Vítimas Das Decisões
4 Serial Killer
Notas iniciais
21:04
Kauan
Pedi para Marcelo vir até a delegacia, mandei viaturas e perícia para a fazenda. Não podia estar acontecendo outra vez. Não conseguia pensar e os três novatos me perseguindo não ajudavam em nada.
— Preciso que os três esperem Marcelo na entrada, verifique se ele está bem e a menina que está com ele.
— Entendido, Detetive. — Jean respondeu e os três desceram.
21:13
Marcelo
Assim que subimos a escada, três policiais pararam na nossa frente.
— Marcelo? — Um deles perguntou.
— Sim, tenho que falar com o Detetive Kauan. — Tentei desviar, mas eles entraram na frente.
— Vamos te levar para a sala de espera. — O mesmo policial segurou meu braço.
— Não. — Me soltei dele. — Vou falar diretamente com o Detetive.
— Você está sangrando. — Outro observou. — Vamos cuidar disso.
— Eu só quero falar com o Detetive.
— Mas ele pediu para verificar se você estava bem.
— Merda, vamos então.
Os três policiais nos guiaram para uma espécie de enfermaria.
21:28
Kauan
Desci até a sala onde eles deixaram Marcelo e Giovana, dois dos policiais novos estavam na porta como seguranças, eles eram dedicados, abriram passagem quando me aproximei.
— Detetive! — Marcelo falou quando entrei.
— Como estão?
— Bem. — Giovana respondeu.
— Preciso que me falem o que aconteceu, onde vocês viram o mascarado?
— O quê? — Marcelo parecia confuso. — Não vimos ninguém de máscara. Estávamos ocupados entre o corpo no chão e fugir.
— Marcelo, se vocês não viram ninguém de máscara, a investigação é diferente.
— Não preciso ver alguém de máscara para saber que outro assassino está à solta.
— Não é assim, precisamos investigar isso como um assassinato isolado.
— Existem serial killers por aí. — Jean falou.
— Você está falando sério? — Marcelo perguntou irritado.
— O telefone. — Giovana começou a falar. — Alguém estava na casa e deixou a gente entrar.
— Isso! — Marcelo apontou para ela.
— Não muda muita coisa. — Gabriel observou.
— Você sabe que estou certo. — Marcelo se levantou. — Mais pessoas vão precisar morrer antes que você faça algo, igual da última vez?
— Não posso começar uma investigação baseada em um sentimento.
— Ótimo! Te vejo quando a contagem de corpos estiver em quarenta. — Marcelo saiu e Giovana seguiu ele.
21:43
Marcelo
— Merda! — Bati a mão que não estava machucada no volante.
— E agora? — Giovana perguntou.
— Avisamos os outros.
— E se o Detetive estiver certo, não vamos assustar todo mundo sem motivo?
— Eu sei que estou certo… Você nunca passou por isso, quando o Detetive ver a cena do crime ele vai perceber. — Encostei a cabeça no volante. — E me desculpa.
— Pelo o que?
— Por te envolver nisso.
21:43
Giovana
Sabia o que Marcelo queria dizer com me envolver nisso. Um serial killer provavelmente iria me caçar. Um arrepio percorreu meu corpo.
22:48
Kauan
Chegar na fazenda era mais rápido com a sirene Policial ligada, levei os três comigo por que precisava mostrar o que eles poderiam enfrentar diariamente caso se tornassem Detetives, com sorte iria assustar eles. A cena do crime já estava isolada, os policiais responsáveis informaram que não encontraram nenhum sinal de outra pessoa alí. Respirei fundo antes de ver o corpo de Alecsandra. Assim que vi, entendi o que Marcelo estava querendo dizer, as tesouras, agulhas e outros objetos estavam em locais muito específicos do corpo, distância perfeita e só um golpe foi para matar, os outros foram de pura psicopatia. Mas não podia considerar outro assassino, acho que não iríamos sobreviver a outro.
— Vamos tirar o corpo daqui, preciso da autópsia o mais rápido possível. — Falei para um policial.
— O legista já acabou o turno dele.
— Não me interessa, ligue para ele, agora.
— Sim, senhor.
Fui em direção ao carro, parei por alguns segundos, digerindo tudo. Outro assassino sempre foi uma opção, me preparei para isso, mas agora que a possibilidade era real, meu estômago estava revirando. A pior parte era que parecia estar assistindo tudo a distância e precisava parar com isso caso algo ruim, pior, acontecesse.
— O que acha? — Jonas, que havia se aproximando perguntou.
— Espero que seja um caso isolado.
23:00
Marcelo
Liguei para Mateus, uma, duas, três vezes. Todas foram para a caixa postal. Ele não responder era normal, pelo menos era isso o que estava falando para mim.
