Waiting For Something
2 Capítulo I
Konohagakure no Sato (Japão)
6 de Fevereiro de 2017
05:30
Acordou já irritada com o barulho do celular tocando. Sentou-se devagar na cama, coçando os olhos, esfregando as mãos no pijama depois. Bom, ia ser mais outro ano agora, não era? Ia se preparar para os vestibulares. Sabia que não ia ser fácil passar na faculdade de medicina, mas era isso que ela ansiava. Ainda sentada na cama fitando o chão, refletindo sobre essas coisas, seu celular começou a notifica-la de algo. Sabia exatamente quem era quando o celular tocava a música Paris.
[Yamanaka Ino 05:45] E aí, testuda?? Bora?? Passo de carro em alguns minutos.
Sakura suspirou. Não tinha motivos para se preocupar, o alguns minutos de Ino eram alguns sessenta minutos.
[Haruno Sakura 05:46] mano... quantas vezes você já dirigiu essa bosta? Porque sério, você acabou de pegar esse carro e...
[Yamanaka Ino 05:46] Tá recusando minha carona? Não se preocupe, eu sou quase um Kobayashi Kamui.
Sakura riu com a última comparação. Na verdade, teria medo de sair de carro com Kobayashi. Levantou-se e arrumou sua cama com os lençóis rosas, e seu ursinho que tinha ganhado de presente de seu melhor amigo. Sempre sorria ao pegá-lo todos os dias. Já usando a blusa e a saia, estava apenas prendendo sua fita no cabelo quando a mamãe Mebuki tocou na porta.
— Sakura? Já está acordada?
— Sim, mãe. – Respondeu, meio amarga. Não via necessidade de sua mãe acordar as 6h da manhã apenas para regular sua vida.
— Você vai pra escola hoje?
— É claro, é o primeiro dia de aula.
— Eu vou descer e fazer um café bem reforçado para você então, minha flor.
— Não precisa. – Ela respondeu, já saindo do quarto e dando de cara com sua mãe abaixada na porta, provavelmente olhando pela fechadura. Sakura revirou os olhos. – Eu como uma fruta, tomo um copo de leite e vou.
— Vai de bicicleta? Se quiser, eu posso te levar de carro e... – Disse, já apalpando os bolsos em busca de suas chaves.
— Não, não, mãe! Pelo amor! – Disse, antes que sua mãe já desligasse o alarme do carro, descendo as escadas com ela. Moravam em um sobrado tradicional. – Ino vem me buscar de carro.
— Quando Ino comprou um carro? – Mebuki perguntou, indo para a cozinha. Sua filha se sentou na mesa, que ficava separada por um balcão na cozinha estilo americana.
— Quando conseguiu juntar dinheiro o suficiente depois de anos trabalhando na floricultura.
— Sabe Sakura, se você quiser... — Começou ela, olhando para Sakura, que rapidamente se levantou com um pote e alguns morangos.
— Mãe, já conversamos sobre isso. Sem gastos comigo, tudo bem? Eu não vou me matar porque Ino tem um carro e eu não, nem nada do tipo. – Falou, comendo seus morangos em pé, olhando sua mãe.
Foi esperar Ino na porta da frente do sobrado, na escada contemplando Konoha pela manhã. Não havia levantado cedo nenhuma vez nas férias, e percebeu que até mesmo sentia saudades de ver as pessoas saindo pela manhã, o pequeno mercado de conveniências abrindo, o Sol começando a brilhar... Céus, como adorava o Sol, adorava a forma natural como ele iluminava e aquecia tudo que tocava. Lhe lembrava muito...
— Naruto! – Ela ficou surpresa.
— Sakura-chan! – Ele sorriu, abrindo a porta do passageiro do Novo Uno amarelo de Ino e dando um abraço apertado na garota.
— Naruto! – Ela repediu, empurrando-o com força. – O que você faz aqui?
— Bom, eu tava indo a pé na metade do caminho... – Ele foi contando enquanto eles entravam no carro. – E vi Ino passando de carro, e ela me ofereceu uma carona.
— Nada disso. – Contestou Ino quando os dois sentaram juntos no banco de trás. Os vidros do carro estavam todos abertos. – Esse imbecil me viu do outro lado da rua e começou a gritar. Apenas dei carona para não passar vergonha.
