Vítimas Das Circunstâncias
11 Origem - Parte Dois
14/02/2016
Domingo
16:25
Marcelo
Durante o trajeto, Detetive Kauan nos mandou ficar quietos toda vez que tentávamos explicar a situação, quando chegamos na Delegacia uma policial levou Thainara para algum lugar e o Detive me levou direto a sala de interrogação.
— Sente-se aí. — Ele disse.
— Detetive, eu posso explicar tudo, mas você precisa trazer meus amigos, ele vai usar esse tempo para atacar.
— Até onde eu sei, vocês dois são os assassinos.
— Não somos, eu posso explicar.
— É melhor mesmo, e se um fato da sua história for diferente de algum que a Thainara contar os dois vão para prisão.
— E meus amigos?
— Primeiro sua história, depois vamos buscar eles.
Dois anos atrás
13/10/2014
Sexta-Feira
01:07
Marcelo
Daniel encontrou uma festa de hallowen e nos convenceu a ir, chamei Gustavo, Mateus e Guilherme, não era obrigatória uma fantasia, então ninguém quis usar uma, mas varias pessoas estavam fantasiadas, de princesas até assassinos, Daniel era muito mais próximo do dono da festa do que a gente pensava, quando acabou nós continuamos lá bebendo, depois de alguns copos, Alecsandra se deitou no sofá, não sei se dormiu ou só ficou esperando o efeito da bebida passar, eram quase quatro da manhã, Daniel, eu, Thainara e Ademir, o dono das festa, éramos os únicos que me lembro de estarem acordados.
— O que vocês acham de filmes de terror? — Daniel perguntou.
— Nada contra. — Respondi.
— Não gosto. — Thainara respondeu.
— Não fazem mais como os de antigamente. — Ademir respondeu.
— Meu problema com esse gênero são os que envolvem assassinos em série, é tudo errado. — Daniel se sentou no sofá.
— Como assim? — Perguntei.
— Para começar, tem as máscaras, todos querem uma coisa que chame atenção, algo que vai ser lembrado, mas eu acho que quanto mais normal a coisa que cobre o rosto, melhor.
— Então seu assassino perfeito usaria o quê? — Ademir perguntou.
— Algo bem simples, uma coisa que remeta aquelas bonecas de porcelana, tem que ser branca, para sujar de sangue no confronto final, visual é tudo.
— Falando em confronto final, qual sua opinião sobre eles, já que entramos no assunto. — Perguntei.
— Eu gosto deles — Daniel se levantou — Mas o problema é que só a protagonista participa, para mim, um bom confronto final deveria envolver todos que estavam na mira do assassino, e não só um contra um.
— Interessante, gostaria de ver isso em algum filme.
— A gente pode fazer isso. — Daniel falou com um tom sério.
— Pretende fazer faculdade de cinema?
— Não, nós podemos virar assassinos, tenho conversado com algumas pessoas na internet e não parece ser tão difícil.
— O quê? — Thainara também se levantou.
— Nós podemos matar pessoas ruins, trazer justiça para famílias que sofreram nas mãos dessas pessoas. — Daniel respondeu.
— Não somos justiceiros, você é maluco? —Falei.
— Tudo bem, só ia fazer isso se vocês fossem comigo.
— Ótimo — Ademir falou.
— Nunca mais falei isso, nem de brincadeira. — Me sentei no sofá, aliviado.
10/03/2015
Sábado
04:07
Marcelo
Acordei com meu telefone tocando, o visor mostrava que Daniel estava me ligando, e tinha 15 ligações perdidas dele.
— Alô?
— Marcelo, me ajuda, eu estraguei tudo, droga!
— O quê? Fale mais devagar. — Me sentei na beirada da cama, já procurando meu tênis.
— Vou te mandar um endereço, venha o mais rápido possível, Thainara já está a caminho.
— Thainara? O que está acontecendo?
— Não posso falar no telefone, rápido! — Ele desligou.
O endereço que ele me mandou era de uma fazenda perto da saída da cidade, o lugar era usado para consumo de drogas e outras coisas ilegais, enquanto descia pela única estrada de acesso vi o carro de Thainara parado perto da casa, procurei algum objeto no carro para usar como arma, mas não tinha nada que realmente machucasse alguém, desci do carro e fui em direção a cassa.
— Daniel? — Gritei.
— Aqui dentro. — Thainara respondeu.
Quando entrei na sala, mal pude acreditar na cena, Daniel em pé vestindo um tipo de capa preta, Thainara do lado com uma expressão de preocupação e alguém caído no chão com uma poça de sangue embaixo dele.
— Que merda é essa? Vocês o mataram?
— Não sei, quando entrei, ele já estava no chão e Daniel não falou nada útil.
— Comece a explicar que merda está acontecendo antes que chame a policia.
— Tudo bem, não precisamos de policia aqui, vou explicar, lembram daquela festa ano passado?
