olhos, enfurecido e partiu para cima de Aaron, mas antes que pudesse encostar um dedo nele, Rebecca se colocou a frente de Aaron, protegendo-o e, com isso, forçando Vlad a parar.

– O que você acha que está fazendo, Rebecca?! – Vlad exclamou, encarando-a completamente incrédulo.

– Estou fazendo o que é certo. – ela disse nervosa – Você não vai bater nele enquanto eu estiver aqui. Eu não vou deixar.

– Então, você vai ficar do lado dele? – Vlad perguntou furioso – É isso mesmo?

– Eu não estou de lado nenhum. – Rebecca retrucou – Só não quero envolvê-lo em algo do qual ele não faz parte. Isso é entre você e eu, Vlad. O Aaron não tem nada a ver com a nossa briga.

– Ele não tem nada a ver com a nossa briga? – Vlad soltou uma risada nervosa – Ele é o motivo dessa briga, Rebecca.

– Não, Vlad. O motivo dessa briga é o fato de que você nem me deixou explicar as coisas antes de começar a brigar.

– E o que mais você quer que eu faça?!

– Eu quero que você fique calmo. – Rebecca disse olhando-o nos olhos.

Vlad bufou.

– Você quer que eu fique calmo? Você passa a noite no apartamento do Aaron, volta para faculdade com ele e quer que eu fique calmo? – Vlad gritou – Você sabe quantas vezes eu te liguei essa noite, Rebecca? Por Deus! Eu nem consegui dormir desde que você me mandou aquela droga de mensagem. Eu fiquei feito um louco aqui, sem saber o que estava acontecendo com você ou se você estava bem. Você desligou a porra do celular sem nem pensar em como eu me sentiria e agora você quer que eu fique calmo?!

– Para de gritar com ela. – Aaron se intrometeu.

– Você quer que eu pare de gritar, Aaron? – Vlad disse entre dentes – Então, não se esconda atrás dela feito um cachorrinho e venha até aqui me fazer parar de gritar!

Aaron tentou se desviar de Rebecca e avançar para cima de Vlad, mas Rebecca segurou a barra de sua camiseta para impedi-lo. Ao seu redor, vários curiosos tinham parado para assistir a briga e Rebecca começou a amaldiçoar Vlad mentalmente por proporcionar um verdadeiro espetáculo para aquelas pessoas, mas agora que o show tinha começado, não tinha como fugir dele.

– Você não vai a lugar algum, Aaron. – Rebecca encarou Aaron com seriedade e depois se voltou para Vlad – E você vai parar com essa loucura. O que aconteceu com você, Vlad?

– O que aconteceu com você? – Vlad perguntou com raiva – Você o odiava, lembra? Eu ouvi você dizer o quanto Aaron Greed era completamente desprezível centenas de vezes! Como é que de repente você passou a defendê-lo assim, Rebecca?

– Eu estava errada sobre ele. – Rebecca admitiu, virando-se para olhar a expressão de Aaron rapidamente.

Era difícil dizer se ele estava feliz, confuso ou surpreso com o que ela acabara de dizer, mas pelo menos ele não estava exibindo o sorriso convencido que costumava exibir em situações assim e isso deu a Rebecca um motivo a mais para continuar com sua explicação:

– O Aaron não é a melhor pessoa do mundo, é verdade, mas ele também não é tão ruim quanto eu imaginava. No fundo, ele é uma boa pessoa, Vlad.

– Aaron Greed é uma boa pessoa? – Vlad soltou uma gargalhada – Você ouviu o que acabou de dizer? Não percebe como isso é ridículo, Rebecca? Esse cara – Vlad apontou para Aaron, que o encarou com raiva – não é, não foi e nunca será uma boa pessoa!

– Ou talvez você apenas não o conheça bem. – Rebecca o defendeu.

– E você conhece? – Vlad questionou – Uma noite já foi suficiente para vocês se conhecerem tão bem assim?

Rebecca olhou confusa para Vlad por um instante, mas quando sentiu Aaron cerrar os punhos atrás de si, entendeu perfeitamente o que ele queria dizer.

– Por acaso você acha que eu fui para cama com ele?! – ela perguntou ofendida.

– Você passou a noite no apartamento dele, Rebecca. O que você quer que eu pense?

Rebecca cerrou os punhos também e o encarou com raiva.

– Não quero que pense nada, Vlad! Mas que droga! O que eu quero é que você confie em mim! Eu não sou uma qualquer!

– Então pare de agir como uma! – Vlad gritou para ela e antes mesmo que Rebecca pudesse absorver as palavras de Vlad, Aaron partiu para cima dele e o derrubou com um soco.

– Eu avisei para não falar assim com ela! – ele disse dando um chute nas costelas de Vlad, antes de se voltar para Rebecca – Tudo bem, Bee?

Rebecca olhou para Vlad e depois para Aaron, sentindo as lágrimas quentes começarem a brotar em seus olhos. A situação já tinha fugido do controle e parecia que nada mais ficaria bem depois daquilo.

– Não. – ela respondeu baixinho.

Aaron a abraçou com carinho, olhando incomodado para as pessoas que os cercavam. Odiava curiosos e odiava ainda mais universitários curiosos, pois eles faziam cada discussão de relacionamento, cada briga entre amigos e outras coisas do tipo se transformarem em um show de circo durante semanas, sem dar um minuto de sossego para as pessoas. A rede de fofocas da universidade era a pior e Rebecca estava justamente no centro dela agora.

– Vamos sair daqui. – Aaron sugeriu, pegando Rebecca pela mão e a guiando de volta para o carro.

– E para onde nós vamos? – ela perguntou secando as lágrimas que escorriam por seu rosto.

– Para um lugar legal. – Aaron respondeu sorrindo – Vou te mostrar o que é ser um amigo do tipo Aaron Greed.

Notas finais
Aquele momento Aaron vs Vlad para apimentar as coisas kkk Não mudou nada, então vocês já sabiam do que esse capítulo se tratava e eu não vou perguntar se gostaram das mudanças e tal, mas para os novos leitores eu vou perguntar se estão curtindo a história. Beijos e até daqui a pouco.