23:01
Mateus
Marcelo não parava de ligar para o meu celular, estava deitado comendo pizza, ocupado demais pensando em como seria fácil abrir outra garrafa e beber, Alan foi para casa. Depois de algum tempo ele parou de insistir. Ótimo. Continuei comendo minha pizza.
23:05
Igor
Marcelo me ligou, pediu para ir até a casa dele, falou que havia chamado os meninos também. O tom dele era sério.
23:07
Lucas
Estava no carro, voltando para casa quando Marcelo me ligou.
— Onde você está? — Ele perguntou.
— Voltando para casa, problemas no set, depois eu te conto.
— Venha direto para minha casa. — Ele falou, sério.
— Eu sei que está com saudades, mas.
— Lucas. — Ele me interrompeu.
— Tudo bem, chego aí em uma hora no máximo.
23:05
Mariana
Giovana me ligou chorando, não entendi muita coisa do que ela falou só que deveria ir até a casa do Marcelo. Saí de casa correndo.
19/02/2021
Sexta-feira
00:05
Roberto
Marcelo estava andando de um lado para o outro na sala, inquieto, eu e Luan estávamos trocando olhares preocupados, ele não queria falar até que todos estivessem alí. Wesley, Igor, Mariana e Rodrigo chegaram juntos. Ela foi direto para o quarto com Giovana, que estava claramente abalada.
— Pode falar agora?
— Não. — Marcelo respondeu. — Lucas está chegando.
Só conversei com Lucas algumas vezes, dos cinco, ele era o único que se aproveitou da fama. Isso estava ficando interessante.
00:16
Victor
Chegamos na casa de Marcelo, não era tão grande, sabia que ele recebeu menos dinheiro do que Lucas, mas ele poderia estar vivendo em uma casa maior. Lucas estava nervoso desde o telefonema. Vários carros estavam estacionados na frente da casa, claramente mais pessoas estavam ali. Agora eu estava ansioso.
00:17
Luan
Lucas e seu assistente, Victor chegaram, Marcelo ficou mais relaxado quando eles passaram pela porta. Mariana e Giovana saíram do quarto, elas estavam chorando. Nenhum cenário na minha cabeça era bom.
00:19
Marcelo
— Tudo bem. Vou falar e vocês não pode me interromper, certo?
Eles concordaram com a cabeça.
— Alecsandra está morta, outro assassino está por aí e vocês provavelmente estão correndo risco de morte.
00:19
Igor
Marcelo estava sério enquanto falava sobre Alecsandra e um novo assassino. Senti vontade de vomitar.
00:19
Wesley
Não era possível, tinha que ser uma piada de mal gosto, muito mal gosto.
00:19
Luan
Aquele era o pior cenário na minha cabeça.
00:19
Rodrigo
— O que!
Foi a única coisa que consegui falar.
00:19
Roberto
— Marcelo, explica isso direito.
Falei antes da sala virar uma confusão com todos falando ao mesmo tempo.
00:19
Mariana
Já sabia que Alecsandra estava morta, Giovana me contou, mas escutar Marcelo falando em voz alta tornou tudo real. Segurei a vontade de chorar.
00:19
Victor
Assim que Marcelo falou do novo assassino, senti uma mistura de pânico e animação, estava vivendo algo que li durante muito tempo.
00:19
Lucas
— Alecsandra morreu? — Perguntei mais para mim mesmo do que para Marcelo.
Todos começaram a falar sobre o outro. Não conseguia entender nada, tentei levar e não consegui, minhas pernas estavam tremendo. Outro assassino. Tanto tempo depois?
— Silêncio. — Falei e ninguém ouviu.
— Silêncio! — Gritei e todos pararam de falar e ficaram me encarando.
— Onde ela estava?
— Na fazenda dela… o corpo cheio de objetos.
— E alguém usando uma máscara estava lá, a mesma máscara?
— Porquê todo mundo está fissurado em alguém de máscara?
— Então você não viu ninguém?
— Não, mas um de nós morreu no aniversário, isso não é o bastante?
— Ela poderia estar morta a mais tempo, quando foi a última vez que alguém falou com ela?
— Ela respondeu minhas mensagens no dia então mesmo que ela estivesse morta antes, alguém estava fingindo que era ela.
— E alguém estava na casa quando nós fomos lá. — Giovana conseguiu falar entre lágrimas.
— Cadê o Kauan? — Perguntei.
— Ele foi para a cena do crime. — Marcelo respondeu.
Estava irritado porque não acreditei nele. Não podia, a possibilidade era muito assustadora.