Sakura ria enquanto Ino e Naruto discutiam sobre como Ino era grossa com Naruto as vezes. Enquanto Ino dirigia para a única escola da pequena cidade, Sakura continuava absorta em seus pensamentos. Uzumaki Naruto era aquele garoto do balanço. Ficava triste em pensar que, mesmo quando seu coração dizia que devia ter dado uma chance a ele, continuou a negar sua amizade.
Era sempre grata pelo loiro ter ido vê-la escondido um dia na academia, enquanto ela treinava boxe. Viu o garoto pela janela e pronta para tirar alguma satisfação com ele, foi surpreendida por suas palavras. Ele disse que apenas a achava uma garota muito bonita e forte, e gostava de vê-la, apenas isso. Ela sorriu. Nasceu ali uma grande amizade.
Ino, Sakura e Naruto estavam parados na frente do Uno, conversando sobre o novo ano letivo e que todas as aulas de Sakura seriam junto com a de Ino. Aparentemente, garotas tinham um grande interesse em biologia. Logo um Jaguar XJ preto parou no estacionamento. Dele desceram Neji, Tenten, Rock Lee e Hinata.
Hinata foi a primeira a se aproximar, com grande acanhamento.
– O-Ohayo, minna-san...
— Ohayo! — Todos da roda responderam em coro.
— Mais um ano pra você, hein, Hinata? – Começou Ino.
— É-É... Eu realmente não esperava por isso...
— Em que sentido? – Perguntou Sakura.
— Só que... As matérias pareciam muito difíceis ano passado. – A morena respondeu.
— Nah, Hinata! Você é muito inteligente! Sempre vai se safar dessas! – Naruto disse, com grande sorriso no rosto, passando o braço pelo pescoço da colega, que ficou vermelha como um pimentão.
— Ao contrário de você, não é, Naruto? – Alfinetou Ino.
— N-Nani? O que quer dizer com isso? Eu estou aqui, não estou? – Defendeu-se Naruto. – Ei, Hinata, você tá bem?
Sakura riu. Toda a E. E. Konohagakure no Sato sabia que Hinata morria de amores por Naruto, exceto ele mesmo. Nesse meio tempo, Neji chegou, quieto e misterioso, como sempre. Não tirava os olhos de Hinata e Naruto, esboçando um sorriso muito discreto. Tenten, com seus cabelos presos em coque e usando calça legging ao invés da saia, estava bem próxima de Neji. Sakura sabia que algo acontecia ali, mas não era oficial. E logo chegou... Oh, não...
— Sakura-san! – O garoto estranho sorriu, abraçando Sakura de forma que até a tirou do chão.
— Kami... – Ela sussurrou. – Lee! Lee, me solte. – Ela gritou, se esperneando. O garoto a soltou.
— Gomenasai, Sakura-san. – Ele passou a mão no cabelo liso, que caia sobre uma franja. – É que não consegui me controlar depois de tanto tempo sem te ver...
— Corta essa, Rock Lee. – A rosada respondeu com rispidez.
— É, corta essa, Rock Lee. – Afirmou Naruto.
Foram andando pelo estacionamento e a eles logo juntaram-se a eles Shikamaru, Chouji, Shino e Kiba. Este último veio em direção a rosada com duas flores.
— Kiba! – Sakura sorriu, cumprimentando-o. – O que é isso?
— Isso, Sakura... – Assumiu uma pose estranhamente galanteadora, enquanto Shino observava a situação com graça. – É uma flor cheirosa para outra flor cheirosa. – Entregou a rosa cor-de-rosa a Sakura, que corou levemente.
— Obrigada, Kiba... Você é um cavalheiro. E a outra?
— Para a flor mais radiante, com certeza! – E estendeu a rosa amarela para Ino, que abriu a boca para falar só para ser interrompida por Sai.
— Ohayo, Ino. – Ele disse, dirigindo-se apenas a ela. – Acho que seria educado da minha parte perguntar como foi de férias.
— É, seria... – Ela disse, sorrindo de canto.
E foram, aos poucos, se distanciando do restante do grupo. Kiba virou-se para Sakura.
— Sabe, Sakura, estava pensando se nós... – Ele começou, e Sakura diria sim, se não fosse por uma BMW 760 que quase atropelou Kiba de propósito. Sakura ficou enfurecida.
— Ei, seu cuzão... – Ela ia começando, inflando o peito e indo para perto do carro, juntando as sobrancelhas, mas parou quando viu quem tinha feito aquilo.
— Seu cuzão? – O moreno perguntou, sério. Sakura sentiu um arrepio descer até o fim da lombar.
Sasuke Uchiha tinha acabado de confirmar que outro ano ia começar.
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