— Sim — Respondemos.
— Eu não conseguia parar de pensar em naquele negócio de fazer justiça com as próprias mãos, esse cara roubou varias lojas, e como ninguém conseguia colocar ele atrás das grades, eu usei as câmeras de rua para descobrir a rota até a casa dele.
— E decidiu matar invés de chamar a policia? — Perguntei.
— Não, eu só fui a casa dele vestido assim para dar um susto, mas ele surtou e nós acabamos brigando, cortei ele sem querer, depois ele caiu e bateu a cabeça e não acordou até agora.
— Como chegamos à fazenda então? —Thainara perguntou.
— Se ele acordasse podia gritar, os vizinhos iam escutar, não podia correr esse risco, então trouxe até um lugar isolado.
— Ele viu seu rosto?
— Não, estava usando isso. — Ele pegou uma mascara de porcelana sem expressão da bolsa.
— Tudo bem, vamos embora então.
— O que!?
— Ele não sabe quem você é, e aposto que não vai até a delegacia reclamar, temos que ir. Agora.
— Mas — Daniel começou a falar.
— Mas nada, vou ficar com essa bolsa, e nunca mais vamos falar sobre isso.
01/01/2016
Segunda-Feira
20:40
Marcelo
— Porque marcamos aqui, nós temos casas, sabia?
— Recebi umas mensagens estranhas hoje, deve ser uma brincadeira, mas não parece.
— Está preocupado com umas mensagens?
— Acho que é o Daniel, aquele dia na fazenda, a expressão fria no rosto dele, você viu também.
— Daniel surtou de vez, é isso que está acontecendo?
— Não sei, pense bem, dois anos atas nós falamos sobre fazer justiça, nós quatros éramos os únicos acordados, mas e se alguém escutou e fingiu que estava dormindo ou apagado?
—E essa pessoa se uniu com o Daniel anos depois? Você está ficando louco.
— Posso estar, é que estou com uma sensação ruim.
— Não é nada, amanhã falamos com ele e esclarecemos tudo.
— Certo.
14/02/2016
Domingo
17:06
Marcelo
— É isso, toda a verdade.
— Então vocês tinham um suspeito desde o começo, mas decidiram não compartilhar com a policia?
— Apontar dedos não iria ajudar em nada, e foi por isso que na festa eu falei para o Mike atirar, tudo se encaixou, a fazenda, a mascara, Daniel só precisava de uma historia de inicio, no caso eu que não fui um bom amigo para todos.
— Sua teoria de que outra pessoa na festa ouviu tudo estava certa, talvez não na festa, mas em outro dia ele pode ter falado com alguém que topou fazer isso.
— Vai me prender agora?
— Não, vou falar com o delegado. Você e Thainara vão no mínimo passar uma noite aqui.
— Uma noite? É muito tempo, ele vai matar mais alguém! — Kauan saiu da sala como se não tivesse escutado nada do que tinha falado.
Domingo
23:06
Guilherme
Estava dirigindo pelo mesmo bairro provavelmente pela décima vez, aquele maldito detetive parecia não se importar com o desaparecimento de Mateus, então decidi sair procurando sem ajuda de ninguém. Meu telefone tocou. Numero desconhecido, Matheus? Não, ele estava com o celular quando sumiu, talvez seja o assassino ligando para avisar que sou a próxima vitima, atendo.
— Alô? — Uma voz de mulher está do outro lado, respiro aliviado.
— Alô, quem é? — Pergunto.
— Você é Guilherme? Seu amigo Mateus está apagado na minha casa e preciso que venha buscar ele.
Freio o carro na hora, o motorista que estava atrás me xinga e faço sinal para ele fazer a ultrapassagem.
— Onde você mora?
— Vou mandar o endereço por mensagem, precisa chegar aqui em menos de uma hora, meus pais voltam hoje da viajem.
— Tudo bem, já estou a caminho.
A casa é na direção oposta, faço a curva, mas antes de entrar na avenida paro o carro no acostamento, pego o celular e procuro o numero que o detetive nos deu em caso de emergência e mando uma mensagem:
“O encontrei. Obrigado por nada.”
Saio do acostamento e começo a dirigir o mais rápido possível.
Segunda-Feira
01:07
Ingrid
Acordo assustada com o barulho de alguma coisa caindo no quintal, meu cachorro não late, o que é estranho considerando que ele late para tudo, meus irmãos não acordaram, ainda bem, procuro meu celular, mas não encontro. Ligo o interruptor da cozinha, mas a luz não ascende talvez esse barulho sido a caixa de energia dando defeito. Vou até o corredor que dá acesso ao quintal, minha porta tem um retângulo de vidro no meio, as luzes estão apagadas, mas a lua estava cheia e iluminando bem os fundos da casa, e graças a isso consigo ver alguém de capa preta parado na frente da porta. Corro para o quarto dos meus irmãos e tranco a porta.
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