— Ótimo, durante o dia nós vamos até ele e esclarecemos qualquer dúvida. Até lá não vamos criar pânico.
— Você tem certeza que a teoria do Marcelo não faz nem um pouco de sentido? — Um dos amigos de Marcelo, Luan, acho, falou.
— Não vou voltar a viver com medo pensando que alguém pode aparecer atrás de mim tentando me matar, até outra pessoa aparecer tentando me matar.
— Pelo menos admitida que a parte das mensagens é estranha.
— Olha. Eu sei que para vocês isso é interessante, mas não é, pessoas vão morrer se Marcelo estiver certo, pode doar divertido agora, mas quando seu amigo estiver preso, sangrando atrás de uma grade onde você não pode fazer nada, as coisas não ficam tão divertidas.
— Você acha que estou feliz com a possibilidade de provavelmente ser morto? Não estou. Mas pretendo sobreviver caso venha a isso.
— Bom, ninguém te obrigou a se envolver com a gente, talvez consiga ir embora antes que algo ruim aconteça.
— Quer saber? Vai se foder. Ao contrário de você, não pretendo deixar Marcelo sozinho.
— O que quer dizer com isso?
— Que estava muito ocupado se aproveitando da fama que morte dos seus amigos. — Ele fez aspas com as mãos quando falou amigos. — Para se importar com Marcelo.
— Conversava com Marcelo por mensagens todo dia.
— E acha isso o bastante?
— Já chega! — Marcelo gritou. — Vão todos para casa, amanhã conversamos sobre isso.
— Mas…
— Vão. — Marcelo foi para o quarto dele e fechou a porta.
12:04
Kauan
O relatório do legista havia chegado, Alecsandra morreu no aniversário, a causa da morte foi um golpe, todos os objetos no corpo dela eram para teatro. Merda. O único lado positivo era que nenhum mascarado foi visto, infelizmente vazaram informações para mídia, alguns sites espalharam que outro assassino estava a solta, outros falavam de um fato isolado. Isso significa que precisaria fazer um comunicado oficial.
13:08
Marcelo
Não consegui prestar atenção na aula, todos estavam olhando para mim e sussurrando, falando da morte e debatendo teorias, as pessoas não me cumprimentaram no corredor, estavam com medo de se aproximar. Não as culpo. Assim que o professor fez a chamada, praticamente corri para sair da sala. Detetive Kauan mandou uma mensagem mais cedo falando que faria um comunicado oficial no almoço, a televisão mais próxima ficava na cantina, falei para os meninos me encontrarem lá. Pela primeira vez em todos os anos de faculdade, o canal sintonizado era o do jornal, algumas pessoas estavam assistindo, todos me jogaram olhares quando escolhi uma mesa. Igor chegou alguns minutos depois, Roberto em seguida. Os outros precisavam ir para o estágio ou trabalho, mas pediram para enviar qualquer informação. O jornal acabou e uma mensagem de plantão especial apareceu, Detetive Kauan estava em uma bancada com vários microfones, os três policiais que me atenderam na delegacia estavam ao lado dele, vários flash de câmeras, Detetive levantou a mão, indicando que eles precisavam parar com as fotos para que ele pudesse falar. Eles pararam.
— Boa tarde. — Ele começou a falar. — Estou aqui para esclarecer algumas notícias que estão sendo espalhadas em sites de notícias. Como vocês sabem, a design de roupas, Alecsandra foi encontrada morta no seu ateliê em sua fazenda. Mas o propósito é reafirmar que não existe outro assassino a solta.
— Como o senhor pode confirmar isso? — Uma repórter perguntou.
— Nenhuma ação nesse caso até o momento condiz com o perfil de um Serial Killer como Gio… — Ele parou no meio do palavra. — Máscara de porcelana. Estamos tratando como um caso isolado.
— Então a população não precisa se preocupar com outra onda de ataques? — Um repórter perguntou.
— Até o momento não, mas se outro assassino aparecer, dessa vez nós temos equipes especializadas para verificar isso.
Os repórteres começaram a fazer perguntas aleatórias, como os outros sobreviventes estavam lidando com isso, quem seriam as novas prováveis vítimas, quando seria o velório de Alecsandra. Detetive Kauan não respondeu nenhuma dessas perguntas. A entrevista acabou quando ele decidiu sair da bancada.
— Vamos embora? — Igor perguntou.
Estava tão focado na entrevista, aquela era a primeira vez que pensava na questão de ter que ir no velório de Alecsandra, também estava pensando quem estaria na lista do novo assassino. Igor me tirou dos meus pensamentos e então notei que todos ali estavam me encarando.
— Vamos. — Me levantei.
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