Cinco anos haviam se passado desde que o tempo levou tudo.


Lysel Vernay agora vivia nos arredores de Londres, em uma cabana escondida entre bosques e trilhas que não constavam em mapas. Era conhecida por alguns como curandeira, por outros como caçadora. Mas a verdade era que ela passava os dias vagando entre fragmentos do que lembrava – e do que sonhava.


Não havia como voltar.


Pelo menos, era o que ela dizia a si mesma.


Naquela manhã, o céu estava cinzento como sempre. Um cheiro de terra molhada e madeira recém-cortada pairava no ar. Lysel estava sentada na soleira de sua cabana, afiando uma lâmina curta sobre uma pedra, os olhos atentos, o broche negro ainda pendendo no pescoço como um lembrete silencioso.


Ela era mais forte agora. Mais contida. Mas os olhos dourados ainda carregavam aquela centelha estranha – o tempo ainda sussurrava para ela, às vezes em pesadelos, às vezes em sussurros suaves entre os ventos.


Um estalo de galho. Passos na floresta. Ela não se moveu.


Uma figura surgiu entre as árvores. Roupas de viagem, capuz levantado. A presença era inesperada, mas... não ameaçadora.


– Lysel Vernay? – perguntou a voz, masculina, jovem, com um sotaque levemente desgastado pelo tempo.


Ela ergueu os olhos. Não reconheceu o rosto. Mas seu corpo se enrijeceu.


– Sim? – respondeu com cautela, sem parar de afiar a faca.


O estranho deu um passo à frente, com algo nas mãos – um pequeno pergaminho selado com cera roxa, marcada com o símbolo do Éter.


– Tenho uma mensagem de Jéssica Vieira para você. Você tá disponível?


A faca parou. O mundo parou.


Lysel não respondeu de imediato. Apenas soltou uma risada baixa, quase incrédula. Depois, ergueu os olhos dourados para o visitante e sorriu. Um sorriso real. Antigo. Vivo.


Ela se levantou.


E o tempo

... prendeu o fôlego novamente